Por que eu sou agnóstico e não um ateu

 

Os ateus acreditam firmemente que são a antítese do teísmo. No entanto, me parece claro agora, que o ateísmo é somente mais uma crença, em meio ao panteão de crenças que a humanidade já foi capaz de criar.

O ateísmo é a crença na descrença e portanto se consiste em mais um sistema de achismos, que como nós sabemos bem, tem levado o ser humano, juntamente com a sua estupidez, a perpetrar inúmeros massacres contra os seus irmãos de espécie.

O agnosticismo é o ”verdadeiro ateísmo” ou, a verdadeira proposta que o ateísmo tenta espalhar, visto que o agnosticismo é a descrença na crença. Enquanto os ateus típicos estão cheios de certezas quanto aquilo que creem, os agnósticos, ou ao menos este Santo rebelde que vos fala, tendem a ser o exato oposto.

Dizem que os extremos se parecem. Os ateus tendem a se tornar tão fanáticos por suas crenças que terminam deslizando pela razão, que tanto prezam, para a loucura de alguém que não é capaz de suportá-la. Eu, sinceramente, não vejo diferenças entre os fanáticos teístas e os ateus. Ambos acabam se tornando garotos-de-panfleto de suas ideologias.

O agnóstico é mais humilde que o ateu, em média. Por não ter certeza de absolutamente nada, ele acaba desenvolvendo uma visão muito mais ampla, holística do que está acontecendo. A humildade se baseia em aceitar aquilo que tem e buscar fazer o melhor com isto.

Negar a existência de Deus é algo complicado, especialmente se não está bem galgado por seus pressupostos. Primeiro, é importante definir o que é Deus. Ao longo da história humana, o termo tem sido modificado ao bel prazer pelos governantes da situação, portanto, não se pode buscar o conceito primordial de Deus, somente ou especialmente naquilo que os seres humanos tem definido, porque seu significado tem sido modificado inúmeras vezes para fins mundanos.

Deus, em seu conceito primordial, não quer indicar o ”cara-lá-de-cima”, Jesus Cristo, Cristo, Buda ou qualquer outra representação do antropocentrismo humano. O ser humano, um ser muitíssimo especial, não se deve apesar disso, se colocar no meio do universo, mesmo que esta seja a sua perspectiva de visualização. O fato do Sol encapsular todos os planetas de seu sistema, não o faz heliocêntrico, especialmente mediante as múltiplas perspectivas.

Deus é a soma do ”todo”, que não sabemos se resultará em uma soma sem fim, ao infinito e além, rsrs… A única certeza que podemos ter sobre Deus, na minha nada-humilde opinião, é a de que ele significa o TODO.

Tal como na metáfora das bonecas…

 

… nossas células, nós, nosso planeta, nosso universo e os universos que encapsulam o nosso universo… Enfim, segundo esta teoria, Deus seria o infinitivo e nós seríamos como as suas células. Se estamos no infinito, então não existe fim e nem morte mas um eterno ciclo de acontecimentos, será***

Nós seríamos como planetas, como as nações que nos identificamos ou em que vivemos. Tal como as nações, nós precisamos de harmonia interna para funcionar e isso só pode acontecer a partir do momento que nós nos conhecermos consideravelmente bem. No entanto, a autoconsciência necessita de predisposição genética para que possa ser plenamente desenvolvida e isto quer indicar, uma costela de loucura.

Tudo o que estou lhes escrevendo são apenas achismos, sequer são crenças, porque para crer é necessário acreditar de corpo e alma e eu não acredito totalmente no que estou lhes mostrando. São teorias, são muito mais confortáveis do que o extremo do niilismo ateísta, que se preocupa em provar os seus pressupostos na periferia do assunto enquanto que nada tem a dizer de relevante em relação ao núcleo da discussão, como que pelos poucos exemplos que mostrei acima.

Os ateus vivem o mundo como se não houvesse o amanhã. Muitos deles são de ”buscadores de sensações”. Não há nada de errado com isso, até porque hoje se sabe que os ateus tem uma ligação com o autismo e portanto, não é apenas uma crença baseada em livre escolha, aliás, nada é… Ainda assim, eu continuo a acreditar no livre arbítrio. Pense novamente na humildade. Fazer o seu melhor com aquilo que tem. Negar o livre arbítrio é como negar a nós mesmos, nossa biologia, nossa natureza, nosso EU essencial.

Não podemos fazer tudo o que quisermos, mas podemos fazer aquilo que está dentro de nossas possibilidades e fazer o melhor com isso. Neste caso, todos tem o potencial de gênio, mas uma pequena minoria tem tanto o potencial quanto a capacidade, o ser que é extremamente acordado de si mesmo.

O agnosticismo é mais humilde de todas as crenças humanas, porque ainda que não a tenhamos tal como os demais tenha as suas, o agnosticismo ainda será uma forma de sistema religioso ou ideológico.

Talvez a única não-religião que pode existir para os seres humanos é a ”vivência da própria natureza”. Mas parece, como eu já disse, que todos nós já nascemos predispostos a escolher por determinado sistema de crenças e mesmo a não-escolha, por si só, poderia ser entendida como uma escolha, a decisão de escolher.

