Psicose e sobrevivência

Se nós vivemos e desejamos viver até a nossa morte, então isto quer dizer também que estamos tentando sobreviver. Viver e sobreviver são duas palavras que tanto podem ser consideradas como sinônimos perfeitos entre si assim como também podem ser consideradas usualmente como distintas, porém com significados parecidos.

Viver é um macro movimento involuntário e sincronizado do sistema corpo-mente. Sobreviver é a resposta, é a reação ao ato de viver.

A  verdadeira inteligência, que eu determinei como sendo a sabedoria, se relaciona visceralmente com a capacidade de enxergar a realidade em seu todo. E isto se relaciona completamente com a capacidade de adaptação.

Leia-se, capacidade não quer dizer necessidade. A maioria das pessoas tem a necessidade de se adaptarem, mas não tem grande capacidade pra isso. Se todos fossem realmente aptos para se adaptarem aos seus respectivos nichos sócio-hierárquicos de vivência, então todos se tornariam ricos ou reduziriam a hierarquia monetariamente desigual a pó.

Uma de minhas hipóteses para explicar as diferenças cerebrais entre os ”buscadores da verdade e da realidade” e o ”gado” é a de que os cérebros que filtram menos os estímulos e informações do ambiente, são menos capazes de produzir realidades alternativas, que são extremamente comuns entre as pessoas ”normais”. Como resultado, ao invés de acumular uma vida de factoides, tal como um zumbi de si mesmo, um mundo de possibilidades se abre para aqueles que não filtram a realidade que está a sua volta. Eu também sugeri que a maioria das pessoas tendem a ter cérebros parecidos, porque os cérebros filtradores  mostraram-se mais eficientes para a domesticação da população humana e posterior hierarquização das sociedades do que os cérebros menos filtradores. Aliás, estes aparecem como ‘vantajosos’ até determinado limite de autoconsciência.

No mundo ”animal”, existe a real necessidade de se entender o que se passa no ambiente para que possa haver uma adaptação com a mitigação de perigos imediatos. Portanto, prevenir sempre será melhor do que remediar.

Quem previne, se atém a fatos. Quem remedia, não consegue captar fatos e se atém a factoides, que são más interpretações da realidade ou metade dela.

A psicose aparece, como eu falei no texto anterior sobre ”Dogma e Inteligência”, como um potencial necessário para o desenvolvimento da autoconsciência, o componente global cognitivo mais importante da humanidade.

O uso do termo psicose aqui, não se refere especificamente às psicoses, os transtornos mentais psiquiátricos, mas especialmente ao estilo de personalidade que é derivado dela, o psicoticismo.

As crenças dogmáticas são quase sempre inventadas e sofisticadas por psicóticos. Da mesma maneira que a outra categoria de psicóticos luta contra as invenções alucinógenas inventadas por seus primos mentais.

Analogia perfeita para o jogo de xadrez onde a essência (morfologia cerebral) das peças (pessoas) é a mesma, mas as cores (aparência) são diferentes. Psicótico que, não entende a realidade ou a entende e ‘mesmo assim’ deseja inventar uma nova realidade

versus

o psicótico que entende a realidade ou que entende a realidade e deseja inovar a realidade existente.

Capacidade global de percepção ambiental amplificada (entender a realidade)

A maioria dos psicóticos apresentam um potencial para entender a realidade e desenvolver a autoconsciência, mas a maioria deles será incapaz de fazê-lo.

Portanto, a psicose combinada com baixa capacidade global de percepção ambiental amplificada (ou entender a realidade, basicamente) se constituirá em um transtorno, não apenas para o portador da condição, mas também para toda a sociedade.

De fato, tal como foi pensado por Lombroso et al, os mesmos mecanismos que produzem o criminoso, produzirá o gênio e os demais tipos criativos.

Existe a necessidade da combinação harmoniosa entre psicose (quando a visão habitual está perturbada, produzindo o potencial para a capacidade global de percepção) e a elevada capacidade holística. Por isso que a psicose apresenta uma linha espectral entre o criminoso e o gênio.

O constante estado de alerta do psicótico (e suas derivações mais parcimoniosas) que se relaciona com a incapacidade de filtrar informações e estímulos oriundos do ambiente, pode fazê-lo em um sábio, um gênio, um lunático ou em um criminoso.

E as combinações entre os tipos também são completamente possíveis de existirem.

Selvagem e o domesticado

As características da personalidade psicótica se relacionam negativamente com as características da personalidade cooperativa. As pessoas cooperativas costumam se preocupar significativamente com a opinião dos outros e tentam sempre seguir as regras, especialmente a partir destes pressupostos. Estas duas tendências comportamentais centrais do cooperativo clássico, se retroalimentam e determinam o modo de vida destes tipos. As pessoas que estão presas dentro da teia movediça da socialização (objetiva e pseudo-empática) humana, são incapazes de entender organicamente o que alguns termos significam tal como ”liberdade” e debocham daqueles que afirmam buscá-la.

A liberdade também se relacionará com a verdade visto que nenhuma opressão objetiva se constituirá em verdade, mas na manipulação dela.

O psicótico clássico entende a liberdade, como a liberdade do seu próprio ego.

O psicótico ”de alto funcionamento”, tenderá a entender a liberdade, como a harmonia entre as relações humanas e com o seu meio.

Os animais selvagens, ainda que também estejam presos às suas respectivas prisões coletivas, tendem a agir conforme se dá a sua interação com o meio. Ou seja, por meio da ação e da reação.

Em compensação, o domesticado necessita de doutrinação, adestramento ou ”educação” para responder a uma ação.

São os filtradores indiretos da realidade que aprisionam a mente ordinária humana.

Ao invés da aparência (dinheiro, status…), o sobrevivente só precisa da essência (realidade) para responder ao viver.

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