Genes para tomar café, genes para a homossexualidade??

O estúpido transforma o simples em algo complicado e confuso.

Bonobos são os primatas mais próximos da espécie humana. Eles também são conhecidos pela  inteligência, comportamento pacífico (mas isso não quer dizer que sejam santos intocáveis ok? ;)) E por serem adeptos de práticas sexuais ”alternativas” como maneira de mitigar possíveis conflitos entre os machos mas também porque gostam ;). De uma maneira ou de outra, seja lá como esta ”cultura” foi incorporada por eles, tem dado certo e se baseia em uma pré-disposição comportamental. Portanto, se uma cidade-estado à la Esparta resolver se sofisticar e pacificar a sua população, existe uma certa possibilidade para que ocorra uma redução do dimorfismo sexual, reduzindo as diferenças entre homens e mulheres. Os homens mais dominantes serão lentamente ou abruptamente eliminados, ou reduzidos a uma minoria vantajosa, tal como provavelmente acontece com os bonobos.  Menos machos dominantes que são menos propensos a serem adeptos de práticas sexualmente alternativas, mais machos ”não-dominantes” e mais femininos, proporcionalmente falando, estarão no mercado do sexo para procriar e passar seus genes. Esta tendência progressiva irá inevitavelmente resultar em uma maior população de machos que estarão completamente fora da competição sexual pelas fêmeas. Se o desenvolvimento intelectual for incentivado, em pouco tempo, nós teremos o desenvolvimento de uma cultura orgânica, onde ao invés da coerção cultural, nós teremos uma equiparação entre o comportamento médio de uma determinada população e sua própria biologia. O processo de ”aculturação” funciona deste jeito. Primeiro, há a imposição da cultura, depois começam os processos seletivos para produzir (do barro à jarra) o ser humano ideal para esta cultura e por fim nós temos uma cultura orgânica, onde biologia e comportamento cultural são a causa e o produto.

Uma sociedade mais intelectualmente sofisticada, será fortemente propensa a ter uma maior quantidade de pessoas criativas bem como de homossexuais. A relação entre homossexualidade e superdotação é indireta, da mesma maneira que acontece com a relação entre a segunda e a esquizofrenia. A causa de ambas é a mesma, mas os resultados podem ser diferentes ou serem encontrados em um mesmo grupo de indivíduos. A maioria dos homossexuais não são superdotados, mas um grande percentual de superdotados serão de homossexuais. Algo um pouco distinto se aplica à esquizofrenia, onde a maioria dos esquizofrênicos não serão de superdotados, mas muitos superdotados serão esquizofrênicos ou terão um histórico familiar desta condição sindrômica (vantagem heterozigota). Sociedades mais criativas geralmente são mais cosmopolitas, mais abertas para interações com pessoas de fora, são mais culturalmente diversificadas e mais tolerantes. A maioria das pessoas criativas precisam desta complexidade de interações para inovar, ainda que não seja um predicativo ambiental necessário aos mais criativos, que costumam produzir grande quantidade de percepções mesmo em ambientes pobres neste requisito.

É de se esperar que lugares mais tolerantes atrairão uma maior quantidade de gênios criativos, porque muitos deles serão excêntricos e altamente inconformistas. Isto quer indicar que em uma vila do interior, religiosa e dogmática, é mais provável que estes tipos sofram com discriminação, perseguição e ostracismo por parte dos moradores locais do que de serem ‘aceitos’ pela comunidade. A criatividade é sempre uma ”persona-non-grata” para aqueles que desejam manter  antigas estruturas sociais.

Voltando ao assunto inicial do texto. Já está mais do que comprovado que a homossexualidade é parte da biologia universal ou é um traço suscetível de se manifestar fenotipicamente, em qualquer espécie complexa de reprodução sexuada, porque se baseia na diversidade espectral de comportamentos bem como de composições fenotípicas de traços biológicos.

Eu não vou adentrar novamente no fato de que a homossexualidade bem como as suas variações menos evidentes (inúmeras combinações de comportamentos tal como foi demonstrado por Alfred Kinsey) sejam mais comuns do que imaginamos. Mas eu vou estudar com mais afinco, duas linhas de pensamento, a primeira, ”a homossexualidade não é hereditária” e a segunda, ”um fenótipo tão pouco valioso (sic!) para a seleção natural, não pode ser hereditário, porque não existem mecanismos que possam mantê-lo dentro da piscina genética humana. (mas ”genes para gostar de tomar café” podem).