Alguém que é agnóstico, gravita com mais facilidade pelo ateísmo do que um religioso poderia fazer. A escolha pelo agnosticismo é a rejeição do fanatismo na crença daquilo que não se sabe, especialmente pela religião mecanicista que se consiste o ateísmo. No entanto, ao se rejeitar a crença de uma única linha religiosa, pode-se a partir disto, escolher várias outras, fabricar o seu próprio sistema de crenças, que se encaixará melhor com você.

O ideal seria isso, o indivíduo, enquanto um ser autoconsciente, buscaria a partir disso, o seu próprio Deus, que vive dentro de ti, a mesma energia que fabrica e sustenta os universos. O Deus que produz fogo ardente no Sol e frio escaldante em Plutão. No entanto, evoluímos para competir e portanto a dualidade infelizmente, nos reduz a animais ferozmente equipados com armas para serem usadas contra nossos inimigos biológicos, uma eterna corrida armamentista natural.

Este processo precisa terminar e o primeiro caminho é justamente pela negação destes rituais bioculturais que nos fazem massacrar uns aos outros. Mas somente aqueles com predisposição genética para o desenvolvimento pessoal ou da autoconsciência é que entenderão como se dá a essencialidade dos conflitos evitáveis da espécie humana.

 

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6 responses to “Por que eu sou agnóstico e não um ateu”

  1. Fada do bosque says :

    Oi Santoculto
    Sou leitora assídua dos seus escritos. Tenho aprendido bastante. Tenho de lhe agradecer por isso.
    Quanto a este post, mais tarde gostaria de partilhar no meu blogue… e não só, tem posts que são mesmo verdadeiros “achados”! Alguns são “achismos” com que muito me identifico.

    Um abraço e obrigada por existir! 🙂

    • santoculto says :

      Nossa, muitíssimo obrigado por estas palavras doces, fico tímido assim, rsrsrs

      Não sei nem o que lhe dizer, obrigado novamente. Este espaço está aberto para todos mas especialmente para os irmãos de causa e de alma.
      Abração para ti!!

      🙂

  2. Goth says :

    Amigo, sou agnóstico. Li e gostei bastante de seu texto, mas não entendi um termo utilizado e gostaria que se não for um abuso, vc me fizesse entender… É sobre a questão de tratar o agnosticismo como uma crença. Vc diz:

    “o agnosticismo é a descrença na crença.”….. “Tudo o que estou lhes escrevendo são apenas achismos, sequer são crenças”….

    Já no final:

    “O agnosticismo é mais humilde de todas as crenças humanas”

    Não é uma crítica ao texto, não me entenda mal, só queria realmente entender as passagens. Grato!

    • santoculto says :

      Eu não vi estes detalhes, no mais, entenda que meu ponto de vista em relação à PALAVRAS baseia-se na ideia hiperrealista de que as mesmas possam apresentar diferentes significados para diferentes contextos. Neste caso em específico, eu quis sugerir que mesmo a descrença, por si só ,não deixa de ser uma forma de crença, mas isso é relativo. Pelo que tudo indica, nosso livre arbítrio é anão e portanto muito menor do que imaginávamos. Todos os seres humanos são crentes, partindo da ideia de que, não sabem o que acontecerá com eles depois da morte, todos, e mesmo assim continuam a acreditar que devem continuar a viver. Por isso, enquanto nós temos os dogmatismos cheios de certezas, nós temos o agnosticismo, que não apenas descrê em relação a estes primeiros como também descrê de qualquer coisa, mediante à aplicação das múltiplas perspectivas, a crença agnóstica na descrença pode se constituir tanto em crença quanto em descrença, depende de onde que vc desejar viver. No mais, se pudéssemos quantificar proporcionalmente o grau de crença, o agnosticismo é aquele que menos se baseia em certezas.

      A parte que separou em falo sobre os meus achismos, se baseia justamente na ideia de humildade, sendo que aqueles que assim o são ou procuram ser, tendem a basear seus pensamentos justamente na negação do totalitarismo dogmático.

      No entanto, o agnóstico ainda será um crente, visto que ao negar a subjetividade, contradições e fantasias das velhas religiões, as substitui pela racionalidade.

      Desculpe se não fui claro e objetivo neste aspecto.
      Espero ter ajudado.

  3. Rubens Munick says :

    Sou Ateu e não concordo em nada que você falou nesse seu texto. Não minha opinião é o contrário. Vocês agnósticos não se decidem sobre suas opiniões. Bem talvez os falte o conhecimento necessário para alcançar a certeza provida pelo conhecimento. Acho que você não dão a cara a bater. Bem saibam que a evolução do agnostismo é o Ateísmo. Somos superiores e categóricos em afirmar com certeza plena que não há mundo espiritual e nem qualquer Deus ou criatura espiritual. Só espero que um dia vocês alcancem o nosso conhecimento.

    • santoculto says :

      ”Desmoralizei” um ateu militante em uma rede social ao confrontá-lo com sua própria inconsistência. Por um lado prega que a ciência (que diz seguir) se baseia sempre no questionamento e portanto na DÚVIDA. Por outro lado, ele age exatamente como você Rubens.

      Jura que você tem certeza???

      Eu não. Talvez, ”nós” agnósticos, sejamos mais intuitivamente científicos do que vocês. Além desta crença, os ateus também tendem a acreditar em vários outros factoides, idêntico à situação de qualquer religião, especialmente as monoteístas.
      E muitos destes factoides eu estou mostrando aqui, tal como a teoria do ”homem como uma folha em branco” ou extremismo ambientalista na genética, onde genes são como enfeites de natal.

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