Refutação quanto à perspectiva moral normativa de Cesare Lombroso em seu trabalho ”O Homem de Gênio”

Nem tudo o que Lombroso disse é ouro

Eu tenho comentado várias vezes aqui sobre Cesare Lombroso. Não restam dúvidas quanto ao seu brilhante trabalho do século XIX sobre a relação entre genialidade e ”tendências psicopatológicas”.

Em relação à perspectiva técnica, ”O homem de gênio”, mostrou-se impecável e atemporal quanto a sua utilidade. No entanto, no que se refere à perspectiva moral, o livro deixou muito a desejar, especialmente porque o criminologista utilizou de suas próprias considerações pessoais de moralidade para julgar o comportamento e as predisposições psicológicas dos homens de gênio, fazendo com que a análise que propôs, perdesse um bocado de seu alcance. Ainda que não se possa, sob hipótese alguma, descartar este trabalho, quanto a sua capacidade de descrever a genialidade, seja em relação a sua etiologia, seja em relação às suas características gerais, existe a real necessidade de buscar entender o que Lombroso quis dizer com relação a muitos de seus julgamentos de natureza moral sobre o comportamento desta população. E é exatamente isso que vamos fazer agora.

EXCENTRICIDADES???

Uma das conclusões de Lombroso sobre a relação entre genialidade e comportamento ”excêntrico”, foi a de que o cérebro doente dos gênios é o  responsável pela excentricidade. No entanto, devemos tentar buscar a objetividade e abrangência das perspectivas.

Por exemplo, sabe-se que Nikola Tesla desenvolveu obsessão por pombos no final de sua vida (isto sem falar de outras idiossincrasias). Será que isso se consiste em alguma forma de ”insanidade”??

Julgá-lo por insanidade, especialmente pelo grande gênio que foi, me parece muito mais uma forma (real) de preconceito do que uma análise desapaixonada, analítica e portanto científica.

Lombroso pecou consideravelmente a partir do momento em que sobrepôs suas considerações pessoais sobre moralidade como parâmetro de definição de ”insanidade”.

Ao focalizarmos em uma determinada perspectiva, tendemos a perder todo o resto.

A obsessão de Tesla assim como outras de suas idiossincrasias se diferiam enquanto qualidade, a raridade do comportamento, mas não em termos de grandeza, isto é, ele jamais foi o único ser humano ou dentre poucos que já ”sofreu” com obsessões.

Por exemplo, a obsessão das pessoas ”comuns” em relação ao STATUS SOCIAL, se difere apenas no tipo de obsessão que Tesla desenvolveu, mas continua a ser obsessão. Se você é obcecado por pombos ou por status social, isso realmente faz alguma diferença??? (especialmente mediante uma perspectiva neutra, sem julgamentos)

No entanto, a relatividade do julgamento não pode ser aplicada no mundo real para todo tipo de obsessão. Por exemplo, cometer assassinato ou roubar, cleptomania, etc…

Ainda que se possa usar o termo ”excentricidade” enquanto um conjunto incomum de comportamentos, isto não significa que excentricidade será igual à insanidade.

NORMALIDADE NÃO É IGUAL À NATURALIDADE.

NORMALIDADE é apenas uma questão de estatística.

A ideia de que muitos gênios historicamente reconhecidos do passado foram de ”insanos”, precisa ser mais profundamente investigada do que apenas por meio do uso de parâmetros normativos para julgar comportamentos, especialmente se forem subjetivamente morais, isto é, se não causarem problemas objetivos na sociedade.
PSICOSE, PENSAR POR SI PRÓPRIO, ”NORMALIDADE”, PENSAMENTO predominantemente INCONSCIENTE

Os gênios tendem a ser muito mais psicóticos do que a média. A psicose se relaciona com a desorganização da percepção real. No entanto, também se relaciona com a super percepção da realidade. E é aí onde a conexão entre genialidade e psicose se faz mais presente.

Aquele que não tem uma formato de realidade pré-programado, pode manipulá-la mais intimamente e pensar em coisas que a maioria das pessoas desprezam. Os famosos insights criativos ou ”pensar fora da caixa”, realmente fazem sentido a partir do momento em que entendemos que os psicóticos tendem a pensar por conta própria. A importância da capacidade cognitiva aqui é muito grande, visto que, um psicótico comum tenderá a enxergar apenas aquilo que sua mente desorganizada está interpretando, enquanto que o gênio terá a capacidade para enxergar a realidade ao manipular melhor a ”desorganização” de sua percepção ou ”não-organização”.

