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A metáfora da vida e o coletivo enérgico absoluto

Somos energia encapsulada dentro de corpos, exatamente como acontece com os planetas e talvez com os universos.

Somos mini-universos.

Somos, metaforicamente falando, como as gotas de chuva que nascem pela comunhão de elementos díspares que se consistem as nuvens carregadas de umidade e que tem um período limitado de vivência até ao seu estrebuchar final ao chão ou ao mar. A partir daí, aquilo que fomos, isto é, uma concentração particular de energia presa dentro de um corpo, se dissipará e voltará de onde veio, do COLETIVO ENÉRGICO ABSOLUTO.

O universo é consciente porque está carregado de energia e porque TUDO está conectado a partir de um gigantesco espectro, tudo pulsa vibração e tudo de uma certa maneira vive, de maneira inanimada ou animada. Existimos sem ter uma noção pessoal desta existência quando ‘não somos nós”, quando somos pura energia solta pelo universo consciente, quando pulsamos em baixíssimas frequências. A vida é a formação de universos de tamanhos diversos que estão encapsulados por um corpo, por fronteiras. Reagimos a partir destes limites. Somos corporalmente conscientes porque nos reconhecemos enquanto seres que estão ”presos” dentro da matéria orgânica, ao reconhecermos nossa prisão, vivemos. E esta não se consiste na consciência essencial porque é a energia, encapsulada ou solta, artificial ou naturalmente concentrada, que assim poderia ser considerada.

Outro pormenor. Usamos a linguagem, isto é, as nossas palavras para entender o mundo, para classificá-lo, separá-lo ou uni-lo. Mas as palavras ainda não podem superar a hiperrealidade. Portanto, ”existência”, ”vida”, ”morte”, são palavras que tentam explicar fenômenos percebidos mas apenas mediante uma perspectiva humana. Não sabemos exatamente e estamos bem longe de ter qualquer certeza em relação ao que acontece com todas as existências ou gotas de nano-universos que povoam o nosso planeta (e outros) quando estas deixarem de existir a partir dos critérios biológicos percebidos que são condizentes com esta dimensão do espaço e tempo. A consciência enérgica corporal pode não ser a mesma que aquela que se vê livre e dentro do coletivo enérgico absoluto, quando somos sem ser, percebemos sem perceber, pulsamos sem sentir este pulsar. Quando morrermos, regrediremos ao estado de energias soltas se tudo é energia tal como sentenciou Tesla (acho que foi ele quem disse isso), a um estado que é anterior ao da vida mais simples, porque antes dela, já existiam energias soltas. É coletivo porque como não temos noção de auto-espaço, de auto-território, de individualidade ou autoconsciência, então seremos unos, porém incompreensivelmente cientes de sermos singulares. Pode ser possível que nossa essência enérgica seja como uma caixa preta de um avião. A morte elimina o corpo, mas a energia essencial continuará a existir por tempo indefinido e talvez infinito. Talvez a finitude do tempo percebido em nossa dimensão, não exista em uma dimensão maior.

Mas aí então, a partir desta proposta de pensamento existencial, ao morrermos nunca mais voltaremos a viver**

Voltando à ideia das gotículas de chuva. Nós também poderíamos nos concentrar novamente e nascer, ”validando” a ideia de reencarnação. Como que a aglutinação enérgica poderia acontecer se somos um produto inteiro de uma espécie de datação milenar** Outra metáfora dentro de uma metáfora. Se a continuidade existencial/biológica de uma espécie poderia ser comparada a um túnel subterrâneo que está sempre andando em seus trilhos escurecidos e que portanto, não poderia haver a coexistência entre a energia corporalmente concentrada ou vida, que é o produto de uma continuidade, e a energia dispersa (se podemos determinar desta maneira, isto é, que seja realmente dispersa). Somos o resultado da concepção de nossos pais, a combinação de caracteres díspares porém complementares entre dois seres de igual natureza. O momento de maior prazer que ocorre durante a concepção em que altas vibrações serão descarregadas, poderia resultar não apenas na mescla interna de material genético, mas também por fora, na atração de energias soltas. Se realmente somos singulares, então energias com vibrações parecidas seriam mutualmente atraídas. Quando dois corpos estão unos na concepção da vida, suas energias vitais encontrar-se-ão muito mais carregadas e poderão servir como chamariz para a energia solta. Talvez, isso possa mesmo ocorrer, mas além de ser uma hipótese muito a frente daquilo que a ciência pode comprovar, também se encontrará muito a frente daquilo que nós mesmos podemos perceber e como conclusão, será pouco provável de ser comprovado, ou ao menos testada.

Somos a evolução mental de toda a fauna terrestre, por agora, não podemos reverberar com enorme certeza daquilo que NÃO podemos entender/perceber mediante nossa perspectiva existencial e de observação, tal qual uma formiga não pode extrapolar as suas percepções químicas além dos seus limites mais óbvios de entendimento.

A crítica ateísta é localmente particularista, isto é, se limita a explicar a inexistência depois da existência/vida a partir de uma perspectiva terrestre e desprezando a essência da mesma que se consiste na energia.

Mais tempestades e tremores d’alma

Do anjo ao demônio, da empatia à razão

Fazer o bem?? Vamos todos então, só que poucos te entenderão. Vives a contemplar a sabedoria, espelhares teu espírito, em anestesia, a toda a realidade, podes ver o simples e o porquê de sua contorção, o homem está nu pra ti e não é por segundas intenções, és preciso em suas maquinações, de repente se alucina, sente, percebes donde o erro brota, chamam-lhe o pervertido, mas quem faz o mal não é meu amigo, é o verdadeiro, o descabido estúpido, que não podes ver toda a pintura, bela, soturna, complexa e simples, podes gravar todos os passos da bailarina, em seu único rodopio, seu peão é o tempo, passado, presente e o que vem pela frente,
Nasceste um anjo, e terminaste demente de humanidade, de tão demasiadamente, sabe reconhecer os de ti, sabe reconhecer reflexos de espelho, de alma,
Tornaste o vilão, o próprio diabo, o peso do juízo, estão todos a afogar e você se sobressai alado, a observar, congelado pelo ar, frio desta montanha melancolia, tua identidade a te contestar como uma filha a um pai, quem sou eu, quem são eles, por que és tão diferente?? Por que está sempre ausente, solitário no meu pensamento,
Empaticamente, racional, que podes fazer o bem forte e enfraquecer o mal, mas quem liga, são todos boçais, tocando tambores de horrores, são todos uns animais, alguns são seus senhores, não podes fazer nada, tu não és ninguém, és um sonhador incompetente, um narciso que ainda não quebrou o espelho, que poucos vêem, não é interessante para a destruição coletiva chamado massa, que atropelam qualquer um que esteja a sua frente, não é um encantador de crinas inconscientes, não está aqui, teu corpo frágil sim, teu espírito apenas sobrevoa a terra, vermelha, humana ou verde, amarela, cor de sede, tu tens fome de ação mas se perde em seu palacete de emoções, de sensações e percepções. Não é fatalismo, é a razão. Não crie expectativas e talvez…

Tempos distantes, pensamentos discrepantes

Para o astuto, não existe o amanhã, só o agora que importa, ele tem noção da irrelevancia de se ruminar sobre noites que ainda serão dormidas ou ações que ainda serão realizadas, se realmente acontecerão. Está preocupado em vencer pequenas batalhas, que resultarão na vitória de uma guerra. Seu maior talento é a auto conservação, é o constante melhorar, seu pensamento dá um razante acima daqueles que pensam muito no antes ou no depois, e mesmo naquele que é um pouco familiar. Mas não basta o pensar prático e sem talento, é preciso ser mestre do próprio movimento, do cheque mate, do manipular. Quer aquele que sonha e sempre sonha quando se está fora do lugar, quer aquele que está sempre preso ao passado, sem o respeitar, porque para faze-lo, se deve aceitar, tratar com amor e tempero o seu acúmulo de vivencias e percepções, a pequena e levada sabedoria, chamada astúcia, que não tem a sua seriedade, se usa como uma prostituta da oportunidade, que encontra brechas onde não há, para aquele que pouco uso faz de sua inteligencia. O astuto faz, e muito, usa o cérebro mais que tudo, é seu bíceps a trabalhar. Chega antes de terminar, dá muitas voltas em seus oponentes e com um sorriso ardente a estampar, é uma brincadeira inconsequente com muitas dores a cultivar. A sabedoria sem freio, o trem que anda rápido demais mas tem um passageiro a lhe domar. Mas quando o fogo não pode ser controlado, uma hora ele vai te queimar, pode ter certeza, sua brincadeira tem hora certa pra acabar. Sabedoria não é o brincar, ainda que em partes também seja, mas principalmente a harmonia, é a própria vida e sempre a busca do sossego ao invés do conflito, se antecipar mas criando e inovando, a união perfeita da criatividade e seus pulos, com a razão e seus muros de humildade, não pode passar mais do que isso, fique aí por agora e respeite minha ordem.

O astuto sempre vence mas perde para a sua velocidade ascendente e descontrolada, quando se perde na própria jogada.

A velocidade do pensamento. o natural e o esforço

O pensamento mais orgânico e rápido de nossas mentes se chama intuição. de tão veloz, muitos os chamam de inconsciente ou inspiração. mas se esquecem que sua velocidade é de perder o fôlego, de tão rápido, não podemos perceber. o esforço foi feito antes de se conseguir nota-lo. pensamentos naturais brotam de nossa personalidade e de nossa cognição. não tem como para-los, vem do instinto. são reações que expressam nosso pensar, nosso bem ou mal estar. em alguns pensantes, quando há febre, as ideias nascem sem parar e as regurgita em versos únicos ou ensaios de estudar profundo, todo o fenômeno a rodear.
alguns pensamentos podem ser seguidos, pode-se senti-los, do nascimento ao parto, nosso útero cerebral. o pensamento consciente e esforçado se baseia no preparo, para melhorar. onde se antecipa à naturalidade, porque se fazem intervenções. antes de nascer quente, em convecção, se manipula, oh indigente, e se produz um castiçal, um produto. educar para memorizar. especializa-se visando no trabalho que irá encapsula-lo. nada disso é criativo, nem sábio. é cognição sendo dada, para plantations  a sustenta-la, chamado civilização. decorar é a nova lição, estéril em esplendor, repetitiva em sua ação. são correntes de uma grande engrenagem. a antitese da naturalidade intuitiva é o esforço em vão, é tentar ultrapassar fronteiras da própria razão, é ter esperança que a decepção é só um mal necessário enquanto que é o fim inicial, tenta-lo é desafiar os mais primordiais principios da criação, a inteligência. talentos podem brotar, mas somos únicos e ainda cabemos em subgrupos. se não pode aceitar isso,me desculpe, mas mude de profissão, se estiver em algum campo onde que se sabe em sabedoria que  este espectro, entre o natural e o esforçado, é um fato consumado, baseado em percepções de pensamento abstrato e de concreto.

