Arquivo de Tag | melancolia

O poeta, arrependido porém decidido

Se existe uma palavra mal educada e verdadeira que possa descrever o espírito de um poeta, não resta dúvida de que seja o ”arrependimento”. Os mais sublimes versos já escritos, em sua maioria, estão constituídos deste sentimento que tem potencial para ser corrosivo. O poeta chora pelas estrelas que pode ver, porque se pudesse, se tivesse uma força profunda e mesquinha dentro de seu ser, se cegaria para que não mais cheirasse o aroma de sua própria profundidade e de sua consequente consciência de morte. O poeta ama a vida que tem, mas a odeia também. Sua alegria ao encontrar a beleza de toda a natureza, respirando arte em seu estado mais puro e singelo, é contagiante, tal como falar de amantes inflamadas de paixões desconcertantes ou de juras de amor alçadas no esplendor da juventude, todo o sentir sem o filtro de verdades e certezas, estéreis de vivência e de consumação, que se consistem todas as matrizes de padrões de ilusão coletiva, que é o ato de dizer sem agir, de abusar das palavras, açoitá-las com a língua como um chicote, na tentativa de lutar contra a constante maré da liberdade associativa chamada verdade absoluta, a mãe de todas as filhas, as verdades imaturas ou que dependem da hierarquia e combinação para se sustentarem, imaturas como peças desgarradas de um quebra cabeças ou de mentes frescas e pueris que estão apenas tateando o mundo. O poeta sempre se arrepende e despeja este lamento de uma improvável recuperação, em seus versos mais tristes e solenes, emana dor de uma ação, um desenvolvimento inato, de sair do conforto de bênçãos sem substrato, em direção à meia verdade, entre o mundo do misticismo consciente de animais evoluídos em seu ato mais conhecido, mentir pra si mesmo e viver, e a verdade apessoal, assombrosa de um universo que não responde aos choramingos teus. Se arrepende, mas não tem volta, porque este é o seu lugar, se desenvolve, independente da escola ou da igreja, porque é certo que estas meias certezas te engolirão como seta do destino a lhe apontar, desde cedo sente o teu coração se apertar, mais e mais, sente medo mas não tem como se desvencilhar, não é cientista, frio em seus cálculos, másculo em sua bravura de olhar sem paixões, porque o poeta é o último dos místicos e o primeiro dos céticos, é o intermediário estado da melancolia, que é apaixonada e teimosa entre os espíritos que crêem, e  é bem mais contida e metódica, o cientista sem ter a sede e razão de viver, vive porque sabe que é aquilo que deseja fazer, sua mente lhe prepara antes de nascer, é um ser sem tempero, teu sabor e o teu cheiro não tem artifícios de paladar,  degustas a vida sem vivenciar toda a sua brisa de atitudes e de sentires, é tão certo de ti quanto é de sua realidade. Por este lado, se parece um bocado com o místico, ora dogmático, ora catártico, ora poético, a caminho da bílis triste deste tipo, o mais errante em estar certo de si é o poeta. Este é o que menos sabe, e talvez seja o mais sábio, neste aspecto, ele não duvida, ele vive a dúvida. tem mais perguntas que respostas, porque tem mais angústias que alegrias, é feminino, instável, temperamental, apaixonado pela vida, curioso sobre a morte e incapaz de estabelecer amizade com a dúvida. esta mais lhe parece com a mulher que casou por dote, que fode sem qualquer amor, ainda que sinta desejo na penetração, é um casal que se aguenta pela inércia do equilíbrio que emanam entre si. Funcionam de um jeito, mas precisam sacrificar o outro, onde se basearia no amor. Arrependido, o poeta é, mas está decidido a continuar seu caminho solitário, sociedades de poetas mortos existem, mas não existem as sociedades de poetas vivos, parecem se repelir quando tentam se encontrar e conviver, talvez porque precise do contraste, de triste, basta ele, o poeta e seu cantarolar.

Algumas bençãos…

Intuição, o elo perdido
Agir sem pensar, mas pensando em segredo, sem se perceber, o bater perfeito de asas, o pulo do gato, o farejo de um cão, a destreza de um leão, já nascem sabendo, lhes é natural ser um gênio da própria ação, à intuição, de pouco empenho e muita natureza, ao natural, com certeza. Pensar pela intuição, os animais sempre fazem. É pelo instinto que se comunica diretamente com nosso espírito, que a razão não nos deixa ver. O humano e seu destino de ser uma mistura, de saber sabendo do de saber sentindo, pela emoção, por estilo da criação, ainda dizem que o animal não é criativo, inventam-se uma vez e vivem então. Repetem o mesmo hábito, mas  aperfeiçoam com a intenção, de viver a vida.
É um jogo de escolhas, o sentir pela força da emoção intimista, de sentir-se e entender esta sensação, ou de privar-se, em busca de uma explicação, seja por um sacerdote ou lendo Don Quixote. Encontrar-se, enquanto que os animais já sabem de si, não se iludem com a ilusão, de ser o que não se espera,  se é.
O gênio em sua criação se degenera ao estado de um não-humano, de um fenômeno, uma manifestação, de confiar em si mesmo, de expor sua singularidade, de revelar parte de seu segredo, de seu pacto com Deus, ao qual todos os seres fazem. Ser mais animal, responder reagindo, mas depois de uma intensa reflexão, de alguns segundos, sorrindo para a razão, mostra seu amor pela verdade, por aquilo que se pode tocar, com mãos de fadas ou sons que exalam,  a confiança de seu instinto, a força em seu destino, e seguir.
Do anjo ao demônio, da empatia à razão
Fazer o bem?? Vamos todos então, só que poucos te entenderão. Vives a contemplar a sabedoria, espelhares teu espírito, em anestesia, a toda a realidade, podes ver o simples e o porquê de sua contorção, o homem está nu pra ti e não é por segundas intenções, és preciso em suas maquinas, de repente, se alucina, sente, percebes donde o erro brota, chamam-lhe o pervertido, mas quem faz o mal não é meu amigo, é o verdadeiro, o descabido estúpido, que não podes ver toda a pintura, bela, soturna, complexa e Simples, podes gravar todos os passos da bailarina, em seu único rodopio, seu peão, é o tempo, passado, presente e o que vem pela frente,
Nasceste um anjo, e terminaste demente de humanidade, de tão demasiadamente, sabe reconhecer os de ti, sabe reconhecer reflexos de espelho, de alma,
Tornaste o vilão, o próprio diabo, o peso do juízo, estão todos a afogar e você se sobressai alado, a observar, congelado pelo ar, frio desta montanha melancolia, tua identidade a te contestar como uma filha a um pai, quem eu sou, quem são eles, por que és tão diferente?? Por que está sempre ausente, solitário no meu pensamento.
Empaticamente, racional, que podes fazer o bem forte e enfraquecer o mal, mas quem liga, são todos boçais, tocando tambores de horrores, são todos uns animais, alguns são seus senhores, não podes fazer nada, tu não és ninguém, és um sonhador incompetente, um narciso que ainda não quebrou o espelho, que poucos vêem, não é interessante para a destruição coletiva chamado massa, que atropelam qualquer um que esteja a sua frente, não é um encantador de crinas inconscientes, não está aqui, teu corpo frágil sim, teu espírito apenas sobrevoa a terra, vermelha, humana ou verde, Amarela, cor de sede, tu tens fome de ação mas se perde em seu palacete de emoções, de sensações e percepções. Não é fatalismo, é a razão. Não crie expectativas e talvez…
A metáfora do avatar para explicar o gênio
Aquele que domina todos os elementos, que tem um grande potencial, um grande horizonte associativo, que vê padrões simples em seu mundo abstrato, que não confunde complexidade com confusão, que continua a pensar depois de adentrar a um mundo de múltiplas perspectivas, de muitas dimensões, que pode ver todos os lados de um  objeto inanimado e de fazer o mesmo ao fenômeno humano. O avatar, um gênio, o sábio que pode modificar os ventos e criar novas trajetórias. Ele não é dual, mas sente o atrito da competição, da dualidade, dentro de si. Ele não a vive, a entende, e cria a partir deste conhecimento, de sua singularidade, da interação de seu intelecto e de sua necessidade, única, poderosa e custosa.
Água não pode com o fogo, e este com o vento, a terra absorve a todos, mas pode ser perturbada por cada um de maneiras diferentes. E o genio, o avatar, lhe entende.

Tolerância, o mediador unitário do comportamento humano

Eu quero o doce agora e não daqui a uma semana, eu ainda posso negociar, mas o mais provável é que me decida já. Sou friamente ansioso, sereno. Não sou neurótico, mas levemente paranóico. Tolerâncias, à dor, à cócegas na palma dos pés, ao escrutínio alheio ou a observação coletiva, de uma apresentação, tolerância à provocação, ao insulto, à tentação de comprar sem ter dinheiro, ou de roubar, sem respeito ao suor alheio, especialmente se for de um irmão de classe, de um semi escravo familiar, da modernidade.
A tolerância é o mediador unitário do comportamento humano, tudo passa por ela. A tolerância à exposição de contas matemáticas, de historias abstratas, metafóricas de filmes iranianos, a tolerância à solidão, a melancolia, ou à festas cheias de amigos e de decepçao. A tolerância pelo aprender de um abecedário inteiro ou de perecer em algum lugar no meio, sem ter chegado na praia z. A tolerância ao ódio, à reação desmedida. Não se herdam genes apenas, ou melhor, para que se entenda, se herdam limites de tolerância, dos mais diversos tipos de comportamentos. Se herdam possibilidades, algumas que se mostram sem sobriedade, no primeiro ato da peça, outras que podem ser alcançadas, depois de muito esforço e de promessas. Não se pode desenvolver aquilo que não se herda. Se não tem o pergaminho de Tao, mas tem o de Confúcio, talvez se possa desenvolve-lo com base no impulso ou no empenho. Nunca na reza. Talvez se tenha talento suficiente, ou pode nascer sortudo com um fio desencapado e aprender muito sem ter feito nada de consciente, porque não é necessário que a razão esteja presente quando se vive ciente de si. Intuição é entender e perceber a própria natureza, se antecipar aos próprios pensamentos, ver neles uma qualidade de atitude e de complexidade, a mais simples, por favor. Alguns herdam paixões indecentes, outros recebem o pulso firme e veemente, não sai dos trilhos e segue em frente.
Tolerar, mas isso pode variar, a minha irritação não será a mesma que a do papa, só tendo um mapa, pra estimar, estamos todos previsíveis, se conhece um irmão ou um vizinho, e se vê poucas ondulações de seus espíritos. As vivências são únicas, a maneira de sentir é indescritível, você não poderia saber como que eu me sinto, nem eu de você. Mas isso não prova que somos porosos, meu eu não é pequenino, é tudo de mim, se é influenciado  não é porque o meu redor é seu senhor, é porque aceitou, mesmo se perceber, quem reage somos nós, temos vida e esta se choca com aquilo que está fora desta clausura de alma, nossa consciência. O livre arbítrio ou criatividade prática, é limitado porém visível e possível. Mas não escolhemos por sorte ou sem motivação, porque nos dirigimos, nosso corpo é nossa razão. Nossos cérebros não são uma massa de modelar, já existem modelos prévios a procurar. Se há espaço para certa atividade ou atitude, ele poderá ser preenchido. Se não há muito o que expandir, esta se fará contida. Existem limites e potenciais, não somos infinitos, nem somos todos iguais, mas estamos um pouco plásticos em nosso portar. O social é complexo, mas não podemos superar nossas próprias fronteiras, rios e mares nos impelem de prosseguir e nos transmutar. E mesmo que tenha uma vontade, oh meça, precisa se dar dentro desta carapaça velha e amarga.

