Refutação de uma tendencia interessante em relação ao comportamento dos ”socialmente liberais” pelo neuropolitics. Os ”esquerdistas” e afins, tendem a olhar mais para o chão quando estão caminhando… Mas por que**

Hoje de manhã eu fui na padaria comprar alguma coisa para os meus pais. Então, na maior parte do trajeto, eu prestei mais atenção ao chão, do que olhando de maneira ”confiante” pra frente. Eu sou muito tímido (mas vou explicar mais abaixo que é não tão direto e simples assim) e compartilho de uma tendencia familiar materna para a fobia social. Mas apesar de tudo levar a indicar que a minha personalidade introvertida me faça focar no chão quando ando nas ruas, eu desconfio que esta correlação não seja assim tão conclusiva. Como hoje é domingo (texto que está sendo escrito neste dia naturalmente depressivo), então eu não me deparei com muitas pessoas na rua quando fui a padaria. Mas geralmente, eu tenho uma inclinação para olhar para cada face que vejo quando estou andando na rua. Eu olho mais para as faces do que elas pra mim. Eu sou curioso e gosto de olhar para as pessoas para ver se elas retribuem. Também olho porque sou preocupado em ser educado com algum conhecido (mas percebam que muitos conhecidos não retribuem a minha nano-preocupação comportamental). Eu tenho tendencias depressivas e de ansiedade, mas quando eu ando nas ruas e olho mais para o chão, eu não o faço porque tenho vergonha de olhar para as pessoas, mas é porque eu apresento idiossincrasias fisiológicas na parte inferior do meu corpo. Eu manco, ligeiramente, e provavelmente se dá porque uma de minhas pernas é maior do que a outra. Este problema também me faz mais cansado e desastrado do que outros.

O site neuropolitics que mostra as diferenças comportamentais, neurológicos e cognitivas de (socialmente) liberais e conservadores americanos, encontrou que os primeiros, que no Brasil nós denominamos como esquerdistas, tendem a compartilhar algumas tendencias comportamentais interessantes, como depressão, ansiedade e o hábito de olhar mais para o chão do que para as pessoas quando estão andando nas ruas. Descobriu-se ainda que o contrário tende a acontecer com (socialmente) conservadores, visto que tendem a andar nas ruas olhando menos para o chão. Supostamente, estas diferenças parecem indicar níveis de dominação social. Os mais extrovertidos (foi descoberto que os conservadores tendem a ser mais extrovertidos do que os liberais) são mais confiantes e olham menos para o chão e mais para as pessoas. Eu não sei em que condições que essa pesquisa foi realizada mas eu acredito que o rigor na avaliação dessas diferenças que parecem sutis, é fundamental, visto que o risco de resultados equivocados é muito alto.

Partindo da ideia de que muitos esquerdistas ”neurotípicos”, sejam ou estejam ”dentro do” espectro autista ou do espectro da neurodiversidade, muita mais do que os (socialmente) conservadores, então a suposta nano-timidez não-verbal não se baseará na timidez em si, no medo ou vergonha de olhar para as outras pessoas, mas especialmente porque pode ser que muitos de nós, socialmente liberais, compartilhemos várias características fisiológicas que se aglomeram em grande proporção entre os autistas e entre os ”neurodiversos” em geral, como deformidades no esqueleto. Cesare Lombroso descobriu entre as mentes brilhantes que analisou, que muitos de seus donos compartilharam o estranho defeito fisiológico da desproporcionalidade de tamanho nas pernas. Muitos genios europeus famosos até o século XIX, eram mancos.

No neuropolitics, também foi encontrado que os socialmente liberais tenderiam a sofrer mais de fadiga cronica do que os conservadores. Querem saber mais** Eu acho que sofro, não sei se cronica, mas de uma preguiça que se ”assemelha” em grandeza aquela que ”acomete” a população de Salvador. E mais, eu acredito que minha fadiga, preguiça, se de justamente por causa das minhas idiossincrasias nos membros inferiores, rs.

Portanto, a minha proposta aqui é a de sugerir que uma tendencia para defeitos fisiológicos, podem ter um papel mais importante para explicar porque eu e muitos outros socialmente liberais andem olhando para o chão. Se minha perna esquerda é ligeiramente maior que a direita e isso me faz mais naturalmente desequilibrado então eu vou tender a olhar mais para o chão, para evitar quedas. Eu sou pró-social e se as pessoas fossem educadas e empáticas, eu seria bastante popular. Mas a maior parte da população, ao menos neste Brasil varonil, são retardadas (também) nestes dois aspectos.

Face de Jesus na árvore

Eu estou andando em uma rua lotada de pessoas e olhando mais para o chão, obviamente para não tropeçar e bancar o debiloide. Só que meu cérebro que é bem ‘‘ixxxperto” poderá interpretar isso como ”timidez” e a partir daí, eu vou começar a internalizar que eu olho para o chão porque eu tenho medo ou vergonha de encarar as pessoas, mas eu não tenho medo de encará-las, porque sou eu que quase sempre tomo a iniciativa. Eu sou tímido para interagir a longo prazo com as pessoas, porque não gosto de laços fracos ou subjetivos de amizade, isso não significa que eu sinta medo ou vergonha delas. E em um ambiente com muita informação para ser digerida, aquela que mais parecerá plausível a primeira vista é que tenderá a dominar o pensamento.

Outra possibilidade, um complemento para explicar este nano-hábito que é mais comum em socialmente liberais. Autismo tende a se relacionar com defeitos na espinha dorsal. O aumento ou a complexidade da inteligencia é uma caixinha de surpresas não acham** Tudo em excesso é ruim, inclusive a inteligencia. A distribuição prometeiana de traços aos seres humanos, a nível individual, nos mostra que quando há um excesso de inteligencia ou criatividade, haverá uma tendencia para ter escassez em alguma outra parte e como evoluímos de populações muito menores, então a herança de uma maior inteligencia ou criatividade também significará um aumento de um leque de vulnerabilidades muito mais antigas do que nossos tataravos.

Talvez, voce nem seja tão tímido assim como pensa. Voce é apenas uma pessoa com a espinha dorsal torta ou com  uma perna maior que a outra que o torna naturalmente desajeitado e faz com que seu cérebro complexo interprete esses defeitos como algo que se relacione com a sua personalidade, uma correlação falsa, visto que o problema não é a sua essencia mas o seu medo constante de não tropeçar entre as pernas e bancar o bobo. Algumas das culturas individuais de interação que o ser humano pode criar e alimentar, podem ser muito dolorosas. Eh necessário prestar atenção neste tipo de coisa.

Outro aspecto interessante. Talvez a fobia social em autistas, também possa ser o resultado de uma internalização constante e acumulativa de proto-pseudo-percepções em que defeitos ou dificuldades de natureza fisiológica, são interpretadas como problemas emocionais. Mas parece evidente que o problema autista e daqueles que compartilham muitas similaridades não tem sua origem neles porque muitas vezes… o problema ”serão” os outros. Em muitas, mas não em todas as vezes. Pessoas complexas exigem interpretações complexas.

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