Espectro do aprendizado

”Duas patas ruim, quatro patas bom”

 

Estou lendo o curto texto de George Orwell, a ”Revolução dos Bichos”. Como sempre, uma bela e bem construída narrativa deste autor. No entanto, algo me chamou a atenção neste clássico da literatura ‘existencialista’ (que vai fundo na psiquê humana). A enorme semelhança da sociedade (comunista) construída pelos bichos da fazenda ”Solar” em comparação à própria sociedade humana. Mas é claro que Orwell não fez esta comparação a toa. De fato, ele desejou fazer uma ácida crítica ao trivial bolor de acontecimentos que se sucedem a partir do momento em que ”o povo” (que de fato, muitas vezes é de oprimidos) toma o poder. Primeiro, acontece o regozijo coletivo pela vitória. Segundo, inicia-se a tentativa de igualdade e camaradagem entre os vitoriosos. Terceiro, começam a ocorrer divergências e os mattoides mais inteligentes começam a deixar suas máscaras caírem para que por fim, o gênio ou os gênios que tentam manter o projeto inicial utópico, são expulsos, assassinados ou ostracizados politicamente, pelos mattoides, os falsos companheiros de intelecto superior.

Uma causa justa, com métodos brutais e portanto generalistas, com um fim bem conhecido, a vitória do mais esperto, e não do mais inteligente, transformando o paraíso prometido em limbo existencial, em preto e branco, como nos acostumamos a ver em qualquer sociedade pretensamente socialista.

No livro, Orwell descreve maravilhosamente bem a hierarquia de intelectos e capacidades entre os animais, onde os porcos são os mais inteligentes e se ocupam com atividades intelectuais, relacionadas à organização da sociedade, sua política, cultura etc, enquanto que a plebe, composta pela maioria dos animais, são a massa trabalhadora, incapaz de acompanhar a inteligência de sua nova elite.

QUATRO PATOS É BOM, DUAS PATAS É RUIM

Este é o lema que é entoado pelas massas acríticas, uma abreviação grosseira  mas necessária, realizada pela elite de porcos inteligentes, para propagar a essência idealista da revolução e da proposta de sociedade.

RAÇA É APENAS A COR DA PELE

Quantos antropólogos, biólogos, geneticistas que você conhece??? Dá a impressão de que existem milhões deles ”dando sopa” por aí. Enquanto que a massa anencefálica repete este mantra, sem saber como explicar o porquê de acreditarem nele, alguns tipos, diga-se, mais inteligentes, são mais capazes de formular explicações um pouco mais convincentes, ainda que não saibam explicar conceito por conceito, raça, é, apenas, cor de pele, de maneira mais aprofundada.

Os mais ”tecnicamente inteligentes”, podem decorar todos os mandamentos ” da revolução”, mas  não podem encontrar por conta própria, os conceitos fundamentais das ideias e mais, mesmo quando são ajudados, só se convencerão de que a pedra é uma pedra, por exemplo, se os seus companheiros também confirmarem.

Os verdadeiramente inteligentes, não apenas compreendem conceitos e ideias complexas, visto que eles as fazem também. São os inventores de ideias, palavras, conceitos, linhas filosóficas, pense no enorme impacto de Confúcio para a China…

 

Espectro de aprendizado

 

Por meio de testes de qi, tempos de reação e provas de múltipla escolha, acredita-se que já tenhamos chegado ao núcleo da inteligência humana. Pode até ser verdade, mas todas as partes do conceito e das características da inteligência são de igual importância, sendo que, estando à superfície ou no núcleo e apenas nessas regiões, pode-se perder pontos muito importantes. Se o quebra cabeças não está completo, então não podemos concluir que, o quebra-cabeças está completo.

