Crescimento zero como solução para a desigualdade e a metáfora da caminhada desigual da manada

A ideia de que o ”crescimento econômico” seja sempre um sinônimo de ”progresso” já está totalmente anexada em nossas cabeças, tal como se fosse uma verdade objetiva. No entanto, o progresso, como o próprio nome está dizendo, isto é, o movimento, a evolução, a caminhada de um lugar para outro, parece produzir mais desigualdade do que igualdade. O progresso se dá às custas da exclusão de uma importante parte da população, a míngua de grande parte e o real progresso, salto de qualidade de vida, para uma pequena minoria.

A metáfora da manada, tal como esta manada de elefantes que eu postei acima. Pensem que para que possam ser bem sucedidos no trajeto que esta manada planejou,  os elefantes devem ter um corpo ágil, senão perecerão e ficarão pelo caminho. A ”igualdade de condições” já foi estipulada. Todos devem ter boas pernas para que possam chegar ao fim do trajeto em segurança (ou, todos devem ser bons memorizadores para que possam ter um diploma, aka, escola). No entanto, os elefantes são diferentes e alguns não são ágeis o suficiente para caminhar no mesmo ritmo que o resto da manada. Isso não os faz menos importantes ou completamente inferiores aos outros, até porque existe uma grande diversidade qualitativa de talentos. O progresso da manada dos elefantes, ao menos, consegue preservar a maioria e andar em um ritmo relativamente diplomático, para que o máximo possível de indivíduos do grupo possam chegar em segurança no destino final.

O ”progresso” proporcionado pelo ”crescimento econômico” nas sociedades humanas é muito pior que o progresso das manadas de elefantes africanos porque poucos conseguem chegar ao destino final e produz-se um rastro de morte e destruição durante a ”caminhada”.

 

Crescimento zero

 

O crescimento zero da economia pode representar, quando executado de acordo com as diretrizes que vou desenvolver superficialmente (minha preguiça é enorme), a real distribuição interna da riqueza. Se temos todos os habitantes de um país, trabalhando e ganhando relativamente bem para esquentar o mercado interno, então teremos crescimento, mesmo que isto não represente um aumento no PIB. Até mesmo um crescimento negativo temporário, pode representar crescimento real para a maior parte da população do que para monopólios multibilionários. O crescimento zero da economia seria induzido por uma”reforma social objetiva e justa”, onde haveria certa variação nos níveis dos ganhos, mas não aos níveis exorbitantes que temos, onde existe uma ”elite” que ganha MUITO (muitas vezes para fazer nada, vejam as ”celebridades”) enquanto que temos uma grande maioria, incluindo boa parte da classe média que ganha muito menos. As pessoas trabalham em cargas horárias sub-humanas porque temos desemprego. As funções ou ao menos a carga horária, que era pra ser equitativamente bem distribuída, se concentra na população oficialmente empregada. O monopólio de multinacionais bem como de grandes empresas nacionais, produz mais desemprego e subemprego, porque os microempresários já entram em desvantagem na ”competição” para ganhar parte do mercado interno, muitas vezes, parte ínfima do mesmo. Os tubarões dos grandes conglomerados querem até mesmo os terrenos baldios mais escondidos dos mercados consumidores. Ganância, gula e estupidez combinadas.

 

Economia é abstração financeira

 

Um país só cresce quando a sua população também avança em qualidade de vida. Uma nação é como nosso organismo. Para que se possa evoluir, é necessário estar com a saúde em dia. Claro que esta é uma analogia e sabemos que é mais complexo no caso do ser humano, mas pode-se dizer que organismos complexos que não tenham pretensões transcendentais extremas tal como as sociedades humanas, precisam principiar pelo equilíbrio, pela harmonia. A economia lida com uma quantidade de dinheiro que é improvável de existir no mundo real. Portanto, se consiste em  uma abstração.

As pessoas passam fome, se matam, enriquecem e empobrecem por causa de abstrações. Como resultado, o primeiro passo para produzir uma sociedade completamente sustentável deve se dar com base na negação desta ilusão de realidade que a macroeconomia passa por meio de seus ”convincentes” dados estatísticos. Não é a economia que deve ser regulada, porque ”ela” não existe, mas as pessoas que produzem este fenômeno coletivo que denominamos de sociedade.

