A caverna dos mistérios da solidão

Penetração ardente rente as curvas desvairadas do fosso daquele brejo, adentriei-vos oh irmãos de semen, a um mundo fechado e escuro!!! Acendam  velas e lampiões, ambos, representantes do dual do sexo e da carne petrificada. Ao escuro e ao profundo, minha fala tornaste-á o objeto protagonista de teus ouvidos solenes. Mesmo ao murmúrio e ao cochicho, aqui, sobrepujará a sua fraqueza sonora e se espalhará como lava descendente a todos que estão a comunhar com nossa trupe de cavaleiros errantes e observadores.

Estão neste recinto de Deus, ao natural, para entender as mais viscosas fendas da alma humana, que só poderão ser observadas por meio da solidão e dos barulhos das profundezas desta caverna de cordilheiras em miniatura. Depois de desnudartes de suas identidades, de lutares por suas rejeições predispostas por tuas naturezas, ao negarem suas naturezas, encontrar-se-ão prontos para adentrarem a ante sala da angústia visceral e existencial.

Octo diz

”Amei o meu mais podre lado, como nunca pensei em faze-lo. Lutei contra a minha dignidade e experienciei a mais vívida e torpe das emoções, quando muitas mãos anonimas caminharam como plumas pelos meus poros desnudos. Ao sentir o enrijecimento natural, nadei em uma maré de loucura sem precedentes. Eu, que nunca prazer senti nisso. Deleitei-me como uma criança levada. A conjunção de variáveis que produz minhas veias de energia mudaram de direção. Agora sou mais um de alma quebrada, totalmente distorcida.”

 

Querido Octo, ao invés de deixarmos nossas almas com suas habituais carapuças divididas entre bem e mal, devemos terminar o processo, antes que o ciclo sanguinolento nos jogue em nossa própria alienação. Suas belas e curtas palavras nos mostraram que aquela experiencia lhe caiu muito bem, como uma roupa confortável e prazerosa. O teu rio, que parecia terminar em um lago estéril, agora corre viscoso e jovem novamente para os mais aprazíveis vales de nossa ensolarada terra.

 

Solaris disse

 

”Meus cabelos cor de fogo e minhas sardas sempre foram deleite e caminho do diabo para toda a sorte de macho. Aproveitei de minha raridade mas também de minha sagacidade para enganar e ganhar dinheiro fácil, ainda que se fazendo da mais pura e branca santa. Meus pensamentos sempre migraram para as mais depravadas maquinações. Que culpa eu tenho se nasci virada para o caos da imprevisibilidade. Do momento, da sensação. Mas quando cheguei ao grupo, primeiro, foi me dado o vinho da mais pueril de todas as orgias. Depois, a bebida de uma sangria sem nó, foi se purificando e hoje eu posso dizer com alegria que estou completamente entregue ao meu bom Deus. Eu sou da totalidade e o todo mora em mim, não mais podendo usar meu corpo jovem como passatempo de homens barbudos, com seus livros e angústias masturbatórias. Minha identidade se quebrou para unir-se ao universo. Agora sou completa”

 

Querida irmã. Meu leite que bebeste, purificou tua alquimia existencial. Vive suspensa em sua própria identidade, renovada e tomada pelo regozijo da certeza. Tua fome de sexo, nada mais era do que um grito de desespero contra o tédio. Agora que preenches tua mente com todo o tipo de pensamento, não mais precisa sentir-se viva por meio de toques e desabroches.

As transformações intensas, revolucionárias, que todos voces passaram, não significam absolutamente nada………

Porque o mais importante não é a tentativa de modificar completamente a identidade pessoal como maneira de evoluir, mas de construir novas identidades e se desligar do núcleo primordial, abraçar todas as suas perspectivas, todas as suas nuances, para alcançar o nirvana da existencia, para soltarem suas energias criativas. O ato de autoevoluir, de superar a fase do ego e de deitar na rede do observador experienciativo. 

O Deus que evolui dentro de ti, sua cosmo visão holística. Pare de ver apenas um lado e a segui-lo. Olhe para todos eles e evolua, sem a necessidade de andar para qualquer lugar. A evolução não é por fora, mas por dentro. A expansão é necessária mas não é infinita.

 

Jionidas disse

 

”Bem me queires, mal que queires. Acordei de um longo sono vívido, onde pensei estar no corpo de alguém que não era. Durante este intercurso, meu corpo que não era meu, sofreu todo o tipo de afetamento, de incoveniencia física, minha alma estava lá, mas a carapuça era de um morto vivo. Libertei-me do zumbi que me apossou e me tornei dono da minha própria superfície. Agora eu posso sentir como a mim mesmo, quando pingos de chuva molham a minha pele amarelada e meus pelos negros e lisos. Eu sinto o odor inodoro da água e de sua majestosa refrescancia. E me faz ter arrepios ao lembrar do deserto de identidade que o corpo que me aprisionou, me forçou a caminhar, a dor deste maltrapilho, que não era minha, adornou por meio de um blefe mental a minha própria existencia. Minhas energias foram catacumbadas por esta fera louca, chamada dor, nos pés, nas ancas, em cada articulação e a minha garganta, que não era minha, rezou por água, a mais pura e transparante que pudesse jorrar e inundar a minha boca. Mas tudo não passou de um grande blefe, visto que quando finalmente pude matar a sede, não senti nem mesmo a mais mísera gotícula furticar a minha glote. Além de um blefe, também era um deboche. Hoje, não tenho mais identidade, a não ser aquela, a mais pura, e vivo de ter as sensações que mil anos preso em um morto-vivo estranho não pude viver. Agora vivo e respiro tal como se tivesse mais de um par de pulmões.”

 

À caverna adentriemo-los… À escuridão, escutariemo-los, a imolação do escuro, as correntes, o grisões em nossos pés. Lá mora o infinito, cada grito, cada louvor, um escandalo de sensações e apuros… Lá brilha a mais branca luz da razão, em estado líquido e adornado por estrelas mortas.

 

Eh lá meus irmãos, é lá….

 

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2 responses to “A caverna dos mistérios da solidão”

  1. Davi says :

    O Que isso? É uma reunião dos contemplativos anônimos, relatando suas experiências de espírito contemplativo, se libertando dos vícios e das amarras das ilusões viciantes? Kkkkk Muito bom, muito bom.

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