Harmonia da sociedade e sistema meritocrático individualizado

A grande maioria das pessoas gostariam de trabalhar naquilo que se consideram melhores. No entanto, vivemos em sociedades mecanizadas onde para a maioria, só resta aceitar os padrões filtradores que irão direcioná-los para atividades maçantes e pouco criativas. Mediante o perfil assimétrico de habilidades cognitivas das populações humanas, é esperado que uma pequena minoria da população esteja muito mais apta para desenvolver trabalhos criativos enquanto que a maioria será direcionada para a execução de tarefas que visam sustentar o equilíbrio harmônico da divisão laboral, mediante suas habilidades técnicas como também por serem mais numerosos. Quantidade não exige qualidade, ao menos no mundo em que vivemos atualmente.

De fato, para a maioria da população, não há uma real necessidade de se buscar melhorar ou adequar as suas necessidades cognitivas, no entanto para uma parcela não insignificante, é imperativo repensar no atual sistema laboral.

Como se nota, os ambientes criativos de trabalho, são concorridos e infelizmente para poucos, cortando pela metade ou mais, o reservatório de criativos em uma sociedade e portanto, reduzindo a probabilidade de enriquecimento nos mais diversos campos. Além disso, os ambientes criativos, geralmente da ou para a elite, selecionam tipos criativos, dos mais narcisistas e portanto pouco preocupados com o bem estar geral da nação, ingênuos e super idealistas ou pior, do tipo oportunista e sabemos que tipos maquiavélicos são muito bons em emular criatividade, além do charme (muitos atores meia-boca são assim, usam de suas armas de charme para desviar a atenção em relação à falta de talento natural para a atuação).

O narcisismo toma conta dos ambientes criativos mais economicamente favorecidos deixando pouco espaço para o talento genuíno.

Neurodiversidade

Muitos tipos neurodiversos altamente inteligentes necessitam de um ambiente específico e de tipos de seleção específica para que possam trabalhar de maneira correta e produtiva e para que os seus melhores possam ser selecionados para o cargo. Por exemplo, um jovem aspie com obsessão especializada na memorização de tipos de plantas ou insetos deve ter um emprego bastante específico para que possa atender as suas demandas incomuns.

Tdah dificilmente se saem bem em concursos públicos mas isso não é sinal de que eles são menos inteligentes, talvez para a função ”memorização generalizada e superficial de fatos” com aprendizado de igual natureza, visando objetivamente este fim, passar no concurso, mas para inúmeras outras funções cognitivamente incomuns, eu não tenho dúvidas de que eles podem ser muito talentosos, especialmente na parte criativa.
Também são conhecidos os muitos talentos que as pessoas com as mais diversas neurocondições minoritárias são capazes de fazer como os bipolares, os esquizotipos dentre outros.

Estes tipos estão quase que totalmente direcionados para perfis de trabalho muito específicos e cognitivamente exigentes, que no entanto, muitas vezes, são trabalhados por terceiros para selecionar exatamente os tipos de memorizadores pragmáticos que abundam nos serviços públicos. Se neste caso, os super especialistas neurodiversos se deparam com esta estupidez de atitude, o mesmo acontece para os nichos de trabalho criativo altamente rentáveis, onde nesta situação, além dos atributos, o caráter também é testado. Não preciso dizer que muitos deste grupo, os melhores no geral, diga-se, irão falhar em aceitar e participar do jogo sujo da subjetividade social.

Nossas sociedades não priorizam pelo talento genuíno e portanto não podem ser consideradas como plenamente meritocráticas, especialmente nas altas rodas.
Elas priorizam pelo atendimento das massas independente da qualidade do indivíduo para as demandas superficiais da socialização e no caso da cultura, onde a maioria dos criativos clássicos mais se engajam, selecionam-se os tipos mais aptos para participar do teatro dos vampiros e portanto figurar ou aparentar. O verdadeiro talentoso e portanto criativo transcende a si mesmo, tal como uma nação em seu epítome histórico de harmonia e grandeza ou o universo em seu momento mais sublime de explosão singular, é um ser que não somente faz coisas criativas mas ele é a própria criatividade encarnada, o verdadeiro gênio e não é isso que vemos nas tolas cantoras de música pop atualmente nem nas multidões de atores que interpretam a si mesmos em papéis ”perfeitamente” direcionados para as suas personalidades descomunais. Estas pessoas são narcisistas e comungam com muitos traços semelhantes aos criativos genuínos. No entanto, algo de ”errado” aconteceu para que ao invés de talento objetivo, ou seja, fazer muito bem aquilo que se propõe, eles passassem a mesclar suas vidas pessoais e personalidades com seus talentos, não em atuar, o talento objetivo, mas em conquistar mentes mundanas com charme e pedantismo e inculcar por conseguinte de que são talentosos.

