Quão estúpida é a humanidade em média??

Esta imagem é viral no facebook. ”Todos” sabem quem foi este homem mas poucos sabem o que ele realmente quis dizer em sua teoria principal.

Seleção natural= os organismos evoluem ”ou” se adaptam com base na seleção dos mais (contextualmente) adaptados. Isto é, o ambiente ”seleciona” aqueles que estão mais acopláveis as suas demandas, de clima, altitude, disponibilidade de alimentos, densidade de predadores, morfologia da superfície, etc (ou)… e reduz o fitness reprodutivo daqueles que não se acoplam, se adaptam as mesmas, aumentando a demografia destes que estão providos por organismos contextualmente mais aptos para sobreviverem nestas condições específicas.

A seleção natural é completamente aplicável aos seres humanos, porque não somos ”filhos de deuses” antropocentricos (mas do atrito inicial, assim como todos os outros seres vivos, deste e de outros planetas habitáveis e com potencial vida), somos animais, mentalmente complexos, ultra evoluídos neste aspecto, porém somos menos savant-like que boa parte das outras espécies, que apresentam algum hiper desenvolvimento unissensorial e ou que apresentam instintos simples porém super-especializados.

Os seres vivos apresentam variações intra-espécie e extra-espécie. Por exemplo, o tipo, o formato de orelha, varia entre humanos e cachorros e entre humanos e humanos. Todos os nossos traços estão sob seleção, direta ou indiretamente. Uma maior complexidade, exigirá uma maior tendencia para a heterozigose, isto é, uma maior variação de um traço ou de um conjunto de traços expressados ou fenótipos. Todos os nossos traços são em algum grau, hereditários.

Tudo isso deveria ser simples de ser digerido, ainda mais depois que o mestre Darwin fez a parte mais difícil. Mas não é bem isso que acontece. Eu já expliquei em alguns textos sobre a incapacidade preocupante e decepcionante de boa parte da população e surpreendentemente daqueles que supostamente se especializaram no assunto, para entender, internalizar e aplicar este conhecimento, essas máximas da seleção natural, em todos os ambitos do micro-convívio ou micro-interação interpessoal, quando for necessário faze-lo. Mas isso simplesmente não acontece.

O ser humano médio é predominantemente irracional porque compra ideias das quais não entende, se serve do mercado semantico de símbolos para usá-los em seu meio social como método de interação interpessoal e possivelmente, em busca de vantagens subsequentes, onde os fins justificam os meios. Usamos a linguagem para conviver e isso é especial para uma boa parte da humanidade. Poucos são aqueles que estão realmente preocupados ou interessados em relação ao significado das palavras que usamos, os símbolos semanticos que representam uma variedade complexa de elementos, desde os mais abstratos aos mais literais.

O uso equivocado da linguagem geralmente terá grande prejuízo em algum aspecto do convívio humano. Uma frase mal interpretada pode acabar com amizades, causar guerras, manipular as massas para o próprio abate ou para o próprio amalgamento, tornando-os inferiores, de geração e geração, em suas capacidades de intelecto, de sabedoria, de colocar inteligentemente as suas necessidades como indivíduos a frente de seus deveres, mas tratando ambos como igual e idiossincrática importancia, evitando a emulação de parasitas que tentam persuadi-los para não prosseguirem com essas tentativas de racionalidade.

Todos celebram Darwin por seu genio, por sua teoria fantástica (e incrivelmente tardia, graças a psicose de poder milenar das igrejas de doutrinação e aceitação de uma realidade verticalmente desigual), mas poucos a entendem, isso sem falar daqueles que apenas por ouvirem falar deste sobrenome, já o acusam de ser um ”darwinista social”.

Tudo cheira a Lamarckismo, a teoria ”rival” daquela de Darwin em que se acredita que modificações de organismos por esforço repetitivo possam ser passadas hereditariamente. Ainda que nem tudo desta teoria deva ser execrado deste debate, uma boa parte da mesma, pode ser considerada como equivocada. No entanto, é justamente a teoria equivocada de Lamarck que está sendo constantemente aplicada em nossas sociedades, a começar pela escola.

Talvez, a ideia de necessidade de uma escola, seja compreendida por outras razões por aqueles que realmente saibam o que está acontecendo, que estão ”acima da carne seca”, que são os herdeiros responsáveis por esta corrente de atropelos estúpidos. A escola é um local de depósito de seres humanos que são inculcados desde a tenra idade a ”socialização” e mantidos dentro desta aparelhagem estatal, apenas porque os seus pais ”precisam” trabalhar exaustivamente para aumentar os lucros dos vampiros parasitas que nos dominam. O lamarckismo e a escola bebem da mesma fonte que é primordial para o sucesso do pensamento psicopático, a esperança. Nunca que uma alegoria semantico-abstrata serviu tão bem aos interesses obscuros e estapafúrdios de uma classe de bandidos como esta.

A galinha precisa botar ovos, os pintinhos (quando não viram comidinha industrializada) precisam ficar no cerquinho fingindo que estão aprendendo, para que depois possam ser jogados no mercado de trabalho (semi-escravo).

Só se sabe que algo está aprendido, quando se pode fazer analogias com o mundo real. A exemplificação é outra maneira muito boa para se saber o quão bem compreendido foi o assunto ensinado. O resto é pura demagogia.

Portanto, novamente… a teoria da igualdade radical dos seres humanos, parte de um conjunto de factoides que em boa parte, foram retidos do lamarckismo, que por sua vez, foi acoplado a ideia de esperança, porque voces sabem, a esperança nunca morre, mas também nunca chega, é naturalmente inerte e mentirosa.