Um combo de sonhos…

Som em cor..

Em forma, som que pode ser tocado, o som paralisado, lambido, usado, dom Corvino, vil asa do destino, Que mostra a beleza, por olhos de desatino, de fraqueza, de pus, de pianos sorrindo, um novo mundo que se move, entope minhas veias de sorte, um cavalo a galope a morrer n’água, isso não pode ser, é belo mas horrendo, certas belezas são medonhas, não são belas, não são de pura seda, à inspiração vem à mesa, estômago eu domestico e emagreço, sinto a saliva a me enganar, é um jogo entre dois trapaceiros, meu cérebro, um demente arteiro, quer me viciar sem ter segredos, me fazer de ti o seu brinquedo, e eu quero lhe mostrar, quem é quem manda neste galinheiro, pensamento rápido, Veloz, batendo asas enquanto escuta a música de minha noz, abra-te gostosa, eu vou come-la, vou entrar em ti e dormir, mil mundos e fatos retalhados, este é o meu quadro que construí, minha pintura é abstrata, está aqui, apenas o indigente que pode ver e dizer: ra!! voce mentiu!!

Alegria serena

Me esbaldo rente ao balançar,
Minhas pernas voam alto, a bailar pelo vento,
Risos e alegrias sem ter um porquê, vida basta, serenissima, quando se encontra a beleza de um respirar,
O silêncio humano e o cantar de pássaros tropicais, nadando em mares de morros, sem matas ou com o pouco de seu passado,
É minha alegria serena, sem razão, seu existir lhe basta, com uma inocência de criança, me ponho a brincar irresponsável, sonhos de terra arável, a capinar,
Meu outro lado, a moeda sem sombra, brilha, o ouro de se alegrar, e vivencia cada momento, cada dia é muito longo e um relatório a postular, páginas de mente, que voam insanas,  pelo tempo a consumar, o texto  deste micróbio de vidas, de personalidades, deste amor, pelo que há de vir, de viver,
Porque quem dança sempre com a melancolia, se torna preciso em encontrar alegrias, elas se destacam, brilham em meio à solidao, ao eco sem resposta, é apenas o meu som, são mais bonitas e sorriem, vem cá meu bem, preciso do seu perdão! Ser simples demais, trás sabedoria e com ela, uma tristeza incomensurável, é o peso de ser perfeito demais, não pode ter meu pobre rapaz, oh moça que se despe de vaidades invertebradas, seu esqueleto é de verdade, é frágil e pode quebrar,
Minha febre é sempre baixa e concentrada onde moram sonhos a pensar, frio e quente, Alegre e sereno, triste e aqui,
Meus olhos se abriram e vejo tudo assim,
Me puxa a decomposição, que eu decomponho em compor sonhos que outros verão, e sonham comigo, sintam o vento, de ser único e singular universo, pequeno, filho de Zeus, a criança que nunca cresce, a estrela que prefere a baixa densidade a festejar, linda a alegria de ser a beleza, de contagiar a tudo que está ao redor, do teu profundo eco e se despedir, até mais minha doce amiga, olá velha concebida, a razão triste chegou aqui, brincam duas  em sua gangorra, quando uma sobe a outra desce, também querem o vento aos seus rostos, querem sentir, e eu vos sinto em mim, melanco-Alegre, eufórico-triste, até os ossos, não sou quem vou decidir, minha razão será de proteção, para não cair, em desespero e me despir, nu com meus pelos e pedir, onde eu fui parar, fui longe de mais, eu preciso voltar, mas não sei mais onde estou, pra onde vou, quem eu sou, isso nunca, jamais, sei deste perigo que pode me consumir, é frágil o equilíbrio e não se terei fibra, mas quem sabe, o mundo de um zombeteiro romântico é sempre um futuro inesperado, seus padrões se fazem no ato, não são calculados, ele prevê mas não pode ser previsto, porque é um misto de  Sentimentos e de pensamentos, sua energia não tem controle, não tem parâmetros, queima de acordo com os eventos, sua razão é poderosa mas seu castelo se desfaz com um sopro, e o ciclo sempre retorna em si, que é o começo da euforia criativa, de analisar o existencial e pedir, me ponha a mesa.

Abstração não é confusão

O único número que realmente existe é uno, a quantidade é uma abstração, vários unos são aglomerados, mas também podem se partir, dividir ou multiplicar, o mesmo número, o indivíduo, o átomo a se procurar. Algumas quantidade são de indivíduos, outras são mutações, borbulham-se Novas formas, eis as vidas em seus canais, em seus ciclos essenciais,
O abstrato é o mais amplo, é a imaginação, só que ao invés de sonhos, nós temos fatos, que se relativizam pela ação, a verdade aqui podem ser muitas, depende do pulsar de seu coração, se sua paixão for igualitária, todos unos se verão, mas os verões são sempre únicos, indivíduos ou monções, chuva e raios lá no Alto, quente e vento, mil razões. Ou eu procuro por semelhanças, para criar um grupo coeso. Ou eu mudo as direções do vento e parto oceanos que não são os mesmos. Divisão ou comunhão, o sonhar a realidade, mais ampla e menos direta.
Corruptos da amplitude, devaneios em altitudes, abstração não é confusão, mas precisa ter pés no chão para nos ajudar na filosofia da ação, o harmonizar. Eu não vim para confundir, eu vim para apartar, não quero conflitos nem mal entendidos, quero o padrão coerente a se mostrar.

Estes olhos da loucura…

Morte ao redor, corpo pronto pra foto, pra cortejar seu último adeus, para brincar com os teus, que ainda vive, olhos melancólicos, será eu?? o morto vivo?? o poeta das lágrimas, a roupa, quem se importa, eu não me porto, não quero, sou vívido, mas doendo e insípido,
Estas fotos que se eternizam, mesmo no esquecimento, a loucura humana, inteira se mostrando, em vestidos belos, na sombra, na mãe e tortura,  seu bebé está morto, deixe-o partir, vivos e engodos, nesta imagem, são iguais, mas o morto é melancólico, chora a lágrima que não cai, o instinto do sábio triste é como uma longa noite, cinza e linda, tua lua se esconde, naquelas montanhas de nuvens, sua reação é para a vida, porque sabe muito sobre a morte, que guarnecida por excitações mórbidas, lança o dote, lhe quer, lhe quer na cama, sem foto ou pompa, quer lhe tirar o mel pela boca, por todos os poros, oh sábio triste, o melancólico, lute contra esta provação, olha o céu, juramentos, escreva e se liberta, eu sei, você não pode se esconder da própria sombra, mas pode se encolher e conservar-se sem desonra, sem o auto-morto, a auto-doença, o suicídio, a auto-dor, o auto apagar, não faça isso, deixe-se e mais cedo ou Mais tarde ela vai chegar, o mundo não é bom mas o seu é, busque seu tesouro e abrace-o em pé,
É morto vivo, é insosso algumas vezes, mas pode fazer mais por ti, estes olhos da bravura, da lamúria, do sentir, este acúmulo de lembranças a te exaurir, mas suas costas devem aguentar este peso e lá subir, no topo da montanha, tenho um beijo a te pedir,
Teus olhos da loucura, também são os de ternura, verdadeira e sem outras intenções, é direto a nossa conexão, sabemos sem pensar, nos olhemos e contemplar, mexe tuas pálpebras, está vivo, não guarde demais a tua energia, gaste-a consigo e comigo meu amigo, meu amor, meu irmão, minha flor, meu chão?? Meu pai, meu ardor, minha força, vamos todos então, tu precisas de um colo e uma bênção deste aqui,
O Santo louco que gosta de dias cinzas , de sobriedade, de razão e camaradagem, de sossego e liberdade, o Sol abafado pelo manto ou roupagem, e nós, livres de sua crueldade, de miolos quentes eu já tenho os meus, dia certo é chuva, de corpo inteiro, choremos nossos excessos, enxuguemos e de regresso, eu confesso, melhorei, Meus olhos agora, são da loucura a te pedir, tire uma foto minha, do meu primeiro adeus, serão tantos, e os teus??

Eu sei o que meus olhos sabem…

Minha bússola a olhar para o norte, antes via vultos, hoje eu vejo sorte, eu prevejo, parece fácil, basta juntar, a Ponte que falta ligar, eu confio em mim, meus olhos só vêem verdades, olham Sem piedade mas melancólico, e denotam: “isso é certo”.
Eu vejo e sinto, meu corpo toca, amor pelo descobrir e sustentar, um novo pensamento na minha coleção, minha realidade é por precisão, e pela humildade de um leão, confio em mim, Eu me amo, sou o casal de casamento longo, a comunicação é pelo olhar, pelo tato, eu não sei muito para o sistema, eu sei pra mim, sou o meu dono, o meu patrão, a minha empresa , nem imaginem, tudo é forte aqui dentro e vulnerável ao mesmo tempo,
Meus olhos sabem, abstrações a ampliar, o direto se subjectiva, o literal se pulveriza, pelo imaginado, imaginação, isso mesmo, isto é o abstrato, é a verdade maior, mais condensada, complexa, com pernas, um corpo inteiro, hierarquia, do cérebro ao queixo, do pescoço ao eixo, tem emoções, muda conforme a música, o vento cortante ou monções, a ideia, mãe de todas as outras, as organiza, dela que se observa a origem, desta panaceia de atitudes,
Se o rei está nu, eu vejo feiúra e não esperteza, isso é sabedoria, sapiência, isso é ver, antes de saber,
O saber genuíno e sincero, é o pensar sobre o sentir, é transformar emoções, o instinto, em destino, em ações, é denominar o recinto, de indagações,
Sapiência é saber vendo, crendo no que teus olhos podem tocar, é inabalável certeza de que este mundo não é um outro, subvertendo o aprender,
Não distorce, espaireça, tudo é leve no aprender, e quando se descobre a melhor arma, o conhecimento vem rápido a causar formigamentos,
Sentimento, não esta separado da reflexão,
Meu reflexo no espelho é meu maior talento, sou fraco em todo resto, porque eu nasci para viver, conservando meu pouco e ver,
Neutro e pessoal, vejo o que há por cima das nuvens, na mesma altura que as estrelas, eu vejo todo o contexto, eu pergunto porquês!!? E se??
Livros não são guias, são alimentos, internalizo o conhecimento, agora é parte de mim, como todo momento que aplaudi, que me chocou, que me fez elétrico, me fez rir, meu cabelo se espetou, oh meça, meu sonho chegou, vívido e verdadeiro, sonho o dia inteiro porque o mundo é um pesadelo, isso é o certo, é o sábio a se fazer, para não enlouquecer,

Mas sempre com os pés enfiados no chão até a raiz, porque a vontade de sair voando é alta, minha razão me mantém firme, aguenta, esta é a sua provação, sentir.

