O desenvolvimento assíncrono da inteligencia e da personalidade humanas… não apenas em superdotados

Na psicologia, diz-se que uma das características que definem os superdotados, seria o desenvolvimento assíncrono. Isto é, o desenvolvimento irregular de todas as funções cognitivas, como quando um garoto de 13 anos de idade, já entende matemática avançada, mas é emocionalmente imaturo.

Como eu acredito que tudo seja um espectro e que as diferenças entre os mais inteligentes em relação aos demais, estejam em níveis (e não em grandezas),  uma maior intensidade de algumas das mesmas características que as outras pessoas também apresentam, então, me parece plausível acreditar que o mesmo desenvolvimento assíncrono, assim como também o fim desta etapa, possam estar presentes entre aqueles que não sejam de superdotados.

Parte-se da ideia de que o fim do desenvolvimento assíncrono, especificamente, no caso dos superdotados, todos chegarão a níveis parecidos de amadurecimento emocional e cognitivo. Mas na verdade, é bem provável que não seja a realidade e a criança que eu exemplifiquei, pode não apenas, não amadurecer emocionalmente, como também piorar com o fim do período de plasticidade cerebral.

E este fenomeno, pode ser completamente baseado em predisposições genéticas e menos em variáveis ambientais agudas. Da mesma forma que acontece com os superdotados, portanto, todos nós também apresentaríamos um desenvolvimento assíncrono em nossas capacidades, alguns mais e outros menos. Pode ser possível que tenhamos pessoas que apresentarão um desenvolvimento predominantemente uniforme, mas que ainda assim, esconderá algum tipo de amplitude menos aparente.

Vou exemplificar. Eu tenho uma amiga que é do tipo muito inteligente, daquelas que nunca tiveram qualquer problema na escola, a aluna exemplar, a filha prendada e obediente. A jovem com amadurecimento comportamental uniforme, sem as discrepancias comuns entre os superdotados. No entanto, esta jovem altamente inteligente, me perguntou, em 2008, quando eu tinha 18 e ela, 20 anos, ”o que era o nazismo”. Eu acredito com fé que no mínimo 90% das pessoas que façam faculdade nas humanas, terão alguma ideia, por mais remota e tendenciosa que seja, sobre o tema. Mas ela não tinha nenhuma noção. Se eu falasse que nazismo foi uma banda de axé, eu não duvido que acreditasse. Ok, além desta ”gafe” em história, ao longo do tempo, o seu padrão de comportamento tem sido consistente. Enquanto que ela tem um nível bem desenvolvido de inteligencia técnica quantitativa, o qi, em relação a capacidade de entender o mundo real, ela é tão ingenua e tola quanto a maior parte das pessoas do grupo cognitivo a qual pertence. Um exemplo disso é seu partidarismo cego para com partidos comunistas que tentam se apossar deste pobre país continental. Um psicólogo desavisado poderia classificá-la como uma superdotada e que teria um desenvolvimento uniforme em relação a  todas as suas faculdades mentais. Mas será*****

O deficit para entender o mundo real, capacidade que eu chamo de inteligencia pura, ”parece” ser ”tão grave” quanto o de ser ruim em matemática ou de se ser emocionalmente imaturo. E mais, a sua suposta, aparente maturidade emocional, parece se relacionar exatamente com aquilo que escrevi no texto sobre os inconformistas empático-objetivos. A pessoa que será identificada como ”bondosa e inteligente” pela maioria, na verdade, pode não ser necessariamente dotada de extrema empatia. Claro, sem querer aqui denegrir a imagem desta minha amiga e das pessoas que são similares a ela, afinal, ser mediano também é normal. No entanto, como conclusão deste trecho, a imensa maioria dos psicólogos entenderão que este tipo será de”emocionalmente maturo”. Mas a maturidade emocional não é apenas ter controle, mas também, de vivenciar todas as emoções bem como de ter as melhores respostas para cada ato. E quanto maior for o alcance desta maturidade cognitiva global, mais objetivamente empático, a pessoa se tornará. Em outras palavras, de nada adianta ser boazinha ou bonzinho, e não fazer coisas boas para as pessoas e ”animais” que estão ao seu redor. Seria o mesmo que ser inteligente ou criativo e não expressar o seu dom.