Pense na mente dos ”comuns” por meio da metáfora onde uma pessoa está olhando para um cubo mágico planificado. Agora pense na mente do psicótico como uma pessoa que está olhando para pedaços de cubo mágico voando aleatoriamente pelo espaço abstrato. Pense na mente do gênio como aquele que pode ver a simplicidade em meio à complexidade da aleatoriedade instável de eventos ou, fazer correlações potencialmente causais entre as peças esvoaçantes do cubo mágico. Para encaixar uma peça na outra e produzir algo que seja criativo e ao mesmo tempo lógico, é necessário ter grande percepção enquanto que para o psicótico, a quantidade de erros será muito maior do que de acertos.

A psicose promove a abertura para a realidade ou para a hiperrealidade, que é dificilmente acessada pelos comuns. Mas somente a sabedoria e a inteligência que poderão nos levar para esta ”nova” dimensão sem nos perdemos pelo caminho.

O psicótico se joga do precipício, mas muitas vezes não conseguirá bater asas e voar, embora muitos psicóticos ”comuns” possam ter a destreza de fazê-lo. Em compensação, o comum (o velho ”normal”) será puxado do precipício por seu juízo. O gênio e o sábio voará muito alto quando se jogar.

A ideia de que a própria psicose se relacione com insanidade, ao ponto que, possam ser consideradas como sinônimos, não se sustenta a partir do momento em que QUALQUER PROPRIEDADE ABSTRATA E PORTANTO, METAFÍSICA, está passível de manipulação conceitual interna. Portanto, dentro da própria psicose, existe uma grande variedade de manifestações da condição. Algumas serão mais características para com o conceito usual enquanto que outras serão até mesmo o seu exato oposto, ou seja, não é aquele que cria mais padrões erradas e produz uma realidade distorcida, mas aquele que consegue captar a hiperrealidade por si mesmo. Um tremendo talento para observação e percepção.

Portanto a ‘insanidade” do gênio a que Lombroso tanto se referiu em seu trabalho, não se consiste em uma tendência objetiva retida de todas as perspectivas. E talvez, o diagnóstico de ”insanidade” do gênio, possa significar na verdade em uma grandiosa capacidade de percepção para entender a realidade.
A criatividade enviesada pela autoconsciência, se dá a partir do momento em que se compreende que a vida social (mamífera) é um grande teatro comportamental pré-programado e predominante inconsciente. O criativo é de fato, aquele que pensa por conta própria. E para um homem como Lombroso, fortemente inserido dentro do cenário social e cultural vitoriano da metade do século XIX, qualquer forma de comportamento desviante dos ditames majoritários e de ”bom tom”, seria visto como alguma forma de desvio da ”normalidade” e portanto que se consiste ou só pode ser explicado como uma patologia.

Se eu penso por conta própria, então eu não vejo limites invisíveis de comportamento e de ideias e posso produzir a quantidade de ideias e me comportar do jeito que eu quiser. Isto parece um pouco como ”selvageria comportamental”, mas é uma pseudo semelhança. Lombroso deve ter retido sua observação de ”atavismo” do gênio, por meio da captura de comportamento excêntrico entre eles. Mas atavismo e neofenótipo são muito relativos.

”INSANIDADE MORAL”

No século XIX, época de Lombroso, o ”comportamento homossexual” por exemplo, ‘era” fortemente rejeitado pela sociedades ocidentais. No mundo de hoje, declarar-se publicamente como ”racista”, é uma forma de grave ofensa moral. Se você percebeu bem, a ”maleabilidade” da mente do homem comum é bastante significativa,  subjetiva e falsa.

Lombroso, que não há dúvidas, que seria definido como ”racista” se vivesse em nossa época, também seria considerado como um ”moralmente insano”.

O comportamento moral derivado da sabedoria (Deus) é objetivo e universal. O comportamento moral ”tipicamente” humano é subjetivo e local.

É muito provável que muitos gênios não fossem as pessoa mais honestas e empáticas do mundo, no entanto, o ser humano não é um átomo complexo separado do seu meio. Partindo de uma série de possíveis especulações, muitas pessoas, hoje em dia por exemplo, que podem ser definidas como (intelectualmente) geniais, podem usar sua extrema capacidade de maneira ”desonesta” para ganhar a vida, seja porque a vida não lhe deu outra alternativa ou por pura comodidade pragmática.

