A necessidade de uma nova abordagem filosófica à inteligência e criatividade

Se continuarmos a deixar que os mecanicistas se perpetuem no completo domínio da (real) ciencia cognitiva, então caminharemos para a destruição de tudo aquilo de positivo que faz da humanidade uma entidade biológica tão única e diversa.

O ser humano não é apenas uma máquina organica que interage com o meio em que está com base em ação e reação puramente instintiva. A autoconsciencia é nossa capacidade de auto projeção para o meio de interação, dando-lhe simbolismos existenciais ou de vivencia. A trajetória de indivíduos, mesmo dos mais conformistas, serão únicas mediante a complexidade de nossos ambientes mas principalmente de nossas percepções inatas, de como que as interpretamos. Tudo aquilo que gostamos se torna parte de nós e expressará parte de nossas personalidades, de nossas almas. E portanto, serão extensões de nossa forma física e organica, materializadas ou abstratizadas, idealizadas a longo prazo.

Existe uma grande necessidade para a manutenção e sofisticação deste tipo de análise dentro das ciencias humanas menos abstratas, visto que com  o avanço da tecnologia bem como de supostas certezas que nela estão embutidas, a possibilidade de que as múltiplas perspectivas mas especialmente, aquelas que se baseiam na análise emotiva e interativa, possam ser excluídas de diagnósticos psiquiátricos, cotidianos e interpretações científicas, se tornará cada vez mais real e perigosa.

 

Inteligencia e suas 3 idades

 

Contextualidade, diversidade e complexidade

 

Contextualidade

 

A inteligencia é contextual, porque os ambientes antropomorfizados que são construídos pelos seres humanos, tendem a postular por parametros gerais de meritocracia e de organização hierárquica da sociedade, com base na seleção adaptativa que quase sempre será unilateral em sua natureza, isto é, promove a melhor adaptação de uns em detrimento de outros. Portanto, diferentes ambientes, exigem diferentes habilidades de diferentes níveis qualitativos e quantitativos. Como as sociedades humanas, mesmo as mais ”avançadas”, estão bem longe de serem perfeitas, então a percepção de contextualidade ou subjetividade de favorecimento, se torna ainda mais significativa.

Estas falhas graves e estúpidas que permanecem a monopolizar as vidas humanas, produzem conflitos, aumentando a diversidade, positiva e negativa, de percepções e de experimentações. Os problemas humanos funcionam pseudo-logicamente como complementos para o vazio existencial que predomina sem a cultura e tudo aquilo que a envolve. Mediante uma perspectiva científica, os atropelos macro-administrativos e organizacionais humanos tem como resultado o direcionamento enfatizado para um determinado caminho coletivo transcendental. No entanto, quase toda a evolução, por se basear-se na predominancia da inconsciencia coletiva, tende a produzir toda a sorte de conflitos, mazelas e desigualdades mortíferas. A adaptação é caótica porque tende a ser inconsciente. O ambiente muda, mudam as técnicas de adaptação e muitos perecerão durante e depois da fase transitória. São excessos de um mundo dinamico que não é capaz de se organizar perfeitamente, metafórica e hiper-transcendentalmente falando, a busca por Deus. Em uma sociedade onde o básico da convivencia e da comunhão se encontra em estado de desenvolvimento deplorável, poucos serão aqueles que buscarão por essas verdades profundas, bem como no sentido de organizar a cultura com base no realismo existencialista e posterior humildade objetiva.

Portanto, as falhas nas estruturas sociais, funcionam como potencialidade para a exploração existencial-filosófica, assim como também para o melhor entendimento do porque de tantos estúpidos ocuparem lugar de destaque e de serem tratados de maneira completamente desmedida. Em relação a inteligencia mediante uma perspectiva técnica, a aparencia de sua funcionalidade em um cenário contextual, apesar de não ser completamente baseado apenas na aparencia, muitas vezes, deverá ser negativamente enfatizada, porque ao ”construirmos” nossas sociedades a partir de uma unilateralidade cognitivo-meritocrática (provas de múltipla escolha para concursos públicos ao invés de uma avaliação prática e portanto objetiva, por exemplo), tenderemos a complicar o avanço objetivo, holístico e realista de uma investigação empiricista sobre a diversidade cognitiva se a maior parte das pessoas estão em profissões que não expressam suas predisposições inatas (A escravidão que prepondera em contraste a técnica de auto-conservação moderna).

 

Diversidade 

 

Justamente por sermos uma espécie muito variada, que também teremos mentes cognitivamente variadas, por obviedade. Em uma sociedade meritocraticamente justa, todos os tipos de mentes cooperativas seriam valorizados. Deveria ser óbvio a se observar e constatar para as mentes mecanicistas sobre a diversidade cognitiva humana, mas eu tenho a impressão de que muitos deles estão realmente iludidos sobre a suposta perfeição dos testes cognitivos, afinal de contas, eles  devem pensam

”Isso funcionou pra mim.”

Exatamente. A empatia parcial que eu tenho falado aqui, a ideia de auto projeção e não na tentativa de diálogos de mentes. Nos colocamos no lugar do outro sem tentar entende-lo. Os mecanicistas não podem entender porque muitas pessoas não são bem sucedidas como eles. Então, eles, pseudo-parcial-empaticamente, se colocarão no lugar destas pessoas, se auto projetando. A educação se baseia nisso. A educação e por conseguinte, a cultura, se baseiam na transmissão vertical de conhecimento e de regras. Aquilo que deu certo pra mim, pode ou ”vai dar” certo pra ti.

