Testes cognitivos com viés cultural objetivamente perceptivo como complemento para um avaliação psicométrica oficial

O ser humano precisa de vinho (entretenimento), beleza (arte), política (filosofia ou sabedoria) e segurança (ciências). A genialidade humana se manifesta especialmente nessas raízes da experimentação humana.

A partir delas, fizeram-se as civilizações dentre outros tipos de sociedades humanas. A inteligênciA poderia ser resumida pela capacidade de percepção holística. Nós temos as macropercepções e as micropercepcões (pagar a conta do banco, estudar para a prova do concurso público, juntar dinheiro para viajar, ir a sauna, enfim). A maior parte da humanidade se limita a se adaptar ao ambiente em que estão sem analisá-lo profundamente (micropercepções). Aderem a modismos, regras e limitações sem tentar entender o porquê, provavelmente porque falta um grande número de humanos providos de autoconsciência desenvolvida para se questionarem o porquê de tudo ser como é.

 

Testes de qi, culturalmente neutros demais e sem sentido

”Qi maior do que de ‘Einstein”.

Será que esta belezinha tem mais crânio que 99% da humanidade??

 

Os testes de qi visam analisar a inteligência humana mediante um viés culturalmente neutro. A intenção é boa, mas os resultados nos mostram uma pobreza de detalhes, especialmente porque o ser humano é uma espécie social e que portanto depende consideravelmente de sua interação com o seu ambiente para que possa ser analisado. Além do mais como eu tenho comentado aqui diversas vezes, os testes tradicionais de inteligência medem a mesma em um estado estático, tal como se fosse uma idealização da inteligência, a maquete de um empreendimento comercial por exemplo.

A inteligência humana pode ser resumida em dois aspectos fundamentais, a capacidade de adaptação e a capacidade de resolução de problemas. Será que um matemático é tão bom para solucionar problemas na vida real, tal como ele é com os cálculos?? Será que um historiador ”de” alto qi verbal, é tão eficiente para entender realmente o que se passa ao seu redor tal como ele é para encontrar analogias em testes de inteligência ou na extensão do seu vocabulário??

Novamente, eu não sou um ”negador” da capacidade dos testes de qi para medir alguns importantes aspectos cognitivos, mas existe a real necessidade de que haja uma espécie de acoplamento dos resultados obtidos em baterias de avaliações psicométricas com certos componentes que são fundamentalmente aquilo que a inteligência é em seu conceito mais puro e objetivo.

 

A técnica de interação perceptiva (ou possivelmente, uma analogia remota com o ”fator g”)

 

O ser humano, obviamente, interage com o ”ambiente” em que está localizado. Esta interação, baseia-se na percepção dos fenômenos sociais e naturais. Todos os animais apresentam o mesmo fator g, ou seja, a capacidade de percepção e posterior reação à ameaças e perigos iminentes, aquilo que alguns chamam de instinto. A inteligência humana, em seu conceito mais puro, é uma mistura de instinto, ou capacidade de reação a curto prazo, e autoconsciência, estratégia ou reação a longo prazo.

Avaliamos a inteligência humana mediante resultados estéreis de testes cognitivos. Mas isso é uma grande estupidez, porque podemos avaliar a capacidade humana, especialmente através da perspicácia visionária da qual boa parte dos gênios estão dotados.

Portanto, além de reagir apropriadamente às (sic) microagressões ou micropercepções, os mais inteligentes se destacam das massas porque são capazes de ”prever” a continuação de padrões dinâmicos em um futuro próximo ou mais distante. Este tipo de capacidade estratégica, é uma das principais vantagens dos gênios sobre os demais.

