O amigo que eu desprezei

Naquela tarde quente,
Naquela caminhada de sempre, o ausente se fazia notar,
Até que um amigo paralelo à minha marcha, pôs-se a me fitar,
Suas quatro patas, sua sabedoria extrema, seus olhos doces, seu rabo a balançar,
Sua beleza em convite de um novo compartilhar,
Amizades e alegrias, tristezas e ousadias, ao horizonte se desvendar,
Mas a frieza desta alma, que com sua destreza em precisar,
Calculou que a vontade não pode ser no impulso, mesmo que o amigo mereça este pulso, este calor de aconchego,
Que solto às ruas, vulnerável aos perigos, esta criança merecia ajuda,
Mas minhas mãos estavam desnudas, nada posso, apenas me congelar,
Entrego mais um necessitado à própria sorte e me vejo novamente na mesma sina,
A de conter minha solidária solidão, quando colide com o frio chão,
De concreto e de pesar,
A balança da razão que muitas vezes nos puxa de um turbilhão de emoções genuínas, de não ser apenas potencial mas ação, de ser legítimo, de oferecer o pão,
Mas a grande força e vontade que estou a alimentar, é irmã siamesa de minha fraqueza, enquanto que faz acontecer, aconteça só, dentro de minhas fronteiras e meu mundo é um berço pequeno, que não pode ser, não pode se expandir por causa de sua complexidade e pouco faço para abraçar estas pessoas e seres que também precisam ser legítimos em sua vida, porque só é realmente vivida em sua plenitude, e seu maior desenvolvimento, se dá em um invólucro de atitudes, serenas e corretas.
Fim da reta, a caminhada acabou, a muitos anos, este meu amigo não mais fitou meus passos,
Continuo a caminhar só para luz, mas os outros continuam parados em sua agonia, de pisarem uns nos outros, sem sentir, que a verdadeira penitência é de desprezar a ajuda de um faquir, coloque seus pés em cima dos meus, para que possamos passar por este mar de espinhos, mas meus sapatos são vagabundos, a vontade é muita, a possibilidade ( ainda)  é pouca, minha solidariedade é rouca, eu mesmo não posso ouvir. Quero falar e transformar palavras em vidas de afeto, mas se eu deixo este mundo de pensar, eu enlouqueço, preciso me adaptar deste meu único jeito, para que nunca mais faça, poemas de um lamentar.

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