O espectro de aprendizado que estou propondo, se baseia em parte justamente em minha atual leitura do clássico de Orwell. Como eu já havia mostrado várias vezes (esta frase é uma constante neste blog, rsrsrs, ignorem), a inteligência verdadeira ou sabedoria, não se baseia APENAS em capacidade TÉCNICA, mas também na maneira como entendemos o mundo ao nosso redor. Não é nem apenas uma questão de sermos animais para que possamos ter intuição instintiva para pescar a desarmonia na paisagem, mas porque qualquer entidade inteligente assim o fará, é apenas um princípio universal de inteligência, de como funciona.

Como no clássico orwelliano, eu pretendo agora inferir uma hierarquia, baseada na capacidade de aprendizado e desprezando qi, visto que encontraremos muita variação de qi, sendo que alguém com qi 120, necessariamente não será assim tão inteligente, quanto alguém com qi 105, depende muito, primeiro, de qual atributo que estamos comparando, da funcionalidade real do indivíduo, em sua capacidade de entender a realidade, dentre outros atributos POSITIVOS.

Hierarquia de intelectos

 

1- Não tem capacidade para aprender, quase sempre terminará em trabalhos braçais. Incapaz de pensamento abstrato.

2- Aprende o básico em tarefas mecanicamente repetitivas e simples, que quando são decoradas, se faz por osmose. Aprende conceitos simples, mas tem dificuldade em aprender ideias simples, que são um aumento de complexidade de conceitos. Incapaz de pensamento abstrato.

3- Aprende tarefas mecanicamente repetitivas e complexas, conceitos e ideias simples. Capaz de produzir ligeiro pensamento abstrato, mas é incapaz de compreendê-lo significativamente ou predominantemente bem. São os mantenedores técnicos médios que entoam os famosos mantras, a maioria da população.

4- Aprende ou pode aprender tarefas mecanicamente repetitivas e complexas. Grifei ”pode” porque a partir deste ponto, o perfil mentalista de inteligência começa a predominar sobre o que perfil mecanicista de inteligência. Muitas vezes, os melhores pensadores serão trabalhadores técnicos estúpidos.

5- Aprende ou pode aprender tarefas mecanicamente repetitivas e complexas. Tem boa capacidade de pensamento abstrato, pode reconhecer conceitos e trabalhar ideias.

6- Aprende ou pode aprender tarefas mecanicamente repetitivas e MUITO complexas. Tem excelente capacidade de pensamento abstrato.

7- Aprende ou pode aprender tarefas mecanicamente repetitivas e MUITO complexas. Tem excepcional capacidade de pensamento abstrato.

8- É provável que seja incapaz de aprender tarefas mecanicamente repetitivas muito complexas. Tem capacidade de pensamento abstrato ao nível de gênio. Perfil mentalista de inteligência predominante.

 

Exemplo, RAÇAS HUMANAS NÃO EXISTEM

 

1- Não sabe escrever a palavra raça (rassa é a maneira incorreta mais comum de escrever esta palavra no idioma português) e não entende conceitos.

2- Pode ou não saber escrever a palavra raça, mas não entende conceitos.

3- É muito provável que tenha um vocabulário razoável, mas tem dificuldade para entender conceitos, só se forem muito bem explicados, didaticamente. Só crê naquilo que os outros creem, comportamento derivado dos mamíferos. Exemplo de explicação para o mantra: inexistente.

4-  Entende conceitos simples ou na superfície, entende ideias. Enquanto que os outros repetem ideias simples derivado do comportamento de mamífero, buscando a socialização e aceitação do grupo ou para tirar vantagens imediatistas, retidas de instinto animal mais intacto, este grupo encontra-se em uma encruzilhada desvantajosa, em que a ”esperteza” dos menos inteligentes e a sabedoria dos mais inteligentes, se anulam mutuamente. É por isso que a classe média geralmente é uma massa predominantemente inconsciente. Exemplo de explicação para o mantra: inexistente a simplório.

5- Entende conceitos complexos, mas não completamente. Exemplo de explicação para o mantra: raças não existem porque as diferenças genéticas são pequenas e porque podemos procriar com pessoas de outras raças.