Sem querer querendo

eu invado reputações, e as destruo, eu sou um hacker de espíritos, eu não posso evitar, o faço quando acho que deve ser feito, tem de ser plausível, fazer sentido, merecer… aí estraçalho, tudo o que guardei sem querer, é jogado contra a parede, a sina de quem nunca esquece.

A minha reaçao é viver
eu sou tão atordoado pela angústia de existir, que a minha reação é viver, mais do que qualquer um, mais do que eu poderia, mais do que desejaria, eu faço de maneira irracionalmente racional, não meço passos de dança, pulo até suar, até feder, porque eu quero viver, eu estou vivendo, intensamente, melancolicamente, euforicamente, vendo sóis se porem e noites se escurecerem, o meu fogo é baixo, mas arde, é como uma picada de formiga, ninguém dá nada por ela, acha que vai passar, mas demora uns 3 dias até parar de doer, é pequeno mas é valente, teimoso, não apaga por qualquer coisa… a hiperrealidade é por deveras pesada, mas eu continuo com meus músculos e bíceps existenciais a mante-la em suspensão, esta é minha reação, viver.
Blitz de emoções e todo dia é dia de ser…
Nasci as 7 da manhã, acordei diferente, mais fechado, mais alérgico, interpreto o que há em minha pele, aquilo que penso ser a minha persona mais grata, dou um valor a mim mesmo e internalizo emoções que não são minhas, eu sou o sol dentro de um corpo, sou Deus brincando de humano, sou a razão fechada em uma jaqueta, descasca-me oh ternura, me faz sentir o frio vento da noite escura de agosto, aqui, onde o cruzeiro do sul é mais risonho, de camada em camada, eu me encontro, meio selvagem, meio diplomata, uma cascata de sensações através de um espelho onde me vejo, sempre sendo, e deixando de ser, sede por desejos,  inconstante, mesmo nos detalhes mais escondidos de minha pele avermelhada, falho e defeituoso, que mutou demais, que não passou na fila da apatia funcional, oh santa normalidade, que ao me desprezar, fez-me imortal desde a tenra idade, a me vigiar, tal como a mãe que ama em despero o rebento mais rebelde, a mulher, a presa personificada em leitosa maternidade, mesmo quando alimentaste um glutão, o amaste, sem qualquer reflexão, não é mecanica, não é mais homem, mais máquina, é exagerada-mente humana. Amanhã quem sabe, meu destempero possa relevar-me diferente, mais guerreiro, mais sensual e galante.
O silencio da serenidade
O céu e o seu despertar preguiçoso, o ouvir da vida renascendo, o cheiro de noite se esvaindo rente ao sol imponente, rindo e convincente, ”eu vou te esquentar”, música do coração, a conexão, parar um pouco e respirar profundo, este agora é meu mundo, ‘eu sou o rei”, ”eu sou a minha felicidade”, estou melhor sozinho, quando estou acompanhado por Deus a sussurar palavras sem forma em meus ouvidos, ”sinta e agradeça”, eu obedeço sem diretrizes estabelecidas, me estabeleço e penso com meu amigo, meu caráter, ”por que não podem sentir** isso é tão bom!!!”, sereno toque de uma paixão, de entender tudo, mesmo sem entender, sabe que é assim que tem que ser e deixa, entre o acordar e o estar acordado, a nossa vida se restabelece, a pseudo-morte, de sonhos e pesadelos, ou um cochilo de um dia inteiro, desce e levanta forças para mais um dia, ”Adeus cama, te vejo mais tarde”. Bom dia café, senti saudades, meu caro!!

A metáfora da linha reta da diversidade do desenvolvimento humano para explicar o espectro da lateralidade e da sexualidade

O desenvolvimento humano normal ou normativo se dá com base na regra ou normalidade de acontecimentos evolutivos a nível individual. Herdamos relógios biológicos, alguns que funcionam fluidamente, de maneira contínua, constante, outros, que funcionam de maneira inconstante, com base em rompantes ou em depressões de sua pulsação ascendente.

Se o desenvolvimento é rápido desde a concepção, então nós teremos uma maior predisposição para a herança de relógios biológicos anormativos, de ser espetacular em algumas funções e primata em outras, como um savant, especialmente aquelas que são muito acionadas para o conviver habitual de sociedades ritualmente condicionadas, de passar por rituais de passagem e ver-se alçado ao posto de ”maduro adulto”, que paga as próprias contas, que ”é dono de si”. Ou de ser apaixonado pelo próprio espelho e a de buscar em seus iguais de genero, aquilo que lhe ”faltou” durante o seu desenvolvimento, o homem ”incompleto” ou a mulher que em excesso de masculinidade, se mostram ‘anormais’ aos olhos da natureza e bem vindos aos olhos da filosofia e da possibilidade de produzir pensares  e vivencias destoantes e por que não, fascinantes…. o outsider biológico.

O excesso ou a falta de desenvolvimento habitual ou comum, que perfazem aquilo que chamamos numericamente de maioria, a mesma maioria que tanto exponho por aqui, produzirá a diversidade de tipos, daqueles que não tiveram sorte e nasceram mutantes demais, até aqueles que por um quase-milagre, se desenvolveram como aves muito raras.

E mãos que escrevem pelo lado esquerdo e que possam pensar pelo lado direito, é provável de serem abundantes neste espectro de heranças de desenvolvimento curto assim como também daquele de desenvolvimento prolongado, que ultrapassa o ‘esperado’. Nós temos uma poça de lama e seu meio, que está livre de sua natureza pegajosa. Nas médias, vivem a maioria, a normatividade, aquela que perfaz o caráter coletivo da espécie a que pertencemos. Mas somos menos humanos que as massas, porque somos mais únicos.

O normal estatístico será menos canhoto porque a normalidade de natureza demográfica tende a favorecer ao desenvolvimento organico mais equilibrado. Não é uma corrida, mas tem um ponto de chegada, que não será nem para mais nem para menos.

Nascer incompleto ou completo demais, geralmente se caracterizará por uma vida com mais tormentas do que com calmarias. Mas para estas aves raras, as tormentas serão acompanhadas por clarões de hiper-razão ou hiperracionalidade que poderá levá-los a hiperrealidade, ao mundo onde que culturas, religiões e humanidades são produzidas.

Menor ou grande peso ao nascer podem ser fatores essenciais na produção dos espectros anormativos de desenvolvimento psicológico, sexual, cognitivo e cultural dos seres humanos.

Huxley postulou com sapiencia sobre as diferenças entre aqueles que nascem diferentes e podem ver o mundo a partir de perspectivas únicas em comparação aqueles que são estatiscamente normais.

Nas linhas curtas ou longas de desenvolvimento biológico, mora o sofrimento e a alegria mais genuínos de nossa espécie.

Intelectual e técnico, a diferença entre SER e TER uma inteligencia

O verdadeiro intelectual é um sábio. O falso intelectual é um técnico que tem problemas de confusão identitária cognitiva.
O gado humano se caracteriza por sua incapacidade inata de entender a realidade sem a ajuda de ”iluminados”. A maior parte da humanidade se encontra na transição entre o instinto e a autoconsciência ( e autoconhecimento)*.

Fases da transição mental evolutiva
1- existência pré-instintiva ( plantas)
2- existência de transição entre a fase pré instintiva e instintiva ( insetos, vírus e bactérias ou nano insetos)
3- existência predominantemente instintiva ( animais não humanos)
4- existência de transição entre a fase instintiva e auto consciente ( a maior parte dos seres humanos)
5- existência predominantemente auto consciente ( uma pequena minoria de seres humanos)
6- fase de transição entre auto consciência e supra consciência
7- supra consciência

 

Se todos fossem capazes de entender o mundo por conta própria não haveria a necessidade de hierarquia social. Todos saberiam de seus deveres, direitos e necessidades pessoais neutras únicas. No entanto, como a realidade humana é muito diferente deste cenário ideal, então existe a necessidade de que existam discrepâncias desta natureza.
O auto consciente completo é aquele que vive a inteligência porque esta é parte de sua essência, de sua personalidade interior e porque o grande divisor de águas que faz a espécie humana única é justamente a sua autoconsciência aflorada, alargada.

A maioria dos seres humanos apenas TEM inteligência e SERIAM inteligentes se soubessem entende-la, pois desta forma, entenderiam melhor a si mesmos. A humanidade enquanto uma coletividade organizada, se diferencia das outras espécies por adaptar o meio onde vive para si próprio, mesmo que outros também o façam, só que em menor escala.
O auto consciente é ciente da necessidade de adaptação de sua mente e corpo em um ambiente de maneira que seja proveitosa e enriquecedora para todos. Esta consciência renega a condição que é manipulada para ser concebida como ”o normal” pelo gado humano, tal como a vaca no pasto não tem consciência complexa  quanto as amarras ou cercos que a mantém prisioneira e pronta para o abate, o gado humano apenas se diferencia dos outros animais não-humanos pelo fato de ‘necessitar’ de uma ”cultura” de manipulação para mantê-lo feliz e seguro dentro do cerco que se consistem as sociedades humanas. E quando esta cultura lhes é retirada, eles não se tornarão livres porque continuarão tentando juntar as peças do quebra cabeças para entender o mundo real, sem grande sucesso nesta tarefa. E é apenas por meio da realidade, especialmente a hiperrealidade, que se poderá produzir qualquer produto de valor e sustentável.
O trabalho técnico se baseia na criação de uma geologia antropomórfica mas especialmente para sustentar as sociedades humanas e enquanto que o trabalho intelectual se consiste no pensar, na tentativa de melhorar, criticar, reconstruir ou destruir a organização humana, incluindo aí tudo aquilo que foi produzido pelo trabalho técnico.
O intelectual é superior ao técnico por pensar sobre a realidade antes de mantê-la enquanto que o técnico a mantém partindo de uma premissa precipitada de certezas quanto aquilo que é natural e aquilo que não é.

