Tendências suicidas, autoconsciência e inteligência

Eu sempre achei que as pessoas com tendências suicidas fossem mais propensas a serem mais inteligentes. A quantidade de casos de suicídio entre gênios historicamente reconhecidos nos pinta um verniz realista da humanidade, onde os mais inteligentes tenderiam a ver o mundo exatamente como ele é, cheio de defeitos extremamente estúpidos, primitivismo e todos os ”presentes de grego” que estão dentro da ”caixa de Pandora”.

Mas, mediante os estudos que buscaram correlações entre inteligência e tendências suicidas, não foi encontrado aquilo que eu imaginava.

Então isso quer dizer que ”as pessoas MAIS INTELIGENTES não tendem a ter mais tendências suicidas do que a população de controle” ???

Claro que não. Mas infelizmente, muitos cientistas terminam suas investigações logo após este resultado.

😦

Nem tudo é qi e muito menos ”inteligência”.

Há um componente muito importante para explicar as tendências suicidas, se chama AUTOCONSCIÊNCIA.

A autoconsciência é a identidade primordial da espécie humana. Sem ela, seríamos como os outros animais. É claro que os outros animais também apresentam suas respectivas consciências, no entanto, elas serão substancialmente menos desenvolvidas do que a nossa.

A autoconsciência se relaciona com a auto percepção e o autoconhecimento se relaciona com o super desenvolvimento qualitativo deste atributo.

Ela também se relacionará com predisposições psicopatológicas, por muitas razões, ambientais, genéticas e fisiológicas (que também apresentará base genética, mas decidi deixá-la em separado das razões genéticas).

O cérebro humano é um grande desvio dos desígnios da natureza em comparação à boa parte das espécies. Somos outliers extremos da natureza.

Até poderíamos entendê-lo como um defeito, mas isso seria conservador demais não acham?? 😉

O mundo, definitivamente, não é este dualismo dogmático tão intenso como MUITOS adoram pintar. As variações do espectro são tão ou mais importantes que os extremos.

Mas, todo desvio vem com encargos significativos, assim como também virá com vantagens.

A autoconsciência está distribuída por todas os níveis qualitativos e quantitativos de inteligência. Ainda que, os testes de qi e a maneira como são analisados, estejam ainda na inanição investigativa, eles nos serão úteis para tentarmos entender como ocorre esta distribuição.

O tal  ”defeito” que produz o cérebro humano nos faz menos filtradores de informações do que os outros animais. Os mais criativos filtram ainda menos informações e portanto, são mais bombardeados por estímulos ambientais. Por isso, eles tendem a ter um temperamento hiper-sensível, porque tudo lhes afeta.

A criatividade está parcialmente relacionada com inteligência e é esperado que as pessoas criativas estejam distribuídas em todas as camadas de inteligência (qi), em uma curva de sino tradicional. Criatividade também se relaciona com tendências suicidas.

Pronto, o primeiro enigma de nossa investigação foi desbaratado. Nossa percepção de suicídio e inteligência está brevemente equivocado, porque a relação mais provável de ser é justamente com a criatividade, uma forma de inteligência altamente valorizada pela humanidade.

Isso ainda não significa que suicídio não se relacione com inteligência, simplesmente porque os verdadeiramente mais inteligentes tenderão a ser mais psicóticos do que a média, como eu também já mostrei várias vezes neste blogue. Portanto, literalmente falando, OS MAIS INTELIGENTES TENDEM A TER MAIS IDEAÇÕES SUICIDAS DO QUE A MÉDIA.

Já sabemos que existe uma ligação praticamente simbiótica entre transtornos mentais e criatividade. Os portadores homozigotos ou ”cheios” dos transtornos mentais, especialmente Das psicoses, tendem a apresentar maiores tendências suicidas,

primeiro, porque tendem a ser socialmente rejeitados, por causa de suas condições sindrômicas, e

segundo, porque o transtorno mental aumenta a nossa auto percepção e consequentemente a nossa autoconsciência.

Eu já mostrei em um texto anterior, que a doença tem a capacidade de aumentar nossa percepção. Se há algo de errado, nossa atenção é redobrada, basicamente porque nossos cérebros estão equipados para encontrar erros e a solucioná-los (por isso que os solucionadores de problemas são mais inteligentes que os mantenedores técnicos).

Se nossa mente não tem um filtro, então as chances de encontrarmos erros aumentará substancialmente.

Mais problemas, mais stress, maiores tendências depressivas.

Defeitos fisiológicos também podem aumentar nossa autopercepção.

Eu por exemplo, sou praticamente todo torto (aliás, foi um milagre eu ter nascido sem grandes sequelas, por isso que fui canonizado em vida, hehehe, 🙂 ). Todos os dias eu me preocupo com a maneira, como que eu ando pelas ruas. Não é bom ser chamado de robô por transeuntes anônimos e eu já tive esta infelicidade, esta ”micro-agressão” aconteceu na metade da década passada.

Quanto mais  neurônios queimarmos, mais percepções captaremos e as pessoas criativas (especialmente as verdadeiramente criativas) tenderão a fazê-lo muito mais, porque haverão muito mais ideias (e problemas) para desenvolverem (e solucionarem). Mais problemas???

Por isso que os mais criativos também tendem a ser mais perfeccionistas, basicamente porque captam mais percepções ambientais e consequentemente mais problemas, para serem solucionados.

Falando em memória, a autobiográfica, também tem um efeito significativo em nossa autoconsciência e está logicamente relacionada com depressão. Quanto mais percepção de tempo tivermos, mais melancólicos tenderemos a nos tornar.

Neurodiversidade e tendências suicidas

A média de qi dos autistas funcionais não é mais alta que a média de qi dos neurotípicos. No entanto, eles tendem a ser muito inteligentes, assimetricamente inteligentes. E eu já falei que alguns perfis de inteligência são tão raros, que os testes tradicionais de inteligência raramente serão capazes de capturar a qualidade destas raridades.

As tendências suicidas entre autistas também são reportadas para serem muito mais comuns do que quando comparado com a população neurotípica. Além de predisposições genéticas, a estupidez humana, contribui significativamente para aumentar a negatividade mental na  vida destas pessoas e predispô-las para ideações suicidas.

E assim como no caso dos autistas, cenários parecidos serão notados em todas as outras condições, Tdah, transtorno bipolar, depressão, esquizofrenia, etc…

Os portadores heterozigotos destas condições, quer dizer, aqueles que exibem uma manifestação parcial das personalidades extremas, também tendem a seguir as mesmas predisposições sociais e cognitivas dos portadores homozigotos.

O mundo não foi feito para a genialidade, mas a utiliza quando lhe convém.

Não é que todo neurodiverso será um semigênio ou gênio, mas é que, mediante todo o corpo de evidências já encontrados, não é insano sugerir que muito mais gênios serão encontrados dentro das populações neurodiversas, se a genialidade per si, já pode ser considerada como uma personalidade extrema.

Portanto, em conclusão, mais uma vez, os mais inteligentes, que são os gênios, apresentam maiores tendências suicidas, por razões genéticas e ambientais. Os potencialmente suicidas tendem a ter menores pontuações de qi, mas tenderão a ser mais autoconscientes e criativos, dois componentes muito importantes para a identidade cognitiva e comportamental humana.

E muitos dos mais belos poemas, das maiores obras-primas literárias, das maiores descobertas científicas da humanidade, foram possíveis de acontecer, graças  a emoções, universalmente consideradas negativas, como a tristeza, a melancolia, a raiva ou a ansiedade. De fato, estar sempre raivoso, ansioso ou triste não é bom, mas ter relâmpagos de tristeza podem nos fazer abrir nossos olhos para além do horizonte moderno e tecnocrático.

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4 responses to “Tendências suicidas, autoconsciência e inteligência”

  1. Davi says :

    Sempre fui fascinado pelas tendências e os suicídios dos gênios…
    Levei a crer que tudo isso tem origem na psicose e nas doenças(,antes de encontrar seus blog, depois “personalidades extremas” é mais bonito +-+ ), mas não na sua forma de retardo mental e sim na sua forma mais magnífica, a genialidade. Quando vi essa relação mais aprofundada no seu blog fiquei mais fascinado ainda.

    • santoculto says :

      Sim, como eu tenho mostrado aqui, um dos componentes mais importantes da genialidade, é a presença de autoconsciência muito desenvolvida. E talvez, apenas este componente, já tenha um papel hierárquico mais importante na maneira como influencia na inteligência e na criatividade.
      Eu retirei isso do blog do Paul Cooijmans, um gênio alto qi holandês, com qi estratosférico. De fato, a autoconsciência em excesso irremediavelmente nos levará à loucura, se a loucura per si, já pode ser considerada como tal.

  2. Ruberto says :

    Cara amigo… A vida do pintor Van gogh foi de extrema criatividade e genialidade… Ele era uma pessoa feia sem beleza física tanto que quando certa feita perguntou à uma cortesã o que ela achava de belo em rosto e a mesma disse o que ele tinha de belo eram as orelhas este não perde seu tempo num ato extremo desapego corta sua própria orelha e entrega à moça! E qual nada mais surpreendente é o fim de sua vida assim como de sua obra… Quando ele acha que havia pintado tudo e sua obra estava completa ele suicidasse … Surpreendente… Um gde abraço fraterno

    • santoculto says :

      Alguns cientistas sugerem que a loucura de Van Gogh foi ocasionada por intoxicação da tinta de suas obras, mas ele já era conhecido pelo seu comportamento excêntrico, típico dos grandes gênios. Pode ser que seja verdade esta hipótese de intoxicação e pode ser que, seja apenas uma correlação ou as duas, onde a intoxicação funcionou como um gatilho ambiental para aumentar suas tendências suicidas. Eu acho que, se me lembro bem, que em sua família já existiam casos de personalidades extremas.

      Um grande abraço pra ti tb. 🙂

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