Como a motivação intrínseca, obsessiva e específica produz o pensamento intuitivo

Qual é o mecanismo mental que produz a intuição isto é, qual é o tipo de pensamento ou de atividade mental constante que desembocará em um momento de insights** Nada mais conveniente e coerente que uma pessoa criativa possa vos explicar (isso se muito de voces, meus caros e prezados leitores, também não pertencerem a este grupo de lunáticos racionais =)

Uma das características cognitivas (e ”psicológicas”) mais importantes dos criativos é o chamado ”hiperfoco”, que eu tenho denominado como ‘‘motivação intrínseca”. Mas como todas as pessoas apresentam motivações intrínsecas e extrínsecas, então eu terei de especializar este termo. Motivação intelectual intrínseca. O adjetivo ”intelectual”, servirá neste caso (e talvez em outros também no blogue) como um guarda chuva conceitual tanto para a criatividade, que não deixa de ser uma forma de expressão intelectual (do intelecto), quanto para o pensamento científico-analítico, que também pode ser identificado como uma forma de pensamento intelectual.

Por que eu tenho insights***

Dizem que o pensamento intuitivo é produzido de maneira ”inconsciente” pelo cérebro, tal como se agisse livremente, sem nossa pseudo-aprovação.O mecanismo que produz a intuição parece se assemelhar ao mecanismo que desregula a percepção dos esquizofrenicos e os fazem ver padrões que não existem (de maneira igualmente ”inconsciente”). O cérebro esquizofrenico, desregulado, selvagem, produz percepções que não existem, enquanto que nossos cérebros mais saudáveis, produzem as percepções em tempo real, sem a descompartimentação entre a nossa percepção diretamente centralizada e a percepção excessiva. Por exemplo, ao vermos um vulto, nossos olhos capturam um falso padrão e como nosso cérebro é lógico (nós é que não somos), então encontrará a informação mais pertinente que possa explicar a sombra que supostamente passou ao lado do nosso corpo e nos fez ter calafrios. Em um questão de milésimos de segundos, uma suposta sombra, será entendida pelo cérebro como ”um corpo” (uma pessoa** um ser**) e como não sabemos o que isto se consiste, o sinal de perigo será acendido e imediatamente nosso organismo responderá a este evento muito comum e ”sobrenatural” tal como se estivéssemos em qualquer outra situação de risco.

A paranoia, que é muito comum entre os esquizofrenicos e talvez seja universal entre eles, se consiste na idealização ou mentalização excessiva de padrões. Ao invés de capturarmos os padrões lógicos, também vemos padrões ilógicos e que serão muito relevantes aos esquizofrenicos (de maneira potencialmente negativa) assim como também aos tipos criativos. A intuição poderia ser entendida como uma manifestação branda da captura desequilibrada e excessiva de padrões que é a regra sintomatológica entre os esquizofrenicos.

O controle cognitivo é fundamental neste sentido. A piora dos sintomas no esquizofrenico seria análoga ao período de maior criatividade entre os genios. A esquizofrenia se caracteriza pela perda deste controle cognitivo, enquanto que a criatividade, apesar de sua relação umbilical com o transtorno, se caracteriza justamente pelo oposto. Sem o controle cognitivo, não haverá criatividade, mas ”bizarrices sistemicas”.

O esquizofrenico está sempre alerta, idealizando perseguições ou qualquer outro tipo de padrão erroneo da realidade perceptiva. Esta constancia problemática comportamental do esquizofrenico pode ser entendida como a sua motivação intrínseca. Intrínseca que quer indicar o mesmo que inato ou sem qualquer ”livre arbítrio”.

Vamos imaginar uma situação metafórica para representar o cérebro com alta inibição latente, o de baixa inibição latente e o de nenhuma inibição latente ou o cérebro esquizofrenico. O primeiro cérebro, o cérebro ”normal”, seria como um país que controla as suas fronteiras e impede a entrada de um número muito elevado de estrangeiros. O segundo cérebro, o cérebro com baixa inibição latente, que vamos chamar de ”potencialmente criativo”, seria como um país que tem uma política de fronteiras mais frouxa e recebe mais estrangeiros, inclusive aqueles que não foram convidados, rs. O terceiro cérebro, que chamaremos de ” esquizofrenico”, seria como os últimos anos da Roma Antiga ou o estágio atual de países como a França ou a Grã Bretanha, com pouco a nenhum controle de suas fronteiras e com uma grande e crescente população de estrangeiros (especialmente em um sentido etno-cultural). Voltando aos cérebros, o primeiro captura poucas percepções ou padrões, que serão lógico-racionais (de acordo com a capacidade de cada um, individualmente falando), o segundo captura muitas percepções, que no entanto, ainda apresentam algum controlo importante para decantar este ”excesso” enquanto que o terceiro cérebro, captura todos os tipos de percepções sem qualquer controle, causando ilusões, falsas percepções e idealizações ‘bizarras”.

Portanto, mais informações, ”relevantes” (diretas) e ”não-relevantes” (indiretas) são guardadas por cérebros com baixa inibição latente. Voi lá. A salada de pensamentos e ideias para a produção de insights já está quase pronta!! Este ”lixo” de percepções, poderão ser fundamentais para a intuição.

O criativo é focado, o esquizofrenico muitas vezes, por que tende a ser uma pessoa com inteligencia normal e com problemas mentais, não é

Criativos (os savants cognitivamente plásticos) tendem a nascer com motivações intrínsecas intelectuais que encapsularão suas atenções ao longo de suas vidas. O hiper foco produzirá profundidade que por sua vez produzirá super especialização. E esta super especialização será produzida principalmente pela intuição aflorada do criativo, especialmente aquele que for do tipo filosófico ou científico.

