Minha sensibilidade não entende e não tolera a sua malemolencia

O mundo é um lugar frio para as pessoas que podem vê-lo em seu todo. O contexto maior, a verdade mãe, mãe de todas as outras, não é uma paisagem tão prazerosa e bela quanto se possa acreditar, tal como a superfície ”azulada” do planeta água. E a principal razão para esta decepção se dá por causa da peste humana, que quanto mais a conhecemos, menos desejamos estar com ela. Pessoas sensíveis ao contrário do que reza a lenda popular em que sentimentos estariam irrevogavelmente separados da racionalidade e lógica, são tão ou mais precisas em sua capacidade de reconhecer detalhes, quanto aqueles que o fazem a partir de uma perspectiva mecânica, natural e não humana. Nós, os hiper sensíveis sábios, somos engenheiros sociais, comportamentais, humanos. Quase nada escapa aos nossos olhos. A harmonia e o equilíbrio de um predio bem construído se assemelha consideravelmente com os prédios, as construções existenciais, acima de tudo, inclusive do social, das quais somos tão bons para inferir. Vivemos em casas, quem em sua maioria, refletem a capacidade humana para produzir harmonia por meio da matéria retorcida e trabalhada, mas a matéria que se consistem nossos corpos, nossos cérebros e os tijolos que construímos cotidianamente em nossas interações interpessoais, estão muito longe da firmeza de um prédio ou matéria antropomórfica bem acabada.
Se é pela razão, pela busca de padrões convergentes visando a harmonia, a estabilidade, que se produz qualquer material humano, seja uma escova para escovar os dentes ou a Torre Eiffel para se apreciar em um cartão postal óbvio, então o mesmo deverá ser esperado para ser pensado e executado para as interações humanas.
No entanto, aquilo que parece ser mais simples, na verdade, parece ser muito mais difícil, se não quase impossível de ser feito. É fácil manipular a matéria não -humana, sem vida, imóvel e transformá-la em argamassa para a construção de prédios ou moradias. Difícil é fazer o mesmo com vidas, especialmente aquelas que são híbridas de auto consciência e instinto.
O hiper sensível vê os mesmos padrões de harmonia, porque a sua condição de vulnerabilidade ao toque das interações cotidianas, constantes e sistemáticas, o faz um perito nestes mecanismos. No entanto, quase sempre não será ouvido pelos outros porque a maioria das pessoas devem se sentir ofendidas quando alguém lhes diz como que devem viver. Se temos tão poucas liberdades e na verdade sequer sabemos o que esta palavra realmente significa ou funciona, então por que que deveríamos dar ouvidos a outro corpo de especialistas tentando regular nossas vidas, até tu, modo de viver, meu filho???
Porque da mesma maneira que entregamos nossa confiança e poupança a engenheiros na construção de nossos ninhos também devemos ser racionais, se este for o caso, e entregar parte de nossas vidas à análise daqueles que sabem como desenrolar novelos de conflitos e confusões que permeiam nossas breves estadias, ao menos, em relação àquilo que sabemos.
O hiper sensível quase sempre se encontrará em seu estado habitual de sensibilidade, especialmente por causa de suas constantes interações com padrões desarmonicos de convivência. A naturalidade de uma sociedade povoada apenas por pessoas sábias se daria com base na fluidez das relações ou que seriam percebidas desta maneira. Quando algo sai daquilo que determinamos como normal, então este evento produz uma reação mecânica, imediata de reflexao, o porquê disto ter acontecido?!! O imprevisto se manifesta quando algo rompe o caminhar normalmente concebido e esperado por nós. Em termos de iinteração interpessoal, analisamos o mundo a partir do mesmos padrões lógicos, convergentes e funcionais que são usados na construção civil, visando a harmonia. E quando estes padrões sofrem uma ruptura de sua fluidez ou naturalidade, então nos tornamos seres reflexivos. Só que isso dependerá da perspectiva de cada um, se a vida não poderia ser entendida ou percebida metaforicamente tal como uma  esfera com diferentes perspectivas a serem enfatizadas por diferentes pessoas ou motivações intrínsecas.
Os malemolentes são o oposto dos hiper sensíveis porque seus padrões de convivência são imprevisíveis, brutos e secos. O malemolente é um hiper sensível só que não é introvertido, ou geralmente o tipo mais comum de hiper sensível, ambivertido introspectivo. Sua sensibilidade está combinada com a ação, enquanto que ainda que bastante ativo, o hiper sensível, será muito mais como um vulcão no subterrâneo de um oceano em atividade constante. O malemolente é especial em sua capacidade natural de quebrar a fluidez lógica de interações interpessoais que tanto caracterizam o pensar interacional do hiper sensível.
O intelectual versus o homem ou mulher da ação, ambos, hiper reativos às intempéries ambientais, porém que se destoam completamente na maneira com que lidam com esta fenomenologia. O malemolente reage pra fora e tem pouco a guardar em seu interior enquanto que o hiper sensível reage muito mais pra dentro, aumentando sua hiper reflexão, transformando seus habituais diálogos internos em discussões e potenciais brigas, desentendimentos.
As personalidades que tendem a predominarem em ambos são diametralmente opostas e pode-se dizer que o hiper sensível, especialmente o ambivertido reflexivo, que na minha opinião, se consiste em um dos tipos mais comuns, e o malemolente, são praticamente incapazes de conviver, se a ação constante do malemolente terá impacto muito forte e preciso na reflexão reativa do hiper sensível.
O ambivertido introspectivo, reúne um apanhado de características psicológicas que o tornam potencialmente aversivo à personalidade efusiva e igualmente reativa do malemolente. Pela linguagem não verbal, podemos ver o delimitar muito claro entre os dois. Por exemplo, no tom da voz e na maneira de falar, na maneira de andar, nos valores transcendentais…
Muitos malemolentes serão de sociopatas, o tipo anti social mais extrovertido, impulsivo e menos estratégico que seu primo psicopata.
As diferenças entre ambos também será notada por meio do grau de empatia a que os dois estão mais absorvidos. Baixa à instável para os malemolentes, alta e estável para os hiper sensíveis.