O intelectual é um inquisidor mental enquanto que o técnico pouco critica por exemplo se existe a necessidade da existência de prédios em uma cidade. O pensar antes de executar é o grande diferenciador do pensamento intelectual em relação ao técnico. O porquê, com qual intuito, para quem. Este pensar encapsulador e holístico faz toda a diferença porque somos puxados pela dualidade para as nossas respectivas ”transcendências” sem criticismo e melhoramento ao longo do caminho. Ou nos estagnamos ou nos tornamos extremistas transcendentes. A cina humana é universal.

A maioria daqueles de elevada ”inteligencia técnica” serão do tipo que apresentam habilidades cognitivas acima da média, mas que não serão inteligentes, porque eles não vivenciarão no dia-a-dia a inteligencia, visto que apenas a usará (de maneira predominantemente inconsciente) para ”poderem se adaptar” a sociedade. Há um engano comum nesta afirmativa, pois a maior parte das pessoas não se adaptam ao meio. Eh o meio contextualmente organizado que seleciona aqueles que desejam se apropriar do seu serviço e que por intermédio de uma ”cultura” de manipulação, faz com que boa parte destas pessoas acreditem na naturalidade de um conjunto hierarquizado de artifícios que são o esqueleto das sociedades humanas, especialmente as sociedades ”modernas”.

Portanto, o intelectual verdadeiro ou sábio, será o mais inteligente, porque a inteligencia faz parte de sua essencia existencial ou personalidade enquanto que a maioria dos seres humanos estarão ”apenas” providos de inteligencia. E partindo da hierarquia de necessidades existenciais ou de sobrevivencia, a captura de padrões harmonicos e desarmonicos me parece ser muito mais efetivo, objetivo e produtivo na capacidade de conservar a auto existencia bem como das vidas ao redor, do que as múltiplas especializações técnicas que são usadas para sustentar as coletividades humanas (e percebam que o mesmo acontece com grande parte das outras espécies ou vidas neste planeta).

O parco senso de auto consciencia ou instinto puro, mais o biótipo de sobrevivencia existencial (as asas do pássaro, os espinhos do porco espinho, a carapaça da tartaruga), se consiste na inteligencia ou cognição que predomina no reino animal assim como também para uma boa parte da espécie humana.

A intensidade ou enfase natural-pessoal pela inteligencia pura, a parte puramente cognitiva da sabedoria, que se consiste na capacidade de detectar a maior quantidade qualitativa possível de padrões lógicos e ilógicos dentro de seu campo de vivenciação (que não quer indicar necessariamente limitação física, visto que a imaginação, de fato, nos dá asas para nos imaginar em outros ambientes assim como também para manipular informação abstrata, que não é literal, que não está retida pela verdade objetiva), buscando a construção da realidade hiperreal, literal e abstrata, será o divisor de águas do SER e do TER na inteligencia.

Olá ”pesquisador sobre criatividade”. Eu sou criativo. Pergunte pra mim quando quiser entender a criatividade ok**

Olá senhores pesquisadores que trabalham  em psicologia cognitiva e neurociencia. Meu nome é Santoculto da Silvassauro, mas podem me chamar de Criativo. Sabem, eu sou criativo, desde que me conheço por gente. Se quiserem entender como funciona a mente de uma pessoa criativa podem me perguntar. Eu terei o imenso prazer de vos ajudar em suas pesquisas.

Eu sou imaginativo

Testes de criatividade podem não funcionar pra mim ou mesmo para muitos da minha tribo porque a criatividade não se baseia apenas em fazer desenhos incomuns.

 

Eu gosto de desenhar, mas prefiro fazer mentalmente, que se chama imaginação. Mas eu não acredito que a criatividade seja apenas ou fundamentalmente a recreação cultural. A criatividade, meu caro pesquisador, se relaciona com tudo aquilo que existe e portanto, pode ser aplicada em tudo, inclusive no seu trabalho de pesquisa.

Voce não precisa desenvolver testes convergentes de criatividade para tentar mensurá-la nas pessoas. Basta conversa com uma pessoa criativa, especialmente se for do tipo contínuo e constatará de antemão o que o seu objeto de pesquisa se consiste.

Muitos cientistas são tão tendenciosos em seus trabalhos, que quando se deparam com uma pessoa sincera e pior, que está dizendo boas verdades, eles podem ser tomados pelo panico da humilhação e  refugarem pelo acato das ideias novas e brilhantes que o linguarudo lhe sentenciou.

 

Eu sou sincero

 

A sinceridade bem como a honestidade, ainda que não sejam a mesma coisa, são fundamentais para a criatividade, porque o criativo, mesmo quando produz as ideias mais loucas, sempre se baseará no mundo real, literal ou hiperreal. Portanto, quando o criativo produz uma ideia que parece muito estranha e improvável de ser aplicada em condições literais, não pense que a mesma foi retida depois de um rompante de loucura, mas justamente o contrário, por um insight ou rompante de hiperrealidade e nem todo insight será bom.

Pense no criativo como o atirador que alveja o alvo muitas e muitas vezes. Quanto maior a densidade de ideias, maiores serão as chances de sucesso, da mesma maneira que quanto maior a tentativa de flerte para namoro ou prevaricação carnal, maiores serão as chances de sucesso… O inteligente não-criativo, tenderá a ser como o atirador que mira mais do que atira no alvo.

O criativo típico (o contínuo) não está nem aí para o que voce pensa, suas crenças, religião, preconceitos unilateralmente negativos ou generalizações. Portanto não tente conformar a criatividade dentro dos seus parametros pessoais de comportamento ou opiniões. Mas eu não duvido que muitos destes tipos sejam altamente capacitados para melhorar e talvez esta seja a grande diferença entre criativos reais e ”não-criativos”. O primeiro tem a capacidade de se auto criticar e mudar suas ideias ou sofisticá-las pois o simples ato de faze-lo já é uma forma de pensamento criativo. Portanto, a criatividade não é apenas recreativa e utilitária, mas também é parte da própria identidade, da conversa interior entre a voz de sua razão (a voz interior do observador) e suas atitudes.

Me parece ser muito comum que os pesquisadores oficiais ou burocratizados se utilizem de suas próprias considerações pessoais para selecionar pessoas criativas. O pensador criativo típico é original e independente. Novamente, não tente conformá-lo dentro de seus pressupostos unilateralmente equivocados de vida.

 

Solucionadores de problemas tendem a ser de criativos contínuos

 

As pessoas ”perdem” seus tempos com frugalidades visto que tendem a não desenvolverem parametros de objetividade para com suas respectivas sobrevivencias e bem estar. Parametros objetivos se relacionam com a resolução de problemas, se estes são tão prolíficos em nossos ambientes que nos fazem concluir que como uma das mais importantes diretrizes a serem cumpridas será a sua mitigação ou resolução. O criativo contínuo tenderá a ser ”independentemente emocional” no sentido que não é influenciado pelo ambiente social da mesma maneira que as outras pessoas. Ainda que não seja independente de sua instabilidade emocional, ele o será na capacidade de resolver a si mesmo ou de tentar faze-lo pois isto também se consiste em uma atividade criativa, o ato de auto-expiação e possível concerto ou readaptação.

 

Criatividade assim como transtornos mentais, desvios naturais sexuais ou canhotismo, é um dos bio-produtos da lateralização cerebral anomala

 

Sua maneira binária de ver o mundo especialmente se for um neordarwinista conservador, renega a própria criatividade, ainda que esta possa ser usada para sofisticar sua maneira de experienciar o mundo ao redor. No entanto, acho difícil que voce possa encontrar muitos criativos contínuos ”dando bandeira” por aí e com as mesmas tendencias naturalistas- não-empáticas que predominam em sua mente, se voce for um neodarwinista conservador.

Portanto, quando falar sobre transtornos mentais e especialmente de seus portadores, como se fossem lixo humano, isto poderá ser entendido como um afronta pessoal, pois se o esquizofrenico é um lixo, então nós criativos, seríamos o que… metade-lixo**  Mesmo se não tiver nenhum parente direto com personalidade extrema, eu e acredito que muitos outros criativos, se sentem muito mais ligados aos portadores homozigotos destas condições do que com as pessoas que se julgam ”normais” ou ”neurotípicos”.

 

O criativo tem grandes chances de ser mais empático que voce, senhor pesquisador….

 

Ainda que briguemos com o mundo inteiro se for preciso, isso não significa que não possamos ser empáticos e na verdade, é esperado que sejamos até mais empáticos do que a média. Aquilo que muitos conservadores atribuem como comportamento excentrico como entender a homossexualidade como algo natural ou aceitar o cabelo azul da colega ao lado, nada mais seria do que aceitar a individualidade humana, especialmente aquela que vem para enriquecer nossas existencias cheias de dúvidas. Se tornar vegetariano ou vegan, também pode ser uma tendencia mais comum dentro das comunidades criativas, que muitos pesquisadores conservadores neodarwinistas entram em parafuso para entender, mas que é completamente lógico a partir de uma perspectiva empática.

 

Eu não terei boas ideias toda hora ok**

 

Uma avalanche de ideias ruins podem ter como resultado uma minoria de ideias extremamente boas. Não me avalie como se minha criatividade tivesse a necessidade de ser sempre certeira. Não me julgue no primeiro equívoco. Lembre-se, eu não sou como voce e a maioria das outras pessoas também não. O ato de ser verdadeiramente empático, é a melhor maneira de se tentar entender como  se dá a fenomenologia do comportamento humano e não-humano.

