Inteligência social NÃO É O MESMO que inteligência emocional

Pra variar, uma confusão conceitual e metodológica simples de ser corrigida tem se arrastado por décadas dentro da sofrível ”psicologia”. É a confusão entre ”empatia” e ‘simpatia” e consequentemente, entre ”inteligência social” e ”inteligência emocional”.

Eu já defini que a única e verdadeira empatia que pode existir se chama honestidade. Este é o ”conceito-sinônimo” mais simples e objetivo para a definição de empatia. Isto quer indicar que, muitas vezes, as pessoas empáticas  não serão simpáticas. Simpatia está para a empatia, assim como o fenótipo está para o genótipo visto que enquanto que a simpatia é a ”expressão da empatia”, a empatia é a bondade orgânica, natural. Muitas pessoas simpáticas não são genuinamente empáticas. Psicopatas são excepcionalmente bons para emular a expressão da empatia, ou seja, a simpatia. Eu até poderia dizer que os psicopatas TENDERIAM A SER de simpáticos orgânicos, se lhes parece tão natural atuar deste jeito.

Simpatia é a aparência, empatia é a substância ou a essência. Adoramos a aparência, somos enfeitiçados por ela e é justamente por isso que os psicopatas tendem a ser tão bem sucedidos no domínio das sociedades humanas.

Inteligência social e inteligência emocional

Nem todo rabugento terá ”inteligência emocional” baixa. 😉

Um dos maiores mitos da ”psicologia” e também um dos assuntos mais mal desenvolvidos dentro desta ”ciência” (ou ciência, a preferir), é justamente a ideia de ”empatia” e consequentemente de ”inteligência emocional”. Basicamente, um teste de ”inteligência emocional” determinará que aqueles que são mais ”emocionalmente” equilibrados, tenderão a ser mais ”empáticos” com os seus pares de convivência do que aqueles que são honestos demais. É claro que uma pessoa super honesta, estará próxima da insustentabilidade para interação social, porém, parece claro que a mais pura forma de empatia é justamente a honestidade, ambos seriam quase que como sinônimos. Mas será mesmo que os ”profissionais da saúde mental” estão fazendo isto certo??

A maioria das pessoas são empáticas e simpáticas ao mesmo tempo, em diferentes níveis. Os psicopatas tendem a ter altos níveis de simpatia e zero em empatia. Os super altruístas ou altruístas excepcionais tenderão a ser empáticos e simpáticos em altíssimos níveis.

A simpatia se relaciona mais com inteligência social do que com inteligência emocional, porque para que você possa construir uma boa imagem dentro do seu grupo social, é necessário demonstrar simpatia. A inteligência social é justamente aquilo que os psicólogos tem definido erroneamente como inteligência emocional, ou seja, demonstrar ou expressar empatia, aka, simpatia.

FAÇA O QUE EU DIGO MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO.

A psicologia popular a partir da definição errônea de empatia e de inteligência emocional, também passou a exemplificar os supostos ”inteligentes emocionais”, basicamente, como aquela celebridade ou aquele indivíduo eminente que sorri menos forçado para as câmeras. No entanto, parece claro que a expressão da empatia, ou seja, a simpatia, seja um recurso cognitivo integrado fundamental para a inteligência social.

Em compensação, aqueles que são constituídos por elevada inteligência emocional, tenderão a ser bem mais heterogêneos em perfis psicológicos do que os seus colegas que são ”homogeneamente simpáticos” e que portanto, são socialmente inteligentes. Desde aqueles que são os dois (simpático e empático) em níveis aceitáveis ou bem harmonizados (ao contrário do altruísta patológico) até aqueles que são poucos simpáticos mas são honestos.

O ponto cego da psicologia se encontra justamente entre os rabugentos empáticos e que pasmem, muitos deste tipo serão POTENCIAIS ATIVOS EMPÁTICOS, isto é, apresentam potencial para fazer algo de grandioso ou ao menos de empático à sociedade em que vivem e não apenas vivenciar sua virtude dentro do seu micro-ambiente social.