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14 Respostas para “Quão estúpida é a humanidade em média??”

  1. voza0db diz :

    Boas 😉

    Ainda outro dia escrevi sobre “esperança”… E a curta verborreia iniciou-se desta forma “MUDAR…O ANTÍDOTO PARA A ESPERANÇA”!

    😎

  2. HOl diz :

    Interessante texto, abordas de forma pertinente diversos temas, desde o papel da igreja no desenvolvimento do conhecimento, até ao papel socializante das diferentes teorias evolutivas. No entanto, na minha perspectiva pecas em dois ou três pormenores que gostava de discutir contigo.

    Primeiro afirmas categoricamente que a “selecção natural é completamente aplicada aos seres humanos”, o que está longe de ser verdade. Embora o nosso domínio do ambiente seja rudimentar, tosco e as vezes bruto, há muito que nos libertamos das amarras da selecção natural pura. A ciência, a abundancia, tolerância e a medicina assim o permite. Existem várias condições não adaptativas e mesmo deletérias que vão sendo mantidas e transmitidas para lá do naturalmente expectável, há indivíduos aparentemente capazes que sobrevivem a infecções que os mataria em tenra idade e não menos importante a fórmula de: maior capacidade adaptativa, equivale a maior sobrevida, o que equivale a maior descendência o que equivale ao aumento da frequência de determinados genes no pool da população, não se pode aplicar de forma directa na nossa realidade.

    Em seguida demonizas, de certa forma, a teoria de Lamark, o que é uma enorme injustiça para a teoria e para a pessoa, que é de um brilhantismo empírico e de uma coragem que, segundo consta, só apareceu em Darwin no quase no fim da sua vida e empurrado por terceiros para difundir suas ideias. Rotulas a teoria como “rival” da de Darwin, está entre aspas, mas é bom lembrar que isto é um pensamento que deriva da forma como é abordado o tema na escola, na verdade Lamark longe de rival foi uma inspiração para Darwin. Convém também lembrar que ambas as teorias estão desactualizadas, pese o seu valor histórico.
    Pormenores à parte, penso que falhas em desenvolver o teu raciocínio em qual é o paralelismo entre a teoria de Lamark e o efeito na sociedade. Referes vagamente que ambos assentam na esperança. Embora não veja esta teoria desta forma, pois como já disse é uma teoria baseada em dados empíricos que falhou em postular que as características eram herdadas à descendência no entanto não vejo onde entra a esperança neste quadro. Admito que esta teoria aplicada à sociedade, possa levar a pensar num “capitalismo biológico” onde quem trabalha mais desenvolve melhores características que vai transmitir a geração seguinte. (De certa forma é o que acontece mas por meios mais matérias e menos biológicos.) Tens de te lembrar que o grande postulado de Darwin, o mais reconhecido, mesmo que erradamente é “sobrevivência do mais forte. O que aplicado à mesma sociedade capitalista te dá exactamente os mesmos dividendos. Competição, ser melhor, ter mais, ganhar aos outros…

    Posto isto e apesar de ter gostado do teu texto, discordo com as tuas conclusões. Interpretando Lamarck e Darwin a nível sociológico, temos um primeiro que abre espaço para uma auto-determinaçao, limitada é certo, em que o trabalho e o esforço compensam. Já o segundo, é mais fatalista e te diz que é com aquilo que nasces que vai incidir a selecção natural e ou tens as qualidades necessárias ou és “comido”.

    • santoculto diz :

      Obrigado pelo elogio! Gostei das críticas e voy responde-las agora.

      ”Primeiro afirmas categoricamente que a “selecção natural é completamente aplicada aos seres humanos”, o que está longe de ser verdade. Embora o nosso domínio do ambiente seja rudimentar, tosco e as vezes bruto, há muito que nos libertamos das amarras da selecção natural pura. A ciência, a abundancia, tolerância e a medicina assim o permite. Existem várias condições não adaptativas e mesmo deletérias que vão sendo mantidas e transmitidas para lá do naturalmente expectável, há indivíduos aparentemente capazes que sobrevivem a infecções que os mataria em tenra idade e não menos importante a fórmula de: maior capacidade adaptativa, equivale a maior sobrevida, o que equivale a maior descendência o que equivale ao aumento da frequência de determinados genes no pool da população, não se pode aplicar de forma directa na nossa realidade”

      Bem, eu disse isso porque muitas pessoas afirmam que os seres humanos, por causa de sua singularidade, não poderiam estar sob o mesmo efeito da seleção natural tal como acontece com outras espécies. Eu não concordo com isso mas não quis sugerir que devamos aplicar ainda mais o darwinismo ainda que advogue por uma eugenia sábia e não aquela que boa parte de seus defensores querem aplicar, a eugenia de mercado, que eu já critiquei em alguns textos.

      Perceba que no meu blogue eu expus o trabalho de Lombroso, que muitos determinaram como ”politicamente incorreto”, quando na verdade me parece ser o exato oposto, visto que a ideia que não é apenas um mito romantico, da relação praticamente causal entre genio e de predisposições psicopatológicas, nos mostra que muitos se não a maioria dos espécimes mais inteligentes da humanidade, também são ”meio loucos”. Esta realidade faz cair por terra quase todas as propostas e correlações positivas em relação a ”genialidade”, confundida por superdotação, dos defensores da ”eugenia de mercado”. Além de potencialmente ruim em termos práticos, expurgar os genes derivados das personalidades extremas, este tipo de eugenia que querem aplicar, ainda poderá ter consequencias muito sérias dentro do ambito moral.

