Influencia do meio e o grau de motivação intrínseca para explicar as diferenças de comportamento

Se voce tivesse nascido em outra cidade, criado por outra família, vivido em outro ambiente, voce acredita que teria se desenvolvido de maneira ”completamente” diferente em relação aquilo que voce se tornou** Voce acredita que teria desenvolvido outro temperamento**

Eu já comentei aqui que metaforicamente falando, a personalidade poderia ser comparada ao clima enquanto que o temperamento poderia ser comparado ao tempo. O clima é quase sempre fixo, enquanto que o tempo será diariamente variável só que esta variação tenderá a se dar a partir de uma similaridade espectral, isto é, um clima tropical sem neve no inverno ou um clima polar sem verão de quarenta graus. O mesmo se aplica a personalidade e ao temperamento. As tendencias comportamentais mais predominantes nos mostram que a personalidade encapsula o temperamento (que por sua vez encapsula o comportamento). Por exemplo, o introvertido tenderá a ter comportamentos que variam dentro do espectro da introversão, tal como uma cidade quase sempre nublada, com períodos espassados de sol e calor (também se poderia pensar no introvertido como uma região de clima estável, enfim…)

Também já disse que a mídia tem mostrado por meio de filmes, novelas… a relação entre biologia comportamental e ambiente em que alguns personagens expressam a predominancia genética enquanto que em outros casos, o contrário acontece, quase sempre com base em exemplos histrionicos, exagerados (como da mocinha pobre e com sotaque jeca que se torna uma mulher culta de qi verbal na casa dos 130).

Mas, como que se daria o papel do ambiente na ”formação” da personalidade humana, isto é, desde o seu início*

Então, novamente, se eu tivesse nascido em outro lugar, sido criado por outra família, em outras condições sociais, será que eu teria me desenvolvido de maneira completamente diferente**

Eh justamente aí que eu acho que autoconsciencia e motivação intrínseca aparecem para separar aqueles que seriam mais moldáveis pelo ambiente em relação aqueles que são desde a tenra idade, individualmente (comportamentalmente) independentes ou que apresentam um forte senso de si, de seu ”eu”.

Eu acredito que as pessoas mais naturalmente autoconscientes serão menos propensas a serem internamente influenciadas pelo meio a sua volta, por causa do seu senso bem mais desenvolvido e enfático de si, de sua personalidade, de seu espírito. Ou que, essas mudanças, acaso acontecerem, serão internamente analisadas ou mesmo, conscientemente provocadas por essas pessoas.

O intrinsecamente motivado justamente por ser mais autoconsciente, de personalidade forte, caminhará naturalmente para construir a sua própria individualidade e como este caminho tende a ser improvável de não ser perseguido desde a tenra idade, então as chances para que o ambiente possa exercer de alguma forma uma influencia significativa na formação de seu eu, de seu espírito, de sua personalidade, será muito mais esparsa do que em comparação a uma pessoa extrinsicamente motivada, isto é, que responde e interage mais intensamente com os estímulos e intempéries ambientais, sem uma identidade internamente motivada e auto-compreendida.

Portanto, mediante a minha hipótese, o intrinsecamente motivado, mais autoconsciente, desprezando as suas experiencias pessoais (ou fatores ambientais únicos), será fortemente predisposto a desenvolver a mesma personalidade, independente do ambiente a que for exposto, porque este ”traço” ”ou” fenótipo, será fixo ou mais rígido pra ele do que para os outros tipos de seres humanos.

Em compensação, a meu ver, quanto mais extrinsicamente motivado, maior será a influencia do ambiente em seu comportamento, no sentido de melhorar certos traços como por exemplo, a inteligencia, ou de piorá-lo.

O intrinsecamente motivado sabe o que quer (o que é) desde cedo, o extrinsicamente motivado, por causa de sua menor autoconsciencia, não tem plena certeza do que é, até porque isso não é importante pra ele, assim como também será mais leve tal como uma folha pequena, em relação aos eventos ambientais que está interagindo, enquanto que a personalidade do intrinsicamente motivado será de maior dureza, tal como uma pedra mais difícil de ser triturada pelo calor das mãos.

Livre arbítrio (parcial) e a variação comportamental limitada

Autistas no geral, são extremamente introvertidos. Outros tipos extremos  serão o inverso, de extremamente extrovertidos. A maioria se encontrará perto do meio do espectro, um pouco mais para a introversão ou um pouco mais para a extroversão. A maioria dos extrovertidos na verdade serão de predominantemente extrovertidos e o mesmo acontece com os introvertidos.

Nossa personalidade poderia ser analisada como um espectro, ou melhor, uma matéria gelatinosa que tem um centro, um núcleo, mas que pode variar mais para um lado ou mais para o outro lado, mais pra cima, mais pra baixo. As bolhas gelatinosas (não confundir com meleca) de tipos que apresentam personalidades extremas, mais rígidas, como os autistas, tenderão a terem bolhas pequenas, com pouca elasticidade. O intrinsecamente motivado teria uma personalidade-bolha mais rígida e mais focada em sua essencia, sua origem, aquilo que realmente é. Um núcleo grande para o intrinsecamente motivado e pequeno para o extrinsicamente motivado.

Esta variação pessoal, prediposta ou de natureza ”genética” e limitada, caracteriza nossa possibilidade de escolha ou ”livre” arbítrio. O autoconsciente tem um maior potencial de livre arbítrio, mas também terá maior consciencia de sua (nossa) incapacidade de fazer escolhas 100% conscientes. A única maneira de lutar contra ”nós mesmos”, nossa biologia, nossa nação, nosso bolor evolutivo de microorganismos agrupados que formam um corpo”, seria com base na total negação de nossas tendencias. Se estúpidos, tentaríamos aumentar nossa inteligencia. Se sexualmente desviantes, tentaríamos conter nossos ímpetos, mesmo nos pensamentos mais leves. No entanto, isso não é possível, porque não podemos depredar a nós mesmos, aquilo que somos da mesma maneira que o pássaro não pode desprezar as suas asas ou o peixe a sua água.

Conclusão

Portanto, eu acredito que o grau de motivação intrínseca ou extrínseca que irá delimitar o grau de predominancia genética e ambiental sobre o indivíduo. E a partir desta primeira constatação, também se chega a ideia de que haverá uma variação de grupo assim como também a nível individual, em relação a capacidade de elasticidade comportamental consciente e inconsciente ou ”natural”.

Para populações ou indivíduos de ”personalidade forte”, o ambiente exercerá pouca influencia, porque

– serão mais intrinsecamente motivados

ou

– pertencerão a grupos populacionais onde que o fenótipo de personalidade terá sido mais intensamente selecionado, fazendo-lhe dominante sobre o ambiente.

A personalidade, ainda que seja um fenótipo complexo, pode ser comparada a hereditariedade da estatura, em que algumas populações serão homogeneamente altas (montenegrinos) ou baixas (pigmeus) e sabemos que os traços que estão sobre forte seleção, tenderão a se tornar mais fixos, mais geneticamente dominantes sobre os demais.

A expressão ”de personalidade forte”, parece fazer muito sentido para explicar aquele que é auto-motivado, auto-compreendido, que tem um senso de si mais forte, mais desenvolvido, do que aquele que é mais levado pelas opiniões, pelos movimentos das massas em que está inserido.

Na minha opinião, uma pessoa dotada de grande individualidade (não confundir com individualismo), será exatamente aquilo que é, que sabe o que é, se criada na mais diversa panaceia de ambientes.

Em compensação, aquele que não tem um forte direcionamento de qualquer natureza, em relação a sua personalidade (e isso também vale para inteligencia, que interage intimamente com a mesma), será mais propenso a ser influenciado pelo ambiente e a variar mais, da mesma maneira que ocorre com traços que não estão sob forte seleção.

Mais uma vez, eu uso a metáfora do clima e do tempo para explicar personalidade e temperamento (que por sua vez produzirá o comportamento). O clima é predominantemente fixo porém variável, dentro de um espectro de similaridades, como eu exemplifiquei por meio do clima tropical sem neve no inverno ou o clima polar sem calor de quarenta graus no verão.

E respondendo a pergunta inicial.

Eu acredito que continuaria sendo ”eu mesmo” independente das condições ambientais em que tivesse sido submetido desde a infancia, porque eu tenho um senso muito forte sobre minha identidade existencial experimentacional.

Agora, em relação em como que os fatores ambientais puros ou circunstanciais, moldariam o ambiente bem como a expressão de minhas capacidades, de minha técnica de auto-conservação, aí eu já posso reconsiderar que os resultados sem dúvidas de que seriam muito variáveis.

Continuo, por fim, reiterando que quem é mais consciente de sua essencia, será menos provável de ser moldável pelas intempéries ambientais ou exteriores.

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