A mão da loucura e da razão

Eu não nasci escravo, porque escrevo, dono da razão, mas a loucura é minha dona, minha mãe, minha amiga, minha amante, um ser estonteante, que quer sempre mais espaço que merece, foi ela quem me apresentou à sapiência, foi paixão à primeira vista, podem acreditar, estava lá, de vestidinho simples, Rosas claras a enfeitar, eu, o matuto de duas caras, o homem que gosta de outros, me senti enfeitiçado, até imaginei vê-la como a mim, não um clone, mas parecido, rijo e com fome, cá estou, devora-me por sua paixão pela precisão, mas eu não posso muito, não sou um grande intelectual, minha força é antiga, é sabedoria, te intriga?? Nunca falha, é minimalista, acumula percepções, tenho um mapa, tudo é na base da lição, moral do dia, da noite, do coito, bestial ou de fronte, da reza de deboches, afiado à apontar, sou safado, não conte, ta??
A mão que dá prazer, em noites sem meu bem querer, à mão amiga que é mais forte, à gauche, pilantrinha do meu chão, dá-me força mas sou fraco, dai-me beleza mas sou barato, dai-me pureza mas sou rato, sou o Príncipe a omitir, minto mas tenho meus motivos, sou levado por seu cheiro à Beira do mar, canta aos meus ouvidos, a me apaixonar, sem convergir, eu me divirto, sou criança mas também sou bruxo, sem feitiços, só medos murchos, tudo é estúpido, Deus assim é, revoltas e barricadas, guerrilhas no meio da mata, o Mato contra a ralé, a mesma mão que me açoita com sua loucura, é a mesma que me amamenta em sua candura, vejo tudo e nado o lago de desejos, os espinhos da mais bela rosa, o sangue de seu Belo toque, me arranha, me ponha em choque, hoje eu vejo beleza porque aí está a harmonia, eu busco aquilo que mais me falta, água fria a acordar, fantasia e caráter, a me dominar, sem ter moral vã, tenho a principal, o certo a se fazer, com minha mão esquerda, de demônios e anjos, de extremos, sem ti, não posso ser, não sou escravo, porque eu escrevo, com meu coração acima de tudo, escrevo a ti, meu benzinho, meus mimos eu vou conseguir, sempre uma nova conquista há por vir, eu gosto de si, sua louquinha, minha loucura e minha razão,  de se aceitar acima de todos, acima do mundo, meu defeito, minha força, contra marés e mil diabos, meu otimismo me assombra, isso é normal. Literalizo tudo, mas vivo no abstrato, o que que eu faço?? Eu vivo.

Seriedade, o palhaço e o sábio

O palhaço está sempre num frenesi barato, ele não sabe a hora de parar, ele não tem freios, está sempre com seu nariz vermelho e redondo, rindo de tudo e de todos. O palhaço é o destruidor da seriedade, é o sádico carismático, é aquele que nunca leva nada a sério, que sempre leva tudo de maneira leviana, ele tira o valor da tradição, independente se a mesma for boa. Ele está sempre fazendo as suas algazarras, transformando tudo em algo sem valor, é um niilista, uma pessoa doente, que não leva alegria, mas a um estado constante de agitação indolente, infantilóide, ele é o destruidor da infancia e da maturidade, nunca é maduro, nunca sabe ser sábio, nunca sabe modular a hora de ser engraçado daquela de fechar a boca.

Já o sábio… em seu estado natural, é muito sério, com raras exceções, o sábio sempre está em busca da resolução dos problemas. é causal, sua seriedade se relaciona com a sua concentração, com a sua empatia, com a sua necessidade de harmonizar, de ser o filósofo natural. O sábio é bem humorado e algumas vezes não sabe modular o humor de maneira apropriada, mas ao longo de sua vida, se tornará mais atento a isso. O humor não tem moral, mesmo em seu conceito, nenhuma palavra tem um valor moral unitário ou unilateral. No entanto, o humor, que pode ser usado para produzir sorrisos sinceros, também pode e será usado de maneira irresponsável, onde que se busca pelo engraçado, por meio da destruição de reputações, a humilhação, o sadismo. O sábio legítimo, este ser muito raro, vai se tornando mais em mais empático, dando valor a tudo aquilo que expressa vida, que é, tal como os monges que evitam pisar em cima de filas indianas de formigas operárias enquanto varrem o chão de mosteiros. Este aumento de consciencia, de estar, se entender e entender o ambiente, de ver valor em tudo, pode ser muito pesado ao sábio, mas também será um aprendizado. O sábio, terminará caminhando para se tornar um inimigo do humor, porque o humorista, o palhaço, sempre relativiza, sempre rebaixa, ele tem um instinto poderoso de rebaixar qualquer grandeza, de reduzir a vida a uma piada de mau gosto, suas intenções até que podem ser as melhores (muitas vezes, não serão), mas a ridicularização da seriedade, tende a ter o efeito contrário, porque ao invés de reduzir, amassar, massagear o significado da vida e sua dúvida, do existir, do interagir, do ser, o humorista acabará por chegar ao mesmo penhasco existencialista, que tanto tenta escapar, porque todos nós sempre acabamos chegando a este penhasco, cedo ou tarde.
O poço de piche, o buraco negro da existencia, a morte, que o palhaço debocha, ao faze-lo com a vida, o sábio se tornará consciente dela, desde a uma idade muito precoce e alguns não terão estrutura, fibra emocional o suficiente para lidar com isso, com esta nova dimensão.
A dimensão da fragilidade e do amor a vida, é onde vive a melancolia, é o se despedir de cada momento único, como se nunca mais o visse novamente. Não temos a resposta quanto a isso, a única certeza que temos é a de que não temos certeza e os mais racionais, sabem que a probabilidade do fatalismo humano, de ser demasiado humano, de ser demasiado desperto, é o que parece ser o mais provável de ser verdade, mas claro, uma conta matemática de probabilidade em relação aquilo que não sabemos, não fazemos a mínima, a menor das ideias, ainda que possamos sonhar com elas.
O sábio está sempre em intensa interação com o seu próprio ser e como consequencia, com o meio em que está, com tudo aquilo que toca seus olhos precisos, seu passado não foi descartado, é ativo e utilizado com frequencia. Ele não vive o tempo, o vento de sua estadia enquanto energia enclausurada, sua vivencia é suspensa, presente, passado e futuro são um só.
O humor constante, muitas vezes revoltante, insensível do palhaço, expressa o seu estilo de ser, de viver, que está baseado fundamentalmente no presente. Sua capacidade apurada de destruir a vida com suas observações engraçadas, de faze-la menor, menos importante, é o produto de sua mente que despreza o passado e que reflete pouco sobre o futuro mais superlativo, mais extenso, o seu futuro é para daqui a pouco. Aquele que se consome especialmente pelo presente, é um consumidor natural, um materialista. O palhaço ri da falta de energia, de vida, que geralmente se encontra presente naquele que tem um equilíbrio natural de modular suas forças e viver mais ou ao menos, sem grandes dúvidas pesadas, sem encará-las. Mas ele é tal como o gado humano que tanto despreza, o consumidor materialista do presente, que ri do passado e despreza o futuro, o palhaço também é alguém no meio da multidão, o santo do deboche, sempre exagerado, sempre sem freios, sempre pisando nos outros, sempre agindo como um sábio, como se nao houvesse o amanhã, mas ao invés de abraçar a razão empática ou sabedoria, o palhaço abraça a revolta alegre e dispara como uma arma sem controle, tudo aquilo que lhe faz seco e lamuriante por dentro.
Rir, nem sempre será o melhor remédio e a sabedoria, o factor g da vida, se faz extremamente apropriada para modular o momento, a hora, o cenário e as pessoas certas para debochar da seriedade, que é a realidade por si mesma.
Alguns dizem que a função satírica do bobo da corte é a de desafiar a autoridade. Mas pra mim, eles estão apenas entretendo os déspotas de sempre. Rindo do sofrimento, da tragédia, uma beleza feia, com cores vulgares, estéril e de mau gosto.
A arte não foi feita pra isso, e eu não concordo que só funciona para expressar o sofrimento humano e existencial, em geral. A arte expressa aquilo que há, e talvez também expresse uma certa necessidade de variar, da alegria ao lamento, da dor e do prazer… mas que estes cavalos brancos e selvagens, comecem a cavalgar por ambientes mais serenos e mais enriquecedores, porque o amor não é tolo e brega.
Se precisamos de todas as emoções e de todos os sentires para expressarmos a arte, então que as mesmas sejam suspensas enquanto sensação literal, que ainda seja real, mas que não termine em um final triste, que ninguém gosta, de fato.

Melancolia, o poderoso estado de quase-depressão

A melancolia se consiste em um estado de semi ou quase-depressão, quando o seu espírito estaciona no precipício metafórica da existencia e observa o buraco que está prestes a te engolir, enquanto que o deprimido já se encontrará jogado naquele buraco escuro e confuso. O melancólico ve a tristeza profunda ao contrário de (apenas) senti-la. Ainda que tudo aquilo que voce veja, se torne temporariamente, parte de ti, a tristeza sentida, percebida, entendida, é diferente daquela que é apenas sentida, inconscientemente (não-compreendida) sentida. Da mesma maneira que podemos observar uma pessoa sob o efeito de drogas e sabermos que esta situação não será a mesma de estar sob este efeito. Perceber não será sempre o mesmo que sentir.

O melancólico é aquele que pode sentir o vento frio de um inverno rigoroso do hemisfério norte, enquanto que o deprimido já se encontrará chafurdado na neve gelada e úmida do lado de fora da casa com calefação. O normal ou neurotípico, ficará perto da segurança do fogo de lareiras antigas.

Quando uma pessoa neurotípica começa a se tornar deprimida, além de não perceber o seu próprio caminho, tal como se fosse um trem sem maquinista, ela também passará direto pela estação-melancolia em direção aquela cidade-fantasma sombria do interior, chamada depressão.

Sua vida inteira (seu passado de boas recordações) passando como um filme lento todos os dias.

Eu sou melancólico e posso dizer a voces que a melancolia se manifesta justamente com base na constancia de ver a sua vida, o seu passado, as suas recordações boas (especialmente) e aprendizados, passando como um filme lento, quase todo santo dia.

E percebam que se eu enfatizasse mais  as recordações ruins, talvez não me ”tornasse” melancólico, porque veria o passado como ”algo” ruim e que merecesse o esquecimento. Mas pelo contrário, eu vejo a vida como um acúmulo de boas recordações e isso, a partir de algumas perspectivas, não será uma coisa sensata a se fazer. A angústia da incerteza também é um ingrediente essencial parao  bolo de chocolate frio porém gostoso que se consiste a melancolia.

