Experiência existencial, um novo passo para a humanidade

Todos nós sofremos, em maior ou menor intensidade, a provação de ser autoconsciente em relação à própria finitude.

Em um mundo onde nós temos uma indústria oficial de patologização, tal como a psiquiatria bem como a ilusão do poder objetivo e neutro da ciência, acabamos nos esquecendo de algo que é muito mais profundo e ulterior do que qualquer invenção humana, que nos abarca enquanto entidades dinâmicas, complexas, vivas e temporárias. A passagem implacável do tempo, nos faz refletir e questionar afinal de contas o que somos, se não somos a finalidade, porque não seremos eternos, então o que somos, se não veículos para a experimentação existencial***

A partir de minha ideia sobre as 3 personas fundamentais da consciência humana, que já explicitei em um texto, a experimentação ou experiência existencial, aparece como um interessante estudo filosófico do ato de existir e de sentir a própria existência ou, viver, basicamente.

O portador de condições bio-existenciais extremas como os ”transtornos mentais”, aparecem como um exemplo da experiência existencial humana, a frente da percepção popular mesquinha de normalidade. A ideia de normalidade é antítese da ideia de empatia, de se colocar no lugar do outro.

A experiência do autista funcional (por exemplo), isto é, aquele que não é portador do autismo clássico ou disfuncional, não se baseia apenas ou especialmente na incapacidade de se acoplar aos critérios unilaterais de normalidade, mas em sua própria experiência existencial, que tenderá a ser consideravelmente mais rica do que aquela vivenciada por aqueles que acreditam serem normais. E seria ainda mais rica e potencialmente vantajosa a sociedade se não tivesse problemas ambientais de adaptação.

O pensamento intuitivo, biológico, de animal, de que somos apenas reprodutores, deve ser superado, porque a vida não é apenas um fenômeno marginal, literalizado e físico, visto que também se consiste em uma fenomenologia, tão significativa como o movimento dos corpos celestes, a chuva ou os raios. Não existimos apenas como indivíduos, atomizados dos ambientes em que vivemos, mas também somos nossas experimentações. O que importa pra nós são as nossas experimentações pessoais que são capturadas por nossas memórias autobiográficas. Nosso passado é um rico tesouro de experiências e percepções únicas que constroem nossas identidades, plásticas porém nucleares, isto é, que podem se expandir, mas sempre voltam ao centro de nossas existências, nossas essências. A quebra desta plasticidade finita, seria a completa transformação da identidade, algo que é pouco provável de ser possível de ser feito ou de acontecer.

Quase todos os rótulos humanos ou adjetivos, modernos e antigos, se baseiam unicamente em nossa perspectiva biológica, desprezando a metafísica que se consistem as nossas interações de outros níveis, fora o biológico.

Portanto, voltando à ideia da ”triarquia da alma” ou das 3 personas. Se quisermos saltar de consciência, então devemos desprezar ou procurar desprezar as duas personas animálias, o bem e o mal, a esquerda e a direita, que cria nossos conflitos internos, nossas conveniências, nossas paixões e nossos ódios. Ao conflito interno, cabe apenas e especialmente ao criativo genuíno, onde a sua experimentação existencial ou essência, será indissociável de sua aflição interior. Ainda que seja de suma importância que todos nós, adentremos ao mundo da neutralidade, de Deus, que se consiste na união das duas personas dualistas. Esta sim, é a verdadeira sabedoria.

Dar mais importância a tudo aquilo que é belo, objetivo, racional, imaginativo e começar a desprezar os interesses mundanos, começando pela aceitação da diversidade comportamental neutra, a ver a todos como experimentações fluidas, dinâmicas e passageiras e não como competidores ou cooperadores pragmáticos de um projeto que não terá razão de ser, enquanto não tiver um significado maior, realmente transcendental, diferente das culturas dogmáticas que teimamos em denominar como ”religiões”. A partir da verdadeira sabedoria, passaremos a dedicar nossas vidas, de corpo e alma, ao verdadeiro Deus.

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