Criatividade é a vontade (o conceito mais puro de criatividade), e a relação fundamental entre criatividade e personalidades extremas

A raiz etiológica mais profunda da criatividade é a vontade.

O conceito científico para criatividade parece muito difuso. Como resultado, existe a necessidade de simplificá-lo e centralizá-lo em sua raiz. Existem muitos tipos de criatividades, que podem se manifestar das mais diversas maneiras, nos mais diversos níveis. Não há como medir a criatividade da mesma maneira que se faz com a inteligência, ainda que correlações possam ser encontradas entre altas pontuações em testes especializados e capacidade criativa. Tal como no caso da inteligência, estas correlações dificilmente conseguirão mensurar com perfeição e abrangência aquilo que pretende fazer. No caso da criatividade humana, esta não-associação entre ”testes de criatividade” e criatividade será ainda mais significativa.

É arbitrário definir o que é novo e o que é velho, o que é criativo e o que não é criativo. A criatividade não se manifesta completamente separada das demais propriedades cognitivas humanas como a inteligência, a memória ou as emoções. E portanto não pode ser plenamente analisada desta maneira.

Existem 3 componentes fundamentais que definem a criatividade. São eles:

Vontade,

Novidade,

Manipulação.

A vontade é o componente-chave que define, não apenas a criatividade, mas qualquer traço cognitivo, visto que existe a real necessidade de externalização ou exibição exterior de habilidades para que possa ser contemplada, analisada, classificada e possivelmente utilizada pelo público.

”Uma pessoa inteligente que não demonstra a sua inteligência, é o mesmo que uma pessoa estúpida que demonstra a sua estupidez”.

No entanto, no caso da criatividade, a importância da vontade para se fazer algo, será consideravelmente maior do que para a inteligência, visto que enquanto que boa parte das sociedades humanas expressam a inteligência, por meio de atividades mecânico-repetitivas (memória de trabalho, tempo de reação…), a criatividade não pode ser expressada desta maneira e portanto, a vontade para ”produção criativa” tenderá a ser muito maior do que para a ”produção inteligente”.

A novidade é o segundo componente-chave que contribui ostensivamente para definir a criatividade. Portanto, é necessário que exista primeiramente a vontade para poder expressar a novidade. E a vontade precisa ser maior do que para a expressão exterior da inteligência, visto que a novidade apresenta riscos muito maiores de erro e rejeição do que a replicação do conhecimento anteriormente desenvolvido.

Pode-se dizer que a inteligência é o passado da criatividade, especialmente no que diz respeito à criatividade funcional (ao contrário da criatividade recreativa). Todo insight é contextualmente criativo, porque parte de pressupostos que não ainda foram pensados.

A manipulação é a técnica da criatividade. É a modificação da paisagem artística, intelectual, social ou científica, anterior ou pré estabelecida, visando em nova funcionalidade ou recreação reflexiva, como no caso das artes e do tipo de filosofia que não for diretamente aplicável à dinâmica social. É a manipulação das ”peças anteriores”, visando construir um novo quebra-cabeças.

Quase sempre, a produção, se relacionará com algo novo. Produzir algo, é quase que sinônimo para inovação. A replicação é o termo que melhor condiz em relação à sustentação mecânica da ”velha criatividade” ou ”inteligência”.

Conclusão

A criatividade é a vontade intrínseca (criatividade natural) ou extrínseca ( criatividade adaptativa) para produzir algo novo, por meio da manipulação do conhecimento ou das ”peças” que foram produzidas por ”criatividade fossilizada” ou ”inteligência”. (manifestação ambiental do conhecimento convergente humano)

A interação entre a criatividade e as personalidades extremas

As experiências e percepções das pessoas com ‘doenças mentais”, podem ser potencialmente mais ricas do que as experiências e percepções das pessoas sem as condições.

Nossas percepções derivam das interações entre nossas biologias e os ambientes em que vivemos. As pessoas que não estão em conflito consigo mesmas, tenderão a interagir de maneira menos intensa com o mundo e tenderão a questionar menos os eventos que sucedem.

A maioria das pessoas com personalidades extremas ou o espectro de predisposições psicopatológicas, tenderão a interagir de maneira negativa com o meio em que vivem, visto que suas percepções, desde a raiz do pensamento, se farão de maneira desorganizada. No entanto, quando esta perturbação é hereditariamente transmitida em frações ou quando está geneticamente combinada com elevada inteligência, é muito provável que sejam produzidos fenótipos de pessoas altamente criativas e de gênios.

A riqueza das interações entre o homem e o meio em que vive, será potencialmente maior para os portadores das personalidades extremas, tanto para a análise existencial (e científica) quanto para a criatividade.

Os excessos e aberrações delirantes que a mente extrema geralmente produz, serão potencialmente produtivos para o trabalho criativo. Estar próximo do inconsciente, é duvidar da realidade que lhe for apresentada.

Portanto, a correlação causal entre criatividade e psicopatologias, derivam não apenas ou especialmente da etiologia biológica potencialmente semelhante mas também de sua interação com o ambiente. No entanto, parece que eu estou afirmando que A INTERAÇÃO TEM UM PAPEL PREPONDERANTE PARA A CRIATIVIDADE. Isto não é verdade, visto que a interação é um produto de dois elementos que estão em atrito. Portanto, aquilo que é um produto, não pode ser a causa.

A causa da gripe não é a gripe, a gripe é um produto, o vírus da gripe é a causa.

Dar um sentido às interações e posterior riqueza de experiências

A maioria das pessoas gostam de falar que ”para entender alguma coisa, é necessário vivenciá-la”. Está parcialmente correto porque a maioria destas mesmas pessoas que regurgitam esta sabedoria popular, raramente aprendem com a experiência.

Também é muito comum que, a grande maioria não consiga dar um sentido rico para suas experiências ou interações.

E talvez, este seja um componente dinâmico fundamental que distingue o criativo (ou o profundo) do superficial (ou comum).

As interações das pessoas criativas e dos gênios (e potencialmente para as pessoas com predisposições psicopatológicas) tenderão a ser muito mais ricas, especialmente por causa da criatividade altamente desenvolvida e natural que encontra-se presente nestes tipos e portanto, a riqueza de interações não é o mesmo que riqueza de percepções.

A maioria das pessoas tem uma grande riqueza de interações, mas não conseguem produzir nenhum material que possa imortalizar ou petrificar estas interações (vida). Escritores, bailarinos, pintores, pensadores livres, cientistas, dentre outros, podem fazê-lo.

A matéria prima da criatividade são as percepções cotidianas. A maioria das pessoas estão hereditariamente anestesiadas em relação às suas interações com o meio em que vivem, enquanto que as pessoas criativas tenderão a vivenciar quase que organicamente as suas interações e como consequência, produzirão percepções potencialmente criativas, mediante a profundidade e verdade com que respondem e refletem sobre suas interações.

Se a criatividade é a vontade de expressar a novidade que foi capturada (novo pensamento ou proposta) ou que foi manipulada (ou seja, que foi anteriormente retido do conhecimento convergente, dominante e acumulado), então quanto maior for a riqueza de percepções, maiores serão a qualidade e a quantidade de ideias potencialmente criativas.

E esta riqueza de percepções pode ter sido retida de uma pobreza de interações. Isso explicaria o mundo altamente imaginativo de pessoas altamente criativas, que muitas vezes serão rejeitadas pelo meio social por causa de suas idiossincrasias comportamentais.

Você não precisa estar no meio de um furacão para desenvolver percepções ricas da realidade interativa.

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