Variação natural como variação espectral entre ”doença” e ”saúde”

Matt Savage, adaptação é contextual e o que hoje é considerado como uma doença, poderá no futuro ser visto como saúde ou normalidade.

Darwin disse em suas monstruosas obras sobre a evolução, que a seleção natural decorre a partir de uma diversidade de fenótipos, de combinações genéticas, dentro de uma população. Darwin não conseguiu explicar com consistência porquê as mutações acontecem. Algum tempo atrás eu concluí que as mutações acontecem por nenhuma razão específica e portanto, é apenas por aleatoriedade. No entanto, utilizando de um dos meus princípios filosófico-científicos (extremamente simples) das múltiplas perspectivas, eu comecei a questionar se de fato, as mutações não tem nenhuma razão de ser, se elas simplesmente acontecem sem ter uma causa.

Não parece ser apenas isso. Olhando como observadores neutros, notamos que as mutações parecem ”brotar da terra”, mas para que isso faça sentido, indivíduos com suscetibilidades parecidas, nos mesmos ambientes, devem ser os principais candidatos para produzirem variações humanas mutantes. Algo que também não faz sentido é a transformação de um novo traço em um velho traço, ou seja, em um traço fixo, dentro de uma população. Se mutação fosse predominantemente aleatória, então cada indivíduo suscetível tenderia a produzir diferentes mutações. Mas isso não acontece.

As mutações não acontecem apenas por aleatoriedade, mas também por causa de mudanças em padrões de acasalamento, especialmente em populações biologicamente suscetíveis.

Vejamos um exemplo. Atualmente, as taxas de fecundidade dos portadores de esquizofrenia, são consideravelmente mais baixas que as taxas de fecundidade de outros grupos psicológicos. A esquizofrenia não desapareceu da espécie humana porque os seus ”genes” estão muito bem espalhados por quase ou todas as populações. Posso dizer que, qualquer ser humano pode ter um filho esquizofrênico. Dependerá das predisposições genéticas do seu par, de suas próprias suscetibilidades. Se não existe 100%, também não existe 0%. Enquanto que as chances de alguns em ter filhos esquizofrênicos aumenta para 50%, em outros as chances serão de apenas 2%,1%. A combinação genética de nossos pais, que produziram as nossas primeiras suscetibilidades enquanto entidades dinâmicas, também é um importante elemento a ser considerado. É por isso que dependendo da piscina genética do casal, as chances de ter uma criança esquizofrênica variará consideravelmente, de caso para caso.

No entanto, se mudanças culturais tornassem os portadores esquizofrênicos mais atraentes para o acasalamento, então teríamos mudanças genéticas significativas, dependendo da intensidade da sobreposição demográfica dos esquizofrênicos sobre os outros, que poderia se dar em questão de décadas ou de séculos. As mudanças seriam tão grandes que afetariam consideravelmente a cultura. Ouvir vozes seria considerado normal. Algum tipo de ritual poderia ser produzido, a partir dos 20,25 anos (= .  Além disso, os esquizofrênicos mais saudáveis iriam aos poucos aumentar seus números dentro da população, substituindo a própria população, até então mais diversificada, de esquizofrênicos.

Diversidade é igual ao espectro da saúde e da doença contextuais

A variação natural interna de cada população se baseia nos padrões de mutações, de quantidade e qualidade de mutações por indivíduo. Os mais saudáveis tem menos mutações que os menos saudáveis, que por sua vez, tem mais mutações. As mutações são predominantemente deletérias. No entanto, muitas delas apresentam possíveis vantagens.

Em um cenário hipotético, temos uma população, onde a maioria estará buscando se adaptar às intempéries ambientais, por meio do acasalamento com os fenótipos contextualmente favorecidos. Quando o ambiente é largo e é compartilhado por uma boa parte da população, os padrões de acasalamento favorecerão a manutenção da variação interna contextual. Existe uma minoria que está consideravelmente distante da capacidade de emular fenotipicamente a cultura predominante (buscando parceiros para acasalar ou realizar funções complexas contextualmente populares), porque em média é menos saudável que a maioria. Esta distância de transcendência evolutiva, cria ostracismo social e diminui as chances desta minoria, mais mutante, de procriar. Pode acontecer, como no cenário humano, onde todos compartilham similaridades genéticas em graus e não em grandezas. Mas porque o modelo humano não é o único possível de existir, também pode acontecer que algumas minorias mutantes possam estar em grave risco de extinção, porque não apenas são disfuncionais e dependentes da maioria da espécie, mas também vivenciaram processos incompletos de especiação, sem posterior separação e adaptação.

Em resumo, a ‘esquizofrenia’ é mal adaptada porque não é selecionada. Se fosse, a decantaríamos, mantendo a sua integridade neuro-cultural nuclear, eliminando os encargos de fitness.

Tal como belos vasos de flores vem do barro, o ”homem” também pode ser moldado por acasalamentos específicos.

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8 responses to “Variação natural como variação espectral entre ”doença” e ”saúde””

  1. Davi says :

    Seria uma maravilha, se a esquizofrenia fosse decantada com mais frequência, e conseqüentemente nasceria indivíduos com mais variações cognitivas, intelectuais etc…

    • santoculto says :

      Nem tanto, haveria mais conflitos porque se basearia em uma mudança radical da paisagem genética. Mas seria interessante decantar os esquizotipos heterozigotos. Aí sim, aumentaria a criatividade, eu acredito nisso.

  2. Davi says :

    A mudança seria impactante, mas que tipos de conflitos? Você diz conflitos entre as aspectos intelectuais e de seleções genéticas?

    Entretanto, acho que o possível surto de criatividade seria mais vantajoso do que os conflitos, colocando e comparando lado a lado, a criatividade sairá vencedora…

    • santoculto says :

      O problema é que já tem conflito demais, cometer os mesmos erros milenares é burrice. Sim, eu concordo. Parece tão na cara, se temos mais criativos entre os parentes de esquizofrênicos, então temos de fazê-los procriar mais, selecionando ainda, por caráter, inteligência, capacidade de encontrar minúcias ou acuidade intuitiva pronunciada, enfim…

      Mas algumas mentes binárias, ditas, ”de alto qi”, pensam que a esquizofrenia é apenas uma doença. Mas os esquizotipos não são. Minha opinião.

      • Davi says :

        Sim. Acho que para não aumentar burrices milenares tem que ir com calma nesse processo. Mas sabemos que “elas” São tão poderosas… Infelizmente.

        Exato. Tudo que é diferente, anormal, os famosos de 10 a 1 %, para estas pessoas “super inteligentes”, “inovadoras”, “boa gente” é doença…
        Assim como o caso de uma mulher rica, que estava selecionando espermas de ganhadores de prêmios Nobel, mas, eliminando os com alto genes de esquizofrenia, que você mesmo postou aqui no blog…

        • santoculto says :

          Sim. Esta fundação é grotesca, nojenta. Literalmente, injetar ”porra” de prêmio nobel nas vaginas com piercing de ouro das dondocas. Faça-me o favor. Isso não é eugenia, um projeto eugênico, é açougue.

          Em partes, ter um filho esquizofrênico não deve ser divertido, nem pra ele, nem para os pais. Mas negar que existe uma clara ligação entre criatividade, genialidade e proto-psicopatologias epigeneticamente complexas e não inferir atitudes quanto a isso, é de uma estupidez…

  3. Davi says :

    Fazer estes processos dentro de certas “normas” realmente será difícil… Terá muitos aproveitadores…
    É impressão minha, ou parece que a comunidade científica não percebe está ligação de doenças e alta inteligência?
    Ou só dão aquela disfarçadinha para não promover?

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