Os MAIS INTELIGENTES podem ser mais propensos à procrastinação e à desistência

Por lógica, em um mundo onde os MAIS INTELIGENTES estivessem no comando, todos ou a grande maioria dos problemas sociais, econômicos, culturais e éticos, seriam resolvidos com elegância, sabedoria e perspicácia em tempo recorde . Portanto, faz todo sentido que vivamos em um mundo onde os mais inteligentes não estão ocupando as posições de liderança e decisão que lhes são mais naturalmente cabíveis, pelo contrário, muitos deles estão neste momento, lutando para entender o sanatório coletivo que se consistem as sociedades humanas. Existe uma tendência dentro da comunidade hbd assim como também dentro da comunidade psiquiátrica, de que uma “maior inteligência” será sempre vantajosa para qualquer contexto social. No entanto, o grande problema que é perene e constante dentro das estatísticas são as comparações e subsequentes interpretações rasas e incompletas. Como eu já sublinhei em um texto anterior, OS MAIS, devem ser especificados tanto em relação às suas características, quanto em relação à comparação que está sendo enfatizada. Por exemplo, em um estudo hipotético  com 4000 pessoas no Reino Unido, encontrou-se que o hábito de fumar é menos comum de ser encontrado  NO GRUPO DE PESSOAS COM “MÉDIA” DE QI 107, do que em relação ao GRUPO DE PESSOAS COM MÉDIA DE QI 93. Neste exemplo, o grupo com pontuação maior de qi, presumivelmente o mais inteligente, dentro desta comparação, em média, foi menos inclinado para ter o hábito de fumar. Isso não significa que..:

_ não existam pessoas inteligentes que fumem, é notoriamente  evidente que elas existem,

– o grupo de maior MÉDIA de qi do hipotético exemplo representará “OS MAIS INTELIGENTES” para qualquer contexto comparativo.

A partir disso, nós podemos pensar que situação semelhante possa estar acontecendo com relação à popular ideia de que uma maior inteligência significará uma maior capacidade para obter sucesso na vida. Não. Há uma série de problemas estruturais significativos neste tipo de estudo.

– A definição rasa, incompleta e contextual  de inteligência,

-Os tipos de comparações tal como no caso do exemplo hipotético acima, onde grupos estatísticos são determinados como representantes fidedignos dos “mais inteligentes” ou ”dos mais estúpidos”,

–  Análise psicológica extremamente superficial, por causa da inexistencia de análise em relação aos tipos de personalidade, níveis de empatia verdadeira, motivação intrínseca causada pelo perfil cognitivo em conluio com a personalidade  e condição social da família.

Só para começar. Um bom investigador científico deveria ter muita cautela na hora de analisar este tipo de estudo e buscar sabiamente pelos pontos de discordância e de plausibilidade mais importantes, tal como aqueles que eu pautei acima.

Maior atividade mental e maior procrastinação

As pessoas menos inteligentes apresentam menor atividade cerebral e por isso pensam menos sobre a vida, os problemas do dia a dia, sobre como planejar o seu futuro adequadamente. Os REALMENTE mais inteligentes, isto é, que não são apenas  representações estatísticas, são o exato oposto dos seus algozes estúpidos. Justamente por pensarem demais, os mais inteligentes também serão mais propensos à procrastinação e à desistência. A procrastinação é o hábito de adiar compromissos e metas que foram estipuladas. Com ela, e por lógica intuitiva, acredita-se que quem procrastina mais também será mais propenso para desistir com maior facilidade. Tal como eu defini no texto sobre os intelectualmente obsessivos e os intelectualmente interessados, os mais inteligentes em média serão mais engolfados por seus pensamentos do que os outros grupos, justamente como resultado potencialmente negativo de uma maior e constante atividade cerebral. Podemos comparar o pensamento do estúpido e do mais inteligente, tal como a simplicidade sem profundidade do primeiro ( porque existe a simplicidade derivada de profundidade mental) e a complexidade do segundo. Portanto, o estúpido, não vê problemas para atravessar uma ponte nauseabunda, idêntica àquelas que vemos nos filmes do Indiana Jones, enquanto que o mais inteligente, pesará com riqueza de detalhes todos os riscos que estará correndo ao atravessar a ponte. Esta metáfora serve especialmente para demonstrar que enquanto o estúpido será mais propenso na tomada de riscos, justamente porque tende a desenvolver uma pobreza de detalhes quanto aos perigos que poderá acomete-lo,  o mais inteligente será menos provável de desprezar os riscos justamente porque a evolução lhe presenteou com uma maior capacidade para se antecipar aos problemas. E isso se estende a todos os aspectos da vida humana. Tal como eu já comentei, especialmente em nossos respectivos contextos sociais idiocraticos e de capitalismo selvagem, os realmente mais inteligentes estão potencialmente incapacitados para operar plenamente na sociedade, porque enquanto que o malandro de baixa inteligência, será menos empático e menos apto para capturar boa parte das minúcias, para não “pisar em ovos”, o mais inteligente só poderá evoluir dentro da sociedade, quando esta se tornar perfeita. Como resultado, ambiental e genético, o mais inteligente recuará mais ,visando evitar causar mal desnecessário às outras pessoas, e o fará ainda mais em nossas sociedades primitivas. Para muitos deste tipo, não é apenas uma questão de nadar contra a maré, também é uma questão de, a maré que precisa ser vencida, seja tóxica para aqueles de intelecto super desenvolvido, incluindo aí o componente da empatia.

A desistência muitas vezes poderá se dar entre os mais inteligentes porque eles serão menos competitivos do que os demais. Combinado a isso uma tendência para grande atividade mental, a desistência também será um resultado do excesso de pensamentos.

“Por que eu deveria competir? Eu vou competir para ganhar, mas e depois? Eu não iria ganhar mais se desistisse agora? O que é felicidade? O que é vitória? Qual é proposito de tudo? Por que um troféu não é nada mais nada menos do que a pseudo-eternalizaçao do meu ego?…”

Para chegar a uma resposta apenas, o mais inteligente poderá percorrer um longo e confuso caminho,  e que poderá não resultar em uma resposta mais objetiva. Em compensação, a pobreza de complexidade mental do estúpido ( vale ressaltar que neste caso, o estúpido necessariamente não precisará ter baixa inteligência técnica, os famosos idiotas úteis clássicos) o fará mais apto para chegar à respostas pseudo-objetivas visto que não são derivadas de objetividade mas de falta de complexidade de pensamento. O labirinto mental dos mais inteligentes poderão fazê-los mais procrastinadores e mais desistentes enquanto que o caminho simplório do pensamento do estúpido tenderá a fazê-lo mais ativo, porque pensará  menos e agirá mais.

O excesso de inteligência especialmente nas sociedades em que vivemos, não será uma vantagem mas uma desvantagem, onde os mais espertos ou malandros, se aproveitarão da estupidez e ingenuidade da maioria para enriquecer ou obter sucesso. Isso nos faz concluir que a Eugenia só poderá se fazer de maneira plena e com excelentes resultados, quando a cultura primordial humana for radicalmente modificada.

Uma inteligência técnica ou qi  não muito alta já é suficiente para proporcionar alguma vantagem direta para segurança monetária e até mesmo a eminência. Muitas vezes, não será ‘apenas’ o excesso de atividade mental e posterior procrastinação que impedirá o sucesso do ser humano mais intelectualmente evoluído, mas também o próprio perfil cognitivo incomum e super desenvolvido, que poderá fazê-lo mal adaptado à sociedade em que vive.

A própria estupidez de boa parte da humanidade é uma das melhores e principais explicações para a negligência em relação ao mais inteligente bem como pelo seu sucesso, reprodutivo ou profissional.

No próximo texto, eu vou demonstrar como a ”comunidade psiquiátrica” tem conseguido tropeçar nos próprios pés, sem conseguir conectar o que parece óbvio, como maneira de identificar o perfil cognitivo, psicológico, comportamental e fisiológico de genios em potencial.

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2 responses to “Os MAIS INTELIGENTES podem ser mais propensos à procrastinação e à desistência”

  1. José Vicente says :

    Sinceramente encontrei o site que faltava na minha vida! Textos ricos em detalhes! Perfeitos! Esse é o segundo que leio e estou extremamente instigado a ler os próximos! Parabéns!

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