Admirável Mundo Novo e o Real Mundo Velho das diferenças qualitativas de intelecto

A anormalidade do genio dentre outros virtuosos…

Acabei de ler o clássico (e muy estranho) livro ”Admirável Mundo Novo”. A retórica sobre as estruturas, o esqueleto que sustenta as sociedades humanas parece recorrente na literatura de ”ficção científica”. Tal como na estória do Super Homem e do planeta e civilização fictícios de onde veio, a sociedade proto-distópica do livro, encontra-se organizada de acordo com as características cognitivas mais contundentes de cada subgrupo de indivíduos (estes que são artificialmente ”produzidos”). Eu já comentei diversas vezes aqui que a diversidade cognitiva humana (qualitativa e quantitativa) merece ser identificada e usada como parametro de organização social e economica e que a partir disto, finalmente poderemos buscar pela primazia da existencia coletiva da humanidade. No entanto, como a estupidez é universal entre nós, o risco de que tal sonho desejável e possível de ser executado, possa cair em mãos erradas, é muito grande e na verdade, até mesmo o Santo que vos ”fala”, também poderia cair em tentação acaso não tivesse construído um sistema de pensamento racional baseado na

neutralidade

e na

parcimonia de julgamento, dando enfase a todas as possibilidades lógicas de exceções e de regras

A partir desta simplicidade de axiomas, eu acredito que possa domar meu espírito combativo, dualista e ou primitivo e a pensar na sustentabilidade de um projeto cultural de longo prazo que possa por fim a toda a sorte de cadeia desarmonica de convivencia que se consistem as sociedades humanas.

A captura e categorização dos diferentes tipos humanos bem como por suas posteriores realocações funcionais ou laborais, será um destes métodos na tentativa incansável de primar pela harmonia e enriquecimento subsequente.

Com a popularização cada vez mais profunda da ideologia ou dogmalogia determinista dos testes cognitivos como substitutos conceituais de inteligencia, me vejo na necessidade de espezinhar cada detalhe (ou na tentativa pretensiosa de faze-lo) que possa ser útil na demarcação entre os tipos de alta capacidade intelectual, justamente aqueles que detém um grande poder, uma grande força, capaz de modificar o curso das águas de sociedades inteiras.

Admirável Mundo Novo, por meio de suas subdivisões bem como por sua narrativa e mais especificamente, por seus personagens principais, aparece como um exemplo extremamente elucidativo para mostrar as diferenças reais, palatáveis e potencialmente decisivas entre aqueles que alegremente acreditam que seus intelectos possam caber em resultados estéreis porém empiricistas de inteligencia estática e aqueles que de fato, exibem enorme potencial bem como de uma insaciável curiosidade que não termina quando seus egos são agraciados por caprichos estatísticos, isto é, quando encontram as respostas que queriam e não as respostas que são as mais prováveis de estarem plenamente corretas.

 

Alfas (termites) e Bernard Marx’s (genios e demais tipos de virtuosos)

 

Os termites encontrados e analisados por Lewis Terman ”comprovaram” que mediante uma combinação de características cognitivas positivamente contextuais, que expressam alguns fenótipos muito comuns de alta capacidade intelectual, pode-se afirmar que ”elevada inteligencia” tenderá a se traduzir em uma vida marcada por confortabilidade sócio-economica. Algumas matrix são tão reconfortantes… Imaginemo-los em uma casa de praia em algum paraíso tropical e a necessidade de sair deste ambiente maravilhoso para ajudar os outros que mais precisam, porque o mundo lá fora está longe de ter os mesmos predicados excepcionais*

Claro que não existem desculpas ambientais espetaculares que possam explicar as forças interiores muito poderosas que fazem com que sejamos do que jeito que somos, nossa constancia comportamental.