 

Ou eu tenho muitas ideias ou me concentro em ”projetos cognitivos de longo prazo”. Mas isso talvez não signifique que eu seja menos inteligente que o senhor, pesquisador…

 

Este texto é apenas uma breve pincelada sobre como que o senhor poderá agir acaso estiver interessado em entender a criatividade.

Até login!!-)

 

 

A diferença entre indivíduos excepcionais e os ”trivialmente inteligentes”

Tente debater com os ”trivialmente inteligentes”. Geralmente os resultados desta aventura imprudente serão dor de cabeça, ódio dentre outras reações indesejáveis. As razões são muito simples. Os trivialmente inteligentes que são em sua maioria de intelectualmente interessados, usarão o conhecimento superficial e parado (com focos de dengue) que já acumularam  para ‘refutar’ suas premissas e dificilmente conseguirão sair dos seus quadrados de segurança. Eles são assim mesmo, são bons para manter o sistema, mesmo se o sistema for uma porcaria, mas não são criativos, inovadores, com duas costelas de loucura, inteiramente empáticos, racionalmente reativos, enfim.  Não é apenas isso que separa os intelectualmente obsessivos dos intelectualmente interessados, visto que como ” a inteligência não é atomizada dos outros componentes que perfazem a mente humana”, então as diferenças entre os muitos tipos de pessoas estúpidas e de pessoas sábias, são muito maiores do que imaginamos. Não são apenas diferenças em testes de inteligência ou em testes de personalidade, mas em como o mundo é sentido e percebido.

As superexcitabilidades em superdotados, mas especialmente nos intelectualmente obsessivos, que são os mais inteligentes, produzem uma maneira muito mais ampliada de perceber e entender o mundo, em todos ou na maioria dos níveis e tipos de interação com o meio, como a espiritual, a emocional, a intrapessoal, a interpessoal, etc…

A fronteira entre a mediocridade e a grandeza virtuosa, que é a combinação entre intensa energia integrada orgânica de sensações e percepções e o estado de descanso ou euforia balanceada e inabalável, é o grau de percepção enérgica ou energia entre os dois, que pode ser notado em todos os níveis de interação (super excitabilidades de Dabrowski).

Os intelectualmente interessados, ao iniciarem um debate qualquer, imaginam-se em mais uma cena do cotidiano pós-moderno e tecnológico, especialmente, se este debate for feito em alguma comunidade dentro da ”web”. Suas sensações e percepções não são muito diferentes daquelas que são sentidas e percebidas pelas massas. Na verdade, podemos dizer que os intelectualmente interessados ou trivialmente inteligentes, fazem parte desta massa de energúmenos desprovidos de sabedoria. Como resultado, eles utilizarão suas ”piscinas paradas, cheias de ratos(sic!)”, para exporem ”suas” premissas sobre o assunto em pauta. Tal como as massas também o fazem, porém de maneira bem mais sofisticada. A partir do momento em que o equilíbrio de forças for quebrado, os intelectualmente interessados, em sua grande maioria, recuarão em suas individualmente respectivas capacidades de debater (manipular) seus pontos de vista, porque eles aprendem por ‘memorização literal’ ou ‘lavagem cerebral’ e tal como em um castelo de cartas entrincheirado, regredirão de um estado combativo porém (pseudo)racional de debatedor, para um estado atávico, de histéricos que só conseguem usar ad hominem para tentar salvar suas retaguardas e ao mesmo tempo atacar o seu adversário. Os milhões de micro-debates, seja pela internet ou na vida não-virtual, deixam de evoluir a partir do momento em que algum tipo de estúpido não consegue mais seguir o jogo de manipulação que os verdadeiros debates se caracterizam.

Trivialmente inteligentes ou intelectualmente interessados

Eu já discuti sobre as diferenças entre os intelectualmente interessados e os intelectualmente obsessivos. Esta divisão entre os tipos de inteligentes, é uma boa maneira para separar aqueles que tem grande capacidade de inovação em suas áreas de fixação e aqueles que fazem parte das ”massas mais intelectualmente sofisticadas”, o grande público de consumidores diretos dos ”produtos de gênio”. As diferenças entre estes dois grupos podem ser resumidas em uma única palavra, CRIAÇÃO. Os intelectualmente obsessivos não apenas se tornam especialistas nos assuntos de fixação como também, por conseguinte, se tornam potenciais criadores de novas maneiras de se pensar ou de se criar, sejam em qualquer nicho de produção. Em compensação, os intelectualmente interessados, raramente conseguem superar a barreira da acumulação sofisticada de conhecimento (enquanto que a maior parte das massas apresentam uma acumulação primitiva de conhecimento) e terminam por se tornarem ”mantenedores ou estabilizadores do sistema”.

A partir do momento em que estes dois tipos entram em um combate verbal, isto é, em um debate qualquer, os intelectualmente obsessivos tenderão a demonstrar

paixão,

obstinação e

extrema curiosidade para saber o que seu oponente tem a dizer ou a propor.

A paixão se dá porque os intelectualmente obsessivos adoram falar dos assuntos dos quais mais gostam de estudar (vivenciar). É parecido quando um amante fala com seu camarada sobre o seu amor proibido, a sua paixão, com brilho nos olhos, sangue borbulhante nas veias e vivacidade romântica. Fala de um ideal alcançado, de uma verdade encontrada.

A obstinação é o resultado natural da paixão, que precisa ser perseguida ou queimada até ressuscitar em uma nova Fênix. Infelizmente, muitos intelectualmente obsessivos não terão sabedoria para produzir um sistema de crenças racionais, lógicas, holísticas e ponderadas. E estes estarão entre os piores tipos de debatedores estúpidos porque eles ainda incorporarão muitos tiques de estupidez. Como dizem, quanto mais inteligente e estúpido, melhores serão as manipulações para provar a veracidade de seus pontos de vista. Muitas pessoas inteligentes são irracionais. Os intelectualmente obsessivos, superam os limites do aprendizado inicial, marcado pela memorização ou acumulação de conhecimento pré-estabelecido e deixam de ser os ”eternos alunos” ( muitos na faculdade não conseguem superar esta barreira) para se tornaram os próprios produtores. Mas é claro que como eu estou falando de abstrações, de categorizações, então será  evidente que muitos trivialmente inteligentes (um grande percentual de professores universitários) se localizarão na ”fronteira” entre os dois grupos e portanto, serão capazes de produzir, mesmo que geralmente, o façam de maneira pouco inovadora e em conformidade com o stablishment intelectual da academia a que estão subordinados.

A extrema curiosidade (ok, devo ter exagerado um pouquinho, a curiosidade, apenas) para saber o que o ”antagonista” do debate tem a dizer, para que possa retrucar com maestria, é outra tendência muito comum entre os intelectualmente obsessivos. Dentro deste grupo, nós podemos destacar os ”intelectualmente obstinados”, isto é, aqueles que não apenas se aprofundam em um determinado conhecimento, não apenas produzem novos ”produtos” oriundos deste aprofundamento, mas também buscam por valores transcendentais como a verdade. A busca pela verdade é a busca pela solução de todos os problemas, desde a raiz. A busca pela verdade é a busca pela harmonia, pela beleza e necessariamente não quer indicar simplicidade apenas, mas a simplicidade da complexidade. A procura pelos mecanismos essenciais que produzem a complexidade, a capacidade de ver a origem da complexidade, que é simples, e a complexidade por  si mesma.

A transcendência é o mundo da hiperrealidade ou o mundo da criação, que a maior parte das pessoas são incapazes de tocar. A auto-motivação intrínseca para superar limites, superar barreiras que nunca foram conquistadas.

No mundo da ”democracia” e de ”debates democráticos”, as pessoas comuns são impulsionadas a exporem e a confrontarem seus pontos de vistas com os seus oponentes. Se uma roda intelectual não terminar em um estéril consenso de coisa alguma, então caminhará para a histeria, especialmente das partes menos capazes. Os intelectualmente interessados são aqueles que mantém por mais tempo a histeria, provavelmente porque como apresentam egos inflados pelas circunstâncias burocráticas e superficiais de nossas sociedades hierárquicas e massificadas (que selecionam por critérios cognitivos resumidos como memorização pragmática, em busca de mantenedores técnicos, ou quantidade, mas não de uma grande e inconveniente proporção de solucionadores de problemas), lutam teimosamente contra fatos e percepções cirurgicamente apuradas daqueles que dedicam naturalmente uma boa parte de suas horas para o pensamento crítico e o aperfeiçoamento de seus conhecimentos de fixação. Os intelectualmente interessados são iludidos quanto a todos os mêmes pseudo-lógicos ou pseudo-racionais e o principal deles é sobre a certeza de veracidade quanto ao conhecimento incompleto e ideologicamente tendencioso (dogmático) a que foram doutrinados. Como eu já comentei antes, os verdadeiramente inteligentes são os autodidatas. O termo autodidata, neste blogue especificamente, se refere àqueles que apresentam motivação intrínseca para o aprendizado. Isto é, para o real aprendizado, que se baseia no auto-melhoramento.

Portanto, se em sua área de interesse ou de especialização, você não for capaz de aperfeiçoar ou de detectar erros de lógica ou harmonia (padrões lógicos), então não será sábio e não terá aprendido nada. O aprendizado real não é memorização pragmática de dados de uma determinada matéria de estudo. É a aplicação deste conhecimento como parâmetro de detecção de erro, o melhoramento da própria matriz do conhecimento adquirido e/ou a substituição desta por outras matrizes de conhecimento, mais eficientes na resolução de problemas. Isso é inteligência real, in loco, ao vivo, em ação e reação, e não apenas a memorização pragmática. As pessoas inteligentes existem para solucionar os problemas da sociedade, não importa em qual área e quanto mais cirúrgico, preciso e essencial forem estas correções, mais inteligente será. As universidades modernas são ocupadas por mantenedores técnicos e não por solucionadores de problemas, que estão em minoria. Isso explica o porquê da alienação das instituições de ensino superior com o mundo real, em cada nação ocidental, visto que os mantenedores raramente conseguem superar as suas limitações criativas e terminam se transformando nos maiores obstáculos da explosão criativa dos gênios. É por isso que eu gosto de dizer que, os ”inteligentes” são os maiores inimigos dos ”gênios”.