1- Homossexualidade não é hereditária.

A ideia de que a homossexualidade não seja hereditária é divertida e interessante, por que não?? Partem se de pressupostos lógicos muito rasos para se fazer esta afirmação. A primeira é, os homossexuais são uma minoria na população. Sim, tal como os superdotados são 2% da população, mediante critérios termaníacos, tal como uma quantidade incrivelmente pequena de pessoas que pontuam acima de 160 em testes supostamente cognitivos. Se a razão para patologizar a homossexualidade fosse a sua suposta insignificância demográfico-estatística, então por lógica, deveríamos dar o mesmo status patológico para a superdotação. Só que não!!! Muitos ”hbds” são conservadores são igualmente dogmáticos, tal  como os esquerdistas( como se nos víssemos pelo espelho) visto que enquanto que os ‘homossexuais” são uma das vacas sagradas do esquerdismo, o exato oposto acontece para o conservadorismo. Alguma novidade???

Primeiro, é importante definir o adjetivo ”hereditário”. Segundo, é importante pensar quais seriam as diversas formas de hereditariedade, se é que elas existem. Muitos traços complexos, podem ser passados ”hereditariamente”. Sabemos da existência dos termos ”dominante” e recessivo”. Eu, por exemplo, tenho ”genes dominantes” para olhos castanhos, mas posso ter um filho ou uma filha de olhos azuis, verdes ou com outra coloração mais clara. Apenas esta explicação já derrubaria por terra a premissa de que ”a hereditariedade deve ser entendida como a transmissão de traços de pai pra filho ou de mãe pra filho”. É evidente, mas os traços recessivos também podem ser passados. E existirão inúmeros níveis de recessividade e dominância que variarão consideravelmente de indivíduo para indivíduo. Outro fator é a combinação de suas suscetibilidades genéticas com o seu cônjuge. Enfim, são tantos fatos a serem considerados que realmente, é deprimente e muito suspeito, que alguns supostos crânios da comunidade (hbd) que sigo desde 2009, possam ser tão simplórios e diretos em suas considerações.

Homossexualidade é patogênica porque não existem mecanismos (diretos) de seleção, se ”todos os traços humanos só podem continuar a serem expressados de geração em geralção, por seleção” e se os homossexuais (sic! masculinos exclusivos) são uma pequena minoria predominantemente infértil. Eu já desconstrui este castelo de areia extremamente frágil de ”vagas certezas”, em outros textos sobre o assunto e não pretendo me aprofundar aqui novamente.

Novamente, a homossexualidade corre entre famílias, não de maneira linear, porque é um traço predominantemente recessivo e os traços recessivos tendem a ser mais epigenéticos em sua natureza do que os dominantes. Isso também não significa que em toda a família remotamente suscetível esta tendência de compartilhamento de predisposições será constante, nem que não possam nascer homossexuais em famílias sem nenhum histórico reconhecido ou recente.

2- A homossexualidade não é um ”traço” (na verdade, é uma combinação de fenótipos) vantajoso ou importante para a sobrevivência individual ou de grupo

E tomar café, será que é ”um traço” vantajoso??

Será que não sobreviveríamos sem o valioso comportamento que nos faz gostar de tomar café???

A conveniência é a alma da adaptação, para o bem e para o mal.

No mundo de hoje nós vemos uma alta representação da população homossexual de superdotados em diversos ramos da intelectualidade, das artes e ”até mesmo” nas ciências. Muitos ”homossexuais heterozigotos”, com aspecto andrógino, porém com predileções predominantemente heterossexuais na cama, também estão fortemente representados nos ramos mais importantes de produção e sustentação da sociedade. Não restam dúvidas que existem vantagens para mantermos esta diversidade de comportamentos, de mentes. Se existem ”genes” que nos tornam mais tolerantes com uma xícara de café, diga-se, um comportamento completamente inútil, estéril e ”sem valor” pra sociedade, então por que então a homossexualidade não pode ser considerada como parte essencial e natural da biologia humana???

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