Além do qi… em busca dos genes certos para aumentar a genialidade

Fonte:http://www.bipolarartists.com/

A eugenia se tornou um imperativo cada vez maior em nossas sociedades. A qualidade torna-se cada vez mais importante como uma escolha correta para levarmos uma vida saudável, pretensiosamente longeva e rica em experiências enriquecedoras.

A criatividade é um dos traços mais valorizados pelos seres humanos e não há dúvidas que este tem tido um papel fundamental em todos os aspectos da construção de nossa identidade como espécie.

No entanto, a criatividade se relaciona claramente com predisposições psicopatológicas e é aí que nasce um grande paradoxo da compreensão racional humana. Como a qualidade, que consiste o trabalho criativo, pode conviver com tendências potencialmente patológicas, que consiste no oposto daquilo que entendemos como ”de alto valor biológico qualitativo”??

Se a eugenia se caracteriza pela busca da qualidade humana e a criatividade em sua etiologia biológica, se caracteriza por níveis de doença mental, então como poderíamos introduzir processos seletivos buscando a melhoria de todos os outros componentes como a inteligência e a saúde, mas sem eliminar a criatividade??

Eu me preocupo quando vejo jovens como este que dizem que estão em busca da ”chave genética da genialidade” baseando-se em trabalhos duvidosos quanto as suas reais finalidades com as de Lewis Terman, nos anos 20.

Eugenia e a construção de uma casta criativa

Na atualidade, as taxas de fecundidade das populações euroasiáticas diminuíram consideravelmente. Todas as nações com as maiores médias de qi apresentam baixas taxas de fecundidade e aquelas que são a exceção do grupo, geralmente o fazem por causa da grande população de imigrantes, diga-se de mais baixo qi.

As taxas de fecundidade, tanto dos portadores homozigotos das psicopatologias, quanto dos seus familiares, estão ainda mais baixas do que de suas respectivas populações sem histórico familiar de doença mental. Por razões um pouco óbvias, visto que as psicopatologias representam uma redução do fitness reprodutivo, de diferentes maneiras, seja pela incapacidade de adequação social dos seus portadores ou por causa dos efeitos fisiológicos causados pelos transtornos.

Com a exceção da depressão e do abuso de substâncias, a esquizofrenia, o autismo e a anorexia nervosa estão sendo fortemente de-selecionadas. Enquanto que os portadores e seus familiares com transtorno bipolar não sofrem tanto com esta situação, é fato que, os subgrupos cognitivos onde a genialidade é mais provável de ser produzida, apresentam taxas de fecundidade extremamente baixas.

Se no passado, era comum que todos ou quase todos adquirissem matrimônio cedo e produzissem famílias relativamente numerosas, hoje em dia com a modernidade, destruiu-se esta linha do tempo sequencial, onde grande parte da população, incluindo os tipos criativos, passavam por sequências culturalmente estabelecidas e socialmente reforçadas, em que uma boa parte da população se casaria e produziria filhos.

O fim desta exigência cultural produziu uma sociedade estéril e isso é ainda pior para a classe criativa.

Mediante este cenário desolador, eu proponho que, ao invés de nos centralizarmos em famílias de ”alto qi”, e apenas por causa deste componente, que mudemos parcialmente nosso foco, dividindo-o também para as famílias onde correm as veias da criatividade e é claro que encontraremos aí uma grande incidência de transtornos mentais assim como também de variações heterozigotas. Se a criatividade é uma mistura de inteligência com doença mental em níveis moderados, então deveríamos pensar numa maneira de aumentar as taxas de fecundidade, especialmente dos portadores heterozigotos, onde o ápice da criatividade será mais encontrada, ao invés de buscarmos por ”altos qis que são membros do MENSA”. Somente assim, é que poderíamos aumentar as chances de nascimento dos gênios que hoje em dia, tanto lamentamos.

A construção de uma classe criativa, ao estilo indiano, apareceria como um solução para a possibilidade de que os genes da criatividade possam interferir em outro braço eugênico que buscará pela inteligência técnica e saúde.

Lombroso et tal versus Terman

Até o início de minha leitura do trabalho de Cesare Lombroso, ”O homem de gênio”, eu relutava em aceitar que os testes de qi fossem a única maneira de provar a superdotação de um indivíduo, ainda que muitas evidências estatísticas já tivessem me mostrado que, de fato, eles se relacionam claramente com ALGUNS COMPONENTES da inteligência humana, mas não com TODOS e que estes tais componentes, são preditivos para ajustamento social.

Antes de começar a ler a obra de Lombroso, eu já havia me familiarizado com o estudo de Lewis Terman, o primeiro estudo longitudinal da ciência cognitiva, em que O EXATO OPOSTO foi encontrado em comparação a todo ”anedótico” corpo de evidências baseado em biografias e autobiografias dos grandes gênios eminentes assim como também pela percepção popular. E desde o início em que me deparei com este trabalho que uma dúvida se instalou em minha cabeça, eu pensei:

” -Isso não faz sentido!”

