Nem todas as conquistas humanas que serão de gênios … mais os três mitos mais comuns sobre eles

 

 

 

O termo ”gênio”, necessita de uma denominação concreta, coesa e abrangente mediante uma determinada urgência visto que enquanto uma entidade simbólica  de talento extremo, este caminhará para uma crescente degradação conceitual. Como resultado, deve-se tirar da cabeça que o gênio é o produto e reinterpretá-lo como uma predisposição genética para a produção de altíssimo impacto ou valor.

 

Nem todos os grandes empreendedores são de gênios

 

O gênio é aquele que, enquanto provido de muito alto talento criativo, caminhará para produzir inovações de grande magnitude em seu campo de especialização. O trabalho de gênio é o equivalente ao ”trabalho de Deus ou da criação” de acordo com uma perspectiva metafórica bíblica. Em um mundo cheio de produtos de gênio, a maioria daqueles que melhorarão estes produtos, serão os empreendedores, muitos deles de eminência cultural ou social, mas não serão de gênios, porque estes quase nunca trabalham para manter a ordem estabelecida, mas para quebrá-la, revolucioná-la ou evoluí-la de uma maneira que se encontrará irreconhecível no final da ação.

A tendência moderna para confundir o alto empreendedor com o gênio criativo tem apresentado um impacto muito negativo para que a conceituação e posterior caracterização do gênio possa ser efetuada e para que o termo deixe de significar ”apenas” o produto ou uma fenomenologia.

 

Extrema imaginação e ”duas vezes excepcional”

 

Uma das características mais evidentes da extrema criatividade é a extrema imaginação, isto se as duas não poderiam ser consideradas como sinônimos de uma mesma panaceia de traços comportamentais e cognitivos.

Os alto empreendedores tendem a ter uma imaginação ou capacidade imaginativa acima da média, mas uma extrema imaginação significará um flerte para a ”loucura”. Esta situação é muito improvável de ser para a maioria dos altos empreendedores (alto qi, neurologicamente comum) porque são conhecidos pela excelente saúde mental. Não é que os gênios sejam mentalmente doentes, mas é que todo o extremo representa um desvio da média e portanto do equilíbrio ou funcionalidade.

A psicologia moderna encontrou um termo bem como uma caracterização que pode nos ser útil para definir o gênio não mais como um fenômeno ou o produto, mas como um conceito próprio centralizado. Este termo é o ”duas vezes excepcional”.

As pessoas que são rotuladas com este conceito se assemelham quase que perfeitamente com todos os relatos históricos bem como com os trabalhos recentes sobre a natureza do gênio, com exceção do famoso trabalho de Lewis Terman, altamente tendencioso e que deu início à confusão entre alto empreendedor (neurologicamente comum de alto qi) e o gênio criativo.

A denominação ”duas vezes excepcional” se refere tanto à uma excepcionalidade cognitiva quanto à uma deficiência, objetiva ou subjetiva.

Uma das características psicométricas dos ”duas vezes excepcional” é a significativa assimetria em suas pontuações de qi. Estas diferenças bem como os próprios testes de qi em si, reverberam as características mais gerais do cérebro como a lateralização. A assimetria nas pontuações em testes psicométricos também representam predisposição para a extrema especialização cognitiva, que emula em níveis bem mais moderados a Síndrome de Savant. Esta condição rara é a prova de que algumas pessoas nasceram e ou foram projetadas pela natureza para pintar, fazer cálculos ou tocar instrumentos musicais. As habilidades savant, necessariamente não se relacionam somente ou especialmente com ”talento extremamente específico” mas principalmente com a capacidade inata para encontrar padrões ou sistemas e reproduzi-las com exatidão. O ouvido absoluto não serve somente para a música.

Além destas características clínicas, os ”duas vezes excepcional” também se caracterizam e se destoam dos ”alto empreendedores”, por causa da maior incidência (significativamente estatística) de transtornos, tanto da mente quanto do corpo.Um excesso de doenças auto-imunes como alergias e inflamações hereditárias, bem como vários outros tipos de anomalias, serão mais comuns neste tipo do que em relação aos ”altos empreendedores” ou superdotados bem como em relação às pessoas comuns. A maioria das biografias dos gênios historicamente reconhecidos, retratam também um excesso de problemas de saúde bem como também de anomalias congênitas.

 

Androginia sexual e o gênