Criatividade, superdotação e transtornos mentais se sobrepõe dentro das famílias. Relato pessoal e a hipótese da hereditariedade para maior inteligencia e criatividade

Na minha família por parte de mãe, existem dois casos conhecidos de transtorno mental, meu tio que foi diagnosticado como bipolar e com tendencias psicóticas (sim, eu gosto dele, mas também tenho medo… :-[] ) e sua irmã, minha tia, que cometeu suicídio (ou não) em 2009, depois de ter se tornado extremamente deprimida. Os dois sempre padeceram de fobia social, raramente saíam de casa (e meu tio continua a viver em um estado de quase-isolamento) e não chegaram a casar e a constituir famílias. Eu tenho a impressão de que personalidades extremas sejam mais comuns na minha família materna, do que ‘apenas’ estes dois casos. Por exemplo, eu tenho um outro tio que raramente visitou a minha avó antes do seu falecimento, em 2012. Frieza** E percebam que ele morava e ainda mora na cidade ao lado… Também me lembro de ter conhecido primos meio loucos, em minha infancia, dos tipos que encarnam o simbolismo da juventude transviada, imortalizada por James Dean.

Minha avó não foi a mulher mais inteligente do mundo, mas tinha muitas qualidades maravilhosas, como acontece com grande frequencia com os seres humanos (que o HBD, que só dá valor a inteligencia, não leia este texto). Casos de avistamento de óvnis também já me foram relatados com frequencia por meus parentes maternos, inclusive a minha avó já relatou casos de supostas aparições, que foram compartilhadas pelo meu avo. Meu avo me parece ter sido um homem muito inteligente, não foi um genio, mas com certeza que não foi qualquer Zé que abunda no interior deste país varonil. Predisposições para este tipo de fantasia, como voces devem ter constatado, não é apenas uma particularidade potencialmente equivocada de meus parentes com personalidades extremas e mais especificamente, do meu tio psicótico-bipolar, mas também é ou foi uma tendencia comum em relação aos meus parentes saudáveis.

Quanto a minha tia que cometeu suicídio, recentemente, eu fiquei sabendo de boatos quanto a sua sexualidade. Uma prima minha me disse que ela poderia ter sido lésbica. Eu tenho visto uma clara relação entre transtornos mentais, desvios naturais de sexualidade normativa e inteligencia ou criatividade correndo paralelamente ou não dentro de famílias que eu conheço. Eu já conheci mais de uma família, incluindo a minha, onde estas 3 tendencias se fazem presentes.

Na família de meus vizinhos de rua, onde Mal de Alzheimer, inteligencia que se expressa em maiores ganhos financeiros e desvios naturais sexuais encontram-se presentes. A família de uma amiga em que a mesma situação acontece, com a diferença que o seu filho é um tipo de superdotado de alto empreendedor (com certeza um qi acima de 110… e não duvidaria se pontuasse em torno de 120). E este rapaz também apresenta inclinações naturais para talento musical e é um questionador dos problemas da sociedade brasileira.

A família de uma prima por parte de pai, onde a mesma relação foi encontrada, mas menos ”aberrante” do que nos casos anteriores e com a diferença na manifestação da personalidade extrema (meu primo de segundo grau apresenta deficiencia mental). O marido desta minha prima é um  músico talentoso e recentemente, todos da família se tornaram vegetarianos ou veganos. E eles não parecem ter apenas uma filha superdotada, mas duas.

O filme ”O primeiro amor” de 2010, de Rob Reiner (huuuuuum…), nos mostra que as ”nossas” elites ”socialistas” ou ”liberais” (jargão anglo saxão) não são assim tão inocentes e sinceramente equivocadas sobre a natureza humana tal como muitos neoconservadores acreditam. Neste filme, a família do rapaz é tipicamente conservadora, de elevada inteligencia técnica, tem apresso pelo perfeccionismo da aparencia social, tem ganhos monetários acima da média que os fazem relativamente abastados e apresentam um estilo de interação de longo prazo tipicamente conservadores, o famoso macro telequete humano. A família da garota é composta por um autista funcional de baixo funcionamento, irmãos com talento musical, um pai pintor e com problemas financeiros e a própria garota, que é uma superdotada idealista que luta para manter viva a árvore frondosa que enfeita e interage com a sua casa.

