‘Defeitos” de genio e as duas hipóteses primordiais da inteligencia humana

Somos o resultado de um erro evolutivo ou de uma evolução ”natural” ***

Neste blogue, eu já escrevi vários textos mostrando o moderno embate de dois nomes muito importantes na área de psicologia, o criminologista ítalo-judeu Cesare Lombroso e o psicólogo (judeu***) americano Lewis Terman. Eu já mostrei que o mais importante estudo de Terman, o famoso experimento da década de 20, provou-se predominantemente equivocado e pode ser resumido ao principal erro do psicólogo, ou seja, o uso de um único critério, pontuações débeis de qi, ao invés de potencial para o talento criativo para encontrar ”genios”. Terman descobriu que a sua população de superdotados (apenas mediante critério de qi) apresentou melhor ajustamento social, foi em média, mais alta, mental e fisicamente saudável do que a população de controle. E evidente que estes resultados foram completamente o oposto em relação ao ”mito popular” sobre a relação entre genialidade e ”loucura”. Cesare Lombroso, algumas décadas antes, já havia mostrado uma enorme correlação e causalidade entre ambas, principalmente porque analisou a biografia de muitos dos mais importantes genios do mundo ocidental. Vários estudos posteriores que também se debruçaram na análise biográfica de pessoas ”eminentes”, não encontrou os mesmos resultados correlativos de Lombroso (e Galton).

Uma série de problemas técnicos em todas essas pesquisas e que derivam essencialmente da mente dualista, que predomina em boa parte da humanidade, inclusive entre os cientistas, infelizmente. O que é eminente*** Eminente é igual a genio** Maria Antonieta foi um genio porque foi eminente** Ou será que nem todo eminente será um genio, nem todo genio será eminente… O que é ser normal*** Vidas bem ajustadas não podem ser acompanhadas por alguma perturbação interior controlada acima do normal*** A maioria dos eminentes objetivamente importantes foram de homens de genios mentalmente sãos ou ”homens” de talento*** Mais perguntas que respostas…

A primeira certeza, esta quanto ao trabalho de Terman, que hoje é usado como um exemplo visceral de alguma coisa relevante em relação a genialidade (o maldito ”qi”). Terman não analisou o potencial criativo dos seus pupilos termites. Portanto, Terman não selecionou e nem analisou genios. Seu estudo NAO PODE ser usado como parametro para a genialidade, talvez, para a superdotação. Mas como boa parte dos termites de Terman, não produziram nenhuma grandiosa realização  criativa, podemos dizer sem comedimento, que ”TER” UM QI ALTO, NÂO È SINAL DE SUPERDOTAÇAO”. O qi não pode resumir sinteticamente os conceitos de inteligencia, criatividade, muito menos o de genio. A ordem dos fatores altera o resultado. A correta análise sobre inteligencia humana não deve ser resumida a qi, este que deve servir como apoio estatístico, psicométrico, como suporte secundário que possa enriquecer a pesquisa, e não como protagonista.

A segunda certeza,  esta quanto ao trabalho de Lombroso. Cesare analisou alguns dos principais genios da humanidade. Genios não são contados aos milhões e nem todo eminente será um genio. Duas observações muito interessantes de Lombroso foram,

– As maiores contribuições filosóficas, científicas ou artísticas, foram realizadas por ”genios insanos”, que hoje poderíamos entender como ”alguém com grande intelecto e provido de alguma perturbação mental mais severa, proto-psico-desordem”

– Mesmo os ”genios mentalmente sãos”, ainda apresentaram EM MENOR GRAU, as mesmas características fisiológicas (defeitos) e psicológicas (perturbação mental)  dos ”genios mentalmente insanos” ou simplesmente, ”genios insanos”.

Como eu já concluí diversas vezes aqui no blogue, Lombroso fez um trabalho muito mais elucidativo e próximo da realidade sobre o genio humano, do que Terman, que sequer tocou a superfície da excepcionalidade humana. E os parcos resultados dos seus termites, são provas cabais dos equívocos do seu estudo. Vale ressaltar novamente que Terman produziu o seu trabalho convencido da ideia de que os prodígios não eram menos mentalmente saudáveis que os seus pares ”normais”. Como perceberam, motivações emocionais superaram a sua razão. Terman quis mostrar ao mundo sobre ele mesmo. O ego ainda permeia completamente o mundo academico.

