Inteligente ou criativo demais para produzir algo valioso ou para ser selecionado pela ”’elite”….

Todos os extremos virão com grandes benefícios, grandes custos e muitas vezes, com os dois. Os extremos da capacidade cognitiva humana geralmente se caracterizam por uma combinação de extremos em excelência e deficiência intelectuais.

Nas sociedades ”modernas, requisitos pré-determinados como úteis, justos e abrangentes, são usados como filtro para selecionar as pessoas que irão ocupar cargos, que são em sua maioria de natureza burocrática, isto é, que são técnicos e trabalham pela manutenção do aparato civilizacional em que se está inserido.

A maior parte das pessoas que conhecemos, inclusive muito de vocês que leem este blogue, se encaixam neste perfil. É claro que como somos uma espécie com tendências para especialização individualizada, então nós precisamos ter uma plasticidade comportamental ou adaptativa para que possamos nos inserir dentro do contexto social que apresentará suas respectivas demandas cognitivas de cooperação, tanto para especificidades como para mobilidade comportamental.

A natureza valoriza o equilíbrio, não os extremos. As sociedades modernas também valorizam o equilíbrio de elementos, tanto para o funcionário burocrata de classe média, que poderá ter uma vida sem atropelos financeiros, assim como também para aqueles com sede de poder, que ocuparão o posto de ”elite” (ainda que a maior parte destes, serão menos equilibrados do que as classes médias). Se você é um ser em equilíbrio, então é pouco provável que será alguém muito criativo.

Partindo da lógica, ”extremos são quase sempre ruins” então, pode-se afirmar que aqueles que são OS MAIS, qualquer coisa, poderão pagar um preço mais alto por isso… E e este preço pode vir com juros que são as ”circunstâncias ambientais desfavoráveis”.

Ser muito alto ou muito baixo é no geral, pior do que ter uma estatura média. Claro que, quando uma pessoa nasce com uma determinada condição potencialmente desfavorável, ela caminhará para lutar por sua sobrevivência e adaptação. Mas isso não significa que sua luta não será mais difícil que daqueles que estão em melhor conformidade com  a norma, seja para qualquer característica.

Se o excesso é ruim, então, mesmo as características mais ”valorizadas” pela humanidade, também serão contextualmente ruins, se forem manifestadas de maneira extrema.

Portanto, os MAIS INTELIGENTES, os MAIS CRIATIVOS, dentre outros tipos extremos com excesso de ”dons”, podem estar em maior desvantagem para externalizar e produzir através de suas habilidades, do que aqueles que são menos excepcionais.

O mais inteligente, segundo a teoria das super excitabilidades de Kazimiersz Dabrowski, será potencialmente, uma pessoa, que vivenciará a sua transcendência pessoal de maneira intensa, introduzindo em tudo aquilo que interage, o seu dom excepcional, ou seja, a sua inteligência. Agora imaginemos este tipo, morando em uma cidade como São Paulo, grande, caótica, desigual, violenta, poluída… As pessoas em maior equilíbrio de ”elementos” cognitivos (psicológicos e mentais ou intelectuais), apresentarão ”uma maior tolerância para o mal” do que alguém que seja ”inteiramente inteligente”. Uma falta de excesso de dons, poderá significar, uma maior capacidade adaptativa. Mesmo vivendo em um ambiente deprimido e complicado tal como a cidade de São Paulo, aquele que é mais equilibrado em inteligência, poderá tirar algum proveito desta situação, desprezando a enorme quantidade de eventos injustos que acometem esta mancha urbana diariamente, enquanto que o mais inteligente, poderá caminhar para uma paralisia moral, se se sente impotente por não ser capaz de solucionar de imediato os problemas sociais com os quais está a interagir, se observa que as pessoas não se tornam racionais por educação, mas porque são cognitivamente impossibilitadas e como consequência, será incapaz de convencê-las quanto aos seus pensamentos, uma grande dificuldade de comunicação por causa da diferença de níveis. Se a moralidade aguçada e justa é um dos principais traços comportamentais dos mais inteligentes, então, realmente pode ser possível que muitos deles se tornem completamente incapazes de interagir dentro dos ambientes sociais em que estão, e de ”vencer”, por meio de um bom emprego e a construção de uma bela família ou mesmo, na construção de uma carreira imponente nas artes, nas ciências ou na política.