      ”Em seguida demonizas, de certa forma, a teoria de Lamark, o que é uma enorme injustiça para a teoria e para a pessoa, que é de um brilhantismo empírico e de uma coragem que, segundo consta, só apareceu em Darwin no quase no fim da sua vida e empurrado por terceiros para difundir suas ideias. Rotulas a teoria como “rival” da de Darwin, está entre aspas, mas é bom lembrar que isto é um pensamento que deriva da forma como é abordado o tema na escola, na verdade Lamark longe de rival foi uma inspiração para Darwin. Convém também lembrar que ambas as teorias estão desactualizadas, pese o seu valor histórico.”

      Eu sigo o princípio filosófico de que nada está 100% errado ou certo. E acho que comentei sobre isso quando critiquei a teoria de Lamarck.

      Eu parto do princípio de que a teoria de Lamarck está essencialmente errada, ainda que certos atributos periféricos possam ser aproveitados ao passo que a teoria de Darwin está essencialmente correta.

      ”Pormenores à parte, penso que falhas em desenvolver o teu raciocínio em qual é o paralelismo entre a teoria de Lamark e o efeito na sociedade. Referes vagamente que ambos assentam na esperança. Embora não veja esta teoria desta forma, pois como já disse é uma teoria baseada em dados empíricos que falhou em postular que as características eram herdadas à descendência no entanto não vejo onde entra a esperança neste quadro. Admito que esta teoria aplicada à sociedade, possa levar a pensar num “capitalismo biológico” onde quem trabalha mais desenvolve melhores características que vai transmitir a geração seguinte. (De certa forma é o que acontece mas por meios mais matérias e menos biológicos.) Tens de te lembrar que o grande postulado de Darwin, o mais reconhecido, mesmo que erradamente é “sobrevivência do mais forte. O que aplicado à mesma sociedade capitalista te dá exactamente os mesmos dividendos. Competição, ser melhor, ter mais, ganhar aos outros…”

      Eu já expliquei algumas vezes aqui sobre onde que estaríamos aplicando Lamarck de maneira inconsciente e a escola ou o sistema de ensino é o lugar mais característico.

      Esta parte eu realmente não sei se deixei vago ou não, lerei novamente para que possa concordar ou não contigo. O fato é que o termo esperança, é aplicado dentro da política por causa da ideia que entoa, a de que sempre haverá uma luz no fim do túnel, de futuro, ”o Brasil será um país desenvolvido” e nunca, no presente, nunca focar no agora, é uma mensagem positiva que nunca se concretiza. Educação e psiquiatria partem do mesmo princípio. O fruto só será colhido no futuro, só que não, porque em tese, não existe futuro. A teoria política da igualdade humana, está sendo aplicada na ideia de que ”se somos todos iguais” então o esforço, a motivação, que supostamente pode ser adquirida, pode ser desenvolvida, mesmo naquela que não a tem, por exemplo, uma pessoa que é muito ruim em matemática, mesmo tentando aprender, e que consegue superar o seu déficit e se tornar em um genio na mesma, isso é praticamente impossível e se acaso acontecer, não será por pura motivação, puro esforço.
      A ideia de que o ambiente nos influencie, por exemplo, pais que gostam de ler e pais que não gostam de ler, supostamente influenciariam os seus filhos a tomar gosto pela leitura. Talvez isso possa ser verdade para alguns seres humanos, mas não será pra todos, não é pra mim, eu nunca fui o tipo que dependeu de ”fatores ambientais” desta natureza para poder gostar de estudar.
      Isso é um pouco lamarckismo, o legado da escravidão, tudo isso se baseia de maneira indireta e inconsciente na ideia de que herdamos organicamente o contexto ambiental de nossos parentes, o que não é plenamente verdade.

      Basta dar um escola super moderna para crianças que vivem na favela e elas tomarão gosto pelos estudos e se tornarão genios. Depois, se casarão e passarão isso aos seus filhos, via cultura, isso pra mim é um pouco Lamarck.
      Lamarck se relaciona com esperança, porque em ambos, acredita-se que com esforço pode-se conquistar algo, independente da natureza daquele que se esforça e do próprio esforço.

      ”Posto isto e apesar de ter gostado do teu texto, discordo com as tuas conclusões. Interpretando Lamarck e Darwin a nível sociológico, temos um primeiro que abre espaço para uma auto-determinaçao, limitada é certo, em que o trabalho e o esforço compensam. Já o segundo, é mais fatalista e te diz que é com aquilo que nasces que vai incidir a selecção natural e ou tens as qualidades necessárias ou és “comido”.”

      Sem nenhum problemas, espero ter esclarecido alguns pontos que lhe pareceram vagos.

      Eu acho que é um pouco dos dois, mas geralmente, a motivação estará intrinsecamente relacionada a predisposição. é como a metáfora dos elásticos, o meu elástico para filosofia é mais elástico do que para tocar um instrumento, é mais fácil e prazeroso esticá-lo do que em relação aos outros.

      Eu acho que se deve especificar para qual direção que está sendo direcionado trabalho e esforço. Se for pra tentar ser aquilo que tu não é, bem, então teremos um problema. O auto conhecimento serve pra isso, para não perdermos tempo e paciencia com esforços inúteis.

  3. santoculto diz :

    ”A seleção natural é completamente aplicável aos seres humanos, porque não somos ”filhos de deuses” antropocentricos (mas do atrito inicial, assim como todos os outros seres vivos, deste e de outros planetas habitáveis e com potencial vida), somos animais, mentalmente complexos, ultra evoluídos neste aspecto, porém somos menos savant-like que boa parte das outras espécies, que apresentam algum hiper desenvolvimento unissensorial e ou que apresentam instintos simples porém super-especializados.”

    Leia esta parte do texto e me diga o que entendeu**

    No mundo de hoje, as pessoas acreditam que se possam criar raças de cães, galinhas, gatos, raposas, apenas por seleção, em paralelo a negação da existencia de raças humanas e do papel da genética na diferenciação das características inatas que apresentamos.

    • HOl diz :

      Negas o criacionismo e um deus antropocêntrico, afirmas que os seres humanos derivaram das mesmas pressões evolutivas que o resto dos animais, com o qual concordo.
      Depois afirmas que os animais têm propriedades savant-like, um hiperdesenvolvimento unissensorial, não deste conta contudo que estas a ser antropocêntrico por teu lado. Ao usares como referencia para essa avaliação como “hiperdesenvolvimento unissensorial” os próprios sentidos humanos. Quase como se fossem estas diferenças uma compensação, ou uma implicação de vias de evolução diferentes. No entanto, os sentidos dos animais não são hiperdesenvolvidos, são o resultado exacto das pressões evolutivas que foram expostos. Ou seja, são adequadamente desenvolvidos para uma determinada espécie num determinado nicho, num certo momento temporal em que essa mesma espécie esteja bem adaptada.

      O conceito de raça é uma construção humana e é um conceito perigoso aplicado a seres humanos. Cria afastamento e intolerância, no final somos apenas uma espécie com sensivelmente as mesmas características morfológicas e biologicamente idênticos. E penso que apenas nesse sentido é conveniente não se falar em raças humanas. Mas se reduzirmos o ser humano à sua condição animal, claro que conseguimos seleccionar características tal como se fossemos gado, tal como aconteceu durante a escravatura e o III Reich.

      • santoculto diz :

        Eu comparei os animais em relação aos seres humanos e em um de meus textos, os famosos ”combos de pensamentos”, eu concluí que o ser humano parece ser o mais equilibrado neste sentido, porque pode ou tem relativo potencial para entender o mundo globalmente, ao passo que os animais não-humanos, tendem a entender o mundo com base em seus sentidos mais desenvolvidos. Não vi qualquer problema nestas conclusões. Antropocentrismo é quase que equivalente a supremacia humana, com base por exemplo, no consumo de carne, ou seja, porque somos superiores. Eu não advogo por isso, mas pelas múltiplas perspectivas. Não é antropocentrico neste sentido, mas ainda é, porque eu sou um ser humano e estou comparando os seres da minha espécie aos de outras espécies.

        Em resumo, somos superiores neste aspecto, que é muito importante e nos faz debater isso, algo único, mas isso não é desculpa para o abate mecanico em escala industrial de animais de outras espécies, especialmente aqueles que domesticamos, crianças.

        Negar que os seres humanos tenham evoluído em separado em diferentes ambientes e desenvolvido diferentes características também não é o certo a se fazer. Eh uma pseudo-lógica vincular ”existencia de raças” com ”intolerancia”. Neste caso, a maneira como que dizemos as coisas pode ter um papel espetacular.

        O Brasil é uma prova de quão custosa e problemática pode ser a miscigenação em larga escala, mas isso não significa que não seja favorável a miscigenação em pequena escala, é por deveras interessante, imaginar como que algumas populações se desenvolveriam. O problema é que geralmente as características mais benéficas, como alta inteligencia e empatia, me parecem ser recessivas. O natural na natureza, é ser meio psicopata, ”racista” no seu sentido mais negativo, de olhar para os diferentes como potenciais vítimas ou como potenciais predadores, agir como um psicopata primitivo.

        • HOl diz :

          Não concordo contigo, é possível fazer uma matilha de cães de diferentes raças. É possível animais como leões aceitarem no seu grupo leões com variantes de cor de pêlo, o melanismo e os leucismo. A aceitação de variantes individuais dentro de um grupo não é assim tão anti-natura como possa parecer. Depende apenas da aceitação como um igual, como um elemento do mesmo grupo.

          Parece-me que tens uma dualidade de critérios, por um lado defendes a individualidade de cada pessoa baseado nas características que as diferencia e por outro achas que se deve aceitar a existência de raças e segregar indivíduos com base nisso. Quase como se estivesses afirmar que as diferenças são boas e devem ser respeitados desde que não ultrapassem uma linha arbitraria de diferença.

          • santoculto diz :

            Eu não entendi o que não entendestes porque não consegui associar a sua crítica a sua dúvida de agora, me desculpe.

            Sim, eu parto do princípio das múltiplas perspectivas, onde tudo terá seu lado bom e seu lado ruim e onde que se pode aceitar supostas contradições, desde que estas, estejam enfatizadas em diferentes perspectivas.

            ”As diferenças são boas”

            Está dando valor sentimental a algo que talvez não o mereça.

            As diferenças são. Temos de lidar com elas. Negá-las não é a resposta ainda que se deva primar por similaridades.

            Eliminá-las** Com base na miscigenação**
            Mas miscigenado ou decantado, somos únicos, não te lembras** Somos singulares.