A terceira e última certeza por agora, será sobre a opacidade investigativa de MUITOS cientistas, especialmente de psicólogos, que continuam a se perguntarem dualisticamente ”o ser ou não ser, eis a questão*** ”. E eu lhes dou como resposta, ” é muito relativo, e é mais provável de ser e não ser, ao mesmo tempo, depende de qual perspectiva. Mas para ser ou não ser, antes será necessário mergulhar na profundidade da alma humana”. Tal como Terman, a maior parte da psicologia ocidental moderna, mal toca a superfície da complexidade humana. São tão incompetentes que precisarão dos seus amigos neurocientistas para tentar entender o que se passa por dentro de nossas cacholas, sem ao menos diversificar e enriquecer por si próprios as percepções e observações  quanto ao comportamento humano.

Eh costume nos indagarmos ”como pode ser possível ser tão inteligente e ao mesmo tempo ter uma ‘doença” mental*** ”

A costumeira constatação será ”Ele ou ela é inteligente, APESAR do ‘seu transtorno”’‘. Não, quase sempre, será justamente o tal ”transtorno” que terá um papel fundamental para o maior intelecto ou a maior criatividade. Portanto, a relação é causal e não apenas correlativa. Psicopatologias são o resultado de mal funcionamento de determinado componente do cérebro, um excesso ou uma falta. Se há falta em um componente, poderá haver excesso em outro, como eu já falei, o cérebro não tem buracos. Nenhum espaço é desperdiçado.

Se Terman encontrou mais qualidades do que defeitos em seus ”supostos genios”, tudo nos leva a crer então que o quase-contrário será o mais provável de ser, isto é, um misto entre qualidades e defeitos que delinearão tendenciosamente a população humana de genios. A partir desta primeira constatação, eu vou especular como cada defeito que foi encontrado em maior proporção entre os verdadeiros genios de Lombroso et al, pode influenciar em uma maior criatividade, uma maior inteligencia ou mesmo, funcionar como motor para ambas, especialmente a primeira, se esta se faz mediante a captura de percepções incomuns que um cérebro muito saudável não será capaz de produzir.

 

OS DEFEITOS DE GENIO

 

Seguindo a ordem de características incomuns (defeitos) que foram encontradas em maior frequencia entre os genios, no livro de Lombroso, que está disponível para leitura na internet, em ingles, começo  pela irregularidade do cranio e cérebro dos genios analisados.

Se o genio é a manifestação de um grande talento, quase sempre combinado com déficits, que são o resultado desta super concentração de habilidades, então esta realidade deve ser o resultado de um cérebro incomum, com características incomuns como conexões raras de áreas remotas do cérebro ou mesmo com áreas vizinhas, produzindo super conexão, ou qualquer outra forma potencialmente vantajosa que não seja comum entre os cérebros ”normais”. O que se passa dentro de nossos cérebros, é reverberado exteriormente, por meio de nosso comportamento, nossa plasticidade para responder as intempéries ambientais que estamos interagindo a toda a hora. Aquele que pode ter ideias lógicas, úteis que são oriundas de associações muito remotas, talvez possa reverberar esta predisposição natural para o bizarro e funcional, também no seu cotidiano pessoal. Isso explicaria a relação causal entre excentricidade comportamental e criatividade. Lombroso mostrou que os genios, muitas vezes, ou são providos de grandes ou de pequenos cranios, mostrando que é provável que o tamanho importe um pouco menos, especialmente no que diz respeito a genialidade. Além de irregulares no tamanho, eles também tenderiam a ser incomuns, como eu disse acima, com conexões raras, tal como o cérebro da famosa autista Temple Grandin.

Algumas configurações cerebrais analisadas por Cesare, pareciam ter sido o resultado de alguma doença, tal como meningite, mas é provável que fosse mais uma coincidencia fisiológica do que a real presença de uma doença. Mas quem sabe*** Pode ser possível que algumas interações patogenicas (já sabemos que temos muitas) possam ser vantajosas para aumentar a capacidade intelectual.

Se o autismo de Grandin é uma resposta autoimune (se a vida por si só já não seja uma forma de resposta autoimune ao niilismo do vácuo), então talvez o mesmo possa ser pensado sobre a genialidade.

As deformações no cranio e no cérebro, evidentemente que reverberam também na própria face. Justamente por isso que muitos genios do passado, do presente e quem sabe, do futuro, apresentarão faces assimétricas, uma reverberação fisiológica das características do próprio cérebro bem como do cranio.

Gagueira

A gagueira é outro traço ou defeito que segundo Lombroso, foi encontrado para ser mais comum em ”homens de genio”. Como eu sugeri em um texto anterior, a gagueira parece ser o resultado de uma super eficiencia do cérebro, e tudo aquilo que está em excesso, tenderá a causar mais problemas do que soluções. Os gagos pensariam tão rápido que a velocidade da construção de frases não acompanharia o próprio pensamento. Além da velocidade, o excesso de ideações, causada pela ansiedade de falar sem disfluencia, também pode ter um efeito. Sabe-se que a gagueira também é mais comum entre canhotos e e judeus ashkenazim.

Alguns estudos tem sugerido uma relação entre maior inteligencia técnica ou qi e problemas de gagueira. Para ser genio, não é necessário ”ter” um alto  qi (performance), mas talvez quase todo genio pontuará muito alto em algum teste psicométrico específico, tradicional (verbal, espacial…) ou pouco acessado. Portanto, ainda haverá alguma correlação entre genialidade e qi.

Canhotismo

A lateralização anomala é o experimento natural da humanidade, onde todos os tipos de excepcionalidades bem como de defeitos tenderão a se manifestar mais comumente do que em populações menos mutantes. O canhotismo ou o hábito inato de escrever com a mão esquerda, bem como de usar mais o lado esquerdo do corpo para qualquer atividade manual, é um bioproduto exteriorizado da lateralização anomala. Canhotismo se relaciona com quase todos os ”defeitos de genio”, assim como o autismo, porque são bioprodutos de um mesmo fenomeno biológico complexo, evolutivamente lógico da humanidade. Todos os defeitos de genio tenderão a se relacionar entre si, tal como um fenótipo mental, cognitivo, fisiológico e psicológico. Não preciso adentrar mais a fundo neste ”defeito”, visto que já é sabido que a reversão da lateralidade habitual humana, tende a se relacionar com excepcionalidades cognitivas (hipertimesia, savantismo, autismo funcional, superdotação, criatividade e possivelmente a genialidade) assim como também com vários defeitos. Alguns o chamam de ”síndrome da mão esquerda”.

 

Esterilidade

 

A grande quantidade de defeitos fisiológicos, podem ter um papel causal na redução do potencial germinativo natural, isto é, reprodutivo, do genio, se a natureza sempre favorece a saúde ao invés da inteligencia. Os mais saudáveis são mais propensos a terem filhos saudáveis, ao passo que no caso do genio, dependendo do tipo de parceira ou parceiro que estiver se relacionando, as chances para a degeneração biológica intergeracional será grande. E como muito raramente escolheremos pares de acasalamento que serão diferentes de nós em relação ao comportamento (e isso reverbera no tipo de cérebro), ou o genio não encontrará ninguém do sexo oposto para acasalar e terminará no celibato, ou terá predisposições assexuadas ou homossexuais ou se casará com uma mulher  com similaridades comportamentais, produzindo filhos problemáticos ou que não herdarão o talento do pai ou da mãe. Ainda que não se possa afirmar que será sempre assim, será uma grande tendencia para esta população diminuta. A proporção de mulheres de genio é consideravelmente mais baixa do que de homens, portanto, eu estou discriminando pela enfase no tipo masculino, que será muito mais comum. Isso sem contar que para as mulheres, é sempre mais fácil encontrar um conjuge. Nos perguntamos porque o genio muitas vezes, termina sozinho ou acaba em um relacionamento anormativo e portanto infrutífero. Tal quando fazemos a analogia do ”porque mesmo sendo tão inteligente, ainda é um ‘doente mental””’, também fazemos o mesmo tipo de analogia dualista simplória, ‘‘se o genio é tão superior e bom, então por que termina solitário ou não tem filhos ou quando os tem, raramente herdam o genio do pai**”

A esterilidade pode ser portanto o resultado natural de um acúmulo de traços biológicos desfavoráveis a reprodução, isto é, que direcionam muitos recursos para o intelecto, desequilibrando as funções organicas do corpo. Ou pode ser o resultado da enorme complexidade mental do genio, que o tornará candidato ”hour concour” para a solidão ou ostracismo social. As causas para a solidão do genio poderão ser ambientais ou biológicas.

 

Ser diferente dos pais

 

Pressupõe-se que se a genialidade seja o resultado fenotípico de mutações a mais, assim como também de defeitos que são resultados diretos destas mutações, então as características faciais bem como corporais dos genios, poderão diferir dos seus pais, se em condições normais, os filhos tenderão a se parecer com os seus pais. Outra possibilidade, para alguns casos de genios, seria a de que ao invés de herdarem um dos fenótipos de aspecto físico do pai ou da mãe, eles herdariam ambos, produzindo uma mescla entre os dois e portanto, a diferenciação fenotípica. Genios, não apenas tendem a diferir dos seus pais biológicos, assim como também do ”fenótipo nacional”, como eu já demonstrei em outros textos, ao invés do cabelo louro, um Ingmar Bergman, com feições incomuns para um sueco típico…

Também já mostrei que a miscigenação racial pode produzir genios, tais como Machado de Assis e Alexander Pushkin, maior poeta russo. Mas claro que a genialidade tende a ser tão rara, que é pouco provável que a miscigenação racial ou a endogamia (pureza)  sejam completamente causais ao fenomeno. Pode-se dizer que, mediante certa combinação de características, mais a miscigenação, poderá em eventos bem mais raros, produzir grande e criativo intelecto. Ao contrário da hereditariedade de traços fisiológicos particulares, como a cor dos olhos, a genialidade necessita de uma combinação de muitos traços, vários deles, que geralmente se repelirão em condições biológicas menos magnanimas, mas que se acoplam poderosamente para a alquimia do genio humano.

 

Misoneísmo

 

Repulsa por tudo aquilo que é novo. Surpreendentemente, muitos genios do passado, segundo Lombroso et al, apresentavam este tipo de comportamento. Mas, como o genio tende a ser altamente complexo, a ”contradição” pode facilmente repousar em suas mentes. Como eu já sugeri em um texto aqui, a mente do genio tende a ver o mundo não como um quebra cabeças pronto, mas como um quebra cabeças a ser montado ou mesmo, com suas peças suspensas, e que são manipuláveis. Portanto, ao contrário da narrativa dualista típica, o senso de lógica do genio caminhará para a complexidade. Mas, todo tipo de comportamento muito intenso, tenderá a ser encontrado em genios e o misoneísmo será um deles e dependendo do tipo, poderá estar em estado puro ou mesclado com outras complexidades mentais altamente evoluídas, que mais parecerão grego antigo para os ”normais”.

 

Comportamento errante

 

Tal como eu disse logo acima, a complexidade permeará muito mais profundamente a mente do genio, do que a mente do normal. O comportamento errante, a incapacidade de fixar moradia em um local, será uma tendencia comum em muitos genios, tal como foi encontrado por Lombroso e tal. A irritação cerebral que produz a criatividade, pode ter um papel nesta inquietabilidade assim como também para a curiosidade. Muitas vezes, a saúde frágil de muitos genios, poderá influir como um importante fator para as viagens, tal como sair de uma cidade durante o inverno europeu e ir para algum lugar de veraneio a beira do mediterraneo, onde os dias frios são mais amenos. Em termos comportamentais, o genio só será  em média, mais aberrante que o normal e este é o resultado direto de uma configuração cerebral incomum.

 

Precocidade

 

Muitos genios foram e são prodígios, mas nem todo prodígio será um genio. No entanto, mais genios serão precoces do que em comparação aos seus pares normais. O desenvolvimento assíncrono dos cérebros de superdotados, no entanto, nos mostram que apesar desta tendencia, vários tipos de genios, aparecerão, tal como aquele que só começará a demonstrar o seu talento a partir da idade adulta. Vale ressaltar que a precocidade, muitas vezes, não se dará apenas em um sentido cognitivo, mas também comportamental, e muitos genios, serão sexualmente precoces.

 

Intuição (descrita como ”inconsciencia” por Lombroso) e Instinto

 

A intuição é uma das características mais descritivas da genialidade e eu já sugeri que possa ser o resultado de um modelo de mente complexa, labirinto, onde os pensamentos fluem de maneira inconstante, muitas vezes, pulando completamente as etapas, requeridas em mentes comuns. A educação, que justamente se baseia neste processo, pode ser adjetivada como inútil para o genio assim como para o criativo comum.

O instinto é outro traço incomum, que é encontrado em genios, mas que está escasso entre os ”altamente inteligentes”. Isso explica o porque da tendencia ”pseudo-socialista” dos professores universitários em contraste com a grande capacidade perceptiva, instintiva, do genio de todos os tipos.