A mentalidade dos ”intelectualmente excepcionais” se baseia nas múltiplas perspectivas. Enquanto que a mente monocromática dos comuns analisa o mundo mediante a dualidade ”branco-preto”, apenas uma minoria da espécie humana, pode compreendê-lo mediante uma mentalidade multidiversa e que portanto, é retida por meio das múltiplas perspectivas. Os famosos insights criativos, são justamente a união de ideias que são consideradas remotas por aqueles que só conseguem ver lógica simplista e determinista e portanto, só podem entender por exemplo que a palavra Páscoa tenha de se relacionar com a palavra coelho, desprezando qualquer outro tipo de associação, não apenas as que poderiam ser consideradas como bizarras, por não haver nenhum tipo de associação próxima, como coelho e Marte, mas também porque Páscoa e coelho podem remeter por si mesmas a várias outras associações ‘remotas’ que não são bizarras ou incomuns. Este é o toque de gênio, que a maioria considera como sobrenatural ou sobrehumano, enquanto que na verdade (na hiperrealidade) se constitui apenas em associar ideias que as mentes monocromáticas não podem imaginar. A novidade não está longe de nós, mas ao nosso redor. É por isso que os mais criativos, mesmo em uma pobreza de estímulos ambientais, conseguem desenvolver uma riqueza de percepções, ao passo que para a maioria, o cotidiano e a rotina são tidos como indiferentes ou pouco estimulantes. Isso nos ajuda a entender o porquê de tantos gênios serem de monomaníacos. Não é que desprezam a novidade, é que para quem está sempre produzindo uma riqueza qualitativa de percepções, qualquer lugar lhe servirá de paisagem propensa para a produção criativa mesmo que seja pobre em estímulos. E talvez, seja sábio para quem tem uma mente brilhante, a recusa de viver em lugares altamente complexas, visto que não há qualquer necessidade de ”ser estimulado pelo ambiente”, se este tipo de mente já faz este trabalho muito bem.

É justamente por isso que eu tenho batalhado tanto contra o ”determinismo do qi”. Para que este tipo de notícia idiota de ”psicologia popular”, deixe de ser propagada para que as pessoas acreditem que números de 3 dígitos possam substituir a alma e portanto a complexidade dos seres humanos e especialmente daqueles que nós somos mais encantados e ao mesmo tempo temerosos, os gênios.

Sem patricinhas de ”qi maior que Einstein” (este é outro provável…). As ideias mais inovadoras não brotam da terra, são retidas de observação ou percepção simples. A criatividade é simples e humilde por se basear na mais pura de todas as brincadeiras infantis, a manipulação da realidade ou imaginação. Ver o mundo como uma possibilidade sem limites para a criação (o mundo da hiperrealidade). Aqueles que tem uma percepção aguda, um faro canino para capturar problemas e soluções, recreativos ou objetivos, é que é o verdadeiro gênio. E os seus derivados, são os verdadeiros ”superdotados”.

O fator g ”não está contido no mundo dos reais” a partir do momento em que é baseado em uma abstração tal como a inteligência que é capturada por testes cognitivos. Ainda que possa se correlacionar com qualquer coisa que se relacione com inteligência, ou seja, um ”acidente” estatístico, ”a capacidade integrada de pensar e agir” só pode ser possível de ser analisada quando estiver em estado dinâmico (e não em estado inerte, como no caso do qi) e neste caso, em interação e captura de percepções no mundo real. Justamente por isso que ao invés da tentativa de neutralidade cultural, os testes precisam de um fundo cultural complexo e condizente com a realidade, para que possamos mensurar a real inteligência da população, aquele que consegue ter autoconhecimento (e controle cognitivo) o suficiente para não dirigir bêbado, para não tentar praticar ginástica sem estar em condições físicas ideais ou ser perceptivo a ponto de votar no candidato com as ideias mais racionais em uma eleição hipotética….

Nada de números vazios de substâncias, nós precisamos de seres humanos reais fazendo escolhas certas (e que se mostrarão complexas para personalidades complexas), sejam elas visando na interação com seus pares dentro da redoma social ou seja na produção intelectual.

Metaforicamente falando, os testes de qi medem parcialmente bem a capacidade cognitiva de formigas operárias, mas não consegue ser preciso na medição da capacidade cognitiva das formigas mais inteligentes. Voltamos mais uma vez para a ideia de ”castas cognitivas”, mas esta é um assunto pra outro texto.

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4 responses to “Testes cognitivos com viés cultural objetivamente perceptivo como complemento para um avaliação psicométrica oficial”

  1. Davi says :

    Reza a lenda(não sei se já é fato), como você já deve saber, que a Teoria da Relatividade de Einstein é uma farsa, pois é de um físico francês(que me esqueci o nome), de alguns anos antes…
    Fora que ele é aquela típica banda de “rock”, cheia de fãs denominados “posers”…

    • santoculto says :

      Sim, é engraçado que provavelmente, o maior gênio do século passado e um dos maiores nomes da história, gênio dentro da área tecnológica é claro, foi o Tesla, mas virou sinônimo usar o termo ”Einstein” como ”gênio”. Estranho não achas* 😉

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