            Eu reconheço muitas falhas nas teorias, populares dentro do HBD e de blogosferas reacionárias, de que os mestiços sempre serão ”de menor qualidade” que os decantados.

            Acho que se vc pegar um grupo de pessoas de diferentes raças e selecionar as mais inteligentes, vc terá, cedo ou tarde, uma raça mestiça de pessoas inteligentes.

            Mas eliminar a bio-diversidade humana é uma espécie de genocídio. E o problema reside principalmente na psicopatia, ainda que, pelo que parece, muitos genios foram de quase-psicopatas. Ainda assim, negar o papel e a sabedoria de muitos deles, também não é o certo a ser feito.

            • HOl diz :

              Não houve duvida apenas a constatação de uma contradição na imposição de um limite arbitrário para a quantidade de diferença aceitável.

              Existe um teorema da genética das populações que afirma que a frequência de determinados alelos se mantêm constantes numa determinada população desde que os cruzamentos sejam feitos ao acaso. Portanto não se esta a perder variabilidade genética mesmo que deixem de haver fenótipos extremos (muito brancos e muito pretos). Em termos genéticos esta tudo bem, em termos de capacidade adaptativa da espécie a alterações bruscas das condições de vida é que talvez seja outra historia. Para alterações das condições lentas, se voltarmos a selecção natural então estamos bem.

  4. HOl diz :

    Tive oportunidade de ler outros textos teus inclusive um que falas de Lombroso, mas não estou familiarizado com o trabalho dele, logo não te posso dar uma opinião fundamentada. Mas tens umas ideias interessantes.
    Não acho que somos “superiores” à selecção darwinista por principio espiritual, mas porque realmente a nossa evolução tecnológica e a própria dinâmica das relações e existência humanas nos colocam num outro patamar, diferente seja no mundo desenvolvido ou não.

    Dizes que as ideias de Lamarck estão essencialmente erradas, no entanto é a minha opinião que é uma teoria com valor e que curiosamente foi publicada em vida do Lamarck no mesmo ano que Darwin nasceu. Não quero afirmar que Lamarck foi totalmente original, mas a sua teoria tem tiradas de grande génio. Facilitou muito a vida a quem lhe seguiu e é preciso reconhecer que se Darwin foi grande foi por ter subido aos ombros de gigantes e um deles é Lamarck. Há que fazer justiça a esse senhor que a meu ver não estas a reconhecer o devido valor. 🙂

    A minha formação profissional é na área da biologia e uma das vertentes que me fascina é a evolução. É minha convicção que a evolução a nível biológico não se pode aplicar de forma directa ao ser humano, pelo que já referi. Não tenho de longe a tua formação em psicologia, embora tenha interesse na área, assim como em sociologia. Mas acho sinceramente que se dá muita importância aos genes como unidades formadoras de personalidade, fora raras excepções de cromossomopatias e uma ou outra condição pontual, acredito piamente que o ambiente é o maior determinante na formação individual. Dou-te o exemplo extremo da segunda guerra mundial, em que sem grandes variações no pool genético dos soldados alemães em relação ao de hoje, pessoas perfeitamente funcionais e psicologicamente consideradas normais foram capazes das maiores atrocidades. E isto verifica-se constantemente e mesmo actualmente em situações de crise ou não.
    Obviamente que estou a falar do ambiente de uma forma abrangente, deste influencias hormonais durante a gravidez, até à decisão por uma formação especifica num determinado sitio, passando pela conversa ou experiencia mais banal. Estou a falar das mais pequenas nuances da globalidade e da totalidade da experimentação pessoal, que guardamos consciente ou inconscientemente, que para mim é o que nos faz únicos.

    Claro que uma educação na escola feita para massas, da maioria para a maioria não respeita as variações individuais, as idiossincrasias que falas. Mas isso é neste momento impraticável pois não existem sequer ferramentas fidedignas que abarquem cada individuo em toda a sua totalidade. Nem estou convencido que alguma vez irá haver, pelo menos sem pôr em causa a mesma liberdade e individualidade que se quer defender. O que faltará talvez é promover a tolerância sem estigmas entre colegas e talvez uma maior flexibilização nas matérias leccionadas. Mas qual miúdo de 6 anos sabe o que será importante aprender? Até mesmo aos 16 ou 18 ou até depois disso? É muito complicado um ensino individual. No entanto, mesmo sem ele aqui estamos a discutir essa possibilidade com posições diferentes, talvez não tenhamos ficado assim tão iguais 😉

    No entanto, concordo plenamente com o teu ultimo paragrafo, existem sempre inclinações é contraprudente, um desperdiçar de capacidades nas mais variadas áreas. É limitar as potencialidades da própria espécie humana como um todo. Já agora desde quando tens consciência do teu autismo?

    • santoculto diz :

      ”Tive oportunidade de ler outros textos teus inclusive um que falas de Lombroso, mas não estou familiarizado com o trabalho dele, logo não te posso dar uma opinião fundamentada. Mas tens umas ideias interessantes.
      Não acho que somos “superiores” à selecção darwinista por principio espiritual, mas porque realmente a nossa evolução tecnológica e a própria dinâmica das relações e existência humanas nos colocam num outro patamar, diferente seja no mundo desenvolvido ou não.”

      Na minha opinião que é sempre ou quase sempre baseada em minhas observações, todos os produtos humanos, a cultura, as sociedades, são adaptações que foram produzidas a partir da evolução de nossas mentes, que comparando com o mundo de hoje, foram produzidas principalmente por genios, ou por pessoas muito singulares, de visionários. A cultura é a alegorização de nossas sensações, de curto a longo prazo, incluindo o pensamento, que também é uma forma de sensação.