6- Entende conceitos complexos, predominantemente. Exemplo de explicação esperada para o mantra: raças não existem porque um norueguês pode ser mais geneticamente parecido com um nigeriano do que com outro norueguês. Demonstra constante atualização argumentativa. Neste grupo começa a dissidência entre aqueles que creem no mantra e aqueles que não creem e que estão portanto mais perto da verdade.

7- Muito provavelmente acredita ou é partidário da existência de raças humanas, mas como é excepcionalmente eficiente em sua capacidade de adaptação, isso pode não ter grande significado, se podem selecionar os melhores tipos de cada raça para o convívio.

8- Não acredita na existência ou não não-existência, acredita em como isso pode reverberar no mundo real. Atualmente, estes tipos creem que o dogma parcialmente correto do igualitarismo, encontra-se em conflito beligerante com a realidade e com  o acúmulo histórico de evidências quanto aos graves problemas que tem brotado desta mentalidade, se tornaram conscientemente racialistas. Manipulam com extrema facilidade qualquer conceito abstrato. Quando a inteligência mentalista predomina, mescla-se a criatividade e a inteligência ou ao menos, alguma capacidade executiva extremamente eficiente em capturar a essência de conceitos e modificá-las ainda na raiz.

 

Fator cultura neurológica

 

A maioria dos conservadores são racialistas, em algum ponto. Como resultado, como pode ser possível que possam rejeitar o mantra exemplificado, se não tem capacidade para entender, em média, conceitos complexos?

Simples, porque eles tendem a ter uma cultura neurológica que propicia para esta rejeição. Mas não se dá por reflexão, mas por ação e reação, instinto puro e simples.

Aí que encontramos a chave desta situação, REJEITAR o mantra SOMOS TODOS IGUAIS, não é o fim da resposta mais sábia e mesmo, em algumas perspectivas, este mantra fácil e tolo, em inconscientes, ainda terá pontos de concordância com a razão.

Veja um exemplo

SOMOS TODOS SERES VIVOS = SOMOS TODOS IGUAIS

Ainda que seja capaz de reconhecer erros neste mantra e rejeitá-lo, a maioria dos conservadores só o farão mediante poucas perspectivas e portanto, não estará visualizando a ”imagem maior” da frase e dos conceitos envolvidos.

A diferença dentro desta hierarquia se encontra na quantidade de ideias, conceitos que podem ser manipulados simultaneamente, na quantidade de nuances encontradas dentro de ideias e conceitos, na qualidade de todos eles e na capacidade de autonomia mental intelectual.

 

APRENDIZADO, não tão simples assim…

 

As pessoas com maiores pontuações de qi capturam com maior facilidade o significado e/ou a resolução de conceitos, ideias, problemas matemáticos etc…

Mas quem aqui já ouviu este famoso ditado

A PRESSA É INIMIGA DA PERFEIÇÃO

Quem sempre aprende com facilidade, comete erros com facilidade, porque despreza todas as camadas de informação que poderão capturar.

Aqueles que enxergam primeiro a ”imagem maior”, o conceito, tem uma tarefa mais árdua do que aquele que começa o desenvolvimento do seu pensamento por meio da captura de detalhes. É fácil construir um castelo, difícil é construir um castelo completamente diferente, que revolucione a arquitetura medieval.

Eu, por exemplo, tenho dificuldade para aprender de início. Mas depois, se o assunto me interessa, ninguém me segura, e vou devorá-lo até não sobrar mais ou até me cansar.

Portanto, é complexo demais afirmarmos que ”aquele que aprende mais rápido é mais inteligente”. É como repetir o mantra ”somos todos iguais”.

O termo mais inteligente é complexo porque vivemos em sociedades complexas, existem muitos tipos de inteligentes e capacidades específicas de aprendizado que se continuarmos na superfície do conhecimento sobre inteligência, jamais iremos conseguir completar o quebra-cabeças e poder dizer.

Está completo.

 

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