Aquilo que é bom, que voce vivenciou e que passou e não se sabe se voltará, produzirá uma forma consciente e poderosa de tristeza, enquanto que o estado depressivo já se caracterizaria pela inconsciencia (se boa parte dos ”sofredores” de personalidades extremas, sejam propensos a serem mais inconscientes em relação as suas condições, mas especialmente, em relação a si mesmos, suas identidades).

A melancolia é o constate ato de entender a própria tristeza.

Admirável Mundo Novo e o Real Mundo Velho das diferenças qualitativas de intelecto

A anormalidade do genio dentre outros virtuosos…

Acabei de ler o clássico (e muy estranho) livro ”Admirável Mundo Novo”. A retórica sobre as estruturas, o esqueleto que sustenta as sociedades humanas parece recorrente na literatura de ”ficção científica”. Tal como na estória do Super Homem e do planeta e civilização fictícios de onde veio, a sociedade proto-distópica do livro, encontra-se organizada de acordo com as características cognitivas mais contundentes de cada subgrupo de indivíduos (estes que são artificialmente ”produzidos”). Eu já comentei diversas vezes aqui que a diversidade cognitiva humana (qualitativa e quantitativa) merece ser identificada e usada como parametro de organização social e economica e que a partir disto, finalmente poderemos buscar pela primazia da existencia coletiva da humanidade. No entanto, como a estupidez é universal entre nós, o risco de que tal sonho desejável e possível de ser executado, possa cair em mãos erradas, é muito grande e na verdade, até mesmo o Santo que vos ”fala”, também poderia cair em tentação acaso não tivesse construído um sistema de pensamento racional baseado na

neutralidade

e na

parcimonia de julgamento, dando enfase a todas as possibilidades lógicas de exceções e de regras

A partir desta simplicidade de axiomas, eu acredito que possa domar meu espírito combativo, dualista e ou primitivo e a pensar na sustentabilidade de um projeto cultural de longo prazo que possa por fim a toda a sorte de cadeia desarmonica de convivencia que se consistem as sociedades humanas.

A captura e categorização dos diferentes tipos humanos bem como por suas posteriores realocações funcionais ou laborais, será um destes métodos na tentativa incansável de primar pela harmonia e enriquecimento subsequente.

Com a popularização cada vez mais profunda da ideologia ou dogmalogia determinista dos testes cognitivos como substitutos conceituais de inteligencia, me vejo na necessidade de espezinhar cada detalhe (ou na tentativa pretensiosa de faze-lo) que possa ser útil na demarcação entre os tipos de alta capacidade intelectual, justamente aqueles que detém um grande poder, uma grande força, capaz de modificar o curso das águas de sociedades inteiras.

Admirável Mundo Novo, por meio de suas subdivisões bem como por sua narrativa e mais especificamente, por seus personagens principais, aparece como um exemplo extremamente elucidativo para mostrar as diferenças reais, palatáveis e potencialmente decisivas entre aqueles que alegremente acreditam que seus intelectos possam caber em resultados estéreis porém empiricistas de inteligencia estática e aqueles que de fato, exibem enorme potencial bem como de uma insaciável curiosidade que não termina quando seus egos são agraciados por caprichos estatísticos, isto é, quando encontram as respostas que queriam e não as respostas que são as mais prováveis de estarem plenamente corretas.

 

Alfas (termites) e Bernard Marx’s (genios e demais tipos de virtuosos)

 

Os termites encontrados e analisados por Lewis Terman ”comprovaram” que mediante uma combinação de características cognitivas positivamente contextuais, que expressam alguns fenótipos muito comuns de alta capacidade intelectual, pode-se afirmar que ”elevada inteligencia” tenderá a se traduzir em uma vida marcada por confortabilidade sócio-economica. Algumas matrix são tão reconfortantes… Imaginemo-los em uma casa de praia em algum paraíso tropical e a necessidade de sair deste ambiente maravilhoso para ajudar os outros que mais precisam, porque o mundo lá fora está longe de ter os mesmos predicados excepcionais*

Claro que não existem desculpas ambientais espetaculares que possam explicar as forças interiores muito poderosas que fazem com que sejamos do que jeito que somos, nossa constancia comportamental.

 

A metáfora do álcool no sangue de Bernard para explicar a excepcionalidade do genio

 

Segundo a estória deste clássico, acredita-se que o comportamento ”anormal” da personagem principal, Bernard Marx, se daria por causa de algumas gotas de álcool que foram erroneamente despejadas em sua placenta high tech, durante a sua concepção artificial. Interessante pensar que este detalhe da estória pareça se relacionar com a natureza epigenética dos superdotados, especialmente dos genios. Bernard Marx se difere da maior parte de seus ”irmãos de classe” por ser mais baixo, magro e por demonstrar pensamento crítico bem como também uma recorrente melancolia.

Enquanto que todos os alfas estão programados para serem lascivos, felizes e completamente acríticos, Bernard e alguns poucos nasceram com algum ”defeito” que os fazem criticar a realidade sob a qual que estão inseridos. A maioria dos alfas e betas desta obra, em nosso mundo real, poderiam ser relacionados a maior parte das ”elites cognitivas”, com boa saúde, igualmente lascivas, inclusive em um mundo mais ”libertino”, tecnicamente inteligentes e com déficits consideráveis de pensamento crítico e como consequencia, de liberdade inata de pensamento (ou potencial criativo*).

A maior parte dos professores, universitários e os de escola pública, a maior parte dos empresários, dos profissionais liberais bem como dos empregados no serviço público, das socialites… pertenceriam a esta categoria de ”gado de alta qualidade”. São inteligentes até o ponto em que podem prover um excelente padrão de vida pra si mesmos e para seus relacionados mais próximos. A partir deste limite, o limite do questionamento e da curiosidade intelectual, a maioria dos nossos ”alfas e betas” do mundo real, passam a renegar os problemas do mundo e quanto mais ricos e bem sucedidos, mais alienados da realidade se tornarão, maior será o apaziguamento em relação a toda a panaceia de conflitos e dor que permeia a humanidade e por tabela, todas as vidas não-humanas que estão em constante contato com nossa espécie.

 

Epigenética e a raridade do genio

 

Muitas características ”negativas” estão presentes no fenótipo dos genios, como eu já mostrei várias vezes aqui, por intermédio da obra de Cesare Lombroso. Transtornos mentais e estar dentro do espectro destas condições, muitas vezes, também terá reverberações no resto do corpo. Como quando algo sai ”errado” ou diferente do que o previsto e ao invés de um alfa bonito, ”sociável” e tecnicamente inteligente, voce tem um rapaz franzino, pálido e melancólico. Dizem que o stress durante a gravidez pode ter como resultado o aumento da vulnerabilidade para ”problemas comportamentais”, mas este parece mais um caso de correlação do que de causalidade direta, visto que mães que são mais ansiosas ou depressivas (que são duas predisposições genéticas) é que estão em maior risco de terem filhos, parecidos com elas… ansiosos e ou depressivos.

Voltando mais uma vez as minhas ideias que se emparelham quase que perfeitamente as mesmas que foram externalizadas por pesquisadores do passado como Otto Weininger, Cesare Lombroso, Arthur Schopenhauer, Aldous Huxley (**) ao contrário da moderna e extremamente simplista concepção de genio, retida a partir dos resultados (que parecem óbvios demais para não serem criticados mais abertamente) dos estudos de Lewis Terman e de outros, há de haver alguma combinação única e potencialmente conflitiva de características fisiológicas (que se expressarão por meio do comportamento, personalidade, psicologia, inteligencia, criatividade e moralidade) para que toda a potencialidade do genio possa se manifestar.

A maior parte daqueles que reconhecemos como ”superdotados”, isto é, aqueles que apresentam excelente a (tecnicamente) excepcional realização escolar e academica e que muito provavelmente pontuarão alto em testes cognitivos, nada mais seriam do que os mantenedores técnicos, muito parecidos com os alfas e betas do clássico literário de Aldous Huxley.

Os genios reais precisam ter muito alta capacidade criativa ou ao menos uma combinação de excepcionalidades. E não é nem um pouco raro que com essas excepcionalidades, uma série de custos fisiológicos também não sejam herdadas. E como muitos pensadores já especularam, a ideia de que graus de doença, possam contribuir para o despertar da autoconsciencia, de fato parece se consistir em um fato biográfico comum na vida de poetas, escritores, filósofos, pintores mas também em (possível) menor proporção, na vida de cientistas.

Portanto, se o genio é uma excepcionalidade individual, única, rara, então não iremos encontrá-lo em testes que generalizam o intelecto, se a variedade mais incomum e poderosa dele não se manifestará a nível coletivo.

A individualidade do genio e de outros virtuosos (especialmente, as variedades de superexcitáveis empáticos) pode ser contemplada em Bernard e em seu amigo Helmholtz Watson. Talvez o que melhor defina e categorize o ser humano virtuoso de qualquer espécie, seja justamente a sua individualidade empática.

 

Epigenética como a rara combinação fenotípica causada por fatores bio-”ambientais’

 

A extrema raridade de um fenótipo ou composição, tende a se dar por causa da raridade da combinação que em condições normais de temperatura e pressão, se auto excluiriam, ou por causa da raridade dos traços para combinação, como a presença de tendencias para a fantasia e para a racionalidade ao mesmo tempo, ambas, bastante raras e que geralmente não ”ornam” com naturalidade supra-mecanica.

As ”máquinas organicas” humanas foram ”desenhadas” para atender as necessidades dualistas, onde que dois objetos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. O genio e as demais variedades de virtudes humanas se destacam quanto as suas raridades justamente porque elementos díspares e raros que geralmente não ocupam o mesmo espaço e ao mesmo tempo, fazem justamente o que parece impossível. E esta inaturalidade parece ser oriunda justamente de mecanismos anormais que tornam possível o que parece impossível, tanto em teoria quanto em prática. A epistasia do genio parece então necessitar de doses homeopáticas a mais severas de irregularidades no funcionamento do sistema mente-corpo, para que o improvável de coexistir, coexista. E a metáfora das ”irregularidades” que produzem os inconformistas no mundo proto-distópico da obra de Huxley, funciona perfeitamente bem para explicar este apanhado de cousas que se relacionam com a etimologia da excepcionalidade intelectual humana. Esta sobreposição de características díspares parece se relacionar com a ”dupla personalidade”, que segundo Lombroso, aparece como um traço comum entre os genios. E se relaciona com a minha de triarquia de personalidade, as duas personalidades instintivas, inconscientes, dualistas e a personalidade central ou Deus, que os genios teriam maior acesso ou que predominaria, a alegoria do terceiro olho, da abertura inata para autoconsciencia alargada.

