Tdah e qi

Eu não sei quanto a voces, mas eu penso que parece muito óbvio que muitas ”pessoas tdah” tenham problemas na hora de fazerem testes de qi ou provas escolares. Parece muito óbvio porque para que se possa fazer uma boa execução em provas de teor cognitivo, é necessário que se tenha concentração e foco (na maior parte das vezes, que será extrínseco) e vejam só o que parece ”estar mais em falta” entre os tdah***

Testes cognitivos idealistas versus testes cognitivos realistas

A diversidade cognitiva humana é a característica coletiva mais importante da espécie assim como também de qualquer outra espécie complexa. Nossas sociedades reverberam, expressam essa diversidade por meio de uma enorme gama de profissões ou funções que exigem diferentes habilidades cognitivas.

A inteligencia é aquilo que podemos ver, mas que não podemos mensurar, matematicamente falando, com uma grande margem de segurança. Os testes cognitivos são idealistas, porque partem de um cenário irrealista, inerte, para a mensuração das multiformidades intelectuais de nossa espécie.

Voce pode medir o seu peso em uma balança, mas o peso que está sendo mostrado, quantificado, não expressará toda a complexidade que o seu corpo apresenta. Algumas vezes, a correlação entre o resultado quantitativo generalista de seu peso em uma balança convencional e a complexidade biológica interna, que estes números não podem mostrar, poderá ser muito alta. Portanto, cenários similares podem ser estabelecidos para a correlação entre os resultados em uma bateria de testes cognitivos e sua inteligencia.

Mas muitas vezes (e eu não sei precisar quanto), a correlação entre peso e complexidade biológica interior, assim como também entre qi e inteligencia genotípica, não será elevada e na verdade, pode até mesmo, expressar-se negativamente, isto é, quando a correlação é negativa e auto excludente.

A partir disso, começamos a dar passos mais largos, ambiciosos e menos comodistas, para tentar entender exatamente o que os testes de qi  medem e o que não medem.

Testes cognitivos realistas seriam como provas práticas individualmente especificadas, se todos nós temos um conjunto inato de habilidades específicas. Mesmo o superdotado com a mais simétrica das inteligencias, ainda apresentará uma forte tendencia para gostar mais de algumas funções (cultura neurológica) do que de outras.

Testes cognitivos são totalmente cegos quanto a mensuração do caráter de indivíduos e coletividades e é parcialmente cego quanto a mensuração do intelecto dos mesmos.

Portanto, nós temos por obrigação, dar o peso certo as coisas. Uma galinha não pesa uma tonelada, testes cognitivos não medem 100% da inteligencia humana, até porque, pelo fato de ser muito diversificada e individualmente complexa, é pouco provável que consigamos estabelecer uma linha espectral gaussiana de habilidades e de capacidade geral, apenas pelos resultados dos testes, que sejam totalmente completas em sua abrangencia avaliativa, ainda que de fato, eles já tenham demonstrado ser úteis para mensurar a inteligencia humana, ou a superfície dela, da mesma maneira que a balança convencional também é capaz de fazer em relação ao nosso peso.

Testes cognitivos tradicionais são idealistas e pasmem, se baseiam justamente na ideologia de igualdade universal, que muitos psicometristas hbd  estão a lutar neste exato momento.

Baseia-se na ideia de que as diferenças se deem apenas mediante uma desigualdade de níveis. Pouco se fala sobre a diversidade de qualidades e parte-se da conclusão precoce de que ”os testes mesmo que imperfeitos, medem a inteligencia” ou que a abrangencia dos testes é suficiente.

Medir a superfície não é suficiente. E como de fato, pelo que tudo indica, os seres humanos estejam divididos em castas cognitivas, que são a divisão de trabalho naturalmente esperada para uma diversidade de tipos, então, a mensuração dos intelectos, partindo de um prisma intelectual universal, ainda que esteja correto, não será holístico em sua capacidade de captar esta riqueza de complexidade.

O caso tdah

Pontuações baixas em testes de qi costumam ter muitas explicações

Falta de atenção ou de concentração

– Mensuração das fraquezas intelectuais (por exemplo, aplicar testes verbais a alguém com inteligencia verbal baixa)

– Alguma implicação genética ou neurológica contextualmente desfavorável

Ansiedade que pode ou não resultar em falta de concentração. O gago não se concentra na hora de falar** Não.

