Inteligencia humana só poderá ser plenamente medida por meio de análise individual e a comparação kanazawana sobre a balança de peso e qi

 

Indivíduos são multidimensionais e suas inteligencias também (qualquer forma de vida, diga-se)

 

Eu cansei de ler em blogues hbd que ”os testes de qi são muito precisos a nível coletivo, mas pouco a nível individual”. Se é verdade que a generalização superficial e mecanicista dos testes os tornem não muito precisos para mensurar a capacidade cognitiva em indivíduos, então  devemos pensar em como que poderíamos mensurar a capacidade humana a partir desta perspectiva. Me parece o óbvio a se fazer. A busca pela análise holística e correta da inteligencia a nível pessoal.

A inteligencia, tal como a verdade, é uma realidade abstrata em seu conceito e em suas considerações iniciais e portanto, também se manifestará a partir de uma complexidade de variáveis entendíveis.

Os testes cognitivos seguem os mesmos passos que a ciencia humana, ou seja, o descarte de um ”excesso” de teorias e a busca por uma espécie de objetividade empiricista baseada em escolhas unilaterais. A desconexão entre mundo real e mundo abstrato-estatístico, aparece como um agravante para o caso da análise sobre a inteligencia humana, visto que tornou-se muito comum julgar resultados do que pessoas. Ainda há outro problema que torna esta especialidade da psicologia, mais patética do que o esperado porque muitos daqueles que exibem motivação intrínseca para o estudo da inteligencia, tenderão a serem providos de egos flácidos. Não há um problema no narcisismo. Há um problema e grave quando o narcisismo é usado para promover mesmo que inconscientemente, agendas pessoais.

Eu já falei que tendemos a projetar nossas mentes ou cultura neurológica em tudo aquilo que interagimos, da escala nano para a escala macro, de curtíssimo a longuíssimo prazo. Matemáticos psicometristas, dos mais interessados no ramo da psicologia cognitiva, acreditam unilateralmente na perfeição dos testes cognitivos, porque estes testes foram e são desenhados por eles. Eh como se um engenheiro determinasse o conceito e as características da inteligencia humana mediante a sua própria perspectiva mental-laboral para o professor de história, o jardineiro e o repórter.

Ainda que os testes de qi assim como também outros tipos de testes psicométricos, apresentem muitas falhas, há de se dar o valor certo que merece e este se fará de acordo com a sua abrangencia. Os testes de qi partem de uma abordagem que se baseia na tentativa de neutralidade mecanica para a detecção da diversidade ou variação quantitativa intelectual humana.

Como eu já alertei muitas vezes aqui, a crença unilateral na fiabilidade perfeita dos testes de qi está firmada nos seguintes pressupostos

– Distribuição linear e quantitativa de capacidade intelectual a partir dos resultados dos testes. Fulano A ”com” qi 140 ”é mais inteligente” que Fulano B ”de” qi 120 enquanto que o mais certo seria

”Fulano A ”com” qi 140 PODE SER mais inteligente (verbal* espacial* matemático* memória de longo prazo* memória de curto prazo* raciocínio**…) do que o Fulano B ”de” qi 120”.

– O resultado dos testes é uma demonstração empírica, abrangente e realista de todas as nuances do intelecto daqueles que foram analisados.

– Todos aqueles ”com” qi acima de 130 (ou 120) são ”genios” (ou) superdotados.

– As pessoas ”mais inteligentes”, ”de” qi maior, serão mais propensas a acertarem mais em suas escolhas e pensamentos do que aqueles com ”menor qi”. Mas não parece ser a plena verdade dos fatos.

 

 

Testes cognitivos foram criados para detectar crianças com deficiencia mental e a metáfora da balança do peso

 

Testes cognitivos são quase tão bons para mensurar inteligencia quanto a balança é para medir nosso peso. No entanto, o peso de nossa inteligencia não se restringe ao seu ”tamanho”, da mesma maneira que o nosso peso corporal não se restringe ao seu valor quantitativo geral. Pessoas com o mesmo peso mas com biótipos, saúde e níveis de agilidade motora diferentes, apresentarão resultados diferentes em relação a panaceia de atividades físicas que praticamos em nossos cotidianos. Vários outros fatores como a velocidade do metabolismo e mesmo, o nível de impulsividade comportamental, também apresentam importante influencia no nosso peso. Portanto, o valor quantitativo de nosso peso na balança, é um resumo ”grosseiro”, porém parcialmente elucidativo sobre esta significativa característica do corpo humano. Também não podemos esquecer dos (verdadeiros) fatores ambientais como mudança de atitude quanto a alimentação, a prática de exercícios físicos ou o inverso como variáveis que influenciam em nossa saúde.

A comparação entre a balança de peso e os testes cognitivos foi realizada inicialmente, ao menos ao meu ver, por intermédio do psicólogo japones Satoshi Kanazawa, que eu tenho citado e refutado aqui no blogue. Da mesma maneira que podemos validar os testes cognitivos por meio desta analogia, também podemos criticá-los através desta mesma comparação e não há nada de errado com isso. A intenção não é invalidar este tipo de mensuração extremamente popular dentro da psicometria, mas enriquece-la, apontando os seus erros e buscando por melhorias especialmente na interpretação dos resultados.

Se fossemos como robos, então, talvez fosse possível constatar  que os testes cognitivos apresentam grande fiabilidade de mensuração, mas não somos e os fatores ambientais são muito importantes para que possamos analisar a população (e os indivíduos, especialmente) de maneira correta, sem deixar pontos sem nó. Eu não estou dizendo que os fatores ambientais possam alterar o núcleo, a essencia de uma pessoa, ao menos se algo muito sério acontecer como fratura cerebral ou alguma doença neuro-infecciosa. Mesmo nessas situações, não devemos prejulgá-las de maneira determinista. Eu estou dizendo que fatores ambientais são importantes porque influenciam na externalização de talentos. Se para muitos, o que diferencia o genio em relação ao inteligente seriam as suas realizações, então por meio desta perspectiva, devemos levar em consideração as influencias externas que podem alavancar um talento inato ou mante-lo no anonimato.

A inteligencia genotípica é praticamente inalterável, mas podemos e geralmente produzimos a partir dela, nosso legado, nossa construção axionomica de fatos, nossa cultura neurológica, que é um bio-produto de nossas interações com o meio, em outras palavras, a inteligencia fenotípica. Vou falar em um próximo texto, a ideia de que a manifestação do genio também tende a se basear na tentativa de adaptação nas sociedades humanas, se aqueles que estão cercados por um ambiente que não se comunica perfeitamente com as suas respectivas mentes, tenderão a lutar contra este estado de coisas, a lei da ação e reação.

 

Testes para mensurar a falta de inteligencia e não, necessariamente, o excesso ou a plenitude dela 

 

Inicialmente, os testes cognitivos foram criados para mensurar deficiencia intelectual. Logicamente falando, por meio da lógica intuitiva, presume-se que quanto maior a inteligencia, mais complexa ela será. No entanto, é complicado atribuir o tamanho da inteligencia como a única variável a ser comparada, se no final das contas, a diversidade cognitiva será grande e a capacidade intelectual será melhor acessada a partir de várias perspectivas e não apenas por meio de alguns parametros.

Portanto, a análise de componentes básicos da inteligencia humana, podem não ser aptos para capturar com precisão a complexidade de um intelecto complexo. Os testes cognitivos são a reverberação de um subgrupo cognitivo de pessoas que determinaram unilateralmente o conceito e a prática da inteligencia. Ainda que muitos resultados relevantes tenham sido encontrados, o inteligente, assim como também todos os demais tipos cognitivos humanos, não se farão apenas com base em resultados neutros, mas também em todos os aspectos da vida, na interação, na percepção, na construção pessoal de códigos morais, paradigmas e paradoxos (desafios**), etc… Como eu tenho falado muitas vezes aqui, a inteligencia mensurada pela psicometria, será técnica, ”utilitária” e inerte.

 

Técnica porque mensura especialidades de igual natureza,

Utilitária porque mensura capacidades que são exigidas dentro das desiguais e injustas sociedades humanas,

e inerte porque mensura parte da inteligencia a partir de um cenário de inércia. Aí cabe a pergunta

 

Será que aqueles que pontuaram mais alto nos testes, reverberarão com fidedignidade esta ”superioridade” em suas vidas pessoais, em seus cotidianos**

 

Se os testes psicométricos tendem a ser baseados em perspectivas unilaterais ou que foram desenvolvidas a partir da perspectiva cognitiva de um determinado grupo de pessoas, então não parece haver qualquer problema em fazer o mesmo jogo e pensar em novos parametros para estabelecer a linearidade ou distribuição da inteligencia, só que com base em múltiplas perspectivas. A arbitrariedade dos parametros que tenho sugerido será menos intensa e injusta em comparação aquela que acompanha a psicometria ‘moderna’, porque além de considerar os achados (que no entanto serão reinterpretados) da mesma, também se baseará na neutralidade analítica a partir da lógica intuitiva da autoconsciencia como o diferenciador-mor da inteligencia humana, o conceito-mãe, a característica definidora da ”humanidade”.

A neutralização mecanica de componentes culturais dos primeiros testes cognitivos foi uma boa tentativa para tentar mensurar e capturar plenamente a inteligencia humana (e não-humana também). Mas o problema é que somos seres sociais e a partir deste contexto, deveria-se pensar se a empatia cognitiva ( ou sabedoria**) também poderia ser um objeto importante de análise, porque contextualmente falando, aquele que destrói o ambiente em que vive, causa caos e conflitos, aparecerá como uma pessoa ou ser estúpido, se dependemos uns dos outros, se caminhamos para a cooperação, se o próprio universo não possa ser considerado como uma grande força de cooperação. Nós não temos os planetas competindo e se destruindo mutuamente. Portanto o componente ”empatia” aparece como um supremo divisor de águas se a necessidade fundamental da existencia mais evoluída se dá com base na cooperação e não na competição ou no atrito desnecessário. Atritos desnecessários causam destruição e desequilíbrio.

Pelo fato de mensurar o básico da inteligencia em estado estático (e não em interação ou ação), os testes psicométricos terminam por serem apenas bons medidores. Mas a inteligencia, assim como tudo que existe neste mundo, não se restringe apenas sua superfície. Podemos comparar o psicometrista fetichista de qi como um ”religioso” que se ‘contenta’ com as verdades absolutas da bíblia, que não está mais preocupado em sofisticar e ampliar o conhecimento.

 

O genio é um desvio proto-patológico ou uma evolução gradual e natural da inteligencia humana** Novamente o embate sobre a evolução cognitiva humana

A gota de álcool no sangue de Bernard Marx.

 

Os eugenistas conservadores e seus afiliados acreditam que com o aumento da inteligencia humana, saúde e criatividade seguirão a mesma tendencia. No entanto, ao menos no contexto evolutivo-seletivo de agora, pode-se dizer que a criatividade humana equivaleria a anemia falciforme, que afeta muitos milhões de africanos subsaarianos e seus descendentes. Ou seja, em doses heterozigotas, ambas tenderão a serem muito vantajosas, mas todo polimorfismo carrega consigo as desvantagens que estarão muito mais presentes em portadores homozigotos.

Se o genio é a combinação de grande inteligencia e de grande criatividade, especialmente o genio criativo clássico e o genio científico, então esperaremos que mediante estes excessos de excepcionalidades, muitos riscos de ”defeitos” aparecerão tal como acontece com o polimorfismo da criatividade e da anemia falciforme. Máquinas mais complexas são mais vulneráveis a erros e os genios são seres humanos muito complexos. E mais do que isso, porque se o genio, se nós em geral, não somos apenas a replicação exterior de nossas características cerebrais, hormonais e fisiológicas, mas também a manipulação alegórica original ou não das múltiplas percepções e interações que compõem nossas existencias, então talvez mesmo a doença, pode ter um papel importante para a genialidade. Basta vermos a quantidade de nomes famosos que padeceram de alguma doença, mental ou fisiológica. Mesmo que a tuberculose por exemplo, não tenha uma relação direta na promoção de algum fenótipo cognitivo espetacular (e é provável que não tenha, ainda que possa se relacionar com a panaceia de custos que podem acompanhá-lo), ela pode ter um papel na promoção da intensidade perceptiva do genio ou autoconsciencia, se nos tornamos mais alertas quando sentimos que temos algo de errado em nós.

Eu gostaria que o mundo fosse fácil e lógico tal como muitos neoconservadores eugenistas imaginam, mas é possível que a interpretação mais filosófica da existencia fragilizada pela doença, possa ter um papel importante para a genialidade que não é apenas a inteligencia, mas a fenomenologia da inteligencia.

A brilhante metáfora da gota de álcool no sangue de Bernard Marx, por meio da excepcional obra de Aldous Huxley, nos mostra o ”desequilíbrio” do sistema mente-corpo, pode ter um forte papel na construção biológica de fenótipos extremamente raros e portanto originais, como as dos genios.

 

 

Portanto não bastam as análises técnicas da psicometria para entender a inteligencia humana….

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