No entanto, mediante alguns exemplos, particularmente ridículos, que Lombroso usou para ”comprovar” a ”insanidade” do gênio, como ”um amor exagerado por animais”, nos mostram que suas considerações sobre insanidade moral não se basearam em objetividade mas nos pressupostos normativos que eram cronicamente comuns na sociedade europeia do final do século XIX.

 

 GÊNIOS E MATÓIDES, ”INSANIDADE” SUBJETIVA E INSANIDADE OBJETIVA

Mediante a maneira com que Lombroso descreveu a ”insanidade moral” dos gênios, mais parece que todo gênio seria também um matoide . No entanto, como eu tenho mostrado aqui sobre a moralidade, algumas formas de comportamento podem ser objetivamente negativas ou positivas e na verdade, o próprio comportamento pode ser internamente contextual, isto é, depende muito em como será a influência deste sobre a harmonia do ambiente. É objetivo se tem um impacto direto,  negativo ou positivo. É subjetivo, quando não tem um impacto direto. É como sexo para procriação e para recreação mediante o prisma da concepção.

Se a maioria dos gênios historicamente reconhecidos do passado não foram sobre-representados no mundo do crime ou da política (ou mundo do crime, 😉 ), então é provável que ao menos em relação à objetividade da moralidade, eles também não foram de ”insanos”.

Lombroso deixou bem claro as diferenças entre o gênio verdadeiro e o matoide.  Agora, se Voltaire preferia os animais aos seres humanos, isso não é sinal de insanidade, muito pelo contrário…

DUPLA PERSONALIDADE DO GÊNIO, ACEITAÇÃO DA HIPERREALIDADE E PORTANTO DE NOSSA PERSONALIDADE DUALISTA??

Todos nós somos providos de duas personalidades. E eu ainda acredito que tenhamos uma terceira personalidade (ou persona). Eu propus que esta terceira personalidade seria justamente aquela que nos conecta com Deus e com tudo aquilo que não se relaciona com as frugalidades contextualmente inconscientes do reino animal. Todos nós temos a dualidade, dentro de nós, que no entanto mais se consistiria em um trio de identidades. As duas personalidades ”animálias” lutam entre si pelo domínio da mente. O domínio da ”terceira personalidade”, seria o consenso entre as duas personalidades animálias. A colaboração entre o Ying e o Yang, produzirá a sabedoria e a genialidade, visto que ambas tendem a se manifestarem em conjunto.

As pessoas mais criativas tendem a ter cérebros não-filtradores de informações e estímulos que são captados através da interação com  o ambiente.  A realidade  tem uma gravidade mais pesada  para estes tipos em relação à emoções, sensações e respostas às ações e/ou eventos.

Todos nós vivenciamos (muito mais) nossas duas personalidades dualistas. Portanto, a manifestação deste tipo de pseudo-disordem em gênios, se difere em relação ao populacho apenas por uma diferença de níveis.

E se os gênios são extremamente autoconscientes e portanto, estão intensamente conectados com a realidade, então eles vivenciarão a natureza dualista universal da existência, de maneira muito mais enérgica do que em relação às pessoas ”comuns”, explicando maravilhosamente bem o porquê de ”terem” dupla personalidade. No entanto, todos nós temos…

Lombroso deve ter desprezado ou sequer ter tido conhecimento do mundo de falsidades que consistia as sociedades europeias conservadoras. Não muito diferente de hoje em dia.

PATOLOGIA CEREBRAL E INSANIDADE

Eu já disse que a autoconsciência pode ser alargada pela ”doença”. E  isso acontece com certa regularidade. A genialidade parece se relacionar consideravelmente com predisposições psicopatológicas, porque estas condições sindrômicas, não apenas criam percepções completamente diferentes daquelas que são vivenciadas pela maioria (que são potencialmente criativas), mas também porque alargam a percepção humana.

O psicótico não tem um tipo de cérebro que o faz refém de percepções distorcidas da realidade. É a capacidade cognitiva do psicótico médio que faz com que desenvolva uma tendência crescente de perda de contato com a realidade. A capacidade cognitiva elevada, pelo contrário, o colocará em contato direto com a realidade. Não é a distorção para menor contato com a realidade mas também para grande contato. A psicose é como se fosse um som que tem um volume desregulado, ou é muito baixo ou é muito alto.

Portanto, é a interação com o meio que, dependendo do nível de capacidade cognitiva do psicótico, o fará um verdadeiro ”insano” ou um verdadeiro gênio e/ou sábio.