Portanto, como breve conclusão deste texto, a maior parte dos esforços da educação especial para superdotados, são inúteis a partir do momento em que alfas e betas de alto funcionamento estão sendo confundidos e tratados como genios bem como de outros tipos verdadeiramente virtuosos. Lombroso e a teoria da inteligencia humana como ”um erro” evolutivo ou que também poderia ser entendida como a manutenção da doença mental como método de investigação da existencia, a verdadeira, única e literal religião, porque sem a vivenciação do existir em todas as suas possibilidades, continuaríamos como um trem que não é auto-governável e que depende dos trilhos ou do ambiente para ”evoluir”, ou melhor dizendo, adaptar, que não são a mesma coisa, se a evolução é como dar um passo a frente ou especiação enquanto que a adaptação seria como modificar a posição do corpo, metaforicamente falando, ou modificar a frequencia de características fenotípicas.

Genialidade e autoconhecimento

Como ”fazer ciencia”, por meio da auto observação e comparação com toda fenomenologia que o cerca*

Eu já lhes mostrei sobre como  poderíamos ensinar o método criativo para que possa ser aplicado no cotidiano, seja para recreação seja para a real solução de problemas.

Agora, vou lhes contar mais um segredo… baseado em petulancia** Talvez, mas que poderá (ou não) ser útil para aquele que conseguir (e desejar) compreende-lo.

A filosofia cognitiva prática de uma mente criativa se baseia no autoconhecimento, se um dos resultados mais esperados da criatividade seja justamente a autoexpressão.

A partir do momento em que o autoconhecimento for desenvolvido (se isso for possível de faze-lo, com ”educação” ou ”treinamento), poder-se-á usá-lo como parametro ou comparação em relação a toda a fenomenologia circundante.

E é justamente aquilo que o genio, especialmente o criativo e o científico, costumam fazer.

O autoconhecimento é o primeiro complemento para o trabalho criativo.

O genio tende a ler a realidade por meio de si mesmo, o chamado preconceito cognitivo fundamental, nosso atrito com a realidade. Todos nós fazemos isso, ao usarmos as respostas de reação (das mais diversas naturezas) mais comuns que nossas mentes são capazes de produzir (cultura neurológica), mas é evidente que existirão diferenças entre os excepcionalmente inteligentes ou criativos em relação ‘aos demais’. E essas diferenças serão mediadas pelo nível de autoconhecimento e concomitantemente com a capacidade de percepção (e a correlação entre ambos será potencial e logicamente positiva).

 

A técnica para a observação de detalhes lógicos, harmoniosos e hierarquicamente superiores, encontra-se justamente no momento de interação entre a sua persona predominante (seu perfil cognitivo, projetando a sua cultura neurológica) e o ambiente. O ambiente é mutável, a sua percepção não é. No entanto,  o acúmulo de percepções pode ser gerenciável para o sábio enquanto que será apenas acumulativo para os demais.

De acordo com o modelo triárquico-dualista de personalidade que eu desenvolvi superficialmente, nós teríamos 3 personalidades,

a persona boa,

a persona ruim (personas dualistas)

e a persona completa, a unção das duas personas anteriores, o próprio Deus que vive dentro de nós, a manifestação organica da sabedoria, quando o cérebro além de holístico em sua funcionalidade (inclusive em suas áreas menos desenvolvidas) também está acompanhado por grande vivacidade interior, que geralmente resulta em problemas mentais para uma importante porcentagem da população humana.

As duas personas que estão a competir entre si, seriam justamente as mais primitivas, porque a competição e entropia, são características inferiores para qualquer modelo integrado e complexo de interações entre diferentes formas de existencias. Isso explica o Sistema Solar e o Planeta Terra.

 

Metaforicamente falando, os genios acessariam muito mais a persona principal do que as personas primitivas, aumentando a percepção do todo (leste e oeste, esquerda e direita)  e que justamente por ”preferirem” esta persona-principal ou alegoricamente falando, a persona-Deus, que os problemas poderão ser percebidos com maior intensidade, tendo como resultados desde a melancolia profunda (prelúdio para o suicídio) até a certos tipos de comportamentos muito degenerados, como quando a percepção de certas verdades absolutas existenciais tal como a finitude e a fragilidade da vida, os tornam compulsivos por consumi-la de muitas maneiras por causa da literalização destas verdades para o cotidiano. Viver ”como” se não houvesse o amanhã. Literalizar as verdades absolutas para o cotidiano.

Ainda que a genialidade não se possa ser ensinada por completo, talvez nós poderíamos mostrar ao menos como seriam os processos de construção do pensamento criativo, de maneira didática. Se a inteligencia pode ser ensinada, talvez a criatividade também possa, ainda que realisticamente falando, isto não se desdobrará em uma explosão de genialidade entre a população que não a tem ao natural, a superfície de sua personalidade.

Mas, como as diferenças entre os cérebros humanos não se dão mediante distancias muito grandes, então talvez algumas pessoas possam ter potencial mas lhes falte as ferramentas corretas para expressá-lo e não duvido que mediante a complexidade da diversidade cognitiva humana, estes tipos de fato existirão.

 

Pelo autoconhecimento, voce pode expressar a verdade do mundo por meio de sua percepção e pode categorizar a fenomenologia que está a interagir por meio de suas próprias convenções mentais naturais.

 

Os 13 mandamentos

 

1- Nunca generalize. Clones podem ser generalizados porque são identicos. Generalizações só servem para matérias identicas acopladas em aglomerações e não para grupos semelhantes.

2- Nunca excepcionalize em excesso. Estereótipos não são pseudo-cultura. Exceções e regras são complementáveis e não auto-excludentes.

3- Se conheça o suficientemente bem para poder interagir sabiamente com o seu ambiente e desta maneira, começar a conhece-lo também.

4- Neutralidade é importante, mas quando voce consegue reunir a dualidade que existe dentro de ti, neutro e pessoal serão completamente intercambiáveis e complementáveis.

5- Comparações são importantes. Se compare em relação aos outros. Construa categorias apenas por observação e leve em consideração, sempre, as exceções e as regras.

6- Múltiplas perspectivas. Cada fenomeno apresenta uma forma e toda forma apresenta diferentes lados de visualização, as chamadas perspectivas. Não se esqueça disso. O abstrato é exatamente como a matéria, só que sem forma ”real”.

7- Conhecimento em psicologia e estatística são fundamentais, especialmente nas (verdadeiras) ciencias humanas. Compreender e aceitar que não somos totalmente separados de nossos patrimonios genéticos, na verdade, estamos até muito entrelaçados com eles, porque são a parte essencial de nossas existencias mas também aceitar que os ambientes que construímos ou que foram construídos pela natureza, apresentam forte influencia na maneira em como nos adaptamos.

8- Especule o futuro desenrolar dos fenomenos, por meio da lógica intuitiva. Quando for especular, nunca o faça sem a segurança do passado e do presente de cada fenomeno.

9- Sempre busque pelo caminho do meio, onde que as melhores respostas, estarão predominantemente localizados no meio de uma panaceia espectral de respostas em relação a um determinado conhecimento. Ao usar a neutralidade do meio, além de evitar o julgamento preconceituoso negativo, também poderá ter uma imagem holística muito mais completa e correta, isto é, que de fato represente a realidade, a verdade objetiva.

10-Construa um sistema axiomico coerente e o use para detectar suas próprias ”contradições impossíveis” (que são diferentes das contradições possíveis ou pseudo-contradições) assim como também para detectar as contradições nas narrativas das pessoas que são do seu convívio, inclusive como maneira ajudá-las.

11- Excesso de complexidade é ruim. Busque pela simplicidade sintetizada (não confundir com simplismo) de eventos, fenomenos e condições, hierarquizando-os, de maneira que, as ideias-mães (as primeiras peças que desencadeiam o efeito dominó) possam estar em maior evidencia, ainda que as causas subsequentes também mereçam consideração adequada.

12- De o peso acerto as coisas para não criar ”tempestades em copo d’água.

13- Use a empatia como uma maneira de entender a fenomenologia humana (das mais diversas naturezas) até a fenomenologia ”natural” ou não-antropocentrica.

 

Que os anjos me perdoem por minha petulancia, mas é isso. Estes 13 mandamentos são justamente aqueles que estou usando para produzir os textos, bem como as minhas (ou ”minhas”) teorias.

 

‘Defeitos” de genio e as duas hipóteses primordiais da inteligencia humana

Somos o resultado de um erro evolutivo ou de uma evolução ”natural” ***

Neste blogue, eu já escrevi vários textos mostrando o moderno embate de dois nomes muito importantes na área de psicologia, o criminologista ítalo-judeu Cesare Lombroso e o psicólogo (judeu***) americano Lewis Terman. Eu já mostrei que o mais importante estudo de Terman, o famoso experimento da década de 20, provou-se predominantemente equivocado e pode ser resumido ao principal erro do psicólogo, ou seja, o uso de um único critério, pontuações débeis de qi, ao invés de potencial para o talento criativo para encontrar ”genios”. Terman descobriu que a sua população de superdotados (apenas mediante critério de qi) apresentou melhor ajustamento social, foi em média, mais alta, mental e fisicamente saudável do que a população de controle. E evidente que estes resultados foram completamente o oposto em relação ao ”mito popular” sobre a relação entre genialidade e ”loucura”. Cesare Lombroso, algumas décadas antes, já havia mostrado uma enorme correlação e causalidade entre ambas, principalmente porque analisou a biografia de muitos dos mais importantes genios do mundo ocidental. Vários estudos posteriores que também se debruçaram na análise biográfica de pessoas ”eminentes”, não encontrou os mesmos resultados correlativos de Lombroso (e Galton).

Uma série de problemas técnicos em todas essas pesquisas e que derivam essencialmente da mente dualista, que predomina em boa parte da humanidade, inclusive entre os cientistas, infelizmente. O que é eminente*** Eminente é igual a genio** Maria Antonieta foi um genio porque foi eminente** Ou será que nem todo eminente será um genio, nem todo genio será eminente… O que é ser normal*** Vidas bem ajustadas não podem ser acompanhadas por alguma perturbação interior controlada acima do normal*** A maioria dos eminentes objetivamente importantes foram de homens de genios mentalmente sãos ou ”homens” de talento*** Mais perguntas que respostas…

A primeira certeza, esta quanto ao trabalho de Terman, que hoje é usado como um exemplo visceral de alguma coisa relevante em relação a genialidade (o maldito ”qi”). Terman não analisou o potencial criativo dos seus pupilos termites. Portanto, Terman não selecionou e nem analisou genios. Seu estudo NAO PODE ser usado como parametro para a genialidade, talvez, para a superdotação. Mas como boa parte dos termites de Terman, não produziram nenhuma grandiosa realização  criativa, podemos dizer sem comedimento, que ”TER” UM QI ALTO, NÂO È SINAL DE SUPERDOTAÇAO”. O qi não pode resumir sinteticamente os conceitos de inteligencia, criatividade, muito menos o de genio. A ordem dos fatores altera o resultado. A correta análise sobre inteligencia humana não deve ser resumida a qi, este que deve servir como apoio estatístico, psicométrico, como suporte secundário que possa enriquecer a pesquisa, e não como protagonista.