Neurotípicos talentosos e mal aproveitados

Não somente nos tipos neurodiversos que encontraremos potencialidades cognitivas mal aproveitadas mas também dentro da maioria neurotípica e talvez entre uma parte até importante dela. Quem nunca conheceu alguém que não daria nada pelo fulano mas que descobriu algum talento escondido**

Reforma escolar

O problema fundamental destas injustiças que detalhei resumidamente se dá especialmente logo no início da vida social dos seres humanos, pela escola. O sistema escolar é de fato, bastante ultrapassado e baseia-se em uma série de pressupostos extremamente errados como igualdade de potencialidades. Partindo-se da ideia de que todos são capazes de atingir, ao menos, resultados semelhantes a partir do momento em que determinados pontos são corrigidos ou enfatizados, quando claramente não é possível, criam-se expectativas tolas e ainda pior, configuram-se meios para que esta finalidade alucinógena possa ser conquistada. No entanto, não basta adequar o ambiente para operar ou tentar operar milagres, visto que, não é o ambiente que determina nossas potencialidades, mas nós mesmos, nosso patrimônio genético e parcamente, nossas interações com o meio, especialmente durante a infância. Como resultado, um sistema errado desde as suas estruturas mais básicas, não somente enfatiza de maneira equivocada nos processos seletivos para o encaminhamento para as especializações de grupos e indivíduos (pode-se dizer que é virtualmente inexistente, ao menos no Brasil), criando metas únicas para os alunos de todos os tipos cognitivos e níveis, desprezando completamente a diversidade de tipos e portanto colhendo resultados satisfatórios de somente alguns poucos grupos cognitivos que se encaixam perfeitamente no modelo ”decoreba e conhecimento superficial sequencial não-criativo”, unânime no atual sistema.

Os mesmos alunos que vão muito bem na escola, também serão aqueles que passarão no vestibular sem muitas dificuldades e conseguirão excelentes resultados em concursos públicos. Somente eles serão atendidos quanto as suas exigências cognitivas, ao passo que para a população sem especificidades cognitivas ou talentos incomuns e difíceis de serem mensurados de maneira generalista, muitos deles, dos mais inteligentes, ficarão a ver navios e terão ou de tentar se adequarem ao sistema unicognitivo (que está adequado somente para um tipo de inteligência, fator g ou qi) ou trabalharão muito abaixo de suas potencialidades e isso é claramente um desperdício imensurável de talentos. Não é somente ruim para as vidas destas pessoas mas também para todos nós.

A ênfase na mediocridade ou nas habilidades técnico-utilitárias talvez se dê porque os tipos super especialistas não toleram erros e buscarão sanar qualquer problema, básico ou complexo, que encontrarem. O sistema, especialmente o atual, não deseja os solucionadores de problemas, mas os mantenedores da máquina do big sistema onde nos localizamos.

Justamente por isso que a percepção geral é a de que existem poucos gênios criativos quando na verdade, boa parte deles estão sendo de-selecionados pelo atual sistema que não quer super especialistas super críticos, mas bons e facilmente manobráveis trabalhadores e se estes forem mais espertos, melhor.

Uma sociedade perfeita será aquela onde todos poderão se encontrar na máxima capacidade de suas potencialidades e onde boa parte da população de super especialistas se encontrarão exatamente onde mais lhes é útil, suas capacidades muito elevadas contribuirão significativamente para o sucesso das nações. A aceitação das diferenças cognitivas, desde a escola e a reforma desta, visando analisar, medir, testar e direcionar desde cedo as crianças para as suas respectivas potencialidades transcendentalistas, com certeza que, eliminará boa parte dos graves problemas cognitivo-laborais que atualmente nos fazem ter a impressão de que não há meritocracia o que ela a mesma é de fato, muito pequena e grandes injustiças, com o grande e o pequeno, estão a ser cometidas.

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