Redenção dos ”termites”

Toda sociedade que reconhece, valoriza e utiliza dos produtos dos gênios criativos, precisam ser compostas por um número razoavelmente alto de pessoas altamente inteligentes, mas que não são de gênios.

É aí que os termites aparecem. O termo ”termites” se refere às crianças de Terman, o famoso e revolucionário (infelizmente) experimento psicológico e longitudinal realizado na Califórnia, a partir dos anos 20. Estas crianças foram identificadas mediante suas pontuações altas de qi, acima de 130.

Os termites, eu poderia denominar também como os ”mantenedores” ou ”estabilizadores” de alta capacidade.

A maioria dos termites não são de gênios

A maioria dos termites não são de gênios, apesar de existir uma relação entre os dois, inclusive dentro das famílias. Onde existem pessoas inteligentes, é esperado também que existirão todos os outros tipos ou a maioria dos outros tipos de alta capacidade.

Depois do experimento de Lewis Terman, espalhou-se a ideia de que alguém com qi alto, geralmente acima de 130, era um gênio e que todo o gênio por primazia, deveria pontuar alto em testes de qi.

A partir disso, todos os programas de superdotados passaram a selecionar somente ou especialmente, aqueles que conseguissem pontuar alto a muito alto nos testes de qi.

A genialidade no entanto não é somente isso e na verdade, pode-se dizer que, este atributo é marginal e não central. O mais importante é a combinação de grande capacidade criativa com grande intelecto, este que geralmente se caracterizará por sua assimetria de habilidades, uma super concentração de talento em alguns quesitos, muitas vezes combinado com grandes a moderadas deficiências, que dependendo das diferenças entre forças e fraquezas, a impressão de déficit poderá ser alargada por razões de perspectiva contextual. Por exemplo, um estudante com média de qi verbal em torno de 180 e qi espacial de 115, apresentará uma tendência para ser mais desequilibrado entre suas forças, do que um outro estudante ou indivíduo com qi verbal 130 e qi espacial de 87. Percebam que apesar da pontuação de qi espacial ser menor no segundo exemplo, a diferença entre as forças e as fraquezas não é tão grande quanto ao do primeiro exemplo.

Confusão entre termites e gênios

Graças ao trabalho de Terman e a estupidez subsequente dos centros acadêmicos na parte da psicologia, passou-se a confundir o ”termite” com o gênio, mesmo que milênios de evidências tivessem provado o contrário quanto às características gerais da genialidade.

Os superdotados de Terman eram mais altos, mais saudáveis, mais bem sucedidos social e economicamente do que os seus pares de qi mais baixo.

Mas a genialidade nunca significou excelente ajustamento sócio-econômico.

A maioria dos gênios criativos historicamente reconhecidos, segundo o livro O homem de gênio de Cesare Lombroso, se caracterizaram pelo quase-exato oposto. Enquanto que os termites se destacam pelo equilíbrio, os gênios sempre foram reconhecidos pelo desequilíbrio. Os extremos de funcionalidade de diversos aspectos biológicos estão presentes em gênios, mas não nos termites.

A confusão entre os dois permanece até hoje vívida e ativa e muitos termites desde então, tem se considerado como gênios, demonstrando uma ignorância sobre o que isso realmente significa.

Eu já postei aqui as características especiais dos gênios criativos, de acordo com Paul Cooijmans. Não basta ter uma grande inteligência.

Os termites geralmente tem uma grande inteligência técnica, que eu também defini em um post anterior.

O mais importante agora é realmente entender qual subgrupo de altamente capaz que Terman analisou, e não foi o subgrupo de gênios, isto é certo.

Minha opinião sobre o trabalho de Terman. Ele selecionou um subgrupo de altamente capazes, providos de grande inteligência técnica, que são os mantenedores de alto nível ou os estabilizadores de alta qualidade.

Estabilizadores e inovadores

Todo o gênio é um inovador e todo o termite é principalmente um estabilizador. Muitos termites são inovadores. É como eu defini na triarquia da genialidade, muitos termites são gênios científicos mas a maioria não será.

O gênio completo é provido de intensa energia criativa e geralmente tem múltiplas ideias, especialmente durante a juventude e a fase adulta. Em compensação, os termites tendem a ter um volume muito menor de ideias e se isso não bastasse, eles também tendem a rejeitar uma boa parte de suas ideias por causa de traços de personalidade desfavoráveis que se relacionam com a socialização.

Quase todo gênio é anti-social e geralmente é um fracasso na capacidade de socializar e conviver com as pessoas. Por razões muito óbvias, por terem mentes tão discrepantes da média medíocre, eles tendem mesmo que não queiram, a serem rejeitados e a rejeitar todos os rituais de socialização. A recíproca geralmente é verdadeira.

A mente de um gênio completo, geralmente não se assemelhará à mente das elites cognitivas. Como eu sugeri na minha teoria sobre criatividade, as pessoas excepcionalmente criativas, tem cérebros que inibem a manifestação de grande inteligência, ainda que essas pessoas sejam extremamente inteligentes, isto se daria especialmente por causa da criatividade, que é uma forma de inteligência. Em compensação, o contrário aconteceria com as pessoas excepcionalmente inteligentes, onde a criatividade seria inibida em prol de grande capacidade técnica e convergente.

Aquele que cria não é geralmente aquele que memoriza. Isso poderia explicar o porquê de muitos gênios terem memórias instáveis.

As pessoas criativas geralmente identificam os tópicos principais das ideias visando produzir novas, por meio de recombinação. É uma mistura de capacidade holística, de entendimento dos padrões de um conceito, ideia ou ideologia. O processo criativo é o oposto do inteligente, onde encontra-se primeiro a imagem maior, para depois se buscar os detalhes. Nas escolas e nas universidade, o aprendizado e crescente.

Muitos poderiam pensar no gênio como um termite que nasceu com defeito e portanto tornou-se um ”termite incompleto”. Mas a relativa proporção de gênios criativos nas sociedades humanas, parece nos mostrar que menos por obra do acaso ou de infelicidade genética, o gênio é uma variação extrema da funcionalidade humana. É verdade que injúria cerebral pode reprogramar o cérebro de uma pessoa normal para agir e pensar como um gênio, mas isso não quer indicar que este fenômeno cognitivo da natureza humana seja exclusivamente o resultado de avaria cerebral. Em alguns casos isso pode ser verdade, mas em muitos outros não será.

Portanto o primeiro passo para que possamos identificar com precisão os gênios criativos genuínos, será por meio do entendimento completo quanto as diferenças entre eles e os demais tipos de alta capacidade como os termites.

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