MENSA e a inutilidade da inteligencia sem criatividade e sem sabedoria (e sem inteligencia)

Pressupõe-se que aquele que estuda mais sobre um determinado assunto, caminhará para se tornar um especialista. Sabemos que o mundo moderno está lotado de ”experts” que pouco sabem sobre o assunto que estudam. Acredita-se, que a maior e mais importante comunidade para ”pessoas inteligentes”, MENSA, também seja expert sobre o assunto que foi motivo de sua criação, ou seja, a inteligencia. No entanto meus caros leitores, a coisa é mais preta que o Grande Otelo em um banho de lua!!!

Como eu já expliquei antes, um número absurdamente elevado de pessoas, que digamos, estão acima da média em termos de inteligencia,  acreditam que se possa dividir arbitrariamente a população mediante abstrações estatísticas que são as pontuações em testes cognitivos. Eh basicamente como acreditar que a linha do Equador ou o meridiano de Greenwich existam. Acreditar e dividir as pessoas mediante critérios altamente simplistas e arbitrários. Aqueles que pontuaram alto em testes cognitivos, ficarão na região norte da de Quito, capital do Equador, enquanto que aqueles que pontuaram abaixo da linha mágica de (pseudo) superdotação, ficarão na região sul da cidade. Será***

O Mensa se consiste exatamente em uma replicação do estudo de Lewis Terman sobre superdotação. E quem já é habitué por aqui, sabe que este estudo produziu muito mais equívocos do que  acertos. Terman quis estudar sobre ”genios”. Mas ele se esqueceu da criatividade (e talvez, da sabedoria) para encontrá-los. O resultado deste estudo mostrou uma correlação entre excelente ajustamento social, mas estéreis contribuições criativas. Os super inteligentes criadores do Mensa, então resolveram criar uma comunidade que emula com perfeição o estudo de Terman. E cá estamos.

”QI” se transformou em um conceito de inteligencia para MUITA GENTE, que se define como inteligente, capaz de acoplar todas as variáveis que se combinam para produzir a capacidade intelectual humana. Só que é consideravelmente mais complexo que isso. E na verdade, nem é tão difícil porque com base nos próprios testes cognitivos, poderia-se ir mais a fundo desta complexidade. No entanto, eu vejo com pesar que boa parte dos psicólogos são incapazes de enfrentar este desafio, até porque, eles apresentam grave dificuldade para aceitá-lo.

Em um próximo texto eu vou comentar justamente sobre esta nova ideologia, este conjunto simplório de crenças sobre a inteligencia humana e a preguiça ou a incapacidade para desbravá-la.

Nós temos a tola e primitiva crença de que se ”uma pessoa é inteligente, então ela não pode ser estúpida ao mesmo tempo”. Tão ruim quanto a crença na completa igualdade humana, esta crença se baseia na capacidade mediana do ser humano de encontrar contradições e de excluí-las. No entanto, nem sempre que uma contradição se encontrará errada e este é um caso em que, devido a complexidade do intelecto humano, os extremos conviverão lado a lado. Aliás, nós somos entidades dualistas, semelhantes a tudo aquilo que existe no universo. Somos o bem e o mau, estamos felizes e ou tristes.

O diferencial, o limite que separa ”predominantemente estúpidos” de ”predominantemente inteligentes”, é a proporção de ambos os atributos. Acredita-se que as pessoas inteligentes acertarão mais em suas atitudes, escolhas, comportamentos e realizações individuais.

No entanto, isto não é um salvo conduto que os ”inteligentes” poderão acertar em atributos menos importantes e errar em atributos mais importantes, especialmente mediante o contexto do momento. O suprassumo da adaptabilidade é a sabedoria. No entanto, a sabedoria tende a nos impelir, quando somos dotados dela, para além de nossa confortabilidade adaptativa individual, isto é, usá-la para nossa própria finalidade ”egoísta”.

A comunidade Mensa, continua a se utilizar de critérios de seleção cognitiva, (predominantemente) estéreis, arbitrários e pouco objetivos quanto a sua finalidade.

No mundo de hoje, as pessoas estão sendo habituadas a pensar que ”fulano é inteligente PORQUE ele ”tem” um qi alto”. Tornou-se mecanico. Qi alto, logo, ele será inteligente.

Eu posso concordar que, aqueles que pontuam alto em testes cognitivos e especificamente em relação ao ”qi performance” (qi geral, para os leigos), geralmente, serão mais (tecnicamente) inteligentes do que aqueles que pontuam mais baixo. EM MEDIA, mas isso não significa que ”todo aquele que pontuar mais alto em um teste de qi será mais inteligente”.

Por incrível que pareça, este pensamento que parece simples de entender, para os ”fetichistas de qi”, é quase que como um sacrilégio. Eh o mesmo que dizer que ”Deus não existe” para um religioso ou profanar a ”imagem” de Maomé para um muçulmano.

Eu tenho a leve impressão de que uma boa parte dos ”mensaleiros” (sic!), isto é, aqueles que são integrantes de alguma comunidade Mensa, espalhadas ao redor do mundo, estão bem longe de serem genios, no máximo, são acima da média em inteligencia, mas que não é nada impressionante.

Inteligencia sem criatividade é monótona e produz um bom a excelente replicador de atividades técnicas repetitivas.

Inteligencia sem sabedoria é perigosa, porque produzirá pseudo-pensamentos inteligentes, que na verdade, escondem a estupidez. Ou seja, por meios mais ”sofisticados”, as pessoas se agarrarão a ideias estúpidas para ”fazer um mundo melhor”.

E o Mensa, a replicação do velho estudo dos termites, é uma demonstração da periculosidade da inteligencia sem sabedoria. Um grupo arrogante de pessoas se achando mais inteligentes que as outras, especialmente porque pontuaram alto em testes cognitivos.

Nem as celebridades que fazem parte desta comunidade, nem as ”celebridades cognitivas” como ”Marilyn Vos Savant”, se assemelham a genios criativos ou a sábios (ou aos dois).

Além de não estarem entre os mais criativos, nem entre os mais inteligentes, será que os altos qis do Mensa também se correlaciona a pseudo-empatia***

O pior de tudo isso é que enquanto nós temos um grupo de pessoas intelectualmente indolentes e arrogantes, orgulhosas de suas pontuações de qi, a maior parte dos verdadeiros genios criativos de todas as estirpes, estarão levando vidas pouco produtivas, disfuncionais ou lutando contra o sistema.

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