A segunda certeza,  esta quanto ao trabalho de Lombroso. Cesare analisou alguns dos principais genios da humanidade. Genios não são contados aos milhões e nem todo eminente será um genio. Duas observações muito interessantes de Lombroso foram,

– As maiores contribuições filosóficas, científicas ou artísticas, foram realizadas por ”genios insanos”, que hoje poderíamos entender como ”alguém com grande intelecto e provido de alguma perturbação mental mais severa, proto-psico-desordem”

– Mesmo os ”genios mentalmente sãos”, ainda apresentaram EM MENOR GRAU, as mesmas características fisiológicas (defeitos) e psicológicas (perturbação mental)  dos ”genios mentalmente insanos” ou simplesmente, ”genios insanos”.

Como eu já concluí diversas vezes aqui no blogue, Lombroso fez um trabalho muito mais elucidativo e próximo da realidade sobre o genio humano, do que Terman, que sequer tocou a superfície da excepcionalidade humana. E os parcos resultados dos seus termites, são provas cabais dos equívocos do seu estudo. Vale ressaltar novamente que Terman produziu o seu trabalho convencido da ideia de que os prodígios não eram menos mentalmente saudáveis que os seus pares ”normais”. Como perceberam, motivações emocionais superaram a sua razão. Terman quis mostrar ao mundo sobre ele mesmo. O ego ainda permeia completamente o mundo academico.

A terceira e última certeza por agora, será sobre a opacidade investigativa de MUITOS cientistas, especialmente de psicólogos, que continuam a se perguntarem dualisticamente ”o ser ou não ser, eis a questão*** ”. E eu lhes dou como resposta, ” é muito relativo, e é mais provável de ser e não ser, ao mesmo tempo, depende de qual perspectiva. Mas para ser ou não ser, antes será necessário mergulhar na profundidade da alma humana”. Tal como Terman, a maior parte da psicologia ocidental moderna, mal toca a superfície da complexidade humana. São tão incompetentes que precisarão dos seus amigos neurocientistas para tentar entender o que se passa por dentro de nossas cacholas, sem ao menos diversificar e enriquecer por si próprios as percepções e observações  quanto ao comportamento humano.

Eh costume nos indagarmos ”como pode ser possível ser tão inteligente e ao mesmo tempo ter uma ‘doença” mental*** ”

A costumeira constatação será ”Ele ou ela é inteligente, APESAR do ‘seu transtorno”’‘. Não, quase sempre, será justamente o tal ”transtorno” que terá um papel fundamental para o maior intelecto ou a maior criatividade. Portanto, a relação é causal e não apenas correlativa. Psicopatologias são o resultado de mal funcionamento de determinado componente do cérebro, um excesso ou uma falta. Se há falta em um componente, poderá haver excesso em outro, como eu já falei, o cérebro não tem buracos. Nenhum espaço é desperdiçado.

Se Terman encontrou mais qualidades do que defeitos em seus ”supostos genios”, tudo nos leva a crer então que o quase-contrário será o mais provável de ser, isto é, um misto entre qualidades e defeitos que delinearão tendenciosamente a população humana de genios. A partir desta primeira constatação, eu vou especular como cada defeito que foi encontrado em maior proporção entre os verdadeiros genios de Lombroso et al, pode influenciar em uma maior criatividade, uma maior inteligencia ou mesmo, funcionar como motor para ambas, especialmente a primeira, se esta se faz mediante a captura de percepções incomuns que um cérebro muito saudável não será capaz de produzir.

 

OS DEFEITOS DE GENIO

 

Seguindo a ordem de características incomuns (defeitos) que foram encontradas em maior frequencia entre os genios, no livro de Lombroso, que está disponível para leitura na internet, em ingles, começo  pela irregularidade do cranio e cérebro dos genios analisados.

Se o genio é a manifestação de um grande talento, quase sempre combinado com déficits, que são o resultado desta super concentração de habilidades, então esta realidade deve ser o resultado de um cérebro incomum, com características incomuns como conexões raras de áreas remotas do cérebro ou mesmo com áreas vizinhas, produzindo super conexão, ou qualquer outra forma potencialmente vantajosa que não seja comum entre os cérebros ”normais”. O que se passa dentro de nossos cérebros, é reverberado exteriormente, por meio de nosso comportamento, nossa plasticidade para responder as intempéries ambientais que estamos interagindo a toda a hora. Aquele que pode ter ideias lógicas, úteis que são oriundas de associações muito remotas, talvez possa reverberar esta predisposição natural para o bizarro e funcional, também no seu cotidiano pessoal. Isso explicaria a relação causal entre excentricidade comportamental e criatividade. Lombroso mostrou que os genios, muitas vezes, ou são providos de grandes ou de pequenos cranios, mostrando que é provável que o tamanho importe um pouco menos, especialmente no que diz respeito a genialidade. Além de irregulares no tamanho, eles também tenderiam a ser incomuns, como eu disse acima, com conexões raras, tal como o cérebro da famosa autista Temple Grandin.

Algumas configurações cerebrais analisadas por Cesare, pareciam ter sido o resultado de alguma doença, tal como meningite, mas é provável que fosse mais uma coincidencia fisiológica do que a real presença de uma doença. Mas quem sabe*** Pode ser possível que algumas interações patogenicas (já sabemos que temos muitas) possam ser vantajosas para aumentar a capacidade intelectual.

Se o autismo de Grandin é uma resposta autoimune (se a vida por si só já não seja uma forma de resposta autoimune ao niilismo do vácuo), então talvez o mesmo possa ser pensado sobre a genialidade.

As deformações no cranio e no cérebro, evidentemente que reverberam também na própria face. Justamente por isso que muitos genios do passado, do presente e quem sabe, do futuro, apresentarão faces assimétricas, uma reverberação fisiológica das características do próprio cérebro bem como do cranio.

Gagueira

A gagueira é outro traço ou defeito que segundo Lombroso, foi encontrado para ser mais comum em ”homens de genio”. Como eu sugeri em um texto anterior, a gagueira parece ser o resultado de uma super eficiencia do cérebro, e tudo aquilo que está em excesso, tenderá a causar mais problemas do que soluções. Os gagos pensariam tão rápido que a velocidade da construção de frases não acompanharia o próprio pensamento. Além da velocidade, o excesso de ideações, causada pela ansiedade de falar sem disfluencia, também pode ter um efeito. Sabe-se que a gagueira também é mais comum entre canhotos e e judeus ashkenazim.

Alguns estudos tem sugerido uma relação entre maior inteligencia técnica ou qi e problemas de gagueira. Para ser genio, não é necessário ”ter” um alto  qi (performance), mas talvez quase todo genio pontuará muito alto em algum teste psicométrico específico, tradicional (verbal, espacial…) ou pouco acessado. Portanto, ainda haverá alguma correlação entre genialidade e qi.

Canhotismo

A lateralização anomala é o experimento natural da humanidade, onde todos os tipos de excepcionalidades bem como de defeitos tenderão a se manifestar mais comumente do que em populações menos mutantes. O canhotismo ou o hábito inato de escrever com a mão esquerda, bem como de usar mais o lado esquerdo do corpo para qualquer atividade manual, é um bioproduto exteriorizado da lateralização anomala. Canhotismo se relaciona com quase todos os ”defeitos de genio”, assim como o autismo, porque são bioprodutos de um mesmo fenomeno biológico complexo, evolutivamente lógico da humanidade. Todos os defeitos de genio tenderão a se relacionar entre si, tal como um fenótipo mental, cognitivo, fisiológico e psicológico. Não preciso adentrar mais a fundo neste ”defeito”, visto que já é sabido que a reversão da lateralidade habitual humana, tende a se relacionar com excepcionalidades cognitivas (hipertimesia, savantismo, autismo funcional, superdotação, criatividade e possivelmente a genialidade) assim como também com vários defeitos. Alguns o chamam de ”síndrome da mão esquerda”.

 

Esterilidade

 

A grande quantidade de defeitos fisiológicos, podem ter um papel causal na redução do potencial germinativo natural, isto é, reprodutivo, do genio, se a natureza sempre favorece a saúde ao invés da inteligencia. Os mais saudáveis são mais propensos a terem filhos saudáveis, ao passo que no caso do genio, dependendo do tipo de parceira ou parceiro que estiver se relacionando, as chances para a degeneração biológica intergeracional será grande. E como muito raramente escolheremos pares de acasalamento que serão diferentes de nós em relação ao comportamento (e isso reverbera no tipo de cérebro), ou o genio não encontrará ninguém do sexo oposto para acasalar e terminará no celibato, ou terá predisposições assexuadas ou homossexuais ou se casará com uma mulher  com similaridades comportamentais, produzindo filhos problemáticos ou que não herdarão o talento do pai ou da mãe. Ainda que não se possa afirmar que será sempre assim, será uma grande tendencia para esta população diminuta. A proporção de mulheres de genio é consideravelmente mais baixa do que de homens, portanto, eu estou discriminando pela enfase no tipo masculino, que será muito mais comum. Isso sem contar que para as mulheres, é sempre mais fácil encontrar um conjuge. Nos perguntamos porque o genio muitas vezes, termina sozinho ou acaba em um relacionamento anormativo e portanto infrutífero. Tal quando fazemos a analogia do ”porque mesmo sendo tão inteligente, ainda é um ‘doente mental””’, também fazemos o mesmo tipo de analogia dualista simplória, ‘‘se o genio é tão superior e bom, então por que termina solitário ou não tem filhos ou quando os tem, raramente herdam o genio do pai**”

A esterilidade pode ser portanto o resultado natural de um acúmulo de traços biológicos desfavoráveis a reprodução, isto é, que direcionam muitos recursos para o intelecto, desequilibrando as funções organicas do corpo. Ou pode ser o resultado da enorme complexidade mental do genio, que o tornará candidato ”hour concour” para a solidão ou ostracismo social. As causas para a solidão do genio poderão ser ambientais ou biológicas.

 

Ser diferente dos pais

 

Pressupõe-se que se a genialidade seja o resultado fenotípico de mutações a mais, assim como também de defeitos que são resultados diretos destas mutações, então as características faciais bem como corporais dos genios, poderão diferir dos seus pais, se em condições normais, os filhos tenderão a se parecer com os seus pais. Outra possibilidade, para alguns casos de genios, seria a de que ao invés de herdarem um dos fenótipos de aspecto físico do pai ou da mãe, eles herdariam ambos, produzindo uma mescla entre os dois e portanto, a diferenciação fenotípica. Genios, não apenas tendem a diferir dos seus pais biológicos, assim como também do ”fenótipo nacional”, como eu já demonstrei em outros textos, ao invés do cabelo louro, um Ingmar Bergman, com feições incomuns para um sueco típico…

Também já mostrei que a miscigenação racial pode produzir genios, tais como Machado de Assis e Alexander Pushkin, maior poeta russo. Mas claro que a genialidade tende a ser tão rara, que é pouco provável que a miscigenação racial ou a endogamia (pureza)  sejam completamente causais ao fenomeno. Pode-se dizer que, mediante certa combinação de características, mais a miscigenação, poderá em eventos bem mais raros, produzir grande e criativo intelecto. Ao contrário da hereditariedade de traços fisiológicos particulares, como a cor dos olhos, a genialidade necessita de uma combinação de muitos traços, vários deles, que geralmente se repelirão em condições biológicas menos magnanimas, mas que se acoplam poderosamente para a alquimia do genio humano.