O trabalho de Terman está recheado de erros graves tais como

– uma escolha tendenciosa de amostragem com base em classe social
– uma escolha tendenciosa de amostragem com base em pontuações de qi ( todas as crianças que pontuaram 130 ou acima de 130 foram escolhidas para participar do estudo, todas as outras que pontuaram abaixo da marca ”mágica”, foram descartadas)

A partir, especialmente do segundo erro, gravíssimo por sinal, todo o trabalho viu-se comprometido, porque a partir daí, considerações BASEADAS na ideia de ”determinismo de qi”, ou seja, do qi como uma resposta final para a inteligência, como um conceito, passaram a ser realizadas. Inteligência= qi#

O trabalho de Lombroso também apresenta muitos erros, mas eles não são metodológicos e se baseiam mais nos pressupostos pessoais do autor do que na essência, na finalidade do estudo. Lombroso não selecionou um grupo de crianças com base em critérios cavernosos de intelecto, ele foi direto na fonte.

Ao menos uma das pretensões de Terman, que eu posso aplaudir de pé, a previsão da genialidade, quais seriam os critérios necessários para a produção do gênio, antevê-lo antes que se manifeste.

No entanto, os métodos de identificação de qualquer coisa semelhante à genialidade, proposta e realizada por Terman, comprovou-se inútil, mediante os resultados que colheu do seu estudo longitudinal. Terman não encontrou um grupo de adultos inovadores e super-talentosos em suas crianças ”termites”, mas um grupo apático de pessoas socialmente bem sucedidas. Ele avaliou as características cognitivas, psicológicas, fisiológicas e comportamentais dos ”mantenedores de alto funcionamento”, a ”elite cognitiva”, que no entanto, não é composta em sua maioria por gênios, ainda que para pertencer a esta elite, seja necessário ter uma grande inteligência.

O desdobramento do fenômeno da síndrome de Terman

Os testes de qi se relacionam a uma série de características das quais identificamos como positivas, favoráveis ou desejáveis, como ajustamento social, saúde e beleza.

No entanto, uma boa parte dos gênios, especialmente segundo Lombroso, Galton e todos os estudiosos anteriores a Terman, não são socialmente ajustados, não ganhariam um concurso de beleza e não são um primor de saúde, especialmente se a genialidade necessita do fogo da loucura para se manifestar.

Se o jovem chinês encontrar os genes que produzem a ”inteligência” baseada em alto qi o que ele poderia sugerir e imaginemos quais cenários ”admirável mundo novo” poderiam se suceder??

Os efeitos do trabalho de Terman são notoriamente significativos. É surpreendente que muitas escolas de superdotados espalhadas pelo mundo afora tenham adotado o critério ridículo de ”qi acima de 130”, usado por Terman em seu estudo, para selecionar os seus supostos ”gênios”.

O movimento psiquiátrico veio, não para nos dar uma melhor compreensão da doença mental assim como também de suas possíveis vantagens, como estão sendo categoricamente comprovadas, mas para ostracizar não apenas o paciente, mas também qualquer voz dissidente do mundo mattoide em que vivemos atualmente.

O sistema de ensino escolar, tão velho quanto Napoleão II, continua a desprezar o potencial das crianças criativas e foi moldado para selecionar burocratas dentre outros mantenedores, excluindo os tipos criativos de qualquer sucesso, promovido por ajuda estatal, como já fazem para com os termites.

O determinismo do qi não só provoca o cisma quanto ao conceito de inteligência e o seu posterior mensuramento, como também abre espaço para especulações niilistas de filósofos de boteco, como por exemplo, a tola ideia de que a inteligência seja uma construção social, aliás, eles adoram resumir qualquer fenomenologia como ”cultural”.

O determinismo do qi também confunde o público sobre as definições de estilos de superdotação e especialmente em relação à genialidade, a maior de todas elas. E como rotineiramente tem acontecido nas ”escolas para superdotados”, seleciona arbitrariamente por meio de pontuações de qi os estudantes, descartando grandes potenciais que não conseguem superar a marca mágica de qi 130 ou mais.

Os desdobramentos do estudo de Terman são tão graves em suas consequências, que é escandalosamente urgente tomarmos medidas de desmistificação deste trabalho, além de posterior reestruturação da sociedade como promotora meritocrática, seja em relação ao trabalho comum, ao trabalho científico ou à tutela precoce de crianças com grande potencial.

Outro escandaloso problema com os testes de qi é que a partir do momento em que estes são retratados como conceito de inteligência, passa-se a desprezar quase todos os outros traços humanos como a bondade. Como resultado, nós temos seguidores de raças e populações de alto qi tais como os leste-asiáticos e os ashkenazim, desprezando sumariamente a inteligência dos europeus e mesmo de subgrupos em coletividades de baixo qi, onde os testes de qi substituem todos os outros predicados que fazem o mundo melhor. Despreza-se que apesar dos grandes intelectos das populações citadas, estas não são conhecidas por exibirem em média, muitos dos traços positivos de personalidade além de práticas culturais abomináveis.

Conclusão

A única maneira de selecionar e aumentar a quantidade de gênios na humanidade, será por meio da seleção de pessoas com predisposições psicopatológicas, que é basicamente o que os gênios são.

O trabalho de Terman, como eu tenho falado constantemente, deve ser revisado e suas conclusões precipitadas sobre o gênio devem ser reinterpretadas como ”correlações gerais sobre subtipos de superdotados, mediante o critério qi”, apenas isso e nada mais do que isso.

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