O esquizofrenico médio seria como uma pessoa normal mas com enorme dificuldade de ajustamento da realidade perceptual direta. Quase todos os genios criativos serão acima da média em inteligencia, que poderá ou não, ser capturada por testes cognitivos, dependerá de como os seus cérebros incomuns estarão configurados. Mesmo o criativo médio, ainda tenderá a ser mais inteligente que a média neurocomum ou neurotípica.

Portanto, a criatividade como um produto exterior, físico ou intelectual, da mente humana, é o resultado de intenso e relativamente caótico hiper foco. O criativo captura a quantidade necessária de percepções para ter insights intuitivos enquanto que o esquizofrenico captura um excesso de percepções que os levarão para caminhos tortuosos.

Então, agora eu vou lhes explicar como os meus momentos de ”eureka!” são produzidos, quais são as suas muito prováveis causas…

Minha motivação intrínseca que é embebecida por minha curiosidade incessante assim como também por minha capacidade objetiva, de ver combinações que os outros não podem ver de imediato ou por conta própria,  me fazem focalizar boa parte de minha energia mental, aquilo que meu cérebro deseja se alimentar, a papinha mental, nas ideias e nos pensamentos que estão relacionados com minhas áreas de interesse.

A enfatização neuro-cultural. Meu cérebro, que deve ser mais simétrico que os cérebros ”comuns”, além de ver sua energia ser distribuída mais igualitariamente pelos hemisférios, também pode ser provável de ve-la se concentrar mais no lado direito, que eu uso para escrever com a mão esquerda. Isso explicaria a minha ”maior” capacidade de pensamento metafórico. Se eu uso mais o lado direito do cérebro, então além de produzir metáforas, eu também poderei estar mais suscetível de ter insights criativos, se as metáforas nada mais seriam do que a construção consciente da intuição.

Portanto, enquanto que a maioria das pessoas gastam suas energias mentais para socializar, os criativos as usam em suas motivações intrínsecas mais importantes. O que me difere de um jovem popular e esportista, é a motivação intrínseca. E eu tenho poucas motivações extrínsecas. Alguns poderiam entende-las como ”sacrifícios”, onde ”os fins justificam os meios”. Para pessoas como eu, e não sei se boa parte dos criativos serão assim, os fins não justificam os meios. Ao menos para mentes objetivas e criativas, isso é uma tonica fundamental de nossas transcendencias existenciais pessoais.

Quem se conhece muito, tem poucas motivações extrínsecas porque tem uma força interior muito poderosa e contextualmente exaustiva nas sociedade burocráticas em que vivemos.

Então, eu tenho interesses ”restritos”, que encapsulam meu modo de vida ou cultura neurológica e por exemplo, me fazem redigir este texto. As minhas motivações intrínsecas são predominantes porque eu tenho elevado autoconhecimento e portanto, eu ”escolho” o alimento mental que minha persona principal mais sente fome. Eu sou o meu gerenciador, ainda que em um mundo de constantes atritos e arranhões na minha superfície de alma.

Um excesso constante de ideias e pensamentos retidos de interesses restritos que são embaralhados por meu cérebro, produzem insights em momentos incomuns como no meio da noite. As ideações fundamentais do criativo se baseiam em suas áreas de interesse, enquanto que as ideações ”primitivo-sociais”, serão predominantes entre os ”neurocomuns”.

O foco do meu pensamento constante, mesmo aquele que  está em vigília, tenderá a se concentrar em meus interesses.

A intuição como o pensamento ”inconsciente”**

Finalizando este texto, eu não sei como explicar diretamente como os meus insights criativos (se são criativos) se dão. Eu acredito que uma predominancia de ativação cerebral no lado direito do cérebro, combinado com um cérebro mais simétrico (e simetria cerebral tende a se relacionar consideravelmente com a predominancia hemisférica ”anomala”) podem ser uma boa explicação neurocientífica para a ocorrencia de tal fenomeno.

O mecanismo neuro-cultural intrínseco de hiper foco (provocado também por fatores biológicos tal como que o meu cérebro está configurado) que faz com que concentre boa parte de minha energia mental (ideações em estado de vigília e em estado não-ordinário de funcionamento cerebral) em meus ”interesses específicos inatos”, me tornará um especialista nestes assuntos intrínsecos. Combinado com grande predominancia de motivações intrínsecas, onde os fins não justificam os meios, porque se justificam por si mesmos.

Talvez ( e é provável que seja o caso), as características de funcionamento do hemisfério direito do cérebro, sejam as grandes responsáveis pela produção de metáforas e do pensamento intuitivo, se a teoria de divisão rígida de trabalho entre os hemisférios não estiver totalmente equivocada, e na verdade, parece que não está, então o caos organizado ou integrativo do lado direito do cérebro, pode ter um papel muito importante para este tipo fundamental de criatividade.

O hemisfério direito trabalharia de maneira independente de nossa percepção, tal como acontece com as funções organicas vitais de nosso corpo como os batimentos cardíacos.

O acesso mais alargado desta parte de nosso cérebro, combinado com recursos cognitivos mais complementares, como uma maior capacidade enérgica mental que reverbera na superdotação, podem propiciar ao portador deste fenótipo, uma maior chama de criatividade do que em comparação aos outros, que estão destituídos destas idiossincrasias.

Portanto, como conclusão, um acúmulo de percepções, que não são muito excessivas, nem escassas, são o mecanismo inicial para a intuição. Percepções comuns ou parecidas, não produzirão metáforas nem insights intuitivos.

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