Da personalidade extrema ao equilíbrio…

Como eu já falei algumas vezes aqui, podem me tirar tudo, menos a minha imaginação. Eu sempre fui imaginativo e esta imaginação sempre foi constante, de alta qualidade e controlável. A mesma sorte não teve meu tio que assim como eu, parece ter um pé no mundo real e outro no seu mundo imaginado. A principal diferença entre ele e eu é que eu tenho total consciencia do que é real e do que não é. Ainda que meu tio seja um caso para ser estudado com mais afinco, me parece que ele tem uma tendencia de dissociação entre o mundo real e o mundo imaginário que desenvolveu. As nossas razões para forjar mundos imaginados parecem se assemelhar. A fuga do mundo, da realidade que parece pesada demais. Mas enquanto que eu uso esta minha capacidade para me adaptar, adaptar a mim mesmo ao mundo que me cerca, ou seja, protegendo a fragilidade de minha alma em relação aos muitos espinhos que se encontram do lado de fora, ela usa a sua capacidade na tentativa de convencer as pessoas de que seu mundo seja tão ou mais real que a própria realidade. Por agora, ele tem inventado namoradas, sendo que uma delas é na verdade uma atriz britanica de hollywood que jamais teria qualquer contato com ele, ao menos se fosse um Carlos Slim com esteróides monetários. Meu tio encarna perfeitamente a ideia de mattoide que Cesare Lombroso pincelou. Seu estado constante de nervosismo, sua mímica perfeita, seu carisma exagerado, sua constante tentativa de unir a sua fantasia particular com o mundo real e a dissociação que não se faz apenas em termos de percepções da realidade mas também em termos morais, tornando-o extremamente prolífico na tarefa de inventar estórias e de tentar iludir o máximo possível de pessoas. Ainda que o tópico psicopatia ou dentro do espectro da personalidade anti-social já me tenha vindo a cabeça, eu começo a pensar que talvez, a sua dissociação com a realidade possa ter um efeito mais causal em relação a sua dissociação moral.

Tal como foi mostrado por Francis Galton, famílias onde os alelos para maior inteligencia abundam, também parecem sofrer de outras vulnerabilidades objetivas como as personalidades extremas e subjetivas como os desvios naturais de sexualidade. A partir deste achado, podemos inferir em como se daria a hereditariedade para excepcionalidade cognitiva…

Famílias com muitas pessoas inteligentes ou criativas (especialmente), tem maiores chances de também terem pessoas com personalidades extremas

Os genes que predispõe o meu tio para o seu transtorno mental, estão presentes em menor porcentagem em mim e podem estar tendo um papel na maior inteligencia verbal da minha mãe. A minha família direta também se destaca no quesito criatividade, onde todos tem ao menos alguma manifestação de talento criativo. A criatividade, principalmente a do tipo que pode ser usada no cotidiano, a apreensão por detalhes que as outras pessoas geralmente ignoram, está presente em meu pai, minha mãe e meus dois irmãos, só que eu pareço ser o único que gosta de analisar essas idiossincrasias, de fazer auto análise bem como a análise dos demais…

Já foi demonstrado que os mesmos genes que aumentam nossa inteligencia, podem nos fazer vulneráveis a personalidades extremas. Eu já comentei que as mesmas seriam como ”traços-estirão”, que tal como o garoto de 12 anos que acabou de esticar  e se encontra na fase de adaptação ao seu  novo corpo, situação parecida acontece com as pessoas acometidas por essas personalidades, mas que não será apenas uma fase transitória. O excesso de detalhes sensoriais entre os autistas, o excesso de energia e capacidade de combinações de ideias a partir de um igual excesso de percepções ambientais entre os tdah ou mesmo, as tendencias de irregularidades emocionais, que produzem incomuns percepções entre todos aqueles com potencial e condições extremas para produzi-las.

O excesso de imaginação em alguns, pode se encontrar mais parcimonioso em outros, dentro da mesma família, e a doença mental ou constante tentativa de auto controle cognitivo do irmão, pode se manifestar por meio da superdotação no outro. Uma espécie de ”anemia falciforme”, com a diferença na natureza polimórfica, tanto da inteligencia quanto da criatividade, uma forma de inteligencia.

Portanto, as famílias com grande proporção de pessoas muito inteligentes, podem ser muito mais vulneráveis a esta diversidade de variáveis fenotípicas do que aquelas onde existem mais neurotípicos e talvez, estes genes polimórficos, possam ter um papel no aumento da hereditariedade, especialmente da criatividade, do que em condições biológicas em que não existe uma constante presença deste grupo.

Tags:, , , , , , , ,

Sobre santoculto

Email ataudecinzento@gmail.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

De:RefémdoDrDeus Para:Deprimente mundo Assunto:Denúncia de maus-tratos a pensadores

...e Deus criou a Ângela,desapontado com a nossa Eva.Apresento-vos o meu "disco rígido" ...

Castro456's Blog

O medo do nada

Delusions of Adequacy

And You Thought You Might Have Had Delusions of Grandeur

PARTO DE IDÉIAS

"Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância." Sócrates.

Pensar Novo

"Saber que você precisa mudar não é suficiente. Você precisa ter a coragem de fazer esta mudança." Robert Kyosaki

Mind Hacks

Neuroscience and psychology news and views.

Inside Perspectives

of Asperger Syndrome and the Neurodiversity Spectrum

Agoraphobia Subliminal Hypnosis

Come out of the woods, the dark, come into the light. As a recovered agoraphobic, I've designed these audios over many years in order to help you. Charles K. Bunch, Ph.D.

Antimidia Blog

Textos sem sentido, para leituras sem atenção, direcionados às pessoas sem nada para fazer.

REBLOGADOR

compartilhamento, humanismo, expressividade, realismo, resistência...

%d blogueiros gostam disto: