Uma breve análise holística sobre a história recente do país de Mandela

Não é a toa que o país mais rico da África negra tenha a mais numerosa minoria branca.

No ano de 1994, eu era um menino de grande imaginação, vivendo em uma casa confortável e obcecado por dinossauros. Não tinha ideia do que a palavra África significava. Eu era genuinamente inocente, tal quando um filhote quebra a casca do ovo e vê todas as luzes da vida tal como um arco íris perfeito.

Mas aquele ano foi derradeiro para milhões de pessoas do outro lado do Atlântico, em latitudes semelhantes.

Vocês já devem ter notado que eu não sou um acadêmico, apesar de ter caprichosas pretensões. Minha mente não é apropriada para seguir regras, passar por sequências, visto que funciona à base de intuições lógicas.

Portanto, este texto não terá pretensões acadêmicas, é apenas um texto onde eu irei expor todo o meu conhecimento até agora acumulado sobre a África do Sul e seus acontecimentos mais polêmicos e polemizados.

Apartheid, colonialismo e ”independência do julgo europeu”

A segregação racial ou auto-segregação coletiva, é uma escolha que só pode ser feita pelas partes envolvidas e não por terceiros como o ”estado”.

Portanto, todos aqueles que desejam criar grupos com vínculos culturais, raciais, ideológicos, religiosos… podem fazê-lo sem nenhum peso moral. Os problemas aparecem quando usamos os grupos dos quais somos filiados para causar sofrimento objetivo e GENERALIZADO em outras populações.

O primeiro grande erro dos ”europeus” foi o de buscar riquezas fora de suas terras, claro, depois de desnudar as planícies europeias de seu manto verde e úmido.

O segundo grande erro dos ”europeus” foi o de invadir terras estrangeiras, sem buscar por diplomacia (a verdadeira diplomacia), interagir decentemente com as populações estrangeiras, muitas delas que demonstraram maior civilidade do que os próprios cara-pálidas.

O terceiro grande erro dos ”europeus” foi o de continuar com esta bobagem, de geração em geração e ALGUÉM ME SEGURE MAS EU VOU FALAR

… de sustentar sua ”elite cognitiva”…. de aparências e incompetências.

No mesmo ano em que eu nasci, também nasceram alguns milhares de futuros jovens garotos sul africanos, com seus sobrenomes estranhamente holandeses, pele clara, olhos azuis e que assim como eu, que também foram dotados de grande imaginação e vontade objetiva e consciente de melhorar o mundo.

Estes jovens podem ser herdeiros genéticos de gerações e gerações de sul africanos brancos que maltrataram as populações (dizem alguns que) autóctones a níveis variados de selvageria. No entanto, na hiperrealidade, esta ideia de que nós somos responsáveis pelos atos de outras pessoas, de outras ou de nossa época, mesmo se estas forem nossos parentes de sangue, não se sustenta depois de uma análise lógica e universalmente racional.

A humanidade não apenas usa sua natureza imperfeita como desculpa (ou Deus) para cometer suas atrocidades ,isto porque ela assim o é.

Mas como diz aquele ditado: ”Não vamos mais chorar pelo leite derramado”.

A aventura ”europeia” ao continente negro, não mudou muito a paisagem da região quanto ao nível de sofrimento que seus povos tem sofrido.

No entanto, a sociopatia organizada que antes era propriedade privada dos alfas locais, agora se encontrava em mãos brancas e aveludadas.

A escravidão e o ”colonialismo” não podem ser moralmente explicados, não existem desculpas para a maldade. Talvez, nos dias atuais, nos tornemos cada vez mais habituados com análises não-morais sobre o comportamento inexplicavelmente atroz a que muitos seres humanos submetem os seus iguais em condição existencial.

No entanto, os jovens rapazes brancos que tem a mesma idade que a minha e que atualmente vivem neste país, não tem culpa alguma por atitudes pensadas e executadas por supostas ”elites cognitivas de alto qi” e nem pela complacência de boa parte da população branca sul africana em relação às injustiças que já foram cometidas à exaustão neste pedaço de África austral.

Na verdade, a partir do momento em que eu me encontro aqui, inerte em meu lar e nada ou quase nada faço para corrigir os inúmeros e estúpidos erros que são diariamente cometidos por humanos, isto não me torna culpado por minha imobilidade planejada e autoconsciente, afinal de contas, eu não sou Deus e nem tenho pretensões de me meta-transformar em um.

