Gagueira, linguagem e construção da personalidade Teoria da gagueira como bioproduto da personalidade desfragmentada

Eu sou gago. Eu posso imitar vozes diferentes e alguns sons. Eu posso falar francês como um francês, alemão como um alemão e posso imitar Hitler em um de seus discursos orgasmáticos, rsrsrsrsrsrs…

Eu sou uma pessoa estranha que combina o que há de dual no mundo, como por exemplo, o fato de poder esboçar emoções como um grande ator, mas estar quase que desprovido das mesmas. Talvez, uma coisa ligue a outra, afinal, um grande ator, deve ter o controlo de suas emoções durante as cenas principais, que exigem maior talento dramático ou de interpretação.

Eu também tenho um bom timbre de voz e sou afinado. Muitos cantores líricos não são gagos, eu sei. Muitos atores, na verdade, a maioria dos atores não são gagos, eu também sei. Mas o meu foco aqui, não é achar gagueira fora da população de gagos, o que seria uma coisa estúpida a se fazer, mas que a maioria das pessoas estão rotineiramente fazendo. O meu objetivo é encontrar correlações causais ”exteriores” dentro desta população específica.

Como quando falamos sobre as diferenças intelectuais e cognitivas entre as raças humanas, surge um ”espertinho” e diz:

”Mas eu conheço um negro que é muito inteligente”.

Mas é claro, se queremos encontrar inteligência, devemos procurá-la em pessoas inteligentes e não fora desta população. É claro que existem indivíduos e até subgrupos inteiros de negros, que são tão ou mais inteligentes que a maioria dos brancos. No entanto, a maioria dos negros, quando comparados com outros grupos, não são mais ou igualitariamente inteligentes. Portanto, comparar a inteligência de duas populações por meio de suas origens raciais, neste caso, nesta perspectiva, encontra-se predominantemente contraproducente, visto que desejamos encontrar relações causais de inteligência entre indivíduos e não de raças. Resumindo, o foco neste caso, é a inteligência.

Eu já sussurrei que a inteligência é um conjunto variável de traços que não tem monopólio ”divino” de nenhum grupo e que todos estão sujeitos a aumentar ou a diminuir suas respectivas capacidades coletivas por meio de processos seletivos de médio a longo prazo.

Tal como a altura, onde temos pessoas altas e baixas em quase todas as raças ou variedades humanas com breve exceção de outliers como os pigmeus, a inteligência não é propriedade privada ou patenteada de nenhum grupo.

Voltando ao assunto deste texto. Eu estou propondo uma teoria em que a gagueira seja vista como um bioproduto atávico ou neotênico (eu já mostrei que parece existir uma certa arbitrariedade em tentar definir temporalmente os estágios evolutivos de algumas características humanas) anterior aos processos de seleção sexual e cultural que produziram seres humanos capazes de aprender e manipular com precisão mecanicamente inconsciente a linguagem oral, oratória constante ou a fala.

Eu também estou propondo dentro desta teoria, que os gagos seriam um extremo de manifestação (em média) de elasticidade linguística e oral, onde mediante a incapacidade de aprender por osmose, ou seja, nascer com forte predisposição, para a aquisição eficiente e mecânica da linguagem oral ou da fala, um importante meio de comunicação e portanto de socialização, estes veriam na possibilidade de estarem sempre aprendendo a falar e por meio desta constante experiência é que algumas possíveis vantagens incomuns apareceriam, tal como ter a capacidade de imitar outras vozes, sotaques e de intepretar.

É interessante notar que as crianças são muito mais precisas para aprender novos idiomas do que os adultos. Está claro que esta capacidade momentânea (para a maioria) é uma característica neotênica. Sabemos que existem os poliglotas e muitos deles não são gagos, apesar de não ter procurado, por preguiça mesmo, nenhuma pesquisa que relacione os dois fenótipos.

 

Construção da personalidade visando a socialização, via aquisição de linguagem

 

Com o início da vida sexualmente fértil, um marcador para o fim da infância, nossa capacidade para aprender novos idiomas vê-se consideravelmente reduzida, menos em poliglotas e provavelmente em gagos, mais uma vez, se os dois não estão demograficamente sobrepostos.

A construção da personalidade se dá primeiro por nossas predisposições genéticas e tal como quando o pergaminho é aberto, nossa história vai sendo parcialmente contada, ao menos em relação às nossas respectivas etapas de desenvolvimento, nossas predisposições temporais como o fenômeno do estirão, quando o corpo estica muitos centímetros e muitas mudanças sexuais e hormonais acontecem no nosso corpo a partir dos 11,12 anos de vida.

Perceba nossos respectivos desenvolvimentos vitais tal como uma peça de teatro em que as cenas já estão devidamente montadas e preparadas e que no entanto, serão preenchidas pelo improviso do acaso. Somos potencialmente previsíveis, mas os fatores ambientais, que são interações genéticas indiretas, não são.

O gago seria aquele que se vê ”preso” ao processo inicial de construção da personalidade, onde basicamente não existe uma identidade formada e portanto se consiste em uma identidade  fragmentada.

Estou também sugerindo que os gagos, ou, parte deles, possam ter co-manifestação com níveis de dupla personalidade OU personalidade maleável, onde o reconhecimento do indivíduo em relação a sua identidade, será menos forte e significativa do que o habitual. Isso poderia explicar, no meu caso por exemplo, porque eu sou capaz de imitar vozes de animais (alguns, ainda não testei o zoológico inteiro =), de outras ”pessoas” bem como de emular sotaques com quase perfeição. Como eu não tenho uma profunda certeza sobre minha identidade, me encontro constantemente debatendo sobre quem eu sou e não apenas, qual é o meu papel no mundo, isso PODERIA reverberar tanto na minha gagueira quanto em minha capacidade maleável de descentralização de minha identidade fundamental, que deveria funcionar como um meio eficaz para a socialização.

As etapas de desenvolvimento da personalidade, podem ser interrompidas, se podemos dizer assim desta maneira, em gagos por causa da disfluência na fala que funcionaria como uma barreira na capacidade de conexão com a identidade auto-reconhecível e reconhecível para a população circundante que interagem com eles.

A incapacidade de se conectar é constante, sempre quando se gagueja, titubeia-se tanto em relação à posição social e posteriores correlações  construídas pelos indívudos que estão interagindo, quanto em relação à certeza da veracidade verbal do indivíduo gago. Bem dizem que a palavra gago deriva do termo ”bárbaro”.

 

Capacidade de emular sotaques estrangeiros, espectro da maleabilidade da fluência linguística cultural e geral

 

Eu sempre fui curioso em relação ao fato de que algumas pessoas jamais conseguem perder os seus sotaques ”de infância”, enquanto que na outra extremidade deste espectro,  nós temos verdadeiros camaleões que conseguem emular qualquer sotaque, muitas vezes, só de escutar uma única vez.

Como poderia explicar essas diferenças de capacidade??

Se a linguagem é um meio significativamente importante para a ”construção” da personalidade, visto que é por meio dela que nos situamos na sociedade, nos comunicamos e interagimos com os outros e que nos reconhecemos, especialmente, a partir de considerações das outras pessoas e isso é especial para tipos extremamente sociáveis , então a sua disfluência, poderá vir acompanhada por algumas vantagens, anteriores ao processo de adaptação cultural por seleção.

Nós temos o produto montado e o produto desmontado.

Se uma criança nigeriana for adotada por um casal francês, ela muito provavelmente aprenderá a falar de acordo com o sotaque de sua família adotiva.

Mas será que é sempre assim ou existem diferenças individuais de capacidade de maleabilidade linguística??

Eu continuo a pensar, por que algumas pessoas jamais perdem o seu sotaque ”de infância” mesmo quando passam mais tempo de suas vidas em outra região, onde o sotaque é muito diferente??

E por que outras pessoas são tão boas em imitar sons de línguas estrangeiras??

 

Personalidade interrompida

A socialização é como um jogo constante de boomerang em que isto é jogado de indivíduo a indivíduo. É fácil quebrar a harmonia deste jogo. Por exemplo, apenas uma palavra pode fazer com que o boomerang volte em direção ao seu pescoço. Por exemplo, esta aqui

RACIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIISSSSSSSSSSSSSSSSSSSSMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Além de estarmos bem treinados para não ferir os sentimentos mais puros da plebe, também precisamos nos comunicar eloquentemente para que sejamos bem entendidos, quanto aquilo que estamos falando, bem como também para que possamos estabelecer vínculos de curto a longa distância, tempo-espacial, com as outras pessoas.