– Perfil cognitivo incomum ou muito especializado.

Como eu já mostrei em um texto bem longínquo, os cérebros dos tdahs tendem a amadurecer mais lentamente do que os cérebros neurocomuns. Como resultado, quando um professor ou uma professora aplica uma prova para duas crianças, uma que é tdah e outra que não é, a primeira tenderá a ser mais mentalmente jovem ou atrasada do que a segunda. Basicamente, duas crianças com 7 anos de idade, mesmo se a comparação fosse entre ”neurocomuns”, podem apresentar idades mentais discrepantes.

A idade mental não acompanha a idade cronológica e esta tendencia é muito forte em crianças superdotadas assim como também em crianças tdahs.

Crianças superdotadas tendem a ser, mediante certa dimensão comportamental comparativa, mais amadurecidas do que as crianças neurocomuns de mesma idade cronológica. Da mesma maneira que crianças negras também tendem a ser, mediante certa dimensão comportamental comparativa (geralmente que não será a mesma que das crianças superdotadas)  mais maduras, em média, do que as crianças de outras raças de mesma idade cronológica.

A distração que é característica fundadora da tdah, pode se relacionar com outros talentos, que não estão sendo acessados pelas estruturas burocráticas que perfazem boa parte dos sistemas de ensino em todo mundo.

Faz sentido que para muitos casos,  que a ”distração”, na verdade, não se baseie em uma real distração per si, mas em um foco que não está relacionado com o mesmo interesse do professor ou do psicólogo. Portanto, se um professor pede ao seu aluno que preste atenção em sua aula mas ele está mais preocupado em escrever histórias, isso se consistiria em uma forma de distração** Ou seria uma maneira de exercer a opressão por parte do professor ou da escola, ao desprezarem os desejos intrínsecos desta criança** Especialmente se estes desejos forem intensos e encapsularem todo o seu foco**

Ainda que a ”população tdah” apresente uma diversidade interna de tipos cognitivos (assim como toda população),  me parece ser muito cedo para chegar a qualquer conclusão sobre como se daria a distribuição de intelectos, talentos e idiossincrasias dentro deste grupo, se para os neurocomuns, os métodos tradicionais de avaliação cognitiva já sejam falhos em muitos aspectos importantes.

A relação negativa encontrada entre tdah e qi merece uma série de observações pertinentes, tais como

Testes de qi medem o quão bem lateralizado o cérebro humano está ou o quão bem harmoniosamente lateralizado está,

– Por razões muito óbvias, aqueles com menor capacidade de concentração ”extrínseca” (isto é, dar atenção aquilo que não é de seu interesse primário), tenderão a pontuar baixo em testes cognitivos,

– Testes de qi performance podem mascarar grandes diferenças de pontuações em outros subtestes (dislexia e discalculia). Portanto, sem uma análise holística-comparativa, tanto dos resultados para qi performance, quanto de qi verbal, qi não-verbal, dentre outros substestes, a correlação negativa entre qi e tdah, estará potencialmente incompleta e que poderá ter consequencias sérias no futuro, acaso forem tomadas como verdade absoluta,

– A correlação entre qi e imagem perfeita da inteligencia (quando, hipoteticamente falando, ”o seu” qi verbal 106 e seu qi performance 103, expressam exatamente o tamanho e a qualidade do seu intelecto) PODE ser positiva, mas também pode ser negativa e para MUITOS casos dentre as condições sindromicas (assim como os casos borderline para elas), este será o mais provável de ser.

Portanto, cérebros fracamente lateralizados e que amadurecem mais lentamente, não podem ser comparados da maneira como está sendo feito, com outros cérebros, que estão normativamente lateralizados. E eu não estou falando grego ou mandarim!

E voltando sobre as diferenças de testes cognitivos em relação a avaliações psicológicas especializadas, retido de uma abordagem sábia (semelhante aquelas que são feitas por pessoas que trabalham na área de recursos humanos de qualquer empresa), para saber se alguém é bom em memorização, avalie a sua memória,

para saber se é bom em algum componente criativo, o avalie exatamente a partir desta particularidade…. e assim por diante.

Forças e fraquezas são muito importantes e podem ter um impacto maior não apenas na avaliação mas também na realização pessoal, do que uma avaliação mais superficial e generalista, que é oferecida pelos testes de qi.

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