Os altruístas patológicos, isto é, os super empáticos e simpáticos, não apresentam ”controle cognitivo” o suficiente para não se arriscarem em empreitadas benevolentes potencialmente perigosas, nem apresentam a sabedoria para mensurar riscos ou mesmo, maneiras mais eficientes para solucionar os problemas. Por exemplo, você não precisa ir à África para tentar salvar a população local do espectro do ”vírus Ebola”. Basta produzir um conjunto facilmente entendível de diretrizes que sejam eficientes na contenção dos casos e implantá-los na região, e isso pode ser feito à distância. A boa vontade ou empatia ativa está presente, nos dois lados, mas no primeiro, o altruísmo é mais forte que a prudência ( e a inteligência prática). E na verdade, eu me atrevo a dizer que, o altruísmo não é mais forte entre os altruístas patológicos do que entre os altruístas empáticos sem estes excessos, porque o que diferencia estes dois grupos não é o nível de altruísmo, mas de prudência ou responsabilidade, que é próxima de zero para os ”impulsivos bem intencionados”.

A inteligência emocional é a capacidade de sentir empatia, mas como estamos falando de ”inteligência”, então isto quer indicar que estejamos falando especialmente de um modelo integrado de características psicológicas ‘e’ cognitivas, ou seja, um fenótipo comportamental, onde a demonstração passiva (por osmose) ou ativa de empatia (honestidade) se dará de maneira inteligente. Os altruístas patológicos são psicóticos empáticos.

A maioria daqueles que são denominados como ”autistas” tenderão a ser de empáticos genuínos, isto é, de pessoas dotadas de elevada inteligência emocional. No entanto, É MUITO COMUM  que aquele que é muito empático E AO MESMO TEMPO muito inteligente, NÃO SEJA bem compreendido pelas pessoas que estão a interagir, principalmente com os seus familiares. A combinação entre grande intelecto e grande empatia, (meu palpite)geralmente não virá acompanhada pela simpatia, ou seja, A EXPRESSÃO PASSIVA DA EMPATIA.

Como resultado, nós temos pessoas com alto potencial para solucionar os problemas da sociedade E vontade de fazê-lo (empatia), mas sem a capacidade de ”se adequarem” ao nível de compreensão e às necessidades de curto prazo das pessoas comuns.

Em compensação os socialmente inteligentes, tenderão a ser excepcionalmente bons na tarefa de demonstrar empatia, ou seja, de serem simpáticos com os seus pares de interação. E a espécie humana evoluiu justamente desta maneira, onde a sinalização comportamental verbal e não-verbal exterior (aperto de mão) é interpretada erroneamente como pura empatia (pode ser que sim ou que não, porque nem todo aperto de mão será sincero ou honesto)

Um sorriso pode abrir muitas portas. Mas pode estar vazio de emoção.

O simpático é aquele que é capaz de se antecipar às necessidades superficiais dos seus pares de interação social, mas talvez, por causa da predominância da inconsciência comportamental (falta de auto-reflexão) na espécie humana, o simpático típico (que não é psicopático) possa estar apenas agindo por osmose, sem qualquer grande estratégia de observação. E é justamente aí que a inteligência emocional aparecerá, mas também a social.

A inteligência emocional integrada se baseia na capacidade cognitiva de se antecipar às necessidades dos outros, combinado com honestidade, ou capacidade para praticar julgamento justo.

A inteligência social integrada por sua vez, se baseia na capacidade cognitiva de usar os atributos cognitivos da inteligência emocional, dentro do contexto cultural em que está inserido. Percebam que eu usei o termo ”integrada”.

Tal como acontece com o simpático típico, o empático típico também tenderá a ser honesto por osmose ou com naturalidade, sem qualquer estratégia anterior de funcionamento.

É complicado estabelecer qualquer divisão entre os dois tipos de inteligência, porque geralmente se relacionarão consideravelmente entre si. Mas pode-se especular sobre a existência de diferentes combinações fenotípicas entre a empatia e a simpatia.

 

Simpathy for the devil

 

Como eu sugeri acima, a psicopatia se caracterizaria por altos níveis de simpatia e quase inexistência de empatia. A personalidade psicopática obviamente que se encontra em um extremo dentro de uma linha espectral de combinações entre as duas categorias psicológicas supracitadas. O psicopata é dotado de grande inteligência social, especificamente os de alto funcionamento, mas geralmente com baixa inteligência emocional, ou demonstração cognitiva de empatia (capacidade de promover a justiça objetiva e portanto honesta).