Ainda que frágil, enquanto um ser excepcional e raro, o genio tenderá ser muito instintivo. A intuição, uma característica cognitiva mais infantil, feminina, combinada com o instinto, uma característica cognitiva mais adulta, masculina, pode significar metaforicamente que o genio seja o ser humano completo, dotado de sua feminilidade e masculinidade, afloradas ao nível máximo da perfeição. A grandiosidade pode e costumeiramente levará a loucura.

 

Sonambulismo

 

O estado dissociativo que um cérebro mais apto para ter intuições, também pode ter outros efeitos tal como o sonambulismo bem como um estado de transe, mesmo quando acordado. Pode-se dizer que enquanto  que o criativo absoluto (ou o genio criativo) sonha acordado e produz suas inovações, o comum não-criativo, sonhará apenas quando estiver dormindo. O que seria a criatividade senão uma espécie de sonho vívido***

 

Motivação intrínseca poderosa ou inspiração divina

 

Musas, visões ou inspirações divinas, derivam de um sentido interior profundo de que deve fazer algo. Alguns almejam o estrelato mundano, outros almejam ter uma vida tranquila, outros almejam fazer filmes pornos, enquanto que alguns almejam além dos interesses mundanos, muitas vezes que correrão em paralelo, também uma grande ambição quanto as suas motivações pessoais. O genio muitas vezes aspirará a revolução em sua respectiva área, ainda que não se possa dizer que todos o farão mediante motivações pessoais egocentricas.

 

Dupla personalidade e estupidez

 

A dupla  personalidade ( ou mais) do ser humano, aquilo que eu denominei como ”as duas personas dualistas”, o bem e o mal, estará aberrante entre os genios, ou na maioria deles e talvez, esta maior dimensão, este maior descompasso (o conflito interno) possa ser um fator causal importante para a poderosa motivação intrínseca do genio.

Aquele que pode ter as mais frondosas ideias, também poderá produzir espinhos e rosas murchas. A densidade muito volumosa de ideias entre os genios, especialmente entre os genios criativos, aumentam as chances, tanto para insights altamente inovadores, quanto para ideias-pastelão. E tal como eu sugeri, todos nós somos estúpidos e inteligentes ao mesmo tempo, se a inteligencia, especialmente a humana, seja mutidimensional. Muitos genios terão um colosso de intelecto em paralelo a um igual catatau de estupidez. A variedade de tipos será grande, assim como acontece com todos os outros tipos e no caso do genio, como sempre, as diferenças serão mais aberrantes, inclusive e especialmente a nível individual.

Isso também comunga com a minha ideia (assim como a ideia de outros pensadores livres da blogosfera) que a superdotação seja uma espécie de síndrome de savant, muito mais leve em sua severidade e também mais diversificada.

 

Sensibilidade aflorada

 

Nos mais altos níveis da capacidade humana, haverá uma tendencia para os altos níveis de sensibilidade. Eh possível que uma sensibilidade sensorial, possa ter um papel decisivo para uma maior sensibilidade moral, emotiva. Como quando todos os sentidos ou ao menos um deles, estão muito acima do funcionamento habitual, haverá uma tendencia para se interagir mais intensamente com o mundo ao redor e portanto, senti-lo mais do que os outros. A extensão da sensibilidade sensorial para tudo e para todos, pode fazer o mundo dos genios, um lugar mais sombrio e triste, do que o contrário, se apesar deste grande dom, na maioria das outras pessoas a empatia objetiva ainda esteja subdesenvolvida.

”Chegará um dia no qual os homens conhecerão o íntimo dos animais; e nesse dia, um crime contra um animal será considerado crime contra a humanidade.”

Leonardo Da Vinci

Eu acredito que uma boa parte dos problemas psicológicos da genialidade e da criatividade, sejam os resultados de intensa interação com o meio, seguida por intensa frustração, visto que genios e criativos tenderão a viver culturas neurológicas que espelham  em ”como o mundo deveria ser” e não ”como ele é”.

Genios costumam ser intolerantes a erros, mesmo os mais supostamente irrelevantes. Tal como eu já falei em um texto anterior (repito isso 500 vezes, kkkkkkk), os intolerantes a erros, poderão ser nossos verdadeiros herois, o rabugento empático.

 

Amnésia

 

A mente dualista cria uma pseudo-lógica, onde pares comuns devem sempre andar de mãos dadas. Então, alguém de grande intelecto não poderia ter problemas de memória, correto***

Mas como eu já falei no texto sobre a degeneração contextual do genio, muitas vezes, a ideia de ”perda de memória” , não se baseia mediante uma perspectiva empática, ou seja, se colocar no lugar do outro para tentar entender o porque de agir assim.

Mediante a perspectiva do genio, certos assuntos da vida mundana não parecerão tão importantes para serem memorizados. E tal como eu sugeri anteriormente, a memória afetiva estará fortemente relacionada com a sabedoria, que combinada com obsessão intelectual, tenderão produzir uma memória altamente pragmática e objetiva. Portanto, lembrar datas de aniversário, o nome de ruas ou mesmo de pessoas, não será tão importante assim. A mente do genio tenderá a ser intensamente objetiva,  especialmente em relação aos seus interesses.

Se a mente de todos fossem como as dos genios… mas as pessoas memorizam irrelevancias intelectuais, na maior parte das vezes.

 

Originalidade e amor a neologismos

 

Os genios que foram os inventores de línguas e vocabulários, também podem inventar outros meios de comunicação. Não há limites para a imaginação do genio. A criatividade não é apenas um estilo cognitivo, é uma cultura neurológica que tenderá a permear cada meandro da personalidade e da vida daquele que a tiver muito bem desenvolvida. Como resultado, até mesmo em relação a detalhes tal como a maneira de falar, poderá ser influenciado pelo dom da criatividade.

 

Originalidade

 

A vontade de fazer algo impactante, novo, se baseará no ego muitas vezes descomunal do genio. No entanto, mesmo este defeito, geralmente será gerado por sua autoconsciencia, igualmente descomunal. A intuição, a curiosidade e a experimentação, características comportamentais neotenicas, são algumas das tendencias mais contundentes dos genios.

 

Defeitos fisiológicos de genios

 

Orelhas grandes de abano** Pele muito pálida*** perrrninhas tortas*** Magreza** Tuberculose**

Ainda poderíamos falar sobre asma, miopia, tendencia para alergias… Muitos superdotados nerds comungam suas elevadas inteligencias com algum tipo de custo fisiológico, resultado direto de uma maior carga mutacional. O aumento da inteligencia humana parece vir com muitos encargos. Mas talvez, a complexidade da vida e especialmente da vida humana, seja tanta, que se não fossem estes defeitos, não teríamos chegado onde chegamos (se isso é uma coisa boa ou não, eu já não sei, mas pode-se dizer que algumas das mais belas almas deste mundo, vieram com algum defeito de fábrica que os fizeram repelir o jogo sujo da natureza, a competição pragmática e selvagem). A motivação intrínseca para fazer algo impactante, pode vir de alguma provação pessoal, uma vontade de superação pessoal que quando combinada com o intelecto enérgico e catalizador, poderá produzir uma ebulição de experimentação existencial que terá um alcance muito acima do campo individual.

Orelhas grandes podem ser boas para ”ouvir melhor”. A pele muito pálida, pode ser o resultado de deficiencia de vitamina D, que se relaciona com autismo, e como eu já falei várias vezes, também se relaciona consideravelmente com excepcionalidade cognitiva. Pernas tortas também são correlativas com autismo. A superdotação geralmente virá acompanhada com custos fisiológicos e psicológicos, como resultado da redução do sistema autoimune, por causa do excesso de exposição ao testosterona durante o período intrauterino.

Algumas suscetibilidades patológicas, podem acompanhar a genialidade como a tuberculose. Inclusive alguns estudiosos acreditam que a tuberculose (bem como outras suscetibilidades patológicas) poderia ter uma relação causal com o fenomeno.

 

Suicídio

 

Muitos genios do passadocometeram suicídio. A melancolia pode acompanhar as mentes mais enérgicas e criativas da humanidade e predispo-las para a depressão e posterior suicídio.

Surpreendentemente, não parece existir uma relação entre maior qi e tendencias suicidas. Mas não restam dúvidas que o suicídio se relacione tanto com personalidades extremas quanto com criatividade. Isso nos ajuda a entender que o genio não é apenas alguém muito inteligente e na verdade, sequer seria necessário ter um grande intelecto. As diferenças entre o genio e o inteligente não são apenas quantitativas, mas de grandeza, são diferenças existenciais, onde o genio entende o mundo  a partir de sua perspectiva, aberrante, ”estranha”, fluida, dissociativa, proto-patológica, enquanto que o inteligente, seria apenas como uma pessoa normal só que com maiores recursos cognitivos.