Hiper sensíveis, vulneráveis porém poderosos. Malemolentes, fortes porém medíocres.

Claro que desprezando qualquer forma de generalização vulgar, será elementar dizer-lhes que haverão e sempre haverão exceções para grupos indiretamente organizados, tal como eu já sublinhei em um texto, um grupo de virtuosos será evidentemente melhor que um grupo de judeus dentro do âmbito da virtuosidade ou de características positivas ou harmoniosas de personalidade ( caráter). Nesta perspectiva, os judeus aparecerão como o grupo não-objetivo se a maioria destes não serão de virtuosos ( e se aplica s todos os grupos étnicos, em maior ou menor grau).
Deus não deu asas à cobra, mas deu sapiência ao homem e deu vigor combativo e competitivo a muitos de seus piores.
O hiper sensível é essencialmente um existencialista experiencial. E aquele que é muito auto consciente, tenderá a ser também um não-competitivo. Sua capacidade de entender, internalizar e vivenciar detalhes muito próximos a si, o faz um potencial melancólico fatalista que sente menos oxigênio e mais responsabilidade e que portanto, invadirá menos praias alheias. Ainda que possa entender o contexto, a imagem maior, aquilo que realmente importa, ele não terá forças, fôlego o suficiente para subir e chegar à superfície de seu oceano existencial, de sua personalidade, seu modo de viver, para apontar o dedo na direção dos menos evoluídos. E esta é uma das razões para explicar o porquê das sociedades humanas serem tão falhas.
Pode-se exemplificar metaforicamente esta triste realidade por meio de uma hipotética comunidade de seres humanos tropicais que, estão a todo momento aplicando técnicas pouco eficientes na construção de suas moradias, de suas choupanas. A todo momento, a tentativa de construção falha, e aplica-se um inconsciente plano b, que se assemelha ao famoso ”jeitinho brasileiro”, a criatividade de se tentar driblar o subdesenvolvimento que o rodeia. Sem os engenheiros materiais, não haverá sustentabilidade nem de médio prazo destas choupanas. Nossas realidades cotidianas de interações interpessoais, são como este extemplo, estão sempre se decompondo. Nossos laços ou são frouxos ou se baseiam na aceitação de um em relação à vontade do outro.
Apesar de sua evidente fragilidade, o hiper sensível tem um grande potencial, tanto para a criatividade quanto para inteligência e especialmente a sabedoria.
Apesar de sua dominação, sua força aparente, o malemolente será medíocre em sua capacidade construtiva, harmoniosa. O irresponsável malemolente e o super responsável hiper sensível são ambos muito reativos, mas isso não significa que sejam irmãos de transcendencia, porque não são. Pelo contrário, em um diálogo entre os dois, poderemos observar o porquê deste abismo.

O malemolente é uma das principais fontes de reatividade do hiper sensível, se ele, por causa de sua grande inconstancia de padrões comportamentais, será muito mais propenso para causar conflitos. O malemolente produz conflitos por causa de seu jeito desajeitado e confiante de interagir enquanto que o hiper sensível, o exato oposto, será um perito nesta mesma tarefa, que no entanto, não significará que será um perfeito cidadão, especialmente em uma sociedade que não agrada ao seu paladar existencial, sua transcendencia.

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