Mas isso não é factual e nos mostra que esta crença se encontra redondamente equivocada.

A diversidade cognitiva humana é real e se não há qualquer análise que busque enfatizá-la, então não haverá uma real investigação quanto a inteligencia, mas apenas em relação a parte dela, que é o que está acontecendo, especialmente, dentro da psicometria.

 

Complexidade

 

Os seres humanos são individualmente mais complexos do que os outros animais e isso explica em parte a nossa autoconsciencia mais aflorada. Os ambientes criados ”por nós”, também se caracterizam pela complexidade de atritos, de situações únicas e de complementos ou harmonias percebidas. Nossa percepção ou nossa técnica de entendimento da realidade, aumenta ainda mais a complexidade, porque tenderemos, inconsciente a conscientemente, a interpretar um contínuo de vivencias únicas e ou que serão percebidas como tal.

A diversidade cognitiva não se dá apenas mediante caráter demográfico, mas também a partir de nível individual e se podemos dar simbolismos a nossas vivencias, de maneira única e poderosa, então, isto pode ser reverberado como uma condensação de fatores de diversas ordens que influenciam em nossas interações com o meio em que estamos ou no qual somos subjugados, bem como pela maneira com que expressamos ou não estas predisposições.

Um exemplo sobre a singularidade da existencia humana se dá por meio das ideias. Eu por exemplo, tive uma ideia hoje de manhã, que pode ajudar a desbaratar ainda mais as nuvens de chuva forte que ameaçam cair em cima da bio-diversidade comportamental e sexual humanas. Eu tive uma ideia que é muito provável que poderia não ter mais em nenhum outro momento, se a capacidade intuitiva e portanto proto-inconsciente é predominantemente caótica (ainda que dependa de fixação mental anterior e ideação constante). A singularidade da mente humana e sua auto projeção ao seu meio, promoverá muitos destes momentos únicos. Se não fosse pelo smartphone que uso para caminhar, eu poderia ter me esquecido desta ideia. Claro que a possibilidade hipotética de ter ideias únicas ou aparentam ser desta natureza, variará justamente a partir do seu grau de singularidade. No entanto, não parecem restar dúvidas que a capacidade de produzir auto percepções  é rara em um mundo onde o instinto domina.

 

Criatividade

 

Enquanto um termo vago (porque é complexo, diverso e contextual), a inteligencia pode ser enfatizada sob qualquer perspectiva. Os mecanicistas se aproveitam de seu domínio sobre as sociedades humanas (e em partes, nos ajuda a explicar a falta de empatia que predominam nas mesmas) via tecnologia e ciencia, para racionalizarem unilateralmente sobre a inteligencia dando-lhe a enfatização que melhor lhe apetecem.

O mesmo pode ser dito sobre a criatividade e com o agravante de que as mentes mecanicistas tendem a ter pouca capacidade de compreensão deste fenomeno porque tem pouco dela em si mesmas. Como eu e muitos outros tem falado, o autoconhecimento é uma maneira muito relevante e interessante para ser usado como complemento, secundário-a-primário, sobre o assunto que se queira desenvolver. E como estamos falando da ciencia que estuda o homem e seu comportamento, então não restam dúvidas quanto a necessidade deste conhecimento, que sob o domínio de uma mente objetiva, holística e (portanto) perspicaz, poderá nos dar grandes contribuições… se quase todas as grandes contribuições anteriores se fizeram exatamente deste jeito, especialmente em seu princípio essencial.

A criatividade é ainda mais filosófica em sua raiz e em seu potencial de análise existencial (do que apenas científica) por causa da correlação indiretamente constante entre a sua manifestação e um estado pré a predominantemente mórbido, demonstrando que ao contrário do mundo lógico, perfeito e reto com uma régua, tal como os mecanicistas tendem a acreditar, a manifestação e a simbologia da fenomenologia comportamental humana e especialmente, aquelas que são mais humanas em sua raiz, estão longe de serem apenas a interação mecanica entre biologia e meio. O que também é bastante paradoxal para ser plenamente compreendido por estes tipos (obviamente que não todos eles), é que a forma mais poderosa de manifestação da mente humana, a sua criatividade, tenda a se manifestar também por causa de condições pré a predominantemente mórbidas. Em outras palavras, a lógica parcial, ”traços superiores e saúde se correlacionam” não se sustentam, se muitas vezes ou na maioria delas, será justamente a combinação entre extremos positivos e negativos que produzirá a amplidão das potencialidades cognitivas humanas.

 

A filosofia a partir de um parametro realista, objetivo e utilitário, isto é, que enfatiza por ”resultados”, aparece como uma possibilidade urgente, na tentativa de analisar todos os meandros que produzem a fiação de interações e conflitos que por sua vez, se consistem as nossas sociedades.

Mentes filosóficas mais objetivas, parecem perfeitas para esta tarefa. Não desprezo o papel da ciencia bem como de perspectivas mecanicistas, mas elas são frias demais e esta frieza não resulta em uma real racionalidade de investigações e conclusões, mas justamente na enfatização tendenciosa de se praticar empatia parcial, vendo o mundo através do próprio umbigo e não a partir dele.

O mundo é, superficial-racionalmente falando, feito por retas e de curvas, assim como também pelas zonas de transição entre ambos. Os mecanicistas enfatizam em excesso as retas, enquanto que as mentes filosóficas dão enfase exacerbada as curvas. Estão parcialmente certos, mas a partir de uma necessidade de análise holística, estarão equivocados.

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