      No final das contas, não foi a cultura que nos fez, nós que a fizemos e as fazemos.

      ”Dizes que as ideias de Lamarck estão essencialmente erradas, no entanto é a minha opinião que é uma teoria com valor e que curiosamente foi publicada em vida do Lamarck no mesmo ano que Darwin nasceu. Não quero afirmar que Lamarck foi totalmente original, mas a sua teoria tem tiradas de grande génio. Facilitou muito a vida a quem lhe seguiu e é preciso reconhecer que se Darwin foi grande foi por ter subido aos ombros de gigantes e um deles é Lamarck. Há que fazer justiça a esse senhor que a meu ver não estas a reconhecer o devido valor. :)”

      Desculpe, mas acho que o fato de Lamarck ter publicado a sua teoria no ano em que Darwin nasceu não tem qualquer valor significativo.

      Muitas teorias podem ter algum lampejo de genio, mas se não forem confirmados no mundo real, então serão apenas clarões efemeros (desculpe pela falta de acentos, razões técnicas).

      Eu já fui muito cruel com Lamarck, agora estou aprendendo a reconhecer o seu valor mesmo que sua teoria não tenha sido provada correta. E no mais, como eu já comentei, tanto no texto quanto aqui nos comentários, há de se buscar por insights úteis em seu trabalho principal.

      ”A minha formação profissional é na área da biologia e uma das vertentes que me fascina é a evolução. É minha convicção que a evolução a nível biológico não se pode aplicar de forma directa ao ser humano, pelo que já referi. Não tenho de longe a tua formação em psicologia, embora tenha interesse na área, assim como em sociologia. Mas acho sinceramente que se dá muita importância aos genes como unidades formadoras de personalidade, fora raras excepções de cromossomopatias e uma ou outra condição pontual, acredito piamente que o ambiente é o maior determinante na formação individual. Dou-te o exemplo extremo da segunda guerra mundial, em que sem grandes variações no pool genético dos soldados alemães em relação ao de hoje, pessoas perfeitamente funcionais e psicologicamente consideradas normais foram capazes das maiores atrocidades. E isto verifica-se constantemente e mesmo actualmente em situações de crise ou não.
      Obviamente que estou a falar do ambiente de uma forma abrangente, deste influencias hormonais durante a gravidez, até à decisão por uma formação especifica num determinado sitio, passando pela conversa ou experiencia mais banal. Estou a falar das mais pequenas nuances da globalidade e da totalidade da experimentação pessoal, que guardamos consciente ou inconscientemente, que para mim é o que nos faz únicos.”

      Eu não entendi a primeira parte, voce está se referindo em relação ao ambito moral não é**

      Eu não tenho formação em psicologia, no sentido academico, apenas uso o meu auto conhecimento como maneira de inferir especulações, possibilidades sobre o real e construtivo desenvolvimento desta área. Todo aquele que for detido de grande auto conhecimento, será um psicólogo natural, porque um conhecedor de si mesmo, é um potencial conhecedor preciso da natureza do comportamento humano.

      Desculpe, mas não achei o seu exemplo muito elucidativo, poderia me explicar o porque da supremacia do ambiente no comportamento humano**

      Como eu já expliquei aqui, apenas os seres inanimados que estariam sob total controle do ambiente OU das circunstancias que o rodeia como uma pedra. Ainda assim, a constituição dela, ainda terá um impacto nas influencias ambientais que está a sofrer.

      Fatores ambientais são nada mais nada menos, na minha opinião, do que as circunstancias que nos envolvem. O ser humano, por ser mais desenvolvido em sua auto consciencia, seria ainda menos influenciado pelo ambiente do que os outros animais, pelo fato de ter, em média, lampejos das características que seriam essenciais para uma verdadeira adaptação.

      O ser humano médio, os alemães (médios) inclusos, são capazes das maiores atrocidades, assim como voce e eu, por causa do espectro de comportamentos que podemos incorporar. Por exemplo, como eu já expliquei aqui, uma pessoa boa pode em um momento de extrema necessidade, matar outra pessoa. Isso não vai mudar a sua personalidade… ao menos que exista alguma predisposição.

      Tal como eu tentei explicar por meio de metáfora, a personalidade seria como uma piscina, a genética na verdade, em que algumas de nossas predisposições estarão tão latentes que boiarão a superfície desta piscina, ao passo que outras predisposições estarão no fundo ou não conseguirão boiar.

      No mais, o ser humano médio é uma colcha de retalhos de todas as personalidades extremas, pode ser um pouco psicopata, um pouco autista, um pouco tdah etc…

      Eh fato que a guerra é um fator ambiental com grande influencia em nosso comportamento, nos forçando a nos adaptar a condições extremas, ainda que na minha opinião, o verdadeiro adaptativo e inteligente, se ”viraria nos 30” e não serviria ao ”seu” país, visto que essa atividade acarreta grandes riscos de vida. Mas isso não prova que não tenhamos uma estrutura comportamental inata. Nós a temos a nós interagimos por meio dela, em nossos ambientes. Aí é necessário separar o que parece ser aparencia apenas em comparação aquilo que é real. A cultura humana é muito complexa e nos passa a ilusão de singularidade comportamental, ao nível divino, místico e isso é improvável de ser. Sim, somos muito especiais, ainda que nem tanto e que seja apenas com base em comparações vulgares, generalistas (a maioria dos seres humanos na verdade não seriam especiais no sentido literal e positiva deste adjetivo). Somos mais plásticos em nossos comportamentos em comparação aos outros animais, mas isso não nos faz infinitamente plásticos.

      Concordo com o final desta parte do seu comentário, exato, somos experimentações existenciais, acima de tudo.

      ”Claro que uma educação na escola feita para massas, da maioria para a maioria não respeita as variações individuais, as idiossincrasias que falas. Mas isso é neste momento impraticável pois não existem sequer ferramentas fidedignas que abarquem cada individuo em toda a sua totalidade. Nem estou convencido que alguma vez irá haver, pelo menos sem pôr em causa a mesma liberdade e individualidade que se quer defender. O que faltará talvez é promover a tolerância sem estigmas entre colegas e talvez uma maior flexibilização nas matérias leccionadas. Mas qual miúdo de 6 anos sabe o que será importante aprender? Até mesmo aos 16 ou 18 ou até depois disso? É muito complicado um ensino individual. No entanto, mesmo sem ele aqui estamos a discutir essa possibilidade com posições diferentes, talvez não tenhamos ficado assim tão iguais 😉

      No entanto, concordo plenamente com o teu ultimo paragrafo, existem sempre inclinações é contraprudente, um desperdiçar de capacidades nas mais variadas áreas. É limitar as potencialidades da própria espécie humana como um todo. Já agora desde quando tens consciência do teu autismo?”

      Eu acredito piamente, porque sempre funcionou comigo, que todos nós tenhamos motivações intrínsecas. Só que a maioria acaba se utilizando de motivações extrínsecas, para justificar os meios.

      No entanto, existe uma variação de intensidade desta motivação intrínseca, isto é, algumas pessoas como eu, nasceram com grande capacidade de se auto conhecer, com uma vontade de viver aquilo que é, enquanto que uma grande porcentagem de seres humanos não nasceram com este brio mais destacado e portanto, são mais facilmente persuadidos de cooperarem com os regimes que os encapsulam mesmo que não sejam bons com eles.

      Sobre a educação individual, claro que de início, aplicaríamos a atual generalidade cognitiva da escola e ao longo do tempo, começaríamos a compreender as necessidades individuais de cada um para que possam se dedicar as suas habilidades mais inatas, mais fáceis, os elásticos que são mais mais fáceis de serem esticados ou potencial de desenvolvimento.

      Olha, eu não acredito mais que seja autista, mas que estou dentro do espectro maior para o mesmo, pois apresento muitas características que se relacionam com esta condição. Pode-se dizer que, tenho as qualidades e os supostos defeitos, só que sem os excessos como hiper sensibilidade sensorial.

      • HOl diz :

        Existem com certeza ecos de génios na nossa sociedade. Mas a definição de génio é muito relativo, visto que a erudição até há meio seculo estava na mão de una poucos privilegiados. Quantos “génios” potenciais se terão perdido…

        Referi a curiosidade do ano de publicação da teoria de Lamarck para realçar que Darwin é posterior ao primeiro e bebeu da fonte da sua sabedoria. Não sendo teorias “rivais” mas de certa forma a evolução uma da outra.

        Peço desculpa se não me fiz entender em qualquer frase, mas tem de ser especifico que em parte não fui claro.

        O que percebi que não ficou claro, é a minha definição de ambiente. Quando falo em ambiente estou a falar de todas as experiencias externas ao individuo, incluindo obviamente as relações humanas a cultura e as interacções inter pessoais.

        O exemplo que dei foi para tentar explicar que o ambiente determina o comportamento, talvez não tenha sido o melhor exemplo. Mas tu já próprio acabaste por mostrar que o ser humano se adapta ao ambiente e age de forma diferente em diferentes situações. Talvez se te der o exemplo de dois irmãos gémeos verdadeiros que são nada mais que “clones naturais”. Ou seja são geneticamente idênticos, têm o mesmo “programa biológico” no entanto têm personalidades diferentes, preferências e interesses individuais e reacções idiossincráticas a situações idênticas.
        Isto só pode ser explicado porque seres individuais com o mesmo código genético têm experiencias diferentes com perspectivas diferentes, mesmo que ligeiramente, que as formam como pessoas diferentes e apenas com aparências similares. Ou seja, pequenas variações no ambiente determinam indivíduos únicos apesar da sua aparência. A genética não é preponderante.

        • santoculto diz :

          ”Existem com certeza ecos de génios na nossa sociedade. Mas a definição de génio é muito relativo, visto que a erudição até há meio seculo estava na mão de una poucos privilegiados. Quantos “génios” potenciais se terão perdido…”

          Não acho que a definição do genio seja relativa, é sim bastante diversa, em termos qualitativos. O problema é que muita gente relativiza algo que na verdade não é. Ainda que haja certa diversidade não apenas em termos técnicos mas também de aplicabilidade, eu concordo totalmente com voce e se já tiver percebido, eu advogo por isso também.

          Em um de meus textos eu questionei sobre os genios que são reconhecidos mas que também não são críticos em relação ao cenário social ao qual estão encapsulados. críticos não apenas em um sentido literário, mas também prático, fazer algo de realmente bom, coisa que boa parte de ”nossas” imbecis ”celebridades” não fazem, em média, ou fazem apenas para fins de promoção pessoal.
          Os muitos genios sociais que lutaram contra regimes opressores, jamais foram reconhecidos. Quem conta as histórias são os vencedores, idade mental da ”humanidade”***

          ”Referi a curiosidade do ano de publicação da teoria de Lamarck para realçar que Darwin é posterior ao primeiro e bebeu da fonte da sua sabedoria. Não sendo teorias “rivais” mas de certa forma a evolução uma da outra.

