Doug Funny, Skeeter e qi

Sarcasmo**

Sempre fui fã do desenho animado ”Doug Funny”. E uma das principais razões para o meu carinho em relação a esta animação, se dá pela grande semelhança entre o personagem principal e eu. Ele ”é” canhoto, observador do mundo a sua volta, mais maduro para a sua idade, imaginativo, tímido e sim…. quando era criança, eu também tive minhas paixonites do sexo oposto (e que quase sempre eram do tipo ”popular”, a patricinha que quase todo nerd tende a se apaixonar, desastrosamente).

O tempo passou, eu cresci (mas não assassinei a criança que gostava de ver este desenho nas tardes sem compromisso e quentes dos anos 90) e o desenho continuou a passar na tv, só que em um canal diferente. Então, em um belo dia, eu resolvi assisti-lo novamente. O episódio que estava passando, foi inédito pra mim e caiu tal como uma luva em relação as minhas ideias atuais sobre inteligencia, qi e mensuraçao real de intelectos.

Neste episódio, foi aplicado um teste de qi para a turma de Doug, na escola. Enquanto que Doug tirou uma pontuação mediana, Skeeter, o seu amigo azul e abobalhado (porém, gente fina), tirou uma pontuação ao ”nível de genio”. A lição de moral foi ”as aparencias enganam”. Skeeter, aos olhos de seu melhor amigo, ”parecia” ser menos inteligente e isso se dá especialmente por causa do seu comportamento. Esperar-se-á que os mais inteligentes tenham vocabulários mais rebuscados, sejam mais focados em assuntos intelectuais ou cognitivos, enfim, se comportem tal como o estereótipo do ”garoto ou da garota inteligente”.

Características comportamentais se correlacionam com niveis de inteligencia(s) e até pode-se dizer que façam parte dela, por ser causal em termos de motivação ou interesses específicos. As pessoas ”menos inteligentes” estão mais preocupadas com a socialização, em média, enquanto que os ”mais inteligentes” estão mais preocupados com ideias, teorias, enfim, de fazer alguma atividade intelectual do que de participar de eventos sociais.

Apesar de concordar que, para muitos casos, as aparencias sejam enganosas, isso não significará que isso anulará a regra. Porque a regra é a de que comportamento e intelecto se correlacionem harmoniosamente.

Outro problema, clássico, deste episódio, é o de determinar que ”um” alto qi seja mais importante do que a própria maturidade e inteligencia do personagem principal, Doug Funny, um jovem imaginativo e observador da cena cotidiana.

A pontuação acima da média de Skeeter, ainda foi correlacionada a capacidade científica de alto nível. Eh verdade que tem havido uma forte correlação entre qi alto e ciencia, mas isso não significa que será exatamente como pensam os fetichistas de qi, onde que os mais inteligentes terão de pontuar muito alto em testes de qi. A enfase aqui é equivocada ao determinar o qi como mais importante que o conceito geral, holístico e realista de inteligencia e a partir disso, traçar uma linha de hierarquia, onde que aqueles que não se conformarem mediante o critério qi, serão menos inteligentes do que aqueles que o fizerem.

No mundo real, a diversidade, a contextualidade e a complexidade, as 3 idades que eu já falei aqui, é que determinarão este conjunto complexo de hierarquias e não apenas uma única curva de sino, em que os de maiores pontuações, serão os mais inteligentes.

Skeeter até que poderia ser considerado como inteligente, ainda que o episódio tenha forçado em demasia, em relação a ideia de ”aparencia versus realidade”, ao menos se o personagem fosse menos abobalhado… No entanto, novamente, o adjetivo superlativo ”mais inteligente”, ao ser totalmente triturado e julgado pelas 3 idades, deixará o seu determinismo equivocado e se tornará mais correto em relação a realidade da inteligencia humana. Diverso em uma diversidade de tipos, complexo em uma complexidade de situações, de longo a curto prazo e contextual em uma contextualidade de cenários que abarcam o fator biológico da diversidade e ambiental da complexidade. E até poderíamos, por exemplo, observar que a complexidade também possa ser relatada ao quesito biológico, cognitivo desta hipotética análise. Novamente, as múltiplas perspectivas.

Mediante certas perspectivas de comparação, até pode ser possível dizer que Skeeter seja mais inteligente que Doug, mas em outros parametros, não restam dúvidas de que Doug será mais inteligente que o seu amigo.

Skeeter poderia ser considerado como um tipo extremo (exagerado, caricato) de talento técnico e mediocridade intelectual. Aquele que todos julgam ser estúpido mas que será muito inteligente em alguns aspectos. No entanto, a realidade nos mostra que geralmente, a partir de uma boa análise de comportamento e intelecto, o resultado tenderá a ser de uma correlação harmoniosa entre ambos, se tendem a ser recíprocos, o comportamento expressando o nível qualitativo e quantitativo de intelecto.

Nós poderíamos inclusive imaginar uma situação hipotética em que Skeeter, já adulto, tivesse se tornado um cientista famoso e que estivesse fazendo um projeto ultra secreto para o governo americano e, este projeto não fosse lá uma coisa muito boa, como a cura do cancer ou da aids.

Coloco outra vez a metáfora do prédio gigante e super moderno, de um branco cinza pálido que belisca os confins de nossa atmosfera, como representante do ”progresso humano”, enquanto que as pessoas lá embaixo, vivem em ambientes tenebrosamente disfuncionais. Valeu apena** E as piramides egípcias** O que é mais importante, termos uma civilização tecnológica avançada sem qualquer avanço social significativo ou uma civilização socialmente avançada e sem qualquer avanço tecnológico significativo** Eh uma comparação histrionica, mas eu prefiro a segunda opção.

A sabedoria de Doug foi retratada como menos importante que a suposta maior inteligencia (extremamente exagerada) de Skeeter especialmente para criar o cenário que desemboca na lição de moral ”as aparencias enganam”.

Doug tem uma personalidade inteligente que expressa o seu intelecto por meio de sua maturidade assim como também por sua motivação intrínseca na observação do mundo que o engloba,  enquanto que Skeeter apresentaria uma relação negativa entre a sua inteligencia e o seu comportamento. Ele não seria intelectualmente inteligente mas teria uma grande cognição técnica. Apesar do exagero, Skeeter representaria o típico caso em que a inteligencia técnica se encontrará acima da média em combinação com déficits intelectuais severos. Eu tenho a impressão de que este perfil cognitivo seja muito mais comum do que canta a nossa vã filosofia e nos ajudaria a entender o porque da disfuncionalidade humana, especialmente a nível coletivo.

Pessoas tecnicamente inteligentes e intelectualmente medíocres podem ser muito perigosas porque geralmente serão desprovidas de sabedoria para interagirem e usarem a sua inteligencia de maneira correta.

Doug Funny é um outsider. Skeeter é um termite potencialmente incomum.

Por que Doug e Bobby são retratados como canhotos, imaginativos e irmãos mais novos***

Novamente a elite esquerdista aprontrando das suas e mostrando que não é boba não…

Dois dos personagens mais populares dos anos 90 apresentam 4 semelhanças importantes,

– são imaginativos,

– são observadores perspicazes,

– são canhotos,

– são irmãos mais novos. 

Eu também apresento as 4 características e claro que não irei levar esta pseudo-correlação ”anedótica”, com dizem no exterior (e não tem o mesmo significado que na língua portuguesa), mas eu posso iniciar, e é o que geralmente faço aqui, uma averiguação inicial sobre esta possibilidade.

Os dois personagens poderiam ”ser” ”diagnosticados” como duas vezes excepcional, o rótulo moderno para o que eu acredito que seja, pessoas altamente criativas e genios de todas as naturezas ou com potencial.

Nada de ”qi alto” apenas. Para

– buscar,

– capturar,

– entender,

– apreciar,

e utilizar a inteligencia humana, voce precisa de uma análise psicológica completa. O qi funciona de maneira secundária, porque entre ter um mundo de Skeeters e de Dougs, não resta dúvidas de que eu prefiro um mundo de pessoas que sejam como Doug, este famoso e sábio personagem. Eu escolho a sabedoria primeiro, sem pestanejar.

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Sobre santoculto

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4 Respostas para “Doug Funny, Skeeter e qi”

  1. Rodolfo diz :

    Eu me lembro desse episódio. Embora tenha sido uma situação caricata, como se espera de um desenho animado, tem um fundo de verdade. Existem pessoas que são inteligentes e cultas mas que você só percebe depois que os conhece intimamente. Acontece principalmente com introvertidos, o que é claro, não é o caso do Skeeter. Como você diz, testes de QI são ferramentas limitadas, porem com um poder de previsão muito bom. Tipicamente, pessoas que são excepcionais em apenas uma atividade, nos casos extremos, savants, não vão bem em testes de QI. Recentemente eu li um texto do Arthur Jansen sobre a oportunidade que ele teve de testar aquela que muitos consideram a maior calculadora mental de todos os tempos. Os resultados não foram nada excepcionais.

    • santoculto diz :

      A maior calculadora mental??
      Na minha opinião, na psicologia, nada supera uma boa análise psicológica e cognitiva. O qi é parte desta análise e não deve ser tratado como a única e decisiva maneira de se mensurar inteligência.

      • Rodolfo diz :

        Shakuntala Devi, uma indiana. Alguns dizem que ela era uma fraude, so que da forma que dizem que ela fazia as apresentações dela, com pessoas trazendo numeros de 11 digitos e ela extrraindo a raiz cúbica em 4 ou 5 segundos, é díficil dizer como poderia ser essa fraude. Nessa época não existiam calculadoras eletronicas pequenas o suficiente e um ponto eletrônico para alguém se comunicar com ela também seria algo muito difícil de se conseguir naquele tempo. Embora ela não tivesse educação formal, ela falava fluentemente varios idiomas, sempre descrita como muito cortez e articulada, não era uma savant. Por outro lado, nos testes do Jensen, que incluíam testes de “reaction time” e o Raven, ela não foi exepcional.

        • santoculto diz :

          Eu não duvidaria que alguns auto relatados savant pudessem ser fraudes, mas duvido que seja algo comum. Os famosos casos de pessoas cegas ou com alguma avaria mental mais grave, incapacitante e com um grande talento específico pra mim são verídicos, em sua maioria. E vale ressaltar que existem outras formas de savantismo, procure por síndrome de Williams e habilidade musical.

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