O maior mito da TDAH, o ”déficit de atenção” e aplicação da teoria das múltiplas perspectivas

Assim como acontece em relação a toda ciência, também na psicologia bem como na psiquiatria, existe a prevalência hegemônica do método científico como parâmetro fundamental de estudo.

Como resultado nós temos uma linha de normatividade, onde deve haver uma redução de divergências para que haja um alinhamento dos pesquisadores em conceitos primordiais pré-estabelecidos. É como se tivéssemos várias nascentes de rios e apenas uma delas fosse mantida para sustentar uma corrente. A diversificação não se dá desde a nascente de uma ideia, mas a partir dela. Se isso é bom ou é ruim será relativo, visto que dependerá de caso pra caso.

O método científico tradicional é importante porque existe a necessidade, supostamente, de que tenhamos de obedecer a critérios hierárquicos de meritocracia atemporal, onde os pensadores do passado devem ser reconhecidos quanto às suas inovações.

No entanto, até onde esta apego ao ego deve ser deterministicamente mantido é um relativo mistério.

No mais, esta minha breve introdução sobre os problemas do tradicional método científico, especialmente em relação às ciências humanas, é a de que a partir do momento em que damos grande ênfase a uma linha de pesquisa, nós estaremos negando a própria possibilidade, diga-se, infinita, de criação de novas ideias, partindo do pressuposto de que o mundo hiperreal é o mundo da criação per si, é onde realidades ”alternativas” podem ser construídas.

O caso TDAH

Déficit de Atenção e Hiperatividade é um dos supostos transtornos mentais mais populares e mais comuns de nossa era farmacológica. Acredita-se que de 7% a 15% da população esteja acometida por esta condição sindrômica.

É complicado primeiramente colocar todos aqueles que apresentam os traços comportamentais, psicológicos e cognitivos mais importantes como pares iguais, visto que é evidente que existe uma grande variação, onde nós teremos os casos realmente mais severos, até os casos mais leves e com muitas possibilidades de vantagens incomuns.

Segundo que, mediante o mundo das múltiplas perspectivas, de fato, o copo poderá estar meio cheio ou meio vazio.

Portanto, a própria ideia de existência deste espectro de personalidades extremas é passível de manipulação e até de extinção, visto que depende imensamente da perspectiva dominante, afinal, se a maioria da população fosse composta por ”tdah’s” então a ideia de normalidade seria completamente diferente da que temos agora.

Este texto no entanto, será galgado na ideia de desmistificar um dos mais duradouros e significativos mitos sintomatológicos que caracterizam esta condição e é justamente o mito do déficit de atenção.

Mediante uma perspectiva unilateral, majoritária de normalidade e de anormalidade, uma pessoa que não consegue de maneira natural e mecânica, se concentrar em determinadas tarefas que foram impostas por terceiros, que estão socialmente dominantes e hierarquicamente superiores, será alguém com déficit de atenção.

A totalidade da desatenção se relaciona com a completa incapacidade para se concentrar.

A aparente falta de atenção também é outro ponto cego amplamente considerado por profissionais da psiquiatria.

Provavelmente, os únicos que não podem demonstrar externamente qualquer sinal de atenção a interesses intelectualmente exigentes seriam aqueles que estão com severa deficiência mental.

Falta de atenção a interesses hierarquicamente impostos necessariamente não é estupidez intelectual.

Existem basicamente duas explicações principais para falta de atenção de estudantes nas escolas:

– Incapacidade para entender o que está sendo explicado.

– Interesses divergentes potencialmente obsessivos, à grade curricular oficial ou simplesmente, uma falta genuína de interesse em relação à grade curricular oficial sem a necessidade de que aja outro interesse lhe tomando a atenção.

Estudantes de baixa inteligência técnica (memorização e replicação de regras, dentre elas, a do conhecimento) e personalidade afável, se esforçarão para entender, mas na maioria das vezes, sem uma adaptação e enxugamento de excessos tais como ”vocabulário muito sofisticado” nos enunciados das questões, eles não terão sucesso para memorizar ou capturar o conhecimento a que estão sendo expostos.

Estudantes de baixa inteligência técnica e personalidade não-afável, apresentarão as mesmas dificuldades de aprendizado que o grupo anterior, especialmente sem qualquer adaptação, mas estes déficits não serão tão aparentes, porque eles dificilmente se esforçarão para tentar aprender. É interessante notar aí que existe uma certa praticidade deste grupo, visto que eles sabem organicamente que não são capazes de capturar o conhecimento a que estão sendo expostos e desistem sem ao menos se esforçar. Um pouco de autoconhecimento é sempre bom para que não gastemos nossas energias naquilo que não somos bons. Este grupo, na grande maioria das vezes, será o pesadelo para qualquer professor. No entanto, é interessante frisar este traço vantajoso que apresentam, visto que, se são mais autoconscientes então poderão se concentrar melhor naquilo que são bons, ainda que esta autoconsciência tenderá a estar muito pouco potencialmente expansiva.

Os TDAH, independente do nível de inteligência, criatividade ou severidade dos traços-sintomas, serão primordialmente, aqueles que tendem a ter concentração difundida OU divergente ESPECIALMENTE em relação àquela que está sendo requerida. O estado habitual dos TDAH é a concentração multi-difundida. Porém, isso não significa que não possam se concentrar em alguns assuntos mais restritos. E quando o fazem, toda a atenção que antes se encontrava difundida, será concentrada, produzindo o hiper foco.

Portanto, mediante uma perspectiva unilateral, os portadores desta condição sindrômica (se podemos rotulá-los, partindo da falsa ideia de normalidade anormalidade) de fato exibem déficits de atenção.

Mediante as múltiplas perspectivas, os Tdah’s exibem traços de personalidade tais como a inconformidade (inconformidade de sujeição à autoridade ou à hierarquia) e a independência de pensamento (notoriamente correlacionados), que produz à aparente falta de atenção para os normativos, mas que na verdade se consiste em atenção multi-difundida ou divergente. O estado habitual dos Tdah’s tenderá a ser da multi-difusão do pensamento, onde todo o ambiente lhe será importante enquanto que para as pessoas sem a condição OU com condições distintas e isto inclui especialmente os ”normais” ou ”comuns”, existirá uma tendência para filtração das informações, produzindo uma melhor capacidade de concentração, especialmente em relação àquilo que está sendo exigido por outros.

Atualmente, o sistema transformou a independência de pensamento em uma doença, que mediante as múltiplas perspectivas e da hiperrealidade, tudo pode ser possível de ser construído.

É fato que os casos mais severos de Tdah’s serão claramente patológicos enquanto capacidade de adaptação e funcionamento adequado em sociedade, mas isso não significa que esta incapacidade relativamente contextual seja generalizada para todos aqueles que estejam dentro do espectro.

Tdah’s dentre outros grupos neurologicamente incomuns, tenderão a rejeitar naturalmente a imposição hierárquica de regras, por causa de seus cérebros distintos. A personalidade comum dos Tdah’s os fará mais arredios à submissão hierárquica. Conformismo social tende a uma tendência genética fraca em Tdah’s.

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10 responses to “O maior mito da TDAH, o ”déficit de atenção” e aplicação da teoria das múltiplas perspectivas”

  1. Davi says :

    Eu tenho, e posso dizer que não existe um déficit de atenção, e sim concentração, mas acho que não de ser taxado de déficit. Na escola quando naturalmente não estou interessado no que está sendo proposto, e por “boa vontade” tento, o meu corpo desvia para outro objetivo completamente diferente. Isso não é déficit.
    Já a hiperatividade não é um transtorno também. Deviam mudar esse nome… TDAH…

  2. Davi says :

    Sempre. Pode deixar 😄

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