Os mortos não tem casa

A rua está pelada, nenhuma pessoa, nenhuma alma,

Viva ou nua em pelos, porque o gelo esfria todos os poros e congela a água da insanidade,

Ao branco da neve, a cor de paraíso no céu, destas casinhas simples e humildes,
Do braço de montanhas, tal como as entranhas de Deus,
Nuvens alaranjadas enfeitam a escuridão da madrugada que dá seu até logo,
Mortos vagueiam por outra dimensão, o silencio os acompanha como o bom amigo que é,
quando a solidão é silenciosa e vez ou outra, se harmoniza com a imaginação,
Não preciso de companhia, se tenho o tempo todo a minha espera,
A amanhã de um domingo moroso, a fumaça daquelas velhas chaminés,
Onde mentes confusas não estão a maquinar um jeito de destruir as paisagens de Deus,
Onde as ideologias fajutas não estão tentando pintar abstrações feias em cima da naturalidade divina,
Deixem os mortos em paz, deixe-os vagar, sem casa, suas lágrimas já não caem,
Agora, é a inércia de não mais existir que os abraça e os acalenta,
A calefação nos protege desta outra dimensão,
Deus é o grandioso mundo além,
Que nossas mãos mal podem imaginar como seria o seu sentir,
Tão grande,
Tão silencioso, tão branco a neve, tão laranja ao céu,
Ventos uivam ecos de vidas que já se foram,
Mas que continuam a vagar junto com suas estrelas mortas,
O brilho nunca deixa de brilhar e a vida, mesmo que morta, nunca deixa de viver,
Porque o eco do som se propaga pra sempre,
E o grandioso universo, se torna a sua própria mente,
Quando morres, tua existencia volta a ser água do lago doce,
Mas não te preocupes, porque continuarás a viver, porque és único, porque tudo é…
A um bom dia, de café e esperanças,
De um jornal da semana passada, já empoeirado e com cheiro de usado,
De onde toco apenas aquilo que meus braços alcançam e dou-lhe o nome de humildade,
Mas ainda posso sonhar que minhas asas me levarão para a eternidade do além,
Porque se não há finitude, então não há morte, apenas uma mudança de corpo,
Tal como a cobra muda de modelito,
Tua pele muda de traçado,
Nosso caminho também muda,
O além pode e deve conviver com o concreto,
O literal é irmão do abstrato,
Apenas de o valor certo as coisas,
E não mais precisará sofrer por sua (ou por nossa) estupidez….

Sobre santoculto

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De:RefémdoDrDeus Para:Deprimente mundo Assunto:Denúncia de maus-tratos a pensadores

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