 

Misoneísmo

 

Repulsa por tudo aquilo que é novo. Surpreendentemente, muitos genios do passado, segundo Lombroso et al, apresentavam este tipo de comportamento. Mas, como o genio tende a ser altamente complexo, a ”contradição” pode facilmente repousar em suas mentes. Como eu já sugeri em um texto aqui, a mente do genio tende a ver o mundo não como um quebra cabeças pronto, mas como um quebra cabeças a ser montado ou mesmo, com suas peças suspensas, e que são manipuláveis. Portanto, ao contrário da narrativa dualista típica, o senso de lógica do genio caminhará para a complexidade. Mas, todo tipo de comportamento muito intenso, tenderá a ser encontrado em genios e o misoneísmo será um deles e dependendo do tipo, poderá estar em estado puro ou mesclado com outras complexidades mentais altamente evoluídas, que mais parecerão grego antigo para os ”normais”.

 

Comportamento errante

 

Tal como eu disse logo acima, a complexidade permeará muito mais profundamente a mente do genio, do que a mente do normal. O comportamento errante, a incapacidade de fixar moradia em um local, será uma tendencia comum em muitos genios, tal como foi encontrado por Lombroso e tal. A irritação cerebral que produz a criatividade, pode ter um papel nesta inquietabilidade assim como também para a curiosidade. Muitas vezes, a saúde frágil de muitos genios, poderá influir como um importante fator para as viagens, tal como sair de uma cidade durante o inverno europeu e ir para algum lugar de veraneio a beira do mediterraneo, onde os dias frios são mais amenos. Em termos comportamentais, o genio só será  em média, mais aberrante que o normal e este é o resultado direto de uma configuração cerebral incomum.

 

Precocidade

 

Muitos genios foram e são prodígios, mas nem todo prodígio será um genio. No entanto, mais genios serão precoces do que em comparação aos seus pares normais. O desenvolvimento assíncrono dos cérebros de superdotados, no entanto, nos mostram que apesar desta tendencia, vários tipos de genios, aparecerão, tal como aquele que só começará a demonstrar o seu talento a partir da idade adulta. Vale ressaltar que a precocidade, muitas vezes, não se dará apenas em um sentido cognitivo, mas também comportamental, e muitos genios, serão sexualmente precoces.

 

Intuição (descrita como ”inconsciencia” por Lombroso) e Instinto

 

A intuição é uma das características mais descritivas da genialidade e eu já sugeri que possa ser o resultado de um modelo de mente complexa, labirinto, onde os pensamentos fluem de maneira inconstante, muitas vezes, pulando completamente as etapas, requeridas em mentes comuns. A educação, que justamente se baseia neste processo, pode ser adjetivada como inútil para o genio assim como para o criativo comum.

O instinto é outro traço incomum, que é encontrado em genios, mas que está escasso entre os ”altamente inteligentes”. Isso explica o porque da tendencia ”pseudo-socialista” dos professores universitários em contraste com a grande capacidade perceptiva, instintiva, do genio de todos os tipos.

Ainda que frágil, enquanto um ser excepcional e raro, o genio tenderá ser muito instintivo. A intuição, uma característica cognitiva mais infantil, feminina, combinada com o instinto, uma característica cognitiva mais adulta, masculina, pode significar metaforicamente que o genio seja o ser humano completo, dotado de sua feminilidade e masculinidade, afloradas ao nível máximo da perfeição. A grandiosidade pode e costumeiramente levará a loucura.

 

Sonambulismo

 

O estado dissociativo que um cérebro mais apto para ter intuições, também pode ter outros efeitos tal como o sonambulismo bem como um estado de transe, mesmo quando acordado. Pode-se dizer que enquanto  que o criativo absoluto (ou o genio criativo) sonha acordado e produz suas inovações, o comum não-criativo, sonhará apenas quando estiver dormindo. O que seria a criatividade senão uma espécie de sonho vívido***

 

Motivação intrínseca poderosa ou inspiração divina

 

Musas, visões ou inspirações divinas, derivam de um sentido interior profundo de que deve fazer algo. Alguns almejam o estrelato mundano, outros almejam ter uma vida tranquila, outros almejam fazer filmes pornos, enquanto que alguns almejam além dos interesses mundanos, muitas vezes que correrão em paralelo, também uma grande ambição quanto as suas motivações pessoais. O genio muitas vezes aspirará a revolução em sua respectiva área, ainda que não se possa dizer que todos o farão mediante motivações pessoais egocentricas.

 

Dupla personalidade e estupidez

 

A dupla  personalidade ( ou mais) do ser humano, aquilo que eu denominei como ”as duas personas dualistas”, o bem e o mal, estará aberrante entre os genios, ou na maioria deles e talvez, esta maior dimensão, este maior descompasso (o conflito interno) possa ser um fator causal importante para a poderosa motivação intrínseca do genio.

Aquele que pode ter as mais frondosas ideias, também poderá produzir espinhos e rosas murchas. A densidade muito volumosa de ideias entre os genios, especialmente entre os genios criativos, aumentam as chances, tanto para insights altamente inovadores, quanto para ideias-pastelão. E tal como eu sugeri, todos nós somos estúpidos e inteligentes ao mesmo tempo, se a inteligencia, especialmente a humana, seja mutidimensional. Muitos genios terão um colosso de intelecto em paralelo a um igual catatau de estupidez. A variedade de tipos será grande, assim como acontece com todos os outros tipos e no caso do genio, como sempre, as diferenças serão mais aberrantes, inclusive e especialmente a nível individual.

Isso também comunga com a minha ideia (assim como a ideia de outros pensadores livres da blogosfera) que a superdotação seja uma espécie de síndrome de savant, muito mais leve em sua severidade e também mais diversificada.

 

Sensibilidade aflorada

 

Nos mais altos níveis da capacidade humana, haverá uma tendencia para os altos níveis de sensibilidade. Eh possível que uma sensibilidade sensorial, possa ter um papel decisivo para uma maior sensibilidade moral, emotiva. Como quando todos os sentidos ou ao menos um deles, estão muito acima do funcionamento habitual, haverá uma tendencia para se interagir mais intensamente com o mundo ao redor e portanto, senti-lo mais do que os outros. A extensão da sensibilidade sensorial para tudo e para todos, pode fazer o mundo dos genios, um lugar mais sombrio e triste, do que o contrário, se apesar deste grande dom, na maioria das outras pessoas a empatia objetiva ainda esteja subdesenvolvida.

”Chegará um dia no qual os homens conhecerão o íntimo dos animais; e nesse dia, um crime contra um animal será considerado crime contra a humanidade.”

Leonardo Da Vinci

Eu acredito que uma boa parte dos problemas psicológicos da genialidade e da criatividade, sejam os resultados de intensa interação com o meio, seguida por intensa frustração, visto que genios e criativos tenderão a viver culturas neurológicas que espelham  em ”como o mundo deveria ser” e não ”como ele é”.

Genios costumam ser intolerantes a erros, mesmo os mais supostamente irrelevantes. Tal como eu já falei em um texto anterior (repito isso 500 vezes, kkkkkkk), os intolerantes a erros, poderão ser nossos verdadeiros herois, o rabugento empático.

 

Amnésia

 

A mente dualista cria uma pseudo-lógica, onde pares comuns devem sempre andar de mãos dadas. Então, alguém de grande intelecto não poderia ter problemas de memória, correto***

Mas como eu já falei no texto sobre a degeneração contextual do genio, muitas vezes, a ideia de ”perda de memória” , não se baseia mediante uma perspectiva empática, ou seja, se colocar no lugar do outro para tentar entender o porque de agir assim.

Mediante a perspectiva do genio, certos assuntos da vida mundana não parecerão tão importantes para serem memorizados. E tal como eu sugeri anteriormente, a memória afetiva estará fortemente relacionada com a sabedoria, que combinada com obsessão intelectual, tenderão produzir uma memória altamente pragmática e objetiva. Portanto, lembrar datas de aniversário, o nome de ruas ou mesmo de pessoas, não será tão importante assim. A mente do genio tenderá a ser intensamente objetiva,  especialmente em relação aos seus interesses.

Se a mente de todos fossem como as dos genios… mas as pessoas memorizam irrelevancias intelectuais, na maior parte das vezes.

 

Originalidade e amor a neologismos

 

Os genios que foram os inventores de línguas e vocabulários, também podem inventar outros meios de comunicação. Não há limites para a imaginação do genio. A criatividade não é apenas um estilo cognitivo, é uma cultura neurológica que tenderá a permear cada meandro da personalidade e da vida daquele que a tiver muito bem desenvolvida. Como resultado, até mesmo em relação a detalhes tal como a maneira de falar, poderá ser influenciado pelo dom da criatividade.

 

Originalidade

 

A vontade de fazer algo impactante, novo, se baseará no ego muitas vezes descomunal do genio. No entanto, mesmo este defeito, geralmente será gerado por sua autoconsciencia, igualmente descomunal. A intuição, a curiosidade e a experimentação, características comportamentais neotenicas, são algumas das tendencias mais contundentes dos genios.

 

Defeitos fisiológicos de genios

 

Orelhas grandes de abano** Pele muito pálida*** perrrninhas tortas*** Magreza** Tuberculose**

Ainda poderíamos falar sobre asma, miopia, tendencia para alergias… Muitos superdotados nerds comungam suas elevadas inteligencias com algum tipo de custo fisiológico, resultado direto de uma maior carga mutacional. O aumento da inteligencia humana parece vir com muitos encargos. Mas talvez, a complexidade da vida e especialmente da vida humana, seja tanta, que se não fossem estes defeitos, não teríamos chegado onde chegamos (se isso é uma coisa boa ou não, eu já não sei, mas pode-se dizer que algumas das mais belas almas deste mundo, vieram com algum defeito de fábrica que os fizeram repelir o jogo sujo da natureza, a competição pragmática e selvagem). A motivação intrínseca para fazer algo impactante, pode vir de alguma provação pessoal, uma vontade de superação pessoal que quando combinada com o intelecto enérgico e catalizador, poderá produzir uma ebulição de experimentação existencial que terá um alcance muito acima do campo individual.

Orelhas grandes podem ser boas para ”ouvir melhor”. A pele muito pálida, pode ser o resultado de deficiencia de vitamina D, que se relaciona com autismo, e como eu já falei várias vezes, também se relaciona consideravelmente com excepcionalidade cognitiva. Pernas tortas também são correlativas com autismo. A superdotação geralmente virá acompanhada com custos fisiológicos e psicológicos, como resultado da redução do sistema autoimune, por causa do excesso de exposição ao testosterona durante o período intrauterino.

Algumas suscetibilidades patológicas, podem acompanhar a genialidade como a tuberculose. Inclusive alguns estudiosos acreditam que a tuberculose (bem como outras suscetibilidades patológicas) poderia ter uma relação causal com o fenomeno.

 

Suicídio

 

Muitos genios do passadocometeram suicídio. A melancolia pode acompanhar as mentes mais enérgicas e criativas da humanidade e predispo-las para a depressão e posterior suicídio.

Surpreendentemente, não parece existir uma relação entre maior qi e tendencias suicidas. Mas não restam dúvidas que o suicídio se relacione tanto com personalidades extremas quanto com criatividade. Isso nos ajuda a entender que o genio não é apenas alguém muito inteligente e na verdade, sequer seria necessário ter um grande intelecto. As diferenças entre o genio e o inteligente não são apenas quantitativas, mas de grandeza, são diferenças existenciais, onde o genio entende o mundo  a partir de sua perspectiva, aberrante, ”estranha”, fluida, dissociativa, proto-patológica, enquanto que o inteligente, seria apenas como uma pessoa normal só que com maiores recursos cognitivos.

 

Espasmos ou movimentos repetitivos e epilepsia

 

Sim, muitos genios e homens de talento do passado (e do presente) foram (e são) epilépticos. Os mesmos espasmos e movimentos repetivos (voces sabiam que eu adoro movimentar meu corpo, balançá-lo para trás e pra frente quando estou muito eufórico com uma música da qual gosto muito*** ) que caracterizam o autismo, também caracterizaram muitas das mais poderosas mentes humanas historicamente reconhecidas do passado bem como de genios modernos, muitos deles, que estão ostracizados pela estupidez coletiva orquestrada por nossas ”amadas elites”. O excesso de energia inconstante que caracteriza a mente do genio, pode nos ajudar a explicar o porque da relação com a epilepsia.

 

Megalomania, alucinações e ”insanidade” moral

 

A megalomania parece se relacionar com ‘insanidade moral”, porque para aqueles que almejam grandes realizações, a ambição poderá levá-los a cometer toda a sorte de comportamentos que seriam considerados como imorais em sua raiz. A mente do genio tenderá a ser objetiva, especialmente para aquilo que realmente importa e pragmática. Tal como eu sugeri sobre a moralidade objetiva e subjetiva. A população em média, é mais absorta pela moralidade subjetiva, que pode ser representada pela ”religião”, cultura dentre outros códigos morais subjetivos, que mudam de costa a costa. Em compensação, os mais inteligentes assim como também no caso dos genios, a moralidade objetiva, será mais requerida, justamente por basear-se na objetividade do bem estar social. No entanto, tal como em circunstancias anteriores ao mundo ”moderno”, em nossas sociedades desiguais, absurdas, presas a toda sorte de pedantismo intelectual e de superstições que nunca se cansam de se sofisticar, a única maneira do genio de vencer neste cenário desolador em eterna regressão evolutiva, seja justamente por meio da negação dos ditames morais subjetivos. Mas esta tendencia será o resultado de predisposições anteriores a qualquer interação. Como eu disse, a criatividade tenderá a se manifestar em todos os aspectos da vida dos genios.

Lombroso considerava tudo aquilo que fugisse dos ”bons costumes vitorianos do final do século XIX” como insanidade moral. Portanto, talvez, muitos dos genios que ele analisou, não foram de criminosos, nem de desonestos, mas que pelo ”pecado da naturalidade”, foram convertidos pelo criminologista como da mesma espécie que seus primos existenciais matoides.

Outros defeitos de genios como as tendencias para o alcoolismo e o abuso de substancias nos mostram mais uma vez, que boa parte da ”psicologia cognitiva”, neurociencia bem da psicologia educacional, estão seguindo em direção ao caminho errado, ao tratar a relação entre predisposições psicopatológicas e genialidade como excessos de uma era poética e romantica do passado.

Não é porque estamos inseridos em ambientes tecnológicos mais avançados, que boa parte de nossas incertezas existenciais desapareceram.

 

Respondendo a pergunta do início do texto. Se os seres humanos com as maiores capacidades intelectuais, tendem a acumular uma boa quantidade de irregularidades em seus físicos bem como em suas mentes, estas que podem ser o resultado de interações patogenicas complexas, especialmente durante o período intrauterino, ao contrário da ideia de ”evolução natural da inteligencia”, então, a hipótese de que nosso cérebro incomum seja o resultado de um desvio da norma natural, um erro evolutivo, parece mais plausível e que o genio, seja um desdobramento deste erro e não um avanço. A natureza parece dar preferencia para o equilíbrio das funções ou saúde, ao invés da doença ou mesmo, da proto-doença, o desequilíbrio.

Se minha conclusão for comprovada, então isto terá implicações severas sobre diversos ramos da pesquisa científica sobre a humanidade, dentre elas, a psicologia cognitiva.

Nos habituamos a considerar qualquer erro como imoral, mas talvez, se não fossem por estes erros, não teríamos tudo aquilo que temos agora, resultado do sofrimento, da angústia, da provação existencial, daqueles que estão conscientes demais e quanto mais consciente da própria finitude e fragilidade, mais consciente da morte estará.

 

 

Instabilidade intrínseca motivacional, a chama da criatividade

Durante alguns debates no blog do Pumpkin Person, eu sugeri que uma das principais razões para a maior criatividade observável dos caucasianos europeus (e judeus) em comparação aos leste asiáticos (um pouco menos em relação aos japoneses), seria que os primeiros estariam mais providos de ”motivação intrínseca”. No entanto, me disseram que os leste asiáticos também tendem a ter as suas obsessões intrínsecas. É evidente que a vontade interior de fazer algo, encontra-se bem distribuída pela população humana. Uma maior motivação intrínseca poderia ser uma explicação plausível para a maior criatividade europeia.

Eu acredito que, para que possamos entender a criatividade e especificamente, a criatividade europeia, bem como por sua superioridade moderna, em relação à criatividade coletiva das populações leste asiáticas, nós precisamos encontrar quais são os traços comportamentais que estão predominantemente ausentes nestas populações, isto é, os leste asiáticos.

A proporção de pessoas que apresentam ”transtornos” de personalidade entre os europeus é muito provável que seja maior do que entre os asiáticos. Por sua vez, os africanos subsaarianos, apresentam uma proporção muito maior destas condições do que os europeus. O ”transtorno” de personalidade seria um nível a mais de exuberância do comportamento, onde, metaforicamente falando, ao invés de termos um clima ameno de montanha, nós temos um clima que se assemelha ao sul dos EUA, com uma temporada anual de tornados. A instabilidade emocional ou uma maior sensibilidade às interações interpessoais cotidianas, pode ter um importante papel, causal e direcional, para a criatividade, visto que, uma maior sensibilidade significará uma maior acuidade perceptiva e que caminhará para resultar em maior instabilidade emocional. Perceber, é encontrar ”mais” erros ou acertos no ambiente. Como a sobrevivência é instintivamente mais importante do que o relaxamento, até porque encontramos mais erros do que acertos nos nossos respectivos ambientes, então indubitavelmente, uma maior percepção, predisporá ao seu dono, uma maior angústia, assim como também, uma maior melancolia.

Uma pessoa que seja ao mesmo tempo (predominantemente) intrinsecamente motivada e que tenha grande acuidade perceptiva, é muito provável que também terá uma elevada capacidade criativa. Se a criatividade é a auto-expressão e a capacidade de manipulação dos elementos das mais diversas naturezas, que estão presentes no ambiente, então, a motivação intrínseca funcionará como um motor auto-direcional para a busca de realizações, que precisam, logicamente,  de serem expostas a outras pessoas, ou seja, o desdobramento da auto-expressão.

A instabilidade emocional, se assemelha a minha proposta de um texto anterior, em que as pessoas menos tolerantes com erros, tenderão a se tornarem extremamente críticas e consequentemente, anti-sociais, mediante a perspectiva das outras pessoas, menos perceptivas.

Se a criatividade nasce de uma vontade quase que incontrolável e portanto, intrínseca, de se fazer algo novo, então, esta chama precisa ser acesa por uma predisposição para a instabilidade, igualmente intrínseca (e portanto, interior, que independe do ambiente em que se está), e este componente encontra-se ausente ou em minoria entre as populações leste asiáticas. A instabilidade emocional é um definidor marcante para qualquer tipo de ”transtorno” de personalidade, que não são quase-doenças mentais como a esquizofrenia ou o autismo. A combinação da vontade intrínseca, da predisposição para instabilidade emocional (que muitas vezes será mais acesa por fatores ambientais, ainda que, a predisposição para hiper sensibilidade, seja o principal fator desencadeante, isto significa que para alguns casos de pessoas criativas, a instabilidade exterior ou do ambiente, poderá ter um papel importante para a sua motivação enquanto que para outras e creio eu que, para os gênios criativos, principalmente, a aguda capacidade perceptiva inevitavelmente o fará naturalmente motivado do que qualquer intempérie ambiental instável), acuidade perceptiva (um tipo de inteligência) e grande inteligência, caminharão para produzir o gênio criativo.

A chama da criatividade é quase tão instável quanto a chama do fogo de uma tocha. A instabilidade emocional, que corretamente podemos determinar como um defeito contextual, funcionará perfeitamente como um motor de dúvidas, questionamentos e críticas à ordem estabelecida. E é da crítica, que nascem as novas soluções. Também é interessante pensar se as pessoas com mais problemas emocionais e mesmo, que podem combinar com aflições cotidianas sobre o próprio corpo assim como também a identidade, e isso é comum de acontecer, não possam se espelhar primeiramente em si mesmas, como auto-críticas, para que posteriormente, possam refletir seus auto-questionamentos na sociedade, na arte, na política, na filosofia ou na ciência, se todas as nossas opiniões não nascem de nós mesmos e portanto representam as nossas próprias naturezas comportamentais interiores??

De:RefémdoDrDeus Para:Deprimente mundo Assunto:Denúncia de maus-tratos a pensadores

...e Deus criou a Ângela,desapontado com a nossa Eva.Apresento-vos o meu "disco rígido" ...

Castro456's Blog

O medo do nada

Delusions of Adequacy

And You Thought You Might Have Had Delusions of Grandeur

PARTO DE IDÉIAS

"Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância." Sócrates.

Pensar Novo

"Saber que você precisa mudar não é suficiente. Você precisa ter a coragem de fazer esta mudança." Robert Kyosaki

Mind Hacks

Neuroscience and psychology news and views.

Inside Perspectives

of Asperger Syndrome and the Neurodiversity Spectrum

Agoraphobia Subliminal Hypnosis

Come out of the woods, the dark, come into the light. As a recovered agoraphobic, I've designed these audios over many years in order to help you. Charles K. Bunch, Ph.D.

Antimidia Blog

Textos sem sentido, para leituras sem atenção, direcionados às pessoas sem nada para fazer.

REBLOGADOR

compartilhamento, humanismo, expressividade, realismo, resistência...