Inteligência, não é apenas a ALTURA, mas também a CONSTRUÇÃO

No mundo moderno, dizer ”qual” é o ”seu” qi, se tornou uma espécie de comprovação de sua inteligência. Este tipo de diálogo é surreal pra mim. O problema nem é o qi, mas a maneira extremamente superficial com que os seus resultados são interpretados e sua reverberação para o meio social, onde além de ser retratado como substantivo de inteligência, também passa a ser visto como símbolo biológico de status social. Um pouco triste e lamentável que o ego humano pareça ser muito mais poderoso do que a sabedoria.

Qi não é uma parte do corpo humano. É uma medição quantitativa de atributos cognitivos que são de natureza técnico-utilitária. O mundo moderno necessita de pessoas que tenham boa memória, sejam socialmente funcionais e que consigam compreender um conjunto específico de regras e replicá-las. Presume-se que quanto mais eficientes forem os indivíduos que conseguirem atender a essas demandas técnicas, maiores serão as suas pontuações em testes cognitivos.

Os testes cognitivos medem a superficialidade da inteligência. É o melhor que temos por agora, até porque já perdemos um século negando a influência genética sobre a inteligência humana ou  determinando o qi como substantivo para capacidade cognitiva global.

Como nos tornamos presos à realidade abstrata dos resultados de qi como fidedigna representação da capacidade cognitiva individual, passamos a negar qualquer possibilidade que possa se distanciar deste modo de entender o intelecto humano ou (especialmente) de interpretar os resultados concretos de capacidade que não validem a distribuição normal de distribuição de pontuações de qi.

Proposta para a interpretação sensata dos resultados de um teste de qi

Os testes de qi, pressupõe-se que meçam inteligência (em seu todo). No entanto, para princípio de conversa, os testes não medem todas as perspectivas da inteligência, porque não existe apenas um tipo de inteligência.

As pessoas de qi mais alto (em média) tendem a se fazerem melhores colaboradores ou cooperadores do que aqueles com baixa pontuação. Para o modelo atual de civilização em que vivemos, a socialização funcional e superficial (criar uma ampla rede de ”amigos” para socializar em diferentes conveniências do dia-a-dia) e a captura e replicação de regras técnicas, (duplamente) igualmente superficial, são as qualidades necessárias para que se possa ser financeiramente bem sucedido, ao nível de classe média alta. Entre os multi milionários, a socialização superficial e os atributos técnico-utilitários aumentam quanto a sua complexidade, no entanto, não se relacionam com os atributos mais hierarquicamente importantes que determinam conceitualmente o que é a inteligência humana.

A nível individual, a inteligência humana é ainda mais complexa, visto que cada ser humano é único. As circunstâncias ambientais das mais diversas naturezas, influenciam substancialmente tanto na externalização da inteligência para o meio social quanto para o uso dela como meio para a auto-promoção do bem estar, material, mental, social, espiritual etc…

Coletividades são estatísticas e são mais facilmente acessadas pelos testes de qi, visto que se os testes medem nossa funcionalidade mecânica contextualmente direcionada ou requisitada, então nada mais fácil do que a medição de uma máquina, tal como são as sociedades humanas.

Atributos técnico-utilitários ( o cooperador-competidor) 

O ser humano pensa, interage, produz e sustenta.

Os testes de qi medem a nossa capacidade para sustentar a sociedade, baseando-se em nossos atributos técnico-utilitários, ou seja, nossa capacidade para memorizar tarefas repetitivas e executá-las, buscando mitigar o número de erros ao máximo possível.

Qi mede superficialmente bem este atributo.  No entanto, é muito menos eficiente na mensuração de nossa capacidade para interagir e pensar. Quanto à ação ”produzir”, a validação predominante dos testes apresenta-se relativa visto que a produção de produtos pode se fazer tanto por meio da criatividade  quanto pela sustentação do esqueleto mecânico das sociedades complexas.

Os testes de qi não apenas parte do errôneo pressuposto de ”igualdade qualitativa por meio da desigualdade quantitativa”, mas também da ideia determinista de ”grandeza crescente”, onde pontuações maiores reverberarão em maiores capacidades, indiscutivelmente globais.

Mas Davi derrubou Golias.

Qi parece medir ”maior capacidade de funcionamento dentro das sociedades complexas”, mas isso é muito relativo.

Funcionamento para quê??

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