Déficit de percepção e exemplificação por meio de observações pessoais

Quando voce convive com uma pessoa, mesmo se não for todo o tempo, presume-se, por lógica, que começará a conhece-la melhor, sabendo quais são os seus gostos culturais, musicais, seu perfil qualitativo e quantitativo de inteligencia, se é uma pessoa excentrica ou se é neurocomum… No entanto, esta idealização não parece ser verdadeira para muitos casos, talvez, para a maior parte deles.

A experiencia não te fará um especialista em absolutamente nada. As pessoas confundem experiencia com compreensão aguda de determinada tarefa ou objetivo de estudo intelectual. Se algumas pessoas (autistas e tipos afins por exemplo) podem se tornar especialistas em determinada matéria, com pouquíssimo tempo de ”experiencia”, então a ideia muito popular de esforço enfático ou experimentação de longo prazo, seguido de ”colheita intelectual ou manual dos seus esforços ou experiencias”, não se configurará em realidade factual, na maior parte das vezes (se não em todas).

E este é um exemplo extremamente comum de déficit de percepção. Pode-se resumir este déficit como a incapacidade de distinguir aquilo que é causal daquilo que é correlativo.

No entanto, outras formas de confusão ou de ignorancia, também lhes serão característicos. Dois relatos pessoais que vou mostrar agora, de maneira resumida, mais um acontecimento nacionalmente conhecido.

Mesmo depois de anos, talvez muitos anos, convivendo com meu tio, meu pai demonstra que não o conhece o suficiente para inferir com certa probabilidade de acerto, quais seriam os seus gostos musicais, um daqueles que herdaram os ”genes saltitantes” de minha família materna, que nos fazem ser mais elétricos, excentricos e hiper mentalistas do que aqueles que ”não os tem”, ou que os tem em quantidade pequena, que não é suficiente para dotar-lhes de loucura e criatividade.

Ou o meu pai estava descuidado, quando me perguntou se o meu tio era o que estava chegando em casa, ou de fato, meu pai não sabe que meu tio não é do tipo que escuta Chico Buarque no seu celular. O gosto musical do meu tio beira a infantilidade, por gostar de ouvir pop americano, mesmo sendo um homem de meia idade. Mas o meu pai não sabia e não sabe disso. Mas talvez seja a parte mais importante, ele não deve achar que seja necessário conhecer um pouco sobre a personalidade do meu tio.

Meu pai apresenta um perfil cognitivo tipicamente masculino e talvez (que parece ser muito provável) isso reflita copiosamente em sua personalidade e na extensão dela em interação com o seu meio, ou seja, a cultura neurológica.

Portanto, o talento do meu pai para áreas cognitivamente masculinas, sacrifica a sua capacidade e motivação intrínseca para conhecer mais profundamente a personalidade das pessoas que o cercam. Isto também ajuda a explicar o porque do meu pai ter sido incapaz de desvendar precocemente, as mentiras que o meu tio já inventou. Meu tio precisou tropeçar nas próprias pernas para que o meu pai começasse a desconfiar de sua tendencia latente para mentir.

Ontem fui a padaria para comprar 3 reais de quilo de queijo ralado parmesão. Então, a moça que trabalha na padaria, colocou uma quantidade de queijo ralado no saquinho e mediu a quantidade. Deu dois reais e sessenta centavos. Então, pedi para colocar mais queijo porque pretendia pagar pelos tres reais de quilo. A moça o fez novamente e voltou com tres reais e dezesseis centavos. Então disse que não tinha mais de tres reais e pedi para que retirasse o excesso (dezesseis centavos). Pela lógica, voce retiraria só um pouquinho de queijo, não é meu caro leitor** Mas a moça achou que dezesseis centavos de quilo fosse quase que metade do saco plástico de queijo ralado e retirou bem mais que esta pequena porção. A rotina do seu trabalho a fez cometer este erro tolo de aproximação quantitativa ou ela realmente tem alguma espécie de déficit de percepção***

Talvez a segunda opção seja a mais provável de estar correta.

Casos de déficit de percepção, a inteligencia real, que se baseia na busca e na posterior harmonização de padrões, parecem abundar, mesmo em um mundo onde os discursos mágicos de educação predominam.

O lamentável caso do rapaz que, de boa vontade, tentou desobstruir o bueiro de uma rua em Natal, no nordeste brasileiro, mas que acabou sendo engolido pelo bueiro encharcado de água, nos mostra mais um caso de déficit de percepção, a capacidade de observar, reunir uma quantidade de informações úteis (sabedoria aplicada) e inferir a partir delas quais serão as ações a serem tomadas.

Acaso fosse dotado de uma maior capacidade perceptiva, o rapaz teria calculado mentalmente que a pressão da água sendo puxada pelo bueiro, poderia ser perigoso pra qualquer indivíduo que estivesse muito perto dali, durante a enchente. Ele não precisaria saber matemática, geometria ou física, para entender isso, bastaria, com seus olhos, prever por lógica intuitiva, as possíveis situações que poderiam se suceder em um cenário previamente imaginado.

Meu pai não reuniu um quantidade de informação qualitativa ou útil do meu tio, tanto para se antever aos caprichos cognitivos (mentiras) dele como também para conhecer sobre a sua personalidade bem como a sua cultura neurológica.

A moça da padaria, não soube inferir por lógica intuitiva, que dezesseis centavos de quilo de queijo ralado não ”deve” ser uma quantidade muito grande de material a ser retirado do saco usado para armazenar o alimento triturado.

O rapaz que perdeu a vida ao tentar desobstruir o bueiro de uma rua em Natal, não soube mensurar adequadamente os riscos lógicos que estaria correndo ao ficar muito perto de um buraco sob forte pressão hídrica descendente.

Todos estes casos se baseiam em déficits de percepção. Não pensem que são casos isolados, visto que o ser humano moderno e domesticado, está fortemente deprimido neste quesito fundamental de inteligencia.

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