 

Espasmos ou movimentos repetitivos e epilepsia

 

Sim, muitos genios e homens de talento do passado (e do presente) foram (e são) epilépticos. Os mesmos espasmos e movimentos repetivos (voces sabiam que eu adoro movimentar meu corpo, balançá-lo para trás e pra frente quando estou muito eufórico com uma música da qual gosto muito*** ) que caracterizam o autismo, também caracterizaram muitas das mais poderosas mentes humanas historicamente reconhecidas do passado bem como de genios modernos, muitos deles, que estão ostracizados pela estupidez coletiva orquestrada por nossas ”amadas elites”. O excesso de energia inconstante que caracteriza a mente do genio, pode nos ajudar a explicar o porque da relação com a epilepsia.

 

Megalomania, alucinações e ”insanidade” moral

 

A megalomania parece se relacionar com ‘insanidade moral”, porque para aqueles que almejam grandes realizações, a ambição poderá levá-los a cometer toda a sorte de comportamentos que seriam considerados como imorais em sua raiz. A mente do genio tenderá a ser objetiva, especialmente para aquilo que realmente importa e pragmática. Tal como eu sugeri sobre a moralidade objetiva e subjetiva. A população em média, é mais absorta pela moralidade subjetiva, que pode ser representada pela ”religião”, cultura dentre outros códigos morais subjetivos, que mudam de costa a costa. Em compensação, os mais inteligentes assim como também no caso dos genios, a moralidade objetiva, será mais requerida, justamente por basear-se na objetividade do bem estar social. No entanto, tal como em circunstancias anteriores ao mundo ”moderno”, em nossas sociedades desiguais, absurdas, presas a toda sorte de pedantismo intelectual e de superstições que nunca se cansam de se sofisticar, a única maneira do genio de vencer neste cenário desolador em eterna regressão evolutiva, seja justamente por meio da negação dos ditames morais subjetivos. Mas esta tendencia será o resultado de predisposições anteriores a qualquer interação. Como eu disse, a criatividade tenderá a se manifestar em todos os aspectos da vida dos genios.

Lombroso considerava tudo aquilo que fugisse dos ”bons costumes vitorianos do final do século XIX” como insanidade moral. Portanto, talvez, muitos dos genios que ele analisou, não foram de criminosos, nem de desonestos, mas que pelo ”pecado da naturalidade”, foram convertidos pelo criminologista como da mesma espécie que seus primos existenciais matoides.

Outros defeitos de genios como as tendencias para o alcoolismo e o abuso de substancias nos mostram mais uma vez, que boa parte da ”psicologia cognitiva”, neurociencia bem da psicologia educacional, estão seguindo em direção ao caminho errado, ao tratar a relação entre predisposições psicopatológicas e genialidade como excessos de uma era poética e romantica do passado.

Não é porque estamos inseridos em ambientes tecnológicos mais avançados, que boa parte de nossas incertezas existenciais desapareceram.

 

Respondendo a pergunta do início do texto. Se os seres humanos com as maiores capacidades intelectuais, tendem a acumular uma boa quantidade de irregularidades em seus físicos bem como em suas mentes, estas que podem ser o resultado de interações patogenicas complexas, especialmente durante o período intrauterino, ao contrário da ideia de ”evolução natural da inteligencia”, então, a hipótese de que nosso cérebro incomum seja o resultado de um desvio da norma natural, um erro evolutivo, parece mais plausível e que o genio, seja um desdobramento deste erro e não um avanço. A natureza parece dar preferencia para o equilíbrio das funções ou saúde, ao invés da doença ou mesmo, da proto-doença, o desequilíbrio.

Se minha conclusão for comprovada, então isto terá implicações severas sobre diversos ramos da pesquisa científica sobre a humanidade, dentre elas, a psicologia cognitiva.

Nos habituamos a considerar qualquer erro como imoral, mas talvez, se não fossem por estes erros, não teríamos tudo aquilo que temos agora, resultado do sofrimento, da angústia, da provação existencial, daqueles que estão conscientes demais e quanto mais consciente da própria finitude e fragilidade, mais consciente da morte estará.

 

 

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