O CRIATIVO DEMAIS…

A criatividade cognitiva  bem como as suas manifestações mais elevadas, se caracterizam por grande densidade diária de novas ideias ou associações remotas, grande sensibilidade ambiental ou ”inibição latente reduzida”, grande vontade de experimentação ou abertura para sensações e igual tendência para a construção de um excelente código moral, incompatível com o mundo em que vivemos.

Aquele que é criativo demais, também poderá ser muito inteligente (ainda que possa não ser O MAIS inteligente), e poderá se ver em uma situação bastante desfavorável, especialmente no mundo moderno. Em um mundo com enorme quantidade de estímulos ambientais, que são o resultado do avanço tecnológico, os mais criativos poderão se ver na encruzilhada de escolher pela consolidação de uma carreira ou pela busca desenfreada de sensações e de percepções. Ainda há espaço para o talento do gênio criativo, nas artes de todos os tipos, mesmo que as vagas sejam muito poucas e que certos favorecimentos tenham o potencial de prejudicar a externalização do talento genuíno. No entanto, para o gênio criativo que está mais inclinado para a ciência ou ”observação analítica” do mundo e de seus fenômenos, haverão ainda menos vagas disponíveis que poderão ser preenchidas. Alguns grupos de excepcionais, se tornaram párias cognitivos dentro de ”nossas” sociedades técnico-burocráticas, porque seus respectivos talentos são muito raros e porque quase não existem nichos ocupacionais especializados para eles.

Algo de interessante tem acontecido no mundo. Na época de Galton e Cesare Lombroso, dois nomes dos quais  eu tenho falado muito aqui, especialmente o segundo, sabia-se que existia uma relação muito profunda entre a genialidade criativa e as predisposições psicopatológicas. Não era apenas um movimento romântico, na tentativa de romantizar a ”doença mental”, visto que, os mesmos padrões de excentricidade e talento, já haviam sido notados muitos anos antes.  Foi uma constatação retida de observação analítica e de lógica racional. Os excepcionais são extremos e os extremos são desequilíbrios.

Em sociedades menos burocraticamente reguladas, havia uma maior meritocracia para o gênio criativo, ser notado e de suas inovações serem usadas em prol da sociedade. Como sempre, os gênios filosóficos que eram contrários à ordem estabelecida daquelas épocas anteriores à nossa, poderiam sofrer com ostracismo, mas nada se comparava com o que está acontecendo hoje em dia. Possivelmente, o aparecimento do ”socialismo” no século XIX, pode ter contribuído para dar o prego no caixão dos gênios. Eu já sugeri em um texto anterior (uma frase muito comum aqui no blogue, rsrsrs) que a genética da genialidade se assemelharia à desigualdade social, muitos com pouco e poucos com muito, dinheiro (está para a ) inteligência, analogicamente falando. Em sociedades mais igualitárias, a genética dos extremos, pode ser menos comum, se todos ou a maioria, são mais ou menos iguais em comportamento e inteligência, vide o exemplo da Finlândia que eu coloquei na fotografia que estampou o texto citado. O ”trabalho em equipe”, que muitas vezes, se torna inútil para a resolução real dos problemas ou para a construção de novas ideias, é basicamente a negação do gênio. Muitas cabeças funcionam melhor do que uma??? Muito relativo, nem sempre será assim.

No mundo dos ”gênios de Nobel”, a inexistência ou sub representação de gênios criativos completos dentre os mais altos níveis da realização humana moderna, está em contraste flagrante com o passado, em que o oposto era o mais possível de ser.

