Genios historicamente reconhecidos e genios torturados pelos sistemas opressores

Alexander Solzhenitsyn é um caso de genio literário que foi historicamente reconhecido em vida mas que viveu maus momentos justamente por causa de sua tendencia natural para o criticismo honesto em relação as cadeias de desarmonia que caracterizaram a sua Mãe Rússia dos séculos XIX e XX (que não quer dizer que foi apenas durante esse período que a Rússia foi terra de ninguém).

Muitos genios historicamente reconhecidos do passado vieram

– de famílias bem abastadas

ou

– de famílias que trabalhavam intimamente com a realeza.

Assim, é fácil ser genio não acham**

Existe uma certa correlação entre renda e inteligencia técnico-quantitativa (qi) e é esperado portanto que as famílias mais abastadas ou ao menos com uma sólida estabilidade economica (desprezando fatores ambientais potencialmente negativos), sejam em média mais tecnicamente inteligentes que as famílias que estão despossuídas de alguma dessas tendencias.

No entanto, é fato que um número particularmente elevado de genios do passado, assim como também aqueles do presente, bailaram com o poder ao invés de criticá-lo e até mesmo de tentar lutar contra. Este tipo de preciosismo clássico da sabedoria, não pareceu ser constante em muitos dos grandes nomes da literatura, das artes ou das ciencias, infelizmente…

Cesare Lombroso, o famoso criminologista ítalo-judeu do século XIX, do qual eu tenho falado tanto, concluiu que boa parte dos genios que analisou, poderiam ser categorizados, também, como matoides. O termo matoide pode ser aplicado a uma pessoa com grande desequilíbrio entre suas habilidades intelectuais e morais ou de caráter. Claro que Lombroso abusou da moralidade de estilo vitoriano que predominava em sua época para chegar a esta conclusão. Ainda que muitos genios de fato tenham criticado os sistemas corruptos e estúpidos onde nasceram e viveram, muitos simplesmente se acomodaram confortavelmente, especialmente quando a fama de excepcionalidade se tornou realidade ainda em vida. E essa é uma demonstração da diferença de natureza entre genios e sábios, estes últimos, que poderiam ser descritos como uma espécie de genio empático-holístico.

O criativo talentoso médio, sem uma seleção rigorosa, e principalmente que tenda a pertencer a categoria do ”criativo descontínuo”, caminhará para ser mais egocentrico, narcisista e ávido pelo reconhecimento coletivo de suas obras do que o criativo contínuo, o famoso ”sonhador” imaginativo que tem um turbilhão de ideias e sensações incomuns por dia.

O criativo descontínuo é menos outlier em comportamento e em experimentações existenciais de longo prazo do que o criativo contínuo e portanto, como acontece para uma boa parte da população humana, em uma posição de poder ou de conveniencia (ainda atrelada ao poder), caminhará para desprezar os problemas sociais cronicos e estúpidos que continuam a polvilhar a paisagem humana e não-humana de interação. Pessoas comuns são fortemente propensas para agirem de maneira particularmente parecida em relação as elites corruptas (sempre foram) quando em posições de poder.

O poder corrompe a grande maioria, inclusive o genio, menos o sábio.

E uma das maneiras mais sutis de ser corrompido é por meio da passiva conveniencia. Como quando tudo vai muito bem, principalmente em termos financeiros e passa-se a desprezar aqueles que não estão com a mesma sorte (aqueles, humanos animais ou animais-animais).

Os genios sociais ou savant sociais que eu defini como sendo os genuínos solucionadores de problemas, não parecem abundar entre os ”grandes” nomes da humanidade, o panteão de mentes excepcionais, muitas delas que tiveram enormes facilidades em suas vidas para que pudessem aflorar os seus talentos naturais sem se preocupar com o pão nosso de cada dia.

Vendo esta famosa série educativa e divertida da BBC, que em portugues tem o título de ”Deu a louca na História”, eu percebi algo que parece ser muito óbvio de se notar a priore.

– Em qualquer época do passado, a grande maioria das sociedades ”que construímos” foram marcadas pela estupidez abjeta e injustiças,

e aqueles que tentaram lutar contra isso foram duramente reprimidos.

Pode-se dizer basicamente assim. A norma na história humana não foi a democracia ou o projeto de democracia de fachada que acreditamos estar encaspulados, mas a ditadura. Imagine a analogia onde ao longo de quase toda a história humana, a ditadura militar que faz esquerdista fazer xixi na cama, tivesse predominado. 95% da história humana onde a estupidez tem predominado. Quem precisa de um futuro idiocrático distópico, se o passado também passou longe de qualquer coletividade realmente inteligente e com doses pequenas e controladas de entropia***

Se Shakeaspeare não tivesse se confortado por sua fama de genio literário e a fortuna subsequente que acumulou e tivesse lutado contra o velho sistema política de ”realeza” em sua velha Albion, provavelmente não teria tido o seu nome louvado repetidamente como um indivíduo excepcional desde a muitas gerações posteriores ao seu falecimento. Entraria para o esquecimento da ”mente coletiva” humana tal como aconteceu com muitas pessoas, será  que muitas delas foram de genios sociais**

Eu seria um fã incondicional de Shakespeare se soubesse que durante sua vida, tivesse ajudado ao próximo de maneira objetiva, inteligente e sincera. Só que eu tenho a impressão de que ele foi apenas mais um caso de pessoa ”certa” no lugar ”certo” e que pouco fez para no mínimo, atenuar o sofrimento alheio. Ele não foi um sábio. Portanto eu prefiro admirar este tipo de pessoa aqui de cima e quem sabe puder fazer o mesmo em um futuro, em melhores condições financeiras.

Democracias absolutistas não parecem diferir muito de regimes militares se ambos se assemelham quanto ao absolutismo do poder, concentrado em mãos de poucos. O problema nem é a democracia ou a ditadura militar porque mesmo um regime politicamente rígido poderia ter como pauta governamental a sabedoria.

As formas de torturas de dissidentes políticos (por si só, completa falta de sabedoria) que eu vi na série da BBC, nos mostra que muitos dos grandes nomes do passado foram parcial a completamente coniventes com o estado deplorável de coisas a que a humanidade sempre esteve assentada.

A moral da história deste post é, criticar tudo, inclusive aqueles que foram alçados a calçada da fama do panteão de genios. E não apenas criticá-los mas também se possível, lutar contra muitos deles que pouco se importam com o próximo mas apenas com suas realizações pessoais.

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2 responses to “Genios historicamente reconhecidos e genios torturados pelos sistemas opressores”

  1. ruberto says :

    Caro santo: chamo lhe assim pois desconheço seu nome , porém , continuo e admiro muito seus posts. Você um dia por curiosidade assista um vídeo de um historiador brasileiro chamado leandro karnal , no YouTube . Ele fez uma palestra exclusivamente falando sobre Shakespear , muito interessante… Assista um grande abraço fraterno 🙂

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