Portanto, a raiva costumeira que atingem aqueles que estão em uma dimensão de percepção e interação mais elevada tanto em qualidade quanto em quantidade, combinado com grande intelecto, é apenas uma reação completamente natural aos dementes que passam por seus caminhos. Quem não fica nervoso quando diz a verdade baseada em lógica de fatos e intuições certeiras, e mesmo assim, os zumbis tentam convencê-lo do contrário?????

Testes cognitivos com viés cultural objetivamente perceptivo como complemento para um avaliação psicométrica oficial

O ser humano precisa de vinho (entretenimento), beleza (arte), política (filosofia ou sabedoria) e segurança (ciências). A genialidade humana se manifesta especialmente nessas raízes da experimentação humana.

A partir delas, fizeram-se as civilizações dentre outros tipos de sociedades humanas. A inteligênciA poderia ser resumida pela capacidade de percepção holística. Nós temos as macropercepções e as micropercepcões (pagar a conta do banco, estudar para a prova do concurso público, juntar dinheiro para viajar, ir a sauna, enfim). A maior parte da humanidade se limita a se adaptar ao ambiente em que estão sem analisá-lo profundamente (micropercepções). Aderem a modismos, regras e limitações sem tentar entender o porquê, provavelmente porque falta um grande número de humanos providos de autoconsciência desenvolvida para se questionarem o porquê de tudo ser como é.

 

Testes de qi, culturalmente neutros demais e sem sentido

”Qi maior do que de ‘Einstein”.

Será que esta belezinha tem mais crânio que 99% da humanidade??

 

Os testes de qi visam analisar a inteligência humana mediante um viés culturalmente neutro. A intenção é boa, mas os resultados nos mostram uma pobreza de detalhes, especialmente porque o ser humano é uma espécie social e que portanto depende consideravelmente de sua interação com o seu ambiente para que possa ser analisado. Além do mais como eu tenho comentado aqui diversas vezes, os testes tradicionais de inteligência medem a mesma em um estado estático, tal como se fosse uma idealização da inteligência, a maquete de um empreendimento comercial por exemplo.

A inteligência humana pode ser resumida em dois aspectos fundamentais, a capacidade de adaptação e a capacidade de resolução de problemas. Será que um matemático é tão bom para solucionar problemas na vida real, tal como ele é com os cálculos?? Será que um historiador ”de” alto qi verbal, é tão eficiente para entender realmente o que se passa ao seu redor tal como ele é para encontrar analogias em testes de inteligência ou na extensão do seu vocabulário??

Novamente, eu não sou um ”negador” da capacidade dos testes de qi para medir alguns importantes aspectos cognitivos, mas existe a real necessidade de que haja uma espécie de acoplamento dos resultados obtidos em baterias de avaliações psicométricas com certos componentes que são fundamentalmente aquilo que a inteligência é em seu conceito mais puro e objetivo.

 

A técnica de interação perceptiva (ou possivelmente, uma analogia remota com o ”fator g”)

 

O ser humano, obviamente, interage com o ”ambiente” em que está localizado. Esta interação, baseia-se na percepção dos fenômenos sociais e naturais. Todos os animais apresentam o mesmo fator g, ou seja, a capacidade de percepção e posterior reação à ameaças e perigos iminentes, aquilo que alguns chamam de instinto. A inteligência humana, em seu conceito mais puro, é uma mistura de instinto, ou capacidade de reação a curto prazo, e autoconsciência, estratégia ou reação a longo prazo.

Avaliamos a inteligência humana mediante resultados estéreis de testes cognitivos. Mas isso é uma grande estupidez, porque podemos avaliar a capacidade humana, especialmente através da perspicácia visionária da qual boa parte dos gênios estão dotados.

Portanto, além de reagir apropriadamente às (sic) microagressões ou micropercepções, os mais inteligentes se destacam das massas porque são capazes de ”prever” a continuação de padrões dinâmicos em um futuro próximo ou mais distante. Este tipo de capacidade estratégica, é uma das principais vantagens dos gênios sobre os demais.

A mentalidade dos ”intelectualmente excepcionais” se baseia nas múltiplas perspectivas. Enquanto que a mente monocromática dos comuns analisa o mundo mediante a dualidade ”branco-preto”, apenas uma minoria da espécie humana, pode compreendê-lo mediante uma mentalidade multidiversa e que portanto, é retida por meio das múltiplas perspectivas. Os famosos insights criativos, são justamente a união de ideias que são consideradas remotas por aqueles que só conseguem ver lógica simplista e determinista e portanto, só podem entender por exemplo que a palavra Páscoa tenha de se relacionar com a palavra coelho, desprezando qualquer outro tipo de associação, não apenas as que poderiam ser consideradas como bizarras, por não haver nenhum tipo de associação próxima, como coelho e Marte, mas também porque Páscoa e coelho podem remeter por si mesmas a várias outras associações ‘remotas’ que não são bizarras ou incomuns. Este é o toque de gênio, que a maioria considera como sobrenatural ou sobrehumano, enquanto que na verdade (na hiperrealidade) se constitui apenas em associar ideias que as mentes monocromáticas não podem imaginar. A novidade não está longe de nós, mas ao nosso redor. É por isso que os mais criativos, mesmo em uma pobreza de estímulos ambientais, conseguem desenvolver uma riqueza de percepções, ao passo que para a maioria, o cotidiano e a rotina são tidos como indiferentes ou pouco estimulantes. Isso nos ajuda a entender o porquê de tantos gênios serem de monomaníacos. Não é que desprezam a novidade, é que para quem está sempre produzindo uma riqueza qualitativa de percepções, qualquer lugar lhe servirá de paisagem propensa para a produção criativa mesmo que seja pobre em estímulos. E talvez, seja sábio para quem tem uma mente brilhante, a recusa de viver em lugares altamente complexas, visto que não há qualquer necessidade de ”ser estimulado pelo ambiente”, se este tipo de mente já faz este trabalho muito bem.

É justamente por isso que eu tenho batalhado tanto contra o ”determinismo do qi”. Para que este tipo de notícia idiota de ”psicologia popular”, deixe de ser propagada para que as pessoas acreditem que números de 3 dígitos possam substituir a alma e portanto a complexidade dos seres humanos e especialmente daqueles que nós somos mais encantados e ao mesmo tempo temerosos, os gênios.

Sem patricinhas de ”qi maior que Einstein” (este é outro provável…). As ideias mais inovadoras não brotam da terra, são retidas de observação ou percepção simples. A criatividade é simples e humilde por se basear na mais pura de todas as brincadeiras infantis, a manipulação da realidade ou imaginação. Ver o mundo como uma possibilidade sem limites para a criação (o mundo da hiperrealidade). Aqueles que tem uma percepção aguda, um faro canino para capturar problemas e soluções, recreativos ou objetivos, é que é o verdadeiro gênio. E os seus derivados, são os verdadeiros ”superdotados”.

O fator g ”não está contido no mundo dos reais” a partir do momento em que é baseado em uma abstração tal como a inteligência que é capturada por testes cognitivos. Ainda que possa se correlacionar com qualquer coisa que se relacione com inteligência, ou seja, um ”acidente” estatístico, ”a capacidade integrada de pensar e agir” só pode ser possível de ser analisada quando estiver em estado dinâmico (e não em estado inerte, como no caso do qi) e neste caso, em interação e captura de percepções no mundo real. Justamente por isso que ao invés da tentativa de neutralidade cultural, os testes precisam de um fundo cultural complexo e condizente com a realidade, para que possamos mensurar a real inteligência da população, aquele que consegue ter autoconhecimento (e controle cognitivo) o suficiente para não dirigir bêbado, para não tentar praticar ginástica sem estar em condições físicas ideais ou ser perceptivo a ponto de votar no candidato com as ideias mais racionais em uma eleição hipotética….

Nada de números vazios de substâncias, nós precisamos de seres humanos reais fazendo escolhas certas (e que se mostrarão complexas para personalidades complexas), sejam elas visando na interação com seus pares dentro da redoma social ou seja na produção intelectual.

Metaforicamente falando, os testes de qi medem parcialmente bem a capacidade cognitiva de formigas operárias, mas não consegue ser preciso na medição da capacidade cognitiva das formigas mais inteligentes. Voltamos mais uma vez para a ideia de ”castas cognitivas”, mas esta é um assunto pra outro texto.

O gênio termaniano versus o gênio lombrosiano e a depressão existencial de Dabrowski

Perfeição versus Desequilíbrio

O ”gênio termaniano”

A maior parte da comunidade científica, especificamente dentro da psicologia, tem validado a teoria de Lewis Terman sobre a genialidade humana. Os resultados do estudo longitudinal (o mais longo da história) realizado por Terman e sua equipe, se assemelham a muitas das correlações consistentes entre funcionalidade social e alta inteligência, parcialmente medida por testes de qi, que também foram validadas em estudos mais recentes.

Mas Lewis Terman teve como pretensão estudar a genialidade humana… Segundo a minha teoria (e talvez, não-tão-minha teoria, mas enfim…), criatividade e inteligência são dois estilos cognitivos opostos. Percebam que eu não estou sugerindo que inteligência e criatividade sejam conceitualmente opostas. O antônimo de inteligência é a estupidez. A criatividade é uma forma de inteligência, que tende a destoar significativamente daquilo que entendemos como inteligência por si mesma. O popular conceito mecânico-utilitário de inteligência é aquele em que a mesma é caracterizada como a capacidade para ”entender” determinado conhecimento ou regras e replicá-los. O problema deste conceito parece se localizar dentro da ideia de ”aprendizagem”. Provavelmente, nós temos uma tendência para confundir memorização e replicação com aprendizagem. Se ”quanto mais eu aprendo, mas eu sei que nada sei”, então não pode ser possível que apenas a memorização e a replicação possam expressar profundamente o que é a inteligência, mesmo mediante este prisma de enfatização.