No entanto, eu posso ao menos contribuir com o meu balde semanal de água para tentar apagar o enorme fogo que ameaça nos consumir por inteiro.

Portanto, tudo o que até agora aconteceu na África austral temperada assim como também em todos os poros desta mesma terra, não é desculpável em hipótese alguma. Mas como eu já havia comentado, a maldade não tem cor definida e pode se manifestar em muitos tons.

O colonialismo marcou a África de sangue (nenhuma novidade até então) mas com o tempo, a tempestade seria substituída pela calmaria e aos poucos, a proposta civilizacional intrusa dos ”europeus” (isto é, uma minoria da população europeia) sob este continente, começaria a vingar e de fato, isso estava acontecendo. As cidades cresceram, foram modernizadas, aos poucos a meritocracia elevaria os nativos inteligentes para suas posições naturalmente merecidas como mantenedores das estruturas sócio-mecânicas do naco de civilização ocidental que estava a ser proposto. Talvez, se a insurreição planeada por uma obscura super-elite que varreu o continente de frescor revolucionário francês não tivesse acontecido, poderíamos ver o continente negro mediante uma ótica barbadiana de qualidade de vida.

Mas a sorte dos primos ancestrais dos moradores de Bridgetown não foi melhor e ao contrário de uma crescente organização da nova vida africana, nós vimos o pouco que já havia sido construído, ser destruído em tempo indiscutivelmente veloz…

O caso sul africano foi mais emblemático visto que de fato, uma pequena Europa havia lá se estabelecido.

Alguns fatos que um professor marxista de história mais perto de você não irá lhe contar

A África do Sul nos tempos do Apartheid não era uma nação, mas uma espécie de federação de nações, onde nós tínhamos ”o país dos brancos” e ”o país dos negros”. Portanto, o mais objetivo dos sinais de opressão dos colonizadores europeus poderia ter sido dada pelo fato de terem mantido dois países, onde aqueles que são coletivamente incapazes de organizar uma sociedade complexa tiveram pior sorte.

Os sul africanos brancos nunca foram uma população etnicamente homogênea, assim como também nunca foram socialmente similares visto que sua elite é composta principalmente por descendentes de ingleses e judeus enquanto que a classe média é mais africâner em sua preponderância etno-demográfica.

Antes da chegada dos europeus, especificamente de exploradores e colonizadores de origem holandesa, o extremo sul da África temperada não tinha dono e portanto não era povoada. Se não existem proprietários em uma terra, que mal haveria de tomá-la pra si ou para o ”seu” povo?? Que os sem-terra não nos deixe mentir….

A tomada do sul africano por europeus, mediante muitas perspectivas objetivas, soa justa, mais justa do que a tomada de boa parte das Américas pelos mesmos europeus.

Uma das razões mais importantes para explicar o disparate de qualidade de vida entre sul africanos brancos (assim como também de outras minorias como os chineses, os indianos e a população mestiça) e os sul africanos negros, é a mesma que nos serve para explicar as desigualdades de qualidade de vida em todas as nações humanas, ou seja, as diferenças de capacidade cognitiva.

Portanto, os ”sul africanos” brancos, isto é, especificamente a sua elite cognitiva, ao jogarem os ”negros” sob a jurisdição de si próprios, semearam os futuros pontos de discórdia que seriam usados contra eles mesmos.

O país do arco íris

O fim do Apartheid significou o fim das divisões internas racialmente administrativas do país. Agora, quando a maior parte da população negra economicamente ativa, fosse trabalhar nas ”áreas brancas”, esta não precisaria mais mostrar a sua documentação de trabalhadores estrangeiros temporários. Sim, mediante o fracasso de organização dos velhos Bantustões, os sul africanos negros iam em massa trabalhar na nação de primeiro mundo que se consistia a África do Sul branca.

Há de ressaltar que a divisão das terras não foi equânime visto que as menos férteis e menos extensas, foram ”dadas” para agrupar milhões de famílias negras. No entanto, ainda não é desculpa para explicar a completa incapacidade coletiva das populações subsaarianas para se organizarem, ao menos como meio de demonstrar aos seus algozes que podem manter um país moderno sozinhas. Ledo engano.

Com o fim do colonialismo, muitos dos serviços de primeiro mundo que a infraestrutura urbana criada pelos colonizadores brancos que também se estendiam para a população negra, talvez e muito provável, não para toda ela, passaram a ser sobrecarregados pela enorme demanda de atendimentos.

Com a administração da nação nas mãos do partido comunista que extinguiu o Apartheid, vimos uma possível continuação de melhoria do país ser completamente abortada em prol de um grande aumento de violência urbana, transformando o ”país arco íris”, em uma das nações mais violentas do mundo.

Mais uma vez, com o fim abrupto do colonialismo e sem uma transição lenta e segura, aplaudido pelas mentes juvenis ocidentais que clamavam liberdade do alto de seus pés com meias que estampam personagens da Disney, em suas confortáveis residências em algum ensolarado subúrbio branco, jogamos com um sorriso inconsequente no rosto, milhões de vidas na fogueira da selvageria aberta.

Fomos responsáveis indiretos pela morte de milhões de anônimos, que sem rosto, história e lágrimas, mais pareceram números frívolos, tais como aqueles que foram malevolamente citados por Stálin.

Genocídio branco

Até Cabul parece mais convidativa para um tour de quatro semanas do que qualquer perímetro do território sul africano para peles vermelhas e descascadas.

Neste exato momento, quando você ligar a televisão, não verá nenhuma notícia sobre o que tem acontecido no ”país arco-íris”. Nem uma nota de rodapé em algum jornal vagabundo lhe noticiará que pessoas brancas são assassinadas indiscriminadamente nesta nação apenas porque são brancas.

Crianças, idosos, mulheres, mulheres grávidas, gente que objetivamente falando, nunca fez mal a ninguém, perderam e estão a perder suas vidas pacatas apenas por causa de suas carapaças. E a quantidade de atrocidades não parece que irá diminuir para os próximos anos, muito pelo contrário, as previsões lógicas nos mostram um cenário apocalíptico para este país imensamente disfuncional.

Repito que, em nenhum veículo (suposto) de informação, terá qualquer notícia sobre esta situação.

A morte de gente inocente inflama os corações mais puros e nobres de qualquer quarteirão. Tal como quando uma rosa desabrocha em sangue, choramos e nos enraivecemos pela enorme quantidade de injustiças que estão a ser cometidos contra todos. Para aquele que mata, também não haverão dias melhores, visto que a minha certeza intuitiva da existência é a de que nossas vivências se acumulam infinitamente e não há martírio pior do que aquele que não tem fim.

Eu poderia me estender a esta situação, mas a África do sul não é apenas um inferno na Terra para as pessoas brancas. Enganam-se aqueles que pensam que a vida melhorou inexoravelmente para os negros. A melhoria de fato aconteceu, mas foi tão pouca e superficial que posso dizer sem muito entusiasmo que a única e palpável delas foi a mobilidade intra-territorial para os negros. No entanto, para quem ganha muito pouco e vive a todo momento atordoado pelo medo iminente da violência primitiva, a mobilidade só existe para escapar do campo de minas que se transformou a moderna nação ”arco-íris” e portanto, pouco de mobilidade há em realidade.

As pessoas não tem culpa por se sentirem acuadas pela psicose acentuada de suas elites psicopáticas e por se conformarem por regimes cíclicos de opressão, que mudam suas superfícies e métodos, mas mantém intacto o mesmo núcleo que teceu a enormidade de diferenças sociais desde o antigo Egito.

A culpa branca é um joguete maquiavelicamente planeada pelas elites ”ocidentais”, visando tirar de suas costas toda a culpa de sua classe sobre séculos de exploração e extermínio indiscriminados. Ao colocarem toda a culpa nas costas de seus subalternos etnicamente relacionados, eles se livram de dois estorvos historicamente conhecidos, a grande capacidade coletiva do homem branco para a organização e revolta e a culpa das ”elites cognitivas” sobre todos os males que já lançaram sobre a humanidade. A jogada perfeita.

Mediante todo este processo de transmutação essencial da civilização, provavelmente seguindo preceitos da mitológica ave Fênix, muitas vidas de pessoas que são completamente inocentes (eu e você, você e eu), poderão ser queimadas como sacrifício pela loucura predatória das elites, sempre loucas e inconsequentes.

E até quando os bons homens, continuarão a meter suas caras em buracos na terra, para não ver o quão ardilosa tem sido nossa realidade e consequentemente agir em conformidade a esta exposição, é um mistério que todos nós gostaríamos de desvendar, eu não duvido.

Enquanto isso, vemos uma rede de atropelos, uma teia de aranha de erros sendo tecidas por nossos camaradas moralmente retardados e por nós mesmos, mediante nossas condições de vítimas, de presas, facilmente combalidas e apenas esperando por eventuais abates.

Até quando…

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