Novamente, o mau uso do termo ”lavagem cerebral” e um exemplo bastante elucidativo de como que isso se manifestaria literalmente….

amish socialmente liberais, ateístas e homossexuais??
Se voce, hipoteticamente falando, fosse um professor e pesquisador na área de psicologia comportamental e conseguisse transformar um grupo de homens amish, que são heterossexuais, fervorosamente religiosos e socialmente conservadores, no seu exato oposto, ou seja, em homossexuais, ateus e socialmente liberais, por meio de maciça propaganda audiovisual, associando a sua ”religião” (cultura dogmática) com o típico comportamento ocidental e urbano, mais extremo, especialmente em relaçao a homossexualidade, então voce poderia escrever em seu trabalho que conseguiu fazer lavagem cerebral neste grupo de pessoas selecionadas.
Hoje em dia, em tempos de liberalismo social e demo(oligo)cracia, acredita-se que a maioria dos ocidentais estejam sofrendo ou sendo vítimas de lavagem cerebral. Pode ser verdade que as táticas usadas pelos ”engenheiros sociais” se consistam de fato em técnicas de hipnotismo coletivo. No entanto, outros fatores também devem ser levados em consideração. Por exemplo, a capacidade mental média da população alvo e as suas suscetibilidades comportamentais inatas ou biológicas, isto é, que são o resultado de maior epigenética, além da carga genética, diretamente produzida pela concepção primordial, do pai e da mãe.
O caso da homossexualidade é interessante. A maioria dos teóricos políticos conservadores, acreditam que o aumento ou suposto aumento (o que também poderia ser, ”maior visibilidade”) dos casos de homossexuais assumidos, seja um produto direto da lavagem cerebral que está sendo orquestrada pelo estado, por motivações escusas e sinistras (ainda que não tire este mérito deles, a parte final desta frase). No entanto, eles estão se esquecendo que genes e ambiente tem um papel mais do que fundamental na modulação de certas tendencias, de maneira complexa. Por exemplo, o aumento da idade dos pais para constituírem famílias (que tende a resultar em maior carga mutacional na criança), mais um ambiente cultural aberto para a diversidade comportamental, podem estar tendo um papel para muitos ”casos’. Da mesma maneira, o aumento da obesidade na população, que costuma ter como resultado, a redução do testosterona em homens e o aumento do mesmo em mulheres, em média, também podem ter um papel no aumento de casos de homossexuais, que por causa da cultura menos ranzinza a este estilo de vida, se tornam mais confiantes para ”se assumirem”.
Portanto, a conclusão ”lavagem cerebral” não parece fazer muito sentido para explicar este contexto (e vários outros).
Para que se possa diagnosticar como lavagem cerebral, deve haver uma modificação abrupta ou significativa do comportamento, de maneira que, processos naturais (predisposição ou estupidez, aceitação cega da narrativa imposta) não possam ter sido os principais vilões de tal situação.
Algo pouco provável que vá acontecer  é justamente o exemplo acima, dos amish. Primeiro, em relação a possibilidade de que uma universidade se sujeite a este tipo de estudo altamente imoral e arrisque sua integridade metodológica (momento de risos nesta parte, porque a tal integridade científica não parece ser uma constante, especialmente em termos morais, se temos cobaias humanas e não-humanas sendo usadas e descartadas, de maneira cruel). Segundo, pela igual improbabilidade de que qualquer grupo de amish ou de outros tipos super religiosos, pudessem aceitar a se sujeitarem a este tipo de experimento. Terceiro e último, ainda previamente especulativo. A possibilidade hipotética de que os amish possam modificar completamente o seu comportamento habitual, apenas para se adaptarem a ”religião” amish, ultra-reformada. Se isso acontecesse, minha aposta, seria de que a maioria destes homens se desligariam da ”religião”, ou mesmo, fundassem uma nova ceita, que preservasse os antigos preceitos. Aqueles que aceitassem, é provável que modulariam suas predisposições mais escondidas com o novo ambiente cultural.
Mas então por que que tantos ocidentais estão acreditando nos memes culturais da narrativa dominante tal como ”não existem raças humanas**” ou ”somos todos iguais”.
Primeiramente, é importante nos perguntar, qual que seria o real número ou percentual de ocidentais que acreditam de coração nestes memes. Claro que estou me referindo aos ”ocidentais nativos” ou de origem predominantemente europeia. Se de fato, tivermos um percentual estatisticamente robusto, isto é, com grande, gorda amostra de pessoas que foram questionadas, então nós poderíamos ter maiores certezas quanto a isso.
Suscetibilidades para internalizarem os memes culturais modernos, parecem se dar por duas vias
– estupidez na capacidade de interpretação da narrativa oficial + preguiça intelectual para investigação espontanea e pessoal + déficit na capacidade de capturar a imagem maior, o contexto, ”aquilo que importa” e relativismo niilista ou falta de idealismo, especialmente em relação ou em direção a ”oposição contextual” que é conservadora ou ”oposição natural” a favor da sabedoria prática e literal (que poderia ser resumido como ”psicologia e/ou cognição de gado),
– predisposições comportamentais contextualmente específicas (tal como no caso de ”se assumir” homossexual em tempos de desfiles coloridos por grandes cidades).
”Os” ocidentais estão sendo vítimas de lavagem cerebral??
resposta correta mais provável
Sim, parcialmente, porque técnicas de propaganda como repetição de frases populares de efeito como ”somos todos iguais” estão sendo empregadas diariamente por meio da mídia.
No entanto, não são todas as pessoas que estão modificando radicalmente o seu comportamento, mas apenas alguns grupos que, por meio de um ambiente mais aberto, estão decidindo se mostrarem do jeito que vieram ao mundo, não em termos literais, mas bio-culturais. A enfatização também tem um efeito. Antes, a família era o centro das atenções nas sociedades ocidentais. Hoje, são ”os” homossexuais, ”as” minorias étnicas, ”os” desajustados, que tomaram ou que foram colocados como exemplos morais a serem seguidos. No entanto, o alcance da narrativa é limitada, e sempre haverão pessoas que serão blindadas em relação a certos memes, mas não em relação a outros. Os memes culturais podem e parecem funcionar como chamariz, como um convite para assumir ou internalizar uma nova rotina de comportamentos que, por inúmeras razões, estavam sendo mantidos dentro de si, sem serem externalizados. O mundo humano é muito complexo. Por exemplo, a falta de mulheres para manter relacionamento, podem fazer com que alguns a muitos homens, se utilizem da máxima ”quem não tem cão, caça com gato”, e mantenham relações sexuais com outros homens. Muitas vezes, serão a vontade e a oportunidade que falarão mais alto (o mundo humano é complexo, mas tão pragmático quanto o ”mundo animal”. E neste exemplo, o pragmatismo parece ser mais importante para servir como explicação do que a complexidade dos ambientes sociais humanos, 😉 ).
Para terminar este texto, volto a repetir que, para que haja de fato, lavagem cerebral, existe a real necessidade de modificação abrupta do comportamento por causas não-naturais ou artificiais, em outras palavras, apenas em ambientes hermeticamente fechados, secretos ou fora da vigilancia da ética profissional, que se poderá modificar completamente o comportamento de um indivíduo ou de vários deles, apenas por propaganda. O que a propaganda tem causado aos ”ocidentais” é justamente a confusão mental, advinda da falta de sincronização ou coerencia correlativa entre aquilo que se ve e que se entende instintivamente, daquilo que está sendo dito que é, claro, com um queijo suíço de buracos de múltiplas exceções.
A estupidez das massas, isto é, de uma boa parte das pessoas, que tendem a ser
– intelectualmente mediocres,
– intelectualmente preguiçosas para evitar a mediocridade,
– energicamente extrovertidas para socializarem o máximo possível, sem se questionar se muitas das diretrizes impostas estejam corretas.
… é uma das causas principais para a sua letargia habitual.
Predisposições comportamentais e a capacidade humana de se adaptar a contextos impostos por seus ”superiores” (o equivalente ao fazendeiro de ”A revolução dos bichos” de George Orwell), especialmente em relação aos grupos que estão comportamental e também, implicitamente predispostos, amplia a ideia de que a lavagem cerebral seja muito efetiva, quando na verdade, está sendo utilizada para outras finalidades.
A ideia de lavagem cerebral se assemelha a da educação, onde que os princípios igualitários absurdos da filosofia revolucionária, desde a queda da Bastilha, que nos tratam como uma massa indissociável e essencialmente oca, preconizam que a causa para as nossas falhas, sejam inerentemente exteriores, porque ”seríamos” oprimidos (que está correto, mas nem tanto) enquanto que a minoria abastada seria de opressores. De fato, somos oprimidos, muito oprimidos,  e existe uma minoria opressora, mas também existe uma reciprocidade, onde que nossas tendencias para a estupidez, nos tornarão vítimas ideais para qualquer forma de opressão, porque quem não entende a realidade, está passível de manipulação, desde as mais sofisticadas até as mais tolas.
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