Precisamos mostrar quem somos, nossa maneira de falar, nossa maneira de andar, nossos gostos culturais, nossos pressupostos políticos, nossas qualidades bem mais do que nossos defeitos etc

O gago, de imediato, mostra o seu maior defeito, ou ao menos, que grande parte dos gagos entendem como. Portanto, o estabelecimento de vínculos bem alicerçados, encontra-se precocemente perturbado pela disfluência do discurso oral.

Voz grossa remete à masculinidade, voz fina remete à feminilidade, homem com voz fina remete à fraqueza ou à feminilidade, cruzamento de gênero e sexualidade opostos ou misturados, mulher com voz grossa remete aos atributos da masculinidade como a força, especialmente a força bruta.

E a gagueira, como fica??

Além do tom de voz, também observamos a fluência do discurso. Aquele que fala com mais ênfase passa confiança, aquele que titubeia com frequência passa desconfiança, tanto para si mesmo, quanto PARA o ouvinte.

Se nossa linguagem é uma evolução dos grunhidos de primatas, então em que estágio evolutivo de nossa espécie, a gagueira poderia se situar?

A gagueira, menos do que um defeito, visto que parece vir embutida com muitas vantagens incomuns (vi dois estudos que encontraram correlação entre alto qi e gagueira e segundo Lombroso e cia ilimitada antes do período TERMANIANO,  muitos gênios historicamente conhecidos, eram gagos), parece ser um fenótipo de PERSONALIDADE, se a linguagem se relaciona consideravelmente com este quesito multifacetado. Eu poderia pensar na gagueira e na não-gagueira como dois fenótipos de personalidade linguística, onde a linguagem adquire papel mais importante do que as características do temperamento.

A grande maioria dos gagos são aparentemente ou biologicamente  de introvertidos. No entanto, muitos gagos podem ser extrovertidos, mas a sua disfluência pode mascarar o seu real estado de ser e de viver.

Mas como eu não acredito muito que o ambiente possa influenciar até mesmo na essência individual, OU SEJA, a genética ou as predisposições genéticas, internamente variáveis e hereditariamente limitadas, então eu penso que as características fisiológicas e gerais dos cérebros das pessoas gagas e do meu cérebro, são o atrito no ambiente, a ação, onde esperaremos a reação, obviamente.

A personalidade interrompida não se dá em um único evento, mas a todo momento em que ocorre tentativa de interação interpessoal, visto que não existe ninguém mais preocupado em se encaixar na sociedade do que um gago. Muitos estão tão desesperados, que acabam adoecendo. Isso também deve se relacionar com a hiper-sensibilidade desta população, assim como também pelo perfil psicológico-cognitivo marcado por fraquezas e forças de grandezas consideráveis e auto-influenciáveis.

Aquele que dificilmente perde o seu sotaque ”de infância” é que provavelmente apresenta uma personalidade tão bem estabelecida, que não vê graça em imitar outras pessoas. Esta força se relaciona. não-tão-paradoxalmente, com uma espécie de inconsciência do seu EU, que como eu tenho sugerido algumas vezes aqui, geralmente é alargada pelo conflito interno.

É onde genialidade e loucura se conectam, a AUTOCONSCIÊNCIA, que é derivada do conflito entre a personalidade estabelecida e algum descompasso estrutural de identidade, provocado por alguma doença ou nível de patologia, que pode ser alto (e perigoso) ou fraco e vantajoso, especialmente para a criatividade.

 

Conclui-se marginalmente então, que pode ser possível que a gagueira se relaciona com a incapacidade de construção da personalidade, se esta é fortemente modulada pela linguagem, que por sua vez, funciona como um constante método de auto-afirmação integrada assim como também para a identificação individual por outras  pessoas.

Eu sugeri que além de mim, outros gagos, quer dizer, muitos outros gagos, podem ter habilidades linguísticas e ”linguístico-emotivas” incomuns, derivadas deste fenótipo de personalidade desfragmentada, onde a auto-percepção de identidade é fraca e abre espaço para constantes experimentações. Estas experimentações se relacionam tanto com a capacidade de emular sons e vozes, de falar com diferentes sotaques ( e especialmente, falar sem gaguejar, que é muito interessante, eu falo sem gaguejar, completamente, em outro sotaque, é como falar com ritmo pautado pela respiração, demarcado) como para a interpretação teatral.

Uma sugestão teorética retida de minha auto-observação, que tem grandes chances de ser mais um achismo desvairado deste ser insano que finaliza este texto.

 

 

 

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