          Peço desculpa se não me fiz entender em qualquer frase, mas tem de ser especifico que em parte não fui claro.

          O que percebi que não ficou claro, é a minha definição de ambiente. Quando falo em ambiente estou a falar de todas as experiencias externas ao individuo, incluindo obviamente as relações humanas a cultura e as interacções inter pessoais.”

          Bem, então voce não está definindo ambiente da maneira como que geralmente é feito, algo como ”o rei todo poderoso, criador da ação e reação, de todo comportamento, vago ou severo, pessoal ou coletivo”.

          Eu continuo sem saber porque especulações biográficas de Darwin sobre Lamarck teriam de ser usadas como argumentos, desculpe, mas está sendo muito recorrente nesta parte. Sim, Darwin poderia até ter um santo Lamarck, pendurado na cabeceira da cama e rezado todos os dias por ele. O fato é que as teorias, conceitualmente falando, são sim rivais, porque uma deslegitima a outra. E boa parte se não quase todos aqueles que falam com excesso em ”fatores ambientais”, são lamarckianos enrustidos.

          Sem problemas, falo o mesmo pra ti, qualquer dúvida pode perguntar que terei o prazer de responder.

          ”O exemplo que dei foi para tentar explicar que o ambiente determina o comportamento, talvez não tenha sido o melhor exemplo.”

          Voce já parou pra pensar que somos que ajustamos, conscientes ou não, nosso comportamento ao ambiente**

          A maioria das espécies não-humanas são de fato mais diretamente influenciadas pelo ambiente, mas é porque elas não são capazes de serem reflexivas e criativas como ”nós” podemos ser.

          ”Mas tu já próprio acabaste por mostrar que o ser humano se adapta ao ambiente e age de forma diferente em diferentes situações. Talvez se te der o exemplo de dois irmãos gémeos verdadeiros que são nada mais que “clones naturais”. Ou seja são geneticamente idênticos, têm o mesmo “programa biológico” no entanto têm personalidades diferentes, preferências e interesses individuais e reacções idiossincráticas a situações idênticas.”

          Eu li que gemeos identicos não são tão identicos assim, não são clones naturais. Mas isso ainda não prova que o ”ambiente altera o nosso comportamento”, o contrário é o mais provável de ser, porque somos nós que alteramos, modulamos nosso comportamento para nos adaptar, da mesma maneira que as outras espécies também fazem ou tentam fazer, mas o ser humano é o mais capaz neste aspecto ainda que seja especialmente em um sentido teórico.

          ”Isto só pode ser explicado porque seres individuais com o mesmo código genético têm experiencias diferentes com perspectivas diferentes, mesmo que ligeiramente, que as formam como pessoas diferentes e apenas com aparências similares. Ou seja, pequenas variações no ambiente determinam indivíduos únicos apesar da sua aparência. A genética não é preponderante.”

          Não, novamente, é o contrário, pequenas variações em nós, nos faz únicos e essa singularidade especial, se tornará ainda mais significativa a partir do momento em que experienciarmos o que eu chamo de ”fatores ambientais únicos”, nossas vivencias pessoais. Mas isso ainda significa e não prova o seu ponto.

          Eu sou muito autoconsciente e me analiso e tento entender se de fato, os fatores ambientais tem tido um impacto na minha personalidade, no sentido de alterá-la de uma maneira radical, e isso é pouco provável. Nossas panaceias pessoais de reações as intempéries ambientais estão irrevogavelmente predispostas, como a metáfora da personalidade como a piscina.

          Eu também comparo a personalidade com clima e o comportamento e o temperamento com o tempo. O tempo varia diariamente, o clima não. Hoje eu posso estar mais paranoico, amanhã não, algum fator pode desencadear o meu estado de paranoia, sim, um fator interacional, ambiental, retido de minha reação a ação. Mas isso ainda não significa que ”a genética não é preponderante”. A maioria das pessoas mais ”paranoicas” tendem a ser assim ao natural enquanto que é relativamente incomum vermos pessoas sem esta predisposição a sensibilidade, se tornando paranoicas a uma base constante. Eh claro que é, visto que mesmo se eu vivesse um vida inteira de relativa inconsciencia em relação aquilo que me afeta ”exteriormente” ao meu ser, ainda assim, teria estado sob a rédea curta da genética.

          As pessoas internalizam que genética é igual a determinismo e ambiente é igual a livre arbítrio. Mas eu não concordo com isso, genética não precisa ser e não é determinista. Agora, se voce tentar voar como um pássaro, será determinista o seu fracasso, isso é certo.

          A parte que voce não entendeu do texto, quando eu falei que não somos filhos de deuses, portanto, não é assim, ”tudo pode para o ser humano”… não é bem assim, ainda assim, é evidente que somos mais plásticos do que os outros animais, é uma de nossas singularidades, nossas forças. Mas esta plasticidade não é modulada inteiramente pelo ambiente e somos apenas como pedras, que ora são levadas pelo vento, ora são levadas pelo deslizamento provocado pela chuva. Não somos inanimados. Se temos algo aqui dentro, então este dentro, nossa nação, nosso bolor de microorganismos modificados, aumentados tal como o fermento para aumentar um bolo, decantados, estabilizados, tem um papel muito evidente naquilo que somos.

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