O super empata, geralmente, também será dotado de grande simpatia. Percebam que o altruísta patológico ou super empata, não é exatamente o extremo oposto do psicopata, porque enquanto que o psicopata se caracteriza por alta simpatia/super baixa empatia, o super empata terá super alta simpatia/ super alta empatia. Talvez, uma das explicações para a manifestação da psicopatia no espectro comportamental humano não tenha como causa principal a ”falta de empatia”, mas justamente a combinação ‘desequilibrada’ entre a simpatia e a empatia.

Pessoas de baixa empatia e de baixa simpatia (talvez um tipo ”esquizóide”), geralmente não serão boas no quesito ”manipulação” da percepção social e não tentarão interagir desta maneira com os outros ao redor, se geralmente, estes tipos sequer almejarão qualquer tipo de interação mais profunda com seus pares.

O rabugento empata é justamente aquele que terá baixa simpatia/ alta empatia e talvez seja justamente o oposto ideal do psicopata, por razões óbvias. O super empata é a presa natural do psicopata enquanto que o rabugento empata será o seu principal inimigo. Poder-se-ia afirmar que ambos tenderão a desenvolver culturas neurológicas completamente diferentes, justamente porque enquanto que o psicopata valoriza a aparência, o ”rabugento empata” ou o empata antipático, valoriza a essência.

Portanto, como conclusão deste texto, pra variar um pouco, a psicologia demonstra-se mais uma vez errada ao trocar ”alhos por bugalhos”. Esta confusão tem tido consequências muito desagradáveis nas sociedades ocidentais modernas, especialmente porque enquanto que aqueles que tem real potencial para endireitar o caminho que estamos seguindo, são ostracizados e patologizados, os principais responsáveis pelos conflitos evitáveis que ceifam precocemente as vidas de milhões todos os anos, são oficialmente retratados como ‘ os mais emocionalmente inteligentes”. Se isso não é uma piada de extremo mal gosto, eu não sei mais o que poderia ser…

Anúncios

Tags:, , , , , , ,

About santoculto

Email ataudecinzento@gmail.com

4 responses to “Inteligência social NÃO É O MESMO que inteligência emocional”

  1. Davi says :

    Como a insônia não me deixa neste dia Bethoviano…

    Você definiu honestidade como a verdadeira empatia, pois os significados são “irmãos gêmeos” ao “estilo taoista” não foi?

    Abraços, Betterman 😉

    • santoculto says :

      Sim, pq empatia não é um fenótipo mas um traço que compõe o fenótipo. Como resultado, a empatia pode ser combinada e encontrada em qualquer tipo de fenótipo, inclusive em pessoas que são antipáticas.

  2. Davi says :

    E eu sou antipático(e “muitas outras coisas”).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

De:RefémdoDrDeus Para:Deprimente mundo Assunto:Denúncia de maus-tratos a pensadores

...e Deus criou a Ângela,desapontado com a nossa Eva.Apresento-vos o meu "disco rígido" ...

renanbarreto88

Just another WordPress.com site

Castro456's Blog

O medo do nada

Delusions of Adequacy

And You Thought You Might Have Had Delusions of Grandeur

PARTO DE IDÉIAS

"Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância." Sócrates.

Pshelinha

Um pouco de mim..

Pensar Novo

"Saber que você precisa mudar não é suficiente. Você precisa ter a coragem de fazer esta mudança." Robert Kyosaki

Mind Hacks

Neuroscience and psychology news and views.

Inside Perspectives

of Asperger Syndrome and the Neurodiversity Spectrum

Agoraphobia Subliminal Hypnosis

Come out of the woods, the dark, come into the light. As a recovered agoraphobic, I've designed these audios over many years in order to help you. Charles K. Bunch, Ph.D.

Antimidia

Textos sem sentido, para leituras sem atenção, direcionados às pessoas sem nada para fazer.

%d blogueiros gostam disto: