Meu querido qi

Múltiplas perspectivas, neutralidade, fatores ambientais e ”dificuldades” de aprendizagem

Eu já contei um pouco sobre mim para vocês. Se não enfatizei naquele texto, volto a fazê-lo aqui. Vou continuar a mostrar um pouco do meu autoconhecimento, porque eu acredito que uma pessoa que faz uma sincera e precisa auto-avaliação pode valer mais do que um estudo com grande amostragem e com técnicas de interpretações equivocadas. Eu estou longe de ser um parâmetro local ou universal de ”humano médio”, capaz de representar perfeitamente uma população inteira, mas a maneira como tenho interpretado as descobertas em relação a mim mesmo, pode servir muito bem para qualquer outro indivíduo, não por causa daquilo que sou mas pela maneira com que tenho encontrado os meus próprios padrões de funcionalidade.

O mundo perfeito, que emula o universo, o infinito, Deus, é o mundo das múltiplas perspectivas, em que, ao invés de analisarmos os fenômenos mediante nossas próprias perspectivas pessoais, transformando aquilo que deveria ser uma resposta neutra em um ponto de vista intrinsecamente pessoal, renegamos nossa egocentralidade em prol da empatia analítica universal, sobrepondo e aceitando múltiplas perspectivas, as nossas, as de nossos vizinhos e a de pessoas que estão distantes de nós, abstrato-espacialmente falando.

Nossos horizontes se expandem muito mais quando usamos a empatia como ferramenta cognitiva para funções analíticas.

Tudo leva a crer que eu ‘faça parte’ do grupo que a psicologia denomina como aqueles com ”dificuldades’ de aprendizagem”.

Como quase tudo nesta ciência, parece que o termo ”dificuldade”, se baseia em uma visão completamente contrária ao pensamento holístico das múltiplas perspectivas. Dificuldades, TODOS nós temos. Ninguém é ”perfeito” e na verdade, talvez o próprio conceito de ”perfeição” esteja parcialmente equivocado. No entanto, parece que quem apresenta um perfil cognitivo incomum, que destoe em relação ao perfil idealizado, supostamente comum, da maioria, é imediatamente categorizado como patológico. 😦

O disléxico ”tem um defeito no cérebro” que o faz incomum e potencialmente errado aos olhos dos ”normais e não-disléxicos”. 😉

Esta é a visão que aqueles que se denominam como conhecedores da mente humana gostam de passar para o público leigo.  No entanto, parece notável que uma pessoa com grande dificuldade de leitura pode e geralmente desenvolverá compensações muito interessantes. Nosso cérebro não tem buracos. O termo compensações é complicado de ser usado, porque até mesmo a sua ideia parece basear-se na aplicação de uma única perspectiva normativa daquilo que supõe-se de ser normal e de não ser normal. Basicamente, no nosso passado evolutivo, a linguagem escrita era praticamente inexistente. Se não existia linguagem, acredita-se que a maioria dos seres humanos não eram capazes de aprender para reproduzi-la. A maioria dos seres humanos modernos evoluíram para aprender a memorizar e a replicar a linguagem escrita, mas como eu tenho mostrado em alguns textos sobre o assunto, eles simplesmente não sabem o significado mais puro de uma boa parte das palavras que utilizam para se comunicar. Atingimos ao ponto que o nosso pensamento tornou-se moldável por aqueles que realmente entendem o que a linguagem significa (poder).

Os pontos fortes de uma pessoa com perfil cognitivo incomum, ou de inteligência assimétrica, estão umbilicalmente relacionados com os seus pontos fracos. Portanto, a dificuldade de ler de um disléxico terá um efeito causal direto em outras capacidades como a imaginação ou o talento visual-espacial. 

Mediante uma perspectiva unilateral, baseada nos pressupostos opacos de nossos sistemas públicos de ”educação”, um disléxico qualquer, é irrevogavelmente patológico, porque não atenderá às exigências igualmente unilaterais dos métodos de ensino tradicionais. A igualdade gera a desigualdade. Quando desprezamos a diversidade cognitiva humana, criamos as condições perfeitas para produzir desigualdade social e econômica.

Eu não sou disléxico. Mas tenho, se posso dizer desta maneira, uma nuance que é semelhante à esta condição. É chamada de discalculia.

Você é capaz de fazer esta conta mentalmente, em até 10 segundos*

67+45

Eu não sou capaz, posso até conseguir mas será baseado em uma análise muito exagerada e portanto demorada. Quando me deparo com esta situação, o meu cérebro simplesmente não é capaz de guardar a resposta da conta anterior, como o de 7+5. Eu não consigo visualizar a conta em minha cabeça. Logo, eu não sou capaz de fazê-la naturalmente, da mesma maneira que eu consigo produzir textos como este.

Isto é ”dificuldade’ de aprendizagem.

No entanto, se eu ainda sou capaz de fazer várias outras tarefas cognitivas exigentes, então eu não posso ser apenas alguém com dificuldade de aprendizagem. De fato, uma pessoa com dificuldade de aprendizagem para qualquer função, especificadamente intelectual ou cognitiva, que é mais complexa, pode ser parcialmente identificada como tal. Eu não, porque a minha situação é substancialmente mais contextual do que objetiva.

O meu ponto fraco, quase tudo aquilo que se relaciona com matemática (especialmente geometria), está intrinsecamente relacionado com o meu ponto forte, que são as minhas capacidades verbais, imaginativas e analíticas. As partes do meu cérebro relacionado às habilidades matemáticas, não se desenvolveram tão bem quanto as partes que se relacionam com habilidades verbais e de imaginação.

Meu querido qi

Desde que comecei a acompanhar a ”hbdosfera”, me tornei obcecado por testes de qi. Já realizei mais de 25 testes online de qi. Dizem que a maioria destes testes não prestam para avaliar nossa inteligência. É interessante no entanto que eu tenha encontrado padrões de pontuação de semelhança, apesar da pouca credibilidade. Meu qi verbal, especialmente quando a tradução do google tradutor foi perfeita e o teste foi sem tempo de realização, tem se situado em torno de 120, enquanto que as minhas habilidades matemáticas tem apenas comprovado as minhas fraquezas, que já conhecia bem desde os tempos de escola. No entanto, eu sei que tenho um grande e sofisticado vocabulário, especialmente se comparado ao restante da população brasileira, de forma que uma estimativa de 120 para o meu qi verbal, parece ser mais baixa do que a realidade quer indicar. A matéria escolar que mais me deu louros de alegrias egocêntricas tem sido a Geografia, uma de minhas áreas de especialidade e levando-se em conta  vários fatores ambientais, como ”professores que enfatizam memorização artificial (decoreba) ao invés de desenvolvimento pessoal do conhecimento” e ”vontade de estudar”, eu fui um dos melhores alunos da classe nesta matéria. Minhas médias de qi tem se situado em torno de 105-110, mas é possível que seja um pouco mais tecnicamente esperto que isso. O maior teto para a minha inteligência técnica, que estipulei, foi de 120 enquanto que a minha menor média foi de 105. Talvez a minha pedra esteja neste meio do caminho.

Estranhamente eu tenho pontuado relativamente bem (ligeiramente acima de 100, emulando o meu qi ‘geral’, encontrado nestes testes online) em qi não-verbal. No entanto, eu tenho grande dificuldade com geometria e não sou capaz de mover mentalmente formas geométricas, um forte indício de minha fraqueza em habilidades espaciais.  Existem muitas dificuldades pessoais sobre a metodologia dos testes. Habilidades matemáticas parecem se relacionar com qi verbal. Se eu tenho um qi verbal alto mas sou fraco em matemática, então talvez a placa tectônica mais profunda de minha capacidade geral, se encontre justamente DENTRO deste subteste. E é muito provável que vários terremotos oriundos desta placa, influenciem em todas as outras habilidades cognitivas.

Criatividade

Desde muito jovem, eu tenho desenvolvido uma grande capacidade de imaginação. A imaginação é uma resposta aos meus interesses obsessivos. Quando gostava de dinossauros, brincava de dinossauros, imaginava cenários e situações relacionados ao objeto de interesse. Crianças solitárias desenvolvem maior capacidade imaginativa, mas eu acho que não existe aí uma causa e efeito. Não é a solidão que me fez mais criativo, mas a minha aceitação da solidão que me fez desenvolver os meus projetos infantis de criatividade, longe da interferência de outras pessoas de mesma idade.

Eu tenho quase que total desinibição em relação à criação de analogias remotas, que muitas vezes podem parecer (e ser) ridículas. Algumas ideias que tenho exposto, sofrivelmente dentro da comunidade hbd, com o meu inglês de Robô agonizante, se baseiam nesta minha capacidade analítica. Aquilo que os outros não veem, eu posso ver.

Minha personalidade encapsula a minha capacidade de responder desapaixonadamente às demandas da sociedade. Logo, talvez eu possa ser tão inteligente quanto um parente meu, daqueles que tiram as notas mais altas da classe, sem estudar. No entanto, a minha vontade é maior do que a minha submissão ao sistema. Portanto, eu só me dedico àquilo que me interessa. Talvez eu seja mais autoconsciente que o meu parente, talvez ele seja simetricamente inteligente, diferente de mim, talvez as duas possibilidades possam ter os seus respectivos fundos de verdade, de acordo com a aplicação das múltiplas perspectivas. Em uma nuance, o meu perfil de inteligência assimétrica, aumente a minha vontade enquanto que a simetria das habilidades deste meu parente, reduz a sua vontade. Talvez a assimetria de funções se relacione com a paixão, a vontade intrínseca de aprender. Vejam a enorme facilidade com que os savants tem para realizar suas habilidades de gênio, muito específicas…

Autoconhecimento e solucionador de problemas

Eu sou um solucionador de problemas. Minha função deveria ser a gerência da sociedade. Eu sou um dos poucos que poderia gerir qualquer sociedade, por meio da sabedoria. A sabedoria não se baseia naquilo que eu acredito, mas naquilo que é e portanto, se baseia na neutralidade. O desprendimento de ego, ainda que, seja tomado por um forte ego, é uma combinação muito rara de características psicológicas que me fazem muito mais apto para gerir sistemas dinâmicos, como as sociedades humanas do que a grande maioria dos políticos são capazes.

Mas, muitos da minha espécie, não estão na política melhorando as sociedades, corrigindo até o mais ínfimo dos defeitos.

O desenvolvimento da minha compreensão sobre minhas fraquezas e forças é fundamental para que me dedique naquilo que eu sei que poderei obter ótimos resultados e não desperdiçar energia, tempo e dedicação na busca por perfis ocupacionais que não estão condizentes com o meu perfil psicológico e cognitivo.

O lugar onde eu sei que poderia dar grande contribuição à sociedade, é quase que impossível de conseguir exercer, visto que as características que são valorizadas pelo populacho e portanto por grande parte dos eleitores, são radicalmente diferentes das minhas. O político investe na aparência, mas quase sempre não tem conteúdo. Em compensação, eu pouco ligo para aparência, para minha aparência, da mesma maneira que um marqueteiro político e acredito ter um bom conteúdo capaz de suprir as necessidades sociais.

Se não posso contribuir macronomicamente com a sociedade, que o faça micronomicamente. No entanto, estou me tornando tão avesso aos sistemas humanos de organização social complexa, que é muito provável que mande uma banana para toos eles e vá me refugiar em um lugar distante e longe da estupidez desta espécie perigosa.

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Email ataudecinzento@gmail.com

4 responses to “Meu querido qi”

  1. Fada do bosque says :

    ahahaah!!! Santoculto! O seu texto e exposição estão espectaculares, mas a gargalhada saiu quando li a última frase! E tem mesmo cuidado… que neste mundo de invejosos, além do mais, ainda te podem dar um pontapé no traseiro, a pensar que você se auto vangloria. 🙂 É mesmo uma sociedade perigosa… ahaahah!!
    Como chama à característica de ver os objectos todos desordenados e você olha e encontra, num instante, assim como que de repente a forma harmoniosa de os reunir? mesmo todos afirmando que não cabem em tal espaço, ou que não fica bem assim, depois de você tentar explica?
    Quanto a qi, bem, não viva obcecado… 😉

    • santoculto says :

      Eu a chamo de sabedoria, não seria uma característica, é um fenótipo.

      Hoje em dia já não vivo mais obcecado. Só tento mostrar os muitos defeitos destes testes e buscar a simplificação.

  2. Davi says :

    Aaaah!! Vou votar Santoculto ;). Sério eu votaria. Se te conhecesse pessoalmente. Kkk

    Brincadeiras a parte, eu estava pronto pra te mandar o email, maaas, teve um imprevisto! MUITO BOM por sinal, fez eu modificar certas coisas. “Coisas do destino”… 😉

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