Voltando a hipótese inicial deste texto. Se todos nós temos o mesmo desenvolvimento assíncrono  de boa parte dos superdotados e se o fim deste desenvolvimento ou de plasticidade cerebral resultará na definição de nossa personalidade bem como de nosso tipo de inteligencia, então estes dois fatores poderão explicar maravilhosamente bem o porque de algumas pessoas serem emocionalmente imaturas (mesmo não sendo de superdotados) e com uma inteligencia (quantitativa, por exemplo) acima da média  ou porque algumas pessoas de elevada inteligencia (quantitativa, novamente usando este tipo)  tal como a minha amiga, meus pais, praticamente todas as pessoas ”de” ”alto qi” que conheço, que de uma forma ou de outra, não são capazes de compreender holisticamente o mundo a sua volta, ou seja, a inteligencia em sua manifestação mais pura e objetiva.

A partir disso, voltamos as ”minhas” ideias de castas cognitivas e de múltiplas inteligencias (que na verdade já é uma ideia antiga, que estou tentando dar uma nova função).  O tipo de desenvolvimento cognitivo global, pode ser um excelente meio para analisar a personalidade humana e sua relação e influencia recíproca com a inteligencia. E este processo que em sua grande maioria será assíncrono, resultará na diversidade cognitiva natural da espécie humana, especialmente porque se dará mais a nível individual do que coletivo.

Durante e depois (finalização) do processo de assincronicidade no desenvolvimento cognitivo global, isto é, emocional e cognitivo,  os seres humanos devido as diferenças individuais e de grupo, apresentarão uma grande variedade de perfis cognitivos ”e” de personalidade, se a personalidade já não seria uma extensão de nossa inteligencia. E esta variedade produzirá todos os tipos de especializações cognitivas assim como também de grupos ideológicos, culturais, etc…

Em conclusão, o desenvolvimento assíncrono das faculdades cognitivas globais, não se reduz demograficamente apenas aos superdotados, mas a todos os seres humanos. O término deste período de maior plasticidade cerebral, resultará no assentamento do processo de desenvolvimento assíncrono, onde certos atributos mentais se encontrarão mais desenvolvidos do que outros.

Isso explicaria os diferentes níveis de inteligencia, quantitativa ou qi e qualitativa, técnica ou intelectual, assim como também as características qualitativas, que se diferenciam a nível individual. No contexto político de hoje, onde existe uma clara tendencia para a antagonização de dois grupos, os conservadores e os liberais (linguajar americano) ou esquerdistas, a explicação que eu achei ser a mais condizente para com esta realidade, foi justamente a do desenvolvimento assíncrono, a nível individual, sub-grupo e coletivo, que pode ser demonstrado por meio das diferenças de configuração cerebral destes dois grupos, assim como também de outros, como a população de inconformistas dos mais diversos tipos.

A finalização deste período de maior plasticidade e  desenvolvimento ou maturação, alguns grupos estarão mais maduros em alguns aspectos e menos em outros, assim como também poderão estar mais uniformes quanto esta particularidade.

Quanto a conservadores, capitalistas, sexual e culturalmente tradicionais, e os esquerdistas, dizem ser ”socialistas” (ou seria melhor, comunistas ou oligárquico-coletivistas inconscientes), sexual e culturalmente antagonicos ao modelo tradicional conservador, ambos apresentarão claras diferenças quanto ao desenvolvimento assíncrono bem como pelo produto final, onde os ”esquerdistas” tenderão a amadurecer mais em termos cognitivos puros (supostamente) mas menos em termos emocionais enquanto que os conservadores caminharão para o exato oposto. Isso explicaria a alta incidencia de tecnicamente inteligentes entre os esquerdistas (os esquerdopatas), bem como, os famoso casos de ”filósfos”, que podem redigir textos de alta complexidade mas que falam nada com nada ou dizem bobagens. Pode entender cálculo, mas não entende porque o vizinho age de uma maneira perigosa.

E o mais completamente amadurecido em relação aos outros, especialmente mediante a ideia de interação harmoniosa entre a personalidade e a inteligencia, uma nova forma de denominar a sabedoria, seria justamente do mais sábio.

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