Terman quis comprovar que os gênios ou prodígios (apesar de sabermos que nem todo prodígio será um gênio e nem todo gênio será prodígio)tendiam a ser mais socialmente funcionais e mentalmente ”saudáveis” do que o restante da população, o oposto da visão popular dominante de sua infância, baseada nos estudos  anteriores de Lombroso et all, .

Os critérios adotados por ele, foram (e são) particularmente cavernosos. Limitar a potencial genialidade por meio de testes de qi, produzindo uma espécie de ”linha do equador” (que é igualmente abstrata e arbitrária ), onde somente aqueles que pontuam acima de 130 em ”testes de qi” (quais testes de qi, ”cara pálida’??) são considerados como ”superdotados”. Enfim, são tantos os atropelos metodológicos e conceituais que se eu continuar a expô-los aqui, acabarei produzindo outro texto.

O conceito que Terman usou para medir inteligência pode ser resumido a esta abstração geográfica, a linha do Equador.

O achado mais importante deste estudo foi que quase um século de observação dos jovens prodígios selecionados (porque pontuaram acima de 130 em ”testes de qi”, provavelmente ”qi performance”) não teve como resultado (obviamente esperado) uma explosão criativa de inovações científicas, tecnológicas, culturais, artísticas ou filosóficas. Em outras palavras, os jovens termites ou prodígio, levaram vidas muito mais funcionais do que se comparado com o restante da população, mas as suas realizações foram modestas e não comprovaram que basta ”ter” um qi alto  para ser um gênio.

Terman deve ter esquecido que o componente mais importante do gênio, é a criatividade, mais do que a própria inteligência. 😉

Eu especulei ainda segundo a minha teoria, sobre a existência de 3 tipos de gênios, aqueles que são dotados de muito alta inteligência, aqueles que são muito criativos e ao mesmo tempo, tecnicamente inteligentes, e aqueles que apresentam muito alta criatividade.

Em resumo, Lewis Terman não analisou gênios, até porque sequer procurou pela combinação certa que tende a produzir tipos similares ou potenciais. Ao desprezar completamente a criatividade como critério relevante para a seleção dos seus objetos de estudo, Terman condenou o seu trabalho desde o início, quando teve a ideia de provar que a noção romântica (e que está sendo comprovada novamente na atualidade) de genialidade e psicopatologias, não se consistia em realidade factual. Em outras palavras, mesmo antes de começar a trabalhar a sua teoria, Terman já havia baseado o seu conceito em premissas equivocadas.

O ”gênio lombrosiano”

Quase que completamente oposto daquilo que Terman concluiu algumas décadas depois, o famoso criminologista Cesare Lombroso, de que tanto tenho falado aqui, validou o folclore popular sobre a correlação positiva e causal entre a genialidade e a ”loucura”. O seu livro, ”O Homem de Gênio”, que está disponível para leitura (em inglês) na internet, mostrou por intermédio de consultas biográficas, todas as tendências ”psicopatológicas” entre os gênios historicamente reconhecidos, até o século XIX. Lombroso não apenas relatou a presença consistente entre grande intelecto e personalidades extremas, visto que ele também mostrou alguns casos de pessoas intelectualmente medíocres que depois de rompantes de febre muito alta e/ou alucinações, se tornaram prodígios em alguma área. Lombroso também comentou sobre os casos de gênios que possivelmente só adquiriram a sua genialidade depois de alguma injúria cerebral, causada por acidente.

Enquanto que Terman selecionou os seus termites em famílias de  boa situação social na Califórnia (90% branca) da década de 20, Lombroso analisou muitos dos nomes de grande eminência do passado. Terman tentou encontrar gênios antes que se tornassem eminentes (partindo da falsa ideia de que todo gênio se torna eminente) enquanto que Lombroso fez o caminho oposto.

Os termites de Terman foram mais ”mentalmente saudáveis” (seja lá o que isso possa significar), mais altos e mais saudáveis do que a população com pontuações mais baixas de qi.

Os ”homens de gênios” de Lombroso foram quase o exato oposto, com altura e aparência variáveis, mas com uma tendência para anomalias físicas, faciais e consequentemente cranianas. Isso sem falar sobre as personalidades extremas.

Rechonchudo, baixinho e possivelmente um portador de úlcera.

Terman quis mostrar ao mundo que a maioria dos gênios (prodígios) não eram mentalmente ”insanos”. No entanto, ele enfatizou sua busca por meio da ”inteligência” ou de sua ”expressão”, por intermédio de testes de qi e desprezou totalmente a criatividade como parâmetro de investigação. Terman foi o primeiro a cometer o erro que se tornou corrente dentro da ”educação especial para superdotados”, o de resumir inteligência a qi, transformando o mesmo em seu conceito. Se o gênio não tende apenas a ser muito inteligente, mas também muito criativo, autoconsciente e sábio, então Terman não conseguiu acessar nem mesmo a inteligência em toda a sua abrangência. E isso explica o fracasso do seu trabalho para encontrar a genialidade.

Em compensação, Lombroso conseguiu fazer uma investigação analítica muito mais proveitosa e que na modernidade, está sendo comprovada através de vários trabalhos com grandes amostras representativas. Lombroso assim como Galton, chegaram muito mais profundamente dentro da etiologia da genialidade humana do que Terman, ainda que seu trabalho possa ser aproveitado de outras maneiras.

A relação entre genialidade e predisposições psicopatológicas é correlativa e causal, mas isso não significa que ”todo gênio será um louco e nem que todo louco será um gênio”.  Significa que a genialidade tem a mesma origem que as personalidades extremas, mas não são a mesma coisa, portanto, ainda que para uma ”minoria” dos casos, a relação será causal, na maioria das vezes, excessos mentais funcionarão mais como um problema para o desenvolvimento da capacidade criativa, do que como um aliado. (observação estatística, existem mais ”doentes mentais” do que ”gênios. Logo, a maioria dos ”doentes mentais” não são gênios, mas uma parte significativa de gênios serão parcial a predominantemente de ”doentes mentais” ou portadores de personalidades extremas, possivelmente com comorbidades).

Depressão existencial e Dabrowski

Assim como tantos ”matemáticos”, que tentam transformar uma curva em uma reta, quando o sábio deveria manter a curva em seu formato original e procurar investigar sua natureza, Terman tentou endireitar a distribuição hierárquica do intelecto humano. Lombroso foi consideravelmente mais comedido em relação a este aspecto, mas cometeu vários outros erros, seja em relação à moralidade ou ao determinismo quanto à sua afirmação central de que ”a genialidade seja uma espécie de neurose”.

Aquele que, na minha opinião, conseguiu chegar mais perto de uma proposta sábia para lidar com este fenômeno, foi o quase desconhecido psicólogo polonês Kazimierz Dabrowski.

Terman analisou a expressão estática de componentes cognitivos puros que se relacionam com inteligência.

Lombroso analisou a manifestação posterior da genialidade por meio da eminência e das realizações de algumas das grandes mentes da humanidade.

Terman propôs uma inovação quanto a este tipo de investigação científica. Encontrar os gênios, antes que eles desenvolvam suas habilidades e se tornem eminentes (desprezando o fato de que muitos gênios não conseguiram chegar à eminência). No entanto, os seus métodos se mostraram inúteis para mediante tarefa.

Dabrowski conseguiu produzir teorias que unificaram os dois métodos preponderantes para analisar o intelecto humano e foi aquele que conseguiu encontrar toda a natureza do mesmo. Dabrowski não negou a importância das predisposições genéticas na manifestação do gênio. Provavelmente, foi influenciado pelo determinismo do qi, mas isso não foi suficiente para se transformar em um ”termaníaco”.

A teoria da ”desintegração positiva da personalidade” dá uma dinâmica às pesquisas sobre superdotação, talento e genialidade. Como o ser humano, que obviamente, não é estático, é de extrema importância que  analisemos ”suas” capacidades cognitivas quando estiver interagindo com o seu meio e ao longo da vida.

Nem todo prodígio será um gênio.

A ideia de que as ”pessoas mais inteligentes” (estou englobando todos os tipos de manifestação de genialidade e semi-genialidade) desenvolvam perspectivas consideravelmente mais profundas sobre si mesmas e sobre o mundo em que vivem (isto é, que podem adentrar à hiperrealidade, o conceito que eu desenvolvi), funciona perfeitamente como um marcador psicológico para separar a maior parte dos tipos e níveis de superdotação, mas especialmente a genialidade.

A desintegração positiva da personalidade, nos mostra que enquanto que para a maioria das pessoas, as interações existenciais (isto é, com o ambiente, com as pessoas, consigo mesmo) tenderão a produzir transformações imperceptíveis de consciência, para o gênio, cada experiência funcionará como um gatilho para expandir sem limites a sua percepção holística.

A própria ideia de criatividade parece vir justamente desta perspectiva, onde as pessoas que são capazes de entender a realidade, mais do que as outras, também serão mais aptas para manipular esta realidade, por meio de ideias inovadoras. Em outras palavras, a maioria das pessoas desenvolvem naturalmente a percepção (de matrix) determinista de naturalidade do mundo, enquanto que os mais sapientes compreendem que o mundo, na verdade, é muito mais maleável. Esta percepção de maleabilidade do abstrato e do físico, abre asas para a imaginação. O que para a maioria, é considerado como ”absurdo” e portanto, ”anti-natural”, para os criativos e especialmente para os gênios, é considerado como uma oportunidade para o trabalho criativo.