Graças ao avanço tecnológico e estrutural (universidades de alto nível), hoje em dia, é mais fácil fazer descobertas ou realizar inovações do que há 100, 200, 2000 anos atrás. Os gênios ”insanos” de Lombroso, que hoje são rotulados de ”duas vezes excepcional” ou ‘twice excepcional” (deficiência combinada com superdotação cognitiva) e que segundo o próprio, foram aqueles que deram as principais contribuições, foram quase que integralmente substituídos pelos gênios ” sãos” assim como também por um exército de termites, que popularmente são reconhecidos como ”altos qis”.

É de se esperar que em um mundo de aparências, a grande inteligência também necessitará aparentar, aquilo que não é. A utilização de critérios cognitivos ”puros”, que na verdade, se relacionam mais com a ”educação”, do que com inteligência pura, onde grande percepção emotiva e portanto moral, também estará acoplada ao fenótipo, mostra-se ideal para uma sociedade corrupta. Não que os gênios criativos sejam todos de super empáticos, na verdade, é esperado uma grande diversidade de tipos, mas justamente estes tipos, poderiam fazer algo de muito útil em todas as sociedades humanas, mas parece até agora, que por inúmeras circunstâncias desfavoráveis, se encontram ostracizados pelos verdadeiros doentes mentais de qualquer tipo de sistema dogmático, potencialmente cruel, praticamente, todas as pseudo-religiões, mais uma vez, com alguma exceção para o budismo.

O excesso de acuidade moral do mais inteligente ou o excesso de percepções e sensações diárias do mais criativo, que são na verdade, dons excepcionais, podem funcionar como desvantagens naturais em um mundo cada vez mais sem chão e sem ”coração”.

Os impérios caem a partir do momento em que a qualidade (genialidade) é substituída pela quantidade (burocracia).

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11 responses to “Inteligente ou criativo demais para produzir algo valioso ou para ser selecionado pela ”’elite”….”

  1. Davi says :

    Não tem muito haver com o texto, mas, será (ou é) possível que uma mãe tenha gêmeos, e os dois sejam excepcionais em inteligência e criatividade, ou seja gênios? Um talentoso e o outro medíocre, ou “problemático”?? Um “gênio” e um “mattoide”?

  2. Davi says :

    Agora sobre o texto, a burocracia

    Eu acho que ela não só deprime o ‘surgimento’ dos gênios, mas também pode elevar alguns tipos de mattoides. Exatamente pela sociedade burocrática e robótica, não possuir um sistema de identificação de fenótipos(nesse tão de sociedade em que vivemos é “impossível” de existir), desde de pessoas “normais” até as mais excepcionais. E pela negação suicida da elite.
    No passado
    Um caso, que acho, que se encaixa nesse exemplo; Hitler(Adolfinho, para os íntimos). Eu acho que se os seus talentos artísticos não fossem rejeitados naquela época, ele poderia ter sido “apenas”, um “pintor sociopata” e tal(alá Caravaggio!). Mas seu ego foi ferido e como uma criança foi brincar com outro “brinquedo”. Nessa visão poderia ter sido evitado.

    • santoculto says :

      Pois então, é um bom exemplo que vc usou. Talvez sim, mas não em relação ao nazismo. Aliás, a história é muito confusa. Mas isso pode acontecer mesmo e estou pra te dizer que muitos gênios estão na contra corrente, faz sentido.

      • Davi says :

        É mesmo. A história do nazismo é muito confusa, é uma miscelânea de “pontos de vista”. Alguns mais mentirosos e duvidosos do que outros. ‘alguns’ não passam de “estórias”. E suspeito que ainda muitas não foram postuladas. Este período é mais poluto do que aparenta ser.

  3. alberto da anunciação says :

    Muito reflexivo, quanto ser extremo, Newton era em seus estudos, e deu no que deu, pra mim o maior GÉNIO INSUPERÁVEL.

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