ALTRUÍSMO ”EXCESSIVO”

Lombroso comentou sobre a tendência do gênio para desenvolver uma espécie de ”altruísmo excessivo”. Parece que todos os comportamentos ”desviantes” que foram catalogados por Lombroso, se relacionam com a extrema autoconsciência dos mesmos e não apenas ou resumidamente com alguma forma de doença mental. Portanto, aquele que sente mais o peso gravitacional da realidade, tende a se tornar mais sensitivo, emocionalmente reativo, perceptivo e criativo.

A reatividade emocional do gênio não é apenas o resultado do seu cérebro desequilibrado, mas também de sua interação com um mundo marcadamente estúpido. O nervosismo, a raiva e a depressão podem ser predisposições mais exacerbadas entre as mentes mais poderosas da espécie humana, mas os gatilhos ambientais poderão ter um papel muito importante para a piora do quadro mental destas pessoas.

O altruísmo excessivo muitas vezes se manifestará porque a grande capacidade perceptiva do gênio o fará valorizar as pessoas realmente virtuosas e por causa de suas tendências perfeccionistas, mesmo para micro-interações interpressoais, eles tenderão a procurar pelo máximo possível de perfeição na socialização e tal como o asperger, se tornará frustrado ao saber que a socialização humana é essencialmente subjetiva. A solidão comumente, nos faz mais ”carentes”. Mas o termo é abusivo, tal como os critérios de julgamento moral que Lombroso usou para patologizar a genialidade. A ”carência” do gênio não é porque tem baixa auto estima (geralmente, o contrário é muito mais comum), mas porque tem enorme dificuldade para encontrar pessoas que estão compatíveis ao seu nível de intelecto.

A genialidade não é psicopatológica, porque assim como a inteligência, a genialidade é o resultado de uma combinação de fatores genéticos, fisiológicos e ambientais. A genialidade é o fenótipo, a combinação entre doença mental e alta inteligência é o seu genótipo fisiológico.

A ideia de patologia do gênio não se sustenta enquanto manifestação comportamental e cognitiva. Não tem como definir como doente, aquele que pode entender o mundo como realmente é, mais do que grande parte da população poderia tentar fazer. Mas a relação entre disfuncionalidade cerebral (excesso ou falta) e a genialidade é causal em sua raiz. Mas sem a sua manifestação ou externalização, inteligência, criatividade, sabedoria ou genialidade, serão apenas palavras soltas pelo ar…

CONCLUSÃO

”O Homem de Gênio” é, na minha opinião, o livro mais importante sobre ”genialidade” que já escrito, apesar de sua antiguidade. No entanto, tal como muitos autores posteriores a ele já haviam comprovado, as considerações morais (normativas) de Lombroso, são predominantemente dispensáveis, visto que foi usado julgo de valor pessoal e unilateral sobre a determinação do que é normal e do que não é normal. E como eu sempre falo, ”a normalidade é superestimada”.

Os gênios não serão ”loucos” ou ”insanos”, apenas porque tendem a apresentar comportamentos excêntricos e/ou desviantes. Ao invés de ”insanidade”,  nós teremos ”extrema autoconsciência”, que produzirá as condições ideais para uma mente autodidata e independente. A transgressão de regras de comportamento, se relacionam consideravelmente com a produção de ideias criativas, visto que os mesmos mecanismos que produzem um, produzirão o outro.

Lombroso, em sua época, apenas replicou uma tendência muito comum no mundo acadêmico, a de super centralização ou focalização no objeto de estudo e posterior super generalização (desumanização) do mesmo.

Os gênios tendem a ser emocionalmente instáveis porque uma mente com aguda capacidade perceptiva aumenta os sentidos e as sensações. E para complicar esta situação, a interação dos gênios com os seus respectivos meios sociais de vivência, não será das melhores, visto que as diferenças de percepção entre eles e as pessoas comuns serão enormes e que portanto, não serão intercambiáveis. Esta predisposição para a mútua incompreensão, pode ter consequências consideráveis para o bem estar mental dos homens (e mulheres) de gênio.

Todas as tendências psicopatológicas dos gênios, tenderão a ser alargadas por suas dificuldades para navegar pelo meio social humano. Ainda que a condição da genialidade possa ser considerada como uma forma de psicopatologia, sua cultura neurológica tenderá a ser mais sã, racional e sábia de todas.

Os genes são fundamentais, mas suas interações com o meio também serão.

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