A depressão existencial, uma das ideias de Dabrowski, se manifestaria na população ”comum”, apenas por intermédio de algum acontecimento abrupto (morte de parente, acidente, etc), forçando a consciência a trabalhar acima de sua capacidade. No entanto, estes saltos de consciência se dariam naturalmente entre os superdotados e especialmente entre os gênios. Isso explicaria o porquê  da correlação entre genialidade e ”loucura” ou excesso de realidade. A maioria dos ”loucos” não são gênios, mas uma boa parte dos gênios, se tornam parcial a completamente ”loucos”, especialmente porque tendem a se desligar da realidade cotidiana ou compartilhada (isto é, compartilhada com os outros, a ”psicose coletiva” do experimento existencial humano) e a seguir uma realidade alternativa, radicalmente diferente daquela que é vivenciada pela maioria.

Dabrowski deu a dinâmica que os estudos sobre superdotação e genialidade necessitavam. Sem as avaliações pedantes e estáticas dos testes cognitivos e sem a análise habitual post-mortem sobre iminência mas especialmente sobre realizações.

E por agora, eu estou começando a ficar convencido de que a ”depressão existencial”, intrínseca ou natural, possa ser o melhor critério de identificação para elevado intelecto humano.

Metáforas aforísticas sobre inteligência, criatividade e sabedoria

Inteligência sem sabedoria é inútil e perigosa. Inteligência sem criatividade é monótona.

A Criatividade sem a inteligência está para o Romeu sem o veneno do amor.

A sabedoria está para a inteligência assim como o ancião está para o aprendiz.

A sabedoria não é um estado mental resultado da velhice. Não é porque está velho que automaticamente se tornará sábio.

Serenidade não é plena sabedoria. A plena sabedoria é a genialidade. Serenidade é o estado inconsciente da sabedoria.

A sabedoria está para a criatividade, assim como a utilidade está para o momento.

A criatividade é dinâmica e atemporal. A sabedoria é atemporal e temporal.

O autodidata é o único ser realmente inteligente. O resto entende o conhecimento como responsabilidade, o inteligente entende o conhecimento como alegria.

A vida está para o oxigênio assim como o inteligente está para o conhecimento.

A insanidade do gênio é a hiperrealidade.

A sanidade do normal é a verdadeira loucura da humanidade.

O amor incondicional é a suprema sabedoria. Mas a paixão desgovernada é a suprema inconsciência.

Deus se encontra em um átomo.

A ‘educação’ substitui a inteligência por memória robótica, subjetiva e desapaixonada. Despreza e exclui a criatividade. Criminaliza a sabedoria.

A escola odeia pensadores livres.

O fanático defende com ferocidade o seu mestre parasita.

A igualdade de condições, gera desigualdade de resultados.

A desigualdade igualitária de condições, geral igualdade diversificada e especializada de resultados.

Refutação quanto à perspectiva moral normativa de Cesare Lombroso em seu trabalho ”O Homem de Gênio”

Nem tudo o que Lombroso disse é ouro

Eu tenho comentado várias vezes aqui sobre Cesare Lombroso. Não restam dúvidas quanto ao seu brilhante trabalho do século XIX sobre a relação entre genialidade e ”tendências psicopatológicas”.

Em relação à perspectiva técnica, ”O homem de gênio”, mostrou-se impecável e atemporal quanto a sua utilidade. No entanto, no que se refere à perspectiva moral, o livro deixou muito a desejar, especialmente porque o criminologista utilizou de suas próprias considerações pessoais de moralidade para julgar o comportamento e as predisposições psicológicas dos homens de gênio, fazendo com que a análise que propôs, perdesse um bocado de seu alcance. Ainda que não se possa, sob hipótese alguma, descartar este trabalho, quanto a sua capacidade de descrever a genialidade, seja em relação a sua etiologia, seja em relação às suas características gerais, existe a real necessidade de buscar entender o que Lombroso quis dizer com relação a muitos de seus julgamentos de natureza moral sobre o comportamento desta população. E é exatamente isso que vamos fazer agora.

EXCENTRICIDADES???

Uma das conclusões de Lombroso sobre a relação entre genialidade e comportamento ”excêntrico”, foi a de que o cérebro doente dos gênios é o  responsável pela excentricidade. No entanto, devemos tentar buscar a objetividade e abrangência das perspectivas.

Por exemplo, sabe-se que Nikola Tesla desenvolveu obsessão por pombos no final de sua vida (isto sem falar de outras idiossincrasias). Será que isso se consiste em alguma forma de ”insanidade”??

Julgá-lo por insanidade, especialmente pelo grande gênio que foi, me parece muito mais uma forma (real) de preconceito do que uma análise desapaixonada, analítica e portanto científica.

Lombroso pecou consideravelmente a partir do momento em que sobrepôs suas considerações pessoais sobre moralidade como parâmetro de definição de ”insanidade”.

Ao focalizarmos em uma determinada perspectiva, tendemos a perder todo o resto.

A obsessão de Tesla assim como outras de suas idiossincrasias se diferiam enquanto qualidade, a raridade do comportamento, mas não em termos de grandeza, isto é, ele jamais foi o único ser humano ou dentre poucos que já ”sofreu” com obsessões.

Por exemplo, a obsessão das pessoas ”comuns” em relação ao STATUS SOCIAL, se difere apenas no tipo de obsessão que Tesla desenvolveu, mas continua a ser obsessão. Se você é obcecado por pombos ou por status social, isso realmente faz alguma diferença??? (especialmente mediante uma perspectiva neutra, sem julgamentos)

No entanto, a relatividade do julgamento não pode ser aplicada no mundo real para todo tipo de obsessão. Por exemplo, cometer assassinato ou roubar, cleptomania, etc…

Ainda que se possa usar o termo ”excentricidade” enquanto um conjunto incomum de comportamentos, isto não significa que excentricidade será igual à insanidade.

NORMALIDADE NÃO É IGUAL À NATURALIDADE.

NORMALIDADE é apenas uma questão de estatística.

A ideia de que muitos gênios historicamente reconhecidos do passado foram de ”insanos”, precisa ser mais profundamente investigada do que apenas por meio do uso de parâmetros normativos para julgar comportamentos, especialmente se forem subjetivamente morais, isto é, se não causarem problemas objetivos na sociedade.
PSICOSE, PENSAR POR SI PRÓPRIO, ”NORMALIDADE”, PENSAMENTO predominantemente INCONSCIENTE

Os gênios tendem a ser muito mais psicóticos do que a média. A psicose se relaciona com a desorganização da percepção real. No entanto, também se relaciona com a super percepção da realidade. E é aí onde a conexão entre genialidade e psicose se faz mais presente.

Aquele que não tem uma formato de realidade pré-programado, pode manipulá-la mais intimamente e pensar em coisas que a maioria das pessoas desprezam. Os famosos insights criativos ou ”pensar fora da caixa”, realmente fazem sentido a partir do momento em que entendemos que os psicóticos tendem a pensar por conta própria. A importância da capacidade cognitiva aqui é muito grande, visto que, um psicótico comum tenderá a enxergar apenas aquilo que sua mente desorganizada está interpretando, enquanto que o gênio terá a capacidade para enxergar a realidade ao manipular melhor a ”desorganização” de sua percepção ou ”não-organização”.

Pense na mente dos ”comuns” por meio da metáfora onde uma pessoa está olhando para um cubo mágico planificado. Agora pense na mente do psicótico como uma pessoa que está olhando para pedaços de cubo mágico voando aleatoriamente pelo espaço abstrato. Pense na mente do gênio como aquele que pode ver a simplicidade em meio à complexidade da aleatoriedade instável de eventos ou, fazer correlações potencialmente causais entre as peças esvoaçantes do cubo mágico. Para encaixar uma peça na outra e produzir algo que seja criativo e ao mesmo tempo lógico, é necessário ter grande percepção enquanto que para o psicótico, a quantidade de erros será muito maior do que de acertos.

A psicose promove a abertura para a realidade ou para a hiperrealidade, que é dificilmente acessada pelos comuns. Mas somente a sabedoria e a inteligência que poderão nos levar para esta ”nova” dimensão sem nos perdemos pelo caminho.

O psicótico se joga do precipício, mas muitas vezes não conseguirá bater asas e voar, embora muitos psicóticos ”comuns” possam ter a destreza de fazê-lo. Em compensação, o comum (o velho ”normal”) será puxado do precipício por seu juízo. O gênio e o sábio voará muito alto quando se jogar.

A ideia de que a própria psicose se relacione com insanidade, ao ponto que, possam ser consideradas como sinônimos, não se sustenta a partir do momento em que QUALQUER PROPRIEDADE ABSTRATA E PORTANTO, METAFÍSICA, está passível de manipulação conceitual interna. Portanto, dentro da própria psicose, existe uma grande variedade de manifestações da condição. Algumas serão mais características para com o conceito usual enquanto que outras serão até mesmo o seu exato oposto, ou seja, não é aquele que cria mais padrões erradas e produz uma realidade distorcida, mas aquele que consegue captar a hiperrealidade por si mesmo. Um tremendo talento para observação e percepção.

Portanto a ‘insanidade” do gênio a que Lombroso tanto se referiu em seu trabalho, não se consiste em uma tendência objetiva retida de todas as perspectivas. E talvez, o diagnóstico de ”insanidade” do gênio, possa significar na verdade em uma grandiosa capacidade de percepção para entender a realidade.
A criatividade enviesada pela autoconsciência, se dá a partir do momento em que se compreende que a vida social (mamífera) é um grande teatro comportamental pré-programado e predominante inconsciente. O criativo é de fato, aquele que pensa por conta própria. E para um homem como Lombroso, fortemente inserido dentro do cenário social e cultural vitoriano da metade do século XIX, qualquer forma de comportamento desviante dos ditames majoritários e de ”bom tom”, seria visto como alguma forma de desvio da ”normalidade” e portanto que se consiste ou só pode ser explicado como uma patologia.

Se eu penso por conta própria, então eu não vejo limites invisíveis de comportamento e de ideias e posso produzir a quantidade de ideias e me comportar do jeito que eu quiser. Isto parece um pouco como ”selvageria comportamental”, mas é uma pseudo semelhança. Lombroso deve ter retido sua observação de ”atavismo” do gênio, por meio da captura de comportamento excêntrico entre eles. Mas atavismo e neofenótipo são muito relativos.

”INSANIDADE MORAL”

No século XIX, época de Lombroso, o ”comportamento homossexual” por exemplo, ‘era” fortemente rejeitado pela sociedades ocidentais. No mundo de hoje, declarar-se publicamente como ”racista”, é uma forma de grave ofensa moral. Se você percebeu bem, a ”maleabilidade” da mente do homem comum é bastante significativa,  subjetiva e falsa.

Lombroso, que não há dúvidas, que seria definido como ”racista” se vivesse em nossa época, também seria considerado como um ”moralmente insano”.

O comportamento moral derivado da sabedoria (Deus) é objetivo e universal. O comportamento moral ”tipicamente” humano é subjetivo e local.

É muito provável que muitos gênios não fossem as pessoa mais honestas e empáticas do mundo, no entanto, o ser humano não é um átomo complexo separado do seu meio. Partindo de uma série de possíveis especulações, muitas pessoas, hoje em dia por exemplo, que podem ser definidas como (intelectualmente) geniais, podem usar sua extrema capacidade de maneira ”desonesta” para ganhar a vida, seja porque a vida não lhe deu outra alternativa ou por pura comodidade pragmática.

No entanto, mediante alguns exemplos, particularmente ridículos, que Lombroso usou para ”comprovar” a ”insanidade” do gênio, como ”um amor exagerado por animais”, nos mostram que suas considerações sobre insanidade moral não se basearam em objetividade mas nos pressupostos normativos que eram cronicamente comuns na sociedade europeia do final do século XIX.

 

 GÊNIOS E MATÓIDES, ”INSANIDADE” SUBJETIVA E INSANIDADE OBJETIVA

Mediante a maneira com que Lombroso descreveu a ”insanidade moral” dos gênios, mais parece que todo gênio seria também um matoide . No entanto, como eu tenho mostrado aqui sobre a moralidade, algumas formas de comportamento podem ser objetivamente negativas ou positivas e na verdade, o próprio comportamento pode ser internamente contextual, isto é, depende muito em como será a influência deste sobre a harmonia do ambiente. É objetivo se tem um impacto direto,  negativo ou positivo. É subjetivo, quando não tem um impacto direto. É como sexo para procriação e para recreação mediante o prisma da concepção.

Se a maioria dos gênios historicamente reconhecidos do passado não foram sobre-representados no mundo do crime ou da política (ou mundo do crime, 😉 ), então é provável que ao menos em relação à objetividade da moralidade, eles também não foram de ”insanos”.

Lombroso deixou bem claro as diferenças entre o gênio verdadeiro e o matoide.  Agora, se Voltaire preferia os animais aos seres humanos, isso não é sinal de insanidade, muito pelo contrário…

DUPLA PERSONALIDADE DO GÊNIO, ACEITAÇÃO DA HIPERREALIDADE E PORTANTO DE NOSSA PERSONALIDADE DUALISTA??

Todos nós somos providos de duas personalidades. E eu ainda acredito que tenhamos uma terceira personalidade (ou persona). Eu propus que esta terceira personalidade seria justamente aquela que nos conecta com Deus e com tudo aquilo que não se relaciona com as frugalidades contextualmente inconscientes do reino animal. Todos nós temos a dualidade, dentro de nós, que no entanto mais se consistiria em um trio de identidades. As duas personalidades ”animálias” lutam entre si pelo domínio da mente. O domínio da ”terceira personalidade”, seria o consenso entre as duas personalidades animálias. A colaboração entre o Ying e o Yang, produzirá a sabedoria e a genialidade, visto que ambas tendem a se manifestarem em conjunto.

As pessoas mais criativas tendem a ter cérebros não-filtradores de informações e estímulos que são captados através da interação com  o ambiente.  A realidade  tem uma gravidade mais pesada  para estes tipos em relação à emoções, sensações e respostas às ações e/ou eventos.

Todos nós vivenciamos (muito mais) nossas duas personalidades dualistas. Portanto, a manifestação deste tipo de pseudo-disordem em gênios, se difere em relação ao populacho apenas por uma diferença de níveis.

E se os gênios são extremamente autoconscientes e portanto, estão intensamente conectados com a realidade, então eles vivenciarão a natureza dualista universal da existência, de maneira muito mais enérgica do que em relação às pessoas ”comuns”, explicando maravilhosamente bem o porquê de ”terem” dupla personalidade. No entanto, todos nós temos…

Lombroso deve ter desprezado ou sequer ter tido conhecimento do mundo de falsidades que consistia as sociedades europeias conservadoras. Não muito diferente de hoje em dia.

PATOLOGIA CEREBRAL E INSANIDADE

Eu já disse que a autoconsciência pode ser alargada pela ”doença”. E  isso acontece com certa regularidade. A genialidade parece se relacionar consideravelmente com predisposições psicopatológicas, porque estas condições sindrômicas, não apenas criam percepções completamente diferentes daquelas que são vivenciadas pela maioria (que são potencialmente criativas), mas também porque alargam a percepção humana.

O psicótico não tem um tipo de cérebro que o faz refém de percepções distorcidas da realidade. É a capacidade cognitiva do psicótico médio que faz com que desenvolva uma tendência crescente de perda de contato com a realidade. A capacidade cognitiva elevada, pelo contrário, o colocará em contato direto com a realidade. Não é a distorção para menor contato com a realidade mas também para grande contato. A psicose é como se fosse um som que tem um volume desregulado, ou é muito baixo ou é muito alto.

Portanto, é a interação com o meio que, dependendo do nível de capacidade cognitiva do psicótico, o fará um verdadeiro ”insano” ou um verdadeiro gênio e/ou sábio.

ALTRUÍSMO ”EXCESSIVO”

Lombroso comentou sobre a tendência do gênio para desenvolver uma espécie de ”altruísmo excessivo”. Parece que todos os comportamentos ”desviantes” que foram catalogados por Lombroso, se relacionam com a extrema autoconsciência dos mesmos e não apenas ou resumidamente com alguma forma de doença mental. Portanto, aquele que sente mais o peso gravitacional da realidade, tende a se tornar mais sensitivo, emocionalmente reativo, perceptivo e criativo.

A reatividade emocional do gênio não é apenas o resultado do seu cérebro desequilibrado, mas também de sua interação com um mundo marcadamente estúpido. O nervosismo, a raiva e a depressão podem ser predisposições mais exacerbadas entre as mentes mais poderosas da espécie humana, mas os gatilhos ambientais poderão ter um papel muito importante para a piora do quadro mental destas pessoas.

O altruísmo excessivo muitas vezes se manifestará porque a grande capacidade perceptiva do gênio o fará valorizar as pessoas realmente virtuosas e por causa de suas tendências perfeccionistas, mesmo para micro-interações interpressoais, eles tenderão a procurar pelo máximo possível de perfeição na socialização e tal como o asperger, se tornará frustrado ao saber que a socialização humana é essencialmente subjetiva. A solidão comumente, nos faz mais ”carentes”. Mas o termo é abusivo, tal como os critérios de julgamento moral que Lombroso usou para patologizar a genialidade. A ”carência” do gênio não é porque tem baixa auto estima (geralmente, o contrário é muito mais comum), mas porque tem enorme dificuldade para encontrar pessoas que estão compatíveis ao seu nível de intelecto.

A genialidade não é psicopatológica, porque assim como a inteligência, a genialidade é o resultado de uma combinação de fatores genéticos, fisiológicos e ambientais. A genialidade é o fenótipo, a combinação entre doença mental e alta inteligência é o seu genótipo fisiológico.

A ideia de patologia do gênio não se sustenta enquanto manifestação comportamental e cognitiva. Não tem como definir como doente, aquele que pode entender o mundo como realmente é, mais do que grande parte da população poderia tentar fazer. Mas a relação entre disfuncionalidade cerebral (excesso ou falta) e a genialidade é causal em sua raiz. Mas sem a sua manifestação ou externalização, inteligência, criatividade, sabedoria ou genialidade, serão apenas palavras soltas pelo ar…

CONCLUSÃO

”O Homem de Gênio” é, na minha opinião, o livro mais importante sobre ”genialidade” que já escrito, apesar de sua antiguidade. No entanto, tal como muitos autores posteriores a ele já haviam comprovado, as considerações morais (normativas) de Lombroso, são predominantemente dispensáveis, visto que foi usado julgo de valor pessoal e unilateral sobre a determinação do que é normal e do que não é normal. E como eu sempre falo, ”a normalidade é superestimada”.

Os gênios não serão ”loucos” ou ”insanos”, apenas porque tendem a apresentar comportamentos excêntricos e/ou desviantes. Ao invés de ”insanidade”,  nós teremos ”extrema autoconsciência”, que produzirá as condições ideais para uma mente autodidata e independente. A transgressão de regras de comportamento, se relacionam consideravelmente com a produção de ideias criativas, visto que os mesmos mecanismos que produzem um, produzirão o outro.

Lombroso, em sua época, apenas replicou uma tendência muito comum no mundo acadêmico, a de super centralização ou focalização no objeto de estudo e posterior super generalização (desumanização) do mesmo.

Os gênios tendem a ser emocionalmente instáveis porque uma mente com aguda capacidade perceptiva aumenta os sentidos e as sensações. E para complicar esta situação, a interação dos gênios com os seus respectivos meios sociais de vivência, não será das melhores, visto que as diferenças de percepção entre eles e as pessoas comuns serão enormes e que portanto, não serão intercambiáveis. Esta predisposição para a mútua incompreensão, pode ter consequências consideráveis para o bem estar mental dos homens (e mulheres) de gênio.

Todas as tendências psicopatológicas dos gênios, tenderão a ser alargadas por suas dificuldades para navegar pelo meio social humano. Ainda que a condição da genialidade possa ser considerada como uma forma de psicopatologia, sua cultura neurológica tenderá a ser mais sã, racional e sábia de todas.

Os genes são fundamentais, mas suas interações com o meio também serão.

De:RefémdoDrDeus Para:Deprimente mundo Assunto:Denúncia de maus-tratos a pensadores

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