Caminhos do pensamento como explicação teórica para os “insights” criativos e a obsessão espontânea que os gera

 

Vamos imaginar metaforicamente que os cérebros normais sejam como um circuito de fórmula 1 e que os pensamentos sejam como os pilotos e seus carros. O caminho que percorrerão será conhecido, lógico e repetitivo. Agora vamos imaginar que os cérebros incomuns sejam como labirintos com muitos pontos de entradas e muitos pontos de saída. Imaginaram???

No cérebro normal ou circuito de fórmula 1, a construção e desenvolvimento do pensamento  será previsível e as respostas idem.

No cérebro incomum ou labirinto, a complexidade e a riqueza de respostas serão muito maiores do que do cérebro normal. Nos Labirintos, não existem caminhos lineares, portanto você pode estar no início do caminho e pegar um atalho e chegar quase no final do circuito. Metaforicamente falando, estes serão os famosos insights criativos. Outra maneira de visualizar a diferença da dinâmica do pensamento habitual em comparação ao pensamento criativo pode se dar por meio da velocidade média com que o pensamento percorrerá o circuito ou será construído. A velocidade média do pensamento normal será constante e progressiva, de 0 até 100 por hora, obedecendo a etapas, de 0 a 10, de 10 a 20, de 20 a 30… Em compensação o pensamento criativo será instável e potencialmente abrupto. Como quando o carro DeLorean viaja a anos-luz que o momento eureka! Aparecerá. De 100 km/h para 800 km/h em alguns segundos, sem obedecer a etapas construtivas.

Circuitos normais mais complexos  poderão produzir mais respostas, mas partirão dos mesmos princípios previsíveis e terão menor densidade para produzir insights. Ou seja, aqueles com maior inteligência técnica, mas que não serão nem criativos nem gênios, não serão como um DeLorean. Outra coisa interessante, labirintos apresentam entradas e saídas. E as saídas não terão limites de quantidade. Enquanto isso, circuitos fechados de fórmula 1 não terão entradas ou saídas, mas apenas chegadas, exatamente no mesmo ponto. Os circuitos previsíveis mais complexos terão uma maior quantidade de previsibilidade, mas ainda manterão o pensamento circular. A sofisticação contextual será a “cultura da inteligência”, ou seja a socialização dos tipos mais inteligentes dentre as massas em que o pensamento circular mais complexo e racional será replicado. Como eu já sugeri antes, estes são os consumidores culturais dos produtos de gênios, uma predisposição inata causada pela maior complexidade dos seus cérebros, que no entanto, não será suficientemente complexo a ponto de criar os próprios produtos ou inovações.

Portanto, nós podemos entender os níveis de capacidade humana por meio do espectro ”complexidade-simplicidade”, onde os cérebros mais potentes e criativos tenderão a ser mais complexos, tal como labirintos, enquanto que os cérebros menos potentes tenderão a ser mais simples, como os circuitos de fórmula 1, produzindo o pensamento circular.

 

 

As pessoas que são predominantemente não-criativas tenderão a cair na pseudo-armadilha do ”pensamento circular”, isto é, do processo de aquisição de uma ideia e de mentalização não-criativa desta ideia. O pensamento seria circular porque ele começaria por meio do conceito, amplificado para os detalhes e voltando ao conceito, até porque os ”não-criativos” serão predominantemente incapazes de inovar…. O pensamento circular produz o dogmatismo dentre outras formas de estagnação e repetição de ideias e pensamentos. No entanto, elas são importantes para cultura, religião e pela estrutura social.

O excesso de complexidade, geralmente, terminará por produzir as personalidades extremas. Isso explicaria a relação entre superdotação e a panaceia de transtornos mentais.

A velocidade inconstante e potencialmente intensa do pensamento criativo, explicaria os insights, os momentos de descoberta intuitiva, quando o carro sai de um momento de repouso, a 0 km por hora e atinge os 150, em uma questão de poucos segundos. Em compensação, o pensamento ”habitual” se caracterizaria pela aceleração constante e progressiva, tal como acontece com a aquisição linear e progressiva, etapa-por-etapa, das pessoas que são menos criativas. O não-criativo, constrói tijolo por tijolo, enquanto que o criativo pode, com apenas dois tijolos, construir metade da casa, em um curtíssimo espaço de tempo. (Um combo de metáforas, um recorde mundial!!!)

 

Obsessão do pensamento criativo

 

Vamos voltar a metáfora do labirinto e do cérebro complexo. Vamos imaginar que voce está dentro do seu labirinto mental, pensando consciente e inconscientemente em um conjunto limitado de ideias. Então vamos pensar que, metaforicamente falando, voce chegou a um beco sem saída. No cérebro ”normal”, o pensamento é fluido, constante e circular, do conceito para os detalhes, dos detalhes para o conceito. O conceito como a união primordial, o big bang da ideia, os detalhes como a sua expansão, sua fragmentação. O beco sem saída te fará gastar muita energia em uma mesma ideia e tal como que por telecinese, voce poderá chegar a resposta (a saída, uma das saídas, do labirinto) que tanto procura.

Isso se assemelha a maior capacidade perceptiva do mais criativo, que eu disse uma certa vez, onde uma bolha de sabão, não será apenas uma bolha de sabão. Portanto, para o criativo, a resolução de problemas, nem sempre será o mais importante. Saídas e becos sem saídas serão igualmente importantes, até porque alguns becos poderão ter passagens secretas. Isso explicaria a persistencia de muitos genios em relação a ideias que são consideradas como remotas e improváveis de darem certo ou de serem coerentes, pelos ditos ”normais”. Ninguém ”em sã consciencia”, dentro de um labirinto, preferiria um beco sem saída do que a própria saída. O beco ”sem saída” mental poderia ser identificado como a obsessão criativa. Encontrar a saída pelos caminhos mais improváveis.

 

(Obs, perdoem-me pela quase inexistencia de acentuação neste texto, por motivos técnicos que os próximos textos aparecerão assim, se alguém encontrar o acento circunflexo, mande um abraço do Santoculto=)

 

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