O segundo passo é a real valorização do capital humano, dividindo a sociedade em castas cognitivas especializadas, os governadores, os nichos especializados de produção baseados em atribuições geneticamente cognitivas, enfim, qualquer indivíduo poderá usar o seu talento mais eloquente para contribuir (e não, servir) para a sociedade em que vive. Para que isso possa se tornar realidade, é necessário que o sistema escolar passe por uma reforma importante, onde os professores serão treinados para funcionar como ”caça-talentos” e/ou ”caça-especialidades-cognitivas”, em outras palavras, como ”recursos humanos”, ao invés de doutrinadores de ideologias falhas e deterministas (e portanto, falhas por excelência) do século XIX, que mantém as crianças dentro de um prédio estatal por uma década e meia, para aprender nada. Algumas crianças nascerão para comandar, outras nascerão para produzir arte, outras serão proficientes para organizar tecnicamente o mercado econômico. As crianças poderiam contribuir economicamente para a sociedade mesmo dentro suas novas escolas, sem qualquer analogia remota com ”trabalho escravo infantil”.

Isto quer indicar que com este modelo social, o artesanal voltará com força, mas sem as imposições hierárquicas da idade média, que em grande parte, foram orquestradas pela igreja católica, ao menos na Europa.

A moeda de permuta se diversificará, onde as pessoas poderão por exemplo, cambiar favores como forma de pagamento, como ”dinheiro dinâmico e direto”.

O terceiro passo é a re-sincronização das atividades sociais e econômicas humanas dentro de um modelo taoista que tolere tanto a igualdade quanto a desigualdade, a hierarquia e a sua inexistência, visto que, negaremos (se possível com base em ”patologização” oficial) a ”mente cultural monocromática humana”, ”duas patas ruim, quatro patas bom”. Mediante as múltiplas perspectivas, em que vemos abstrações como objetos em todos os seus focos de observação (ou perspectivas), retirando-lhes perspectivas unilaterais como conceitos previamente estabelecidos, as palavras perderão estas corrosivas considerações, excepcionais como prisões comportamentais.

O quarto passo será a distribuição perfeitamente proporcional de trabalho para a população, destruindo parcialmente o modelo pseudo-meritocrático, unilateral, que seleciona as pessoas para as vagas de trabalho, ao invés de ir em busca destas pessoas para trabalhar. Estamos fazendo isso errado, visto que ao invés de buscarmos pela mão de obra, nós a selecionamos. Nem é uma questão de seleção clássica, separar os feijões bons, dos ruins, mas de desperdício e com consequências dramáticas de longo prazo.

O desemprego existe justamente por causa disso. O desemprego assim como também o desperdício do trabalho infantil em escolas, visando a produção de artesanato ou qualquer outro tipo de atividade recreativa e de valor, provocam problemas em todo o resto do sistema econômico.

 

Conclusão

 

A conclusão sobre este texto, trabalhado especialmente com base em minha preguiça existencial, uma constante em minha vida, é a de que o tal progresso social que o ”crescimento econômico” diz produzir não acontece de fato, visto que poucos irão se beneficiar dele. Mais uma vez, eu clamo pela divisão do trabalho humano mediante tendências cognitivas genéticas, isto é, de como as pessoas nascem, quais são suas forças, onde estarão melhor alocadas, esta é a verdadeira educação, não apenas para a sociedade como um todo mas também para o indivíduo. A irrelevância de certas ”profissões” foi rapidamente pincelada, visto que eu quis sugerir que ou certos tipos de ”empregos recreativos” sejam extintos ou que sejam valorizados de maneira justa, sem estas enormes diferenças de ganhos que é habitual em quase todas as sociedades humanas. A utopia socialista é possível mas sem estas deformidades filosóficas de revolução francesa, que aliás, são uma das principais fontes de desigualdade em nossas sociedades, por tratar a todos como iguais, dando-lhes ”condições iguais” e por conseguinte, decantando-os para determinadas profissões e excluindo uma parte importante da mão de obra. O desemprego não é tão fundamental assim quanto o oxigênio que captamos.

Uma sociedade qualquer pode crescer concretamente sem a necessidade de expandir ”o seu” PIB, que por agora não é seu, mas de uma elite incompetente, idiota e canibal. Sociedades e sistemas não existem sem seres humanos e um PIB não existe, não está contido no ”mundo dos reais”. É possível produzir riqueza sem produzir este tipo de desigualdade chucra, apesar de sempre afirmar que a hierarquia é uma realidade para qualquer sistema complexo.

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