 

A metáfora do álcool no sangue de Bernard para explicar a excepcionalidade do genio

 

Segundo a estória deste clássico, acredita-se que o comportamento ”anormal” da personagem principal, Bernard Marx, se daria por causa de algumas gotas de álcool que foram erroneamente despejadas em sua placenta high tech, durante a sua concepção artificial. Interessante pensar que este detalhe da estória pareça se relacionar com a natureza epigenética dos superdotados, especialmente dos genios. Bernard Marx se difere da maior parte de seus ”irmãos de classe” por ser mais baixo, magro e por demonstrar pensamento crítico bem como também uma recorrente melancolia.

Enquanto que todos os alfas estão programados para serem lascivos, felizes e completamente acríticos, Bernard e alguns poucos nasceram com algum ”defeito” que os fazem criticar a realidade sob a qual que estão inseridos. A maioria dos alfas e betas desta obra, em nosso mundo real, poderiam ser relacionados a maior parte das ”elites cognitivas”, com boa saúde, igualmente lascivas, inclusive em um mundo mais ”libertino”, tecnicamente inteligentes e com déficits consideráveis de pensamento crítico e como consequencia, de liberdade inata de pensamento (ou potencial criativo*).

A maior parte dos professores, universitários e os de escola pública, a maior parte dos empresários, dos profissionais liberais bem como dos empregados no serviço público, das socialites… pertenceriam a esta categoria de ”gado de alta qualidade”. São inteligentes até o ponto em que podem prover um excelente padrão de vida pra si mesmos e para seus relacionados mais próximos. A partir deste limite, o limite do questionamento e da curiosidade intelectual, a maioria dos nossos ”alfas e betas” do mundo real, passam a renegar os problemas do mundo e quanto mais ricos e bem sucedidos, mais alienados da realidade se tornarão, maior será o apaziguamento em relação a toda a panaceia de conflitos e dor que permeia a humanidade e por tabela, todas as vidas não-humanas que estão em constante contato com nossa espécie.

 

Epigenética e a raridade do genio

 

Muitas características ”negativas” estão presentes no fenótipo dos genios, como eu já mostrei várias vezes aqui, por intermédio da obra de Cesare Lombroso. Transtornos mentais e estar dentro do espectro destas condições, muitas vezes, também terá reverberações no resto do corpo. Como quando algo sai ”errado” ou diferente do que o previsto e ao invés de um alfa bonito, ”sociável” e tecnicamente inteligente, voce tem um rapaz franzino, pálido e melancólico. Dizem que o stress durante a gravidez pode ter como resultado o aumento da vulnerabilidade para ”problemas comportamentais”, mas este parece mais um caso de correlação do que de causalidade direta, visto que mães que são mais ansiosas ou depressivas (que são duas predisposições genéticas) é que estão em maior risco de terem filhos, parecidos com elas… ansiosos e ou depressivos.

Voltando mais uma vez as minhas ideias que se emparelham quase que perfeitamente as mesmas que foram externalizadas por pesquisadores do passado como Otto Weininger, Cesare Lombroso, Arthur Schopenhauer, Aldous Huxley (**) ao contrário da moderna e extremamente simplista concepção de genio, retida a partir dos resultados (que parecem óbvios demais para não serem criticados mais abertamente) dos estudos de Lewis Terman e de outros, há de haver alguma combinação única e potencialmente conflitiva de características fisiológicas (que se expressarão por meio do comportamento, personalidade, psicologia, inteligencia, criatividade e moralidade) para que toda a potencialidade do genio possa se manifestar.

A maior parte daqueles que reconhecemos como ”superdotados”, isto é, aqueles que apresentam excelente a (tecnicamente) excepcional realização escolar e academica e que muito provavelmente pontuarão alto em testes cognitivos, nada mais seriam do que os mantenedores técnicos, muito parecidos com os alfas e betas do clássico literário de Aldous Huxley.

Os genios reais precisam ter muito alta capacidade criativa ou ao menos uma combinação de excepcionalidades. E não é nem um pouco raro que com essas excepcionalidades, uma série de custos fisiológicos também não sejam herdadas. E como muitos pensadores já especularam, a ideia de que graus de doença, possam contribuir para o despertar da autoconsciencia, de fato parece se consistir em um fato biográfico comum na vida de poetas, escritores, filósofos, pintores mas também em (possível) menor proporção, na vida de cientistas.

Portanto, se o genio é uma excepcionalidade individual, única, rara, então não iremos encontrá-lo em testes que generalizam o intelecto, se a variedade mais incomum e poderosa dele não se manifestará a nível coletivo.

A individualidade do genio e de outros virtuosos (especialmente, as variedades de superexcitáveis empáticos) pode ser contemplada em Bernard e em seu amigo Helmholtz Watson. Talvez o que melhor defina e categorize o ser humano virtuoso de qualquer espécie, seja justamente a sua individualidade empática.

 

Epigenética como a rara combinação fenotípica causada por fatores bio-”ambientais’

 

A extrema raridade de um fenótipo ou composição, tende a se dar por causa da raridade da combinação que em condições normais de temperatura e pressão, se auto excluiriam, ou por causa da raridade dos traços para combinação, como a presença de tendencias para a fantasia e para a racionalidade ao mesmo tempo, ambas, bastante raras e que geralmente não ”ornam” com naturalidade supra-mecanica.

As ”máquinas organicas” humanas foram ”desenhadas” para atender as necessidades dualistas, onde que dois objetos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. O genio e as demais variedades de virtudes humanas se destacam quanto as suas raridades justamente porque elementos díspares e raros que geralmente não ocupam o mesmo espaço e ao mesmo tempo, fazem justamente o que parece impossível. E esta inaturalidade parece ser oriunda justamente de mecanismos anormais que tornam possível o que parece impossível, tanto em teoria quanto em prática. A epistasia do genio parece então necessitar de doses homeopáticas a mais severas de irregularidades no funcionamento do sistema mente-corpo, para que o improvável de coexistir, coexista. E a metáfora das ”irregularidades” que produzem os inconformistas no mundo proto-distópico da obra de Huxley, funciona perfeitamente bem para explicar este apanhado de cousas que se relacionam com a etimologia da excepcionalidade intelectual humana. Esta sobreposição de características díspares parece se relacionar com a ”dupla personalidade”, que segundo Lombroso, aparece como um traço comum entre os genios. E se relaciona com a minha de triarquia de personalidade, as duas personalidades instintivas, inconscientes, dualistas e a personalidade central ou Deus, que os genios teriam maior acesso ou que predominaria, a alegoria do terceiro olho, da abertura inata para autoconsciencia alargada.

Portanto, como breve conclusão deste texto, a maior parte dos esforços da educação especial para superdotados, são inúteis a partir do momento em que alfas e betas de alto funcionamento estão sendo confundidos e tratados como genios bem como de outros tipos verdadeiramente virtuosos. Lombroso e a teoria da inteligencia humana como ”um erro” evolutivo ou que também poderia ser entendida como a manutenção da doença mental como método de investigação da existencia, a verdadeira, única e literal religião, porque sem a vivenciação do existir em todas as suas possibilidades, continuaríamos como um trem que não é auto-governável e que depende dos trilhos ou do ambiente para ”evoluir”, ou melhor dizendo, adaptar, que não são a mesma coisa, se a evolução é como dar um passo a frente ou especiação enquanto que a adaptação seria como modificar a posição do corpo, metaforicamente falando, ou modificar a frequencia de características fenotípicas.

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2 Respostas para “Admirável Mundo Novo e o Real Mundo Velho das diferenças qualitativas de intelecto”

  1. Alberto da anunciação pereira diz :

    Esse livro, alem de ser interessantíssimo é maravilhoso
    fala da adequação, e objetivo de cada classe, que já nasce
    sentenciada a ser cidadão do estada, e viver em sua disponibilidade
    tive uma visão analítica sobre o condicionamento em que o filme a ilha
    coloca os seres humanos. quando assisti o filme ainda não tinha lido o
    livro, depois de ler vi uma forte relação muito forte vale analisar.

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  1. Decepção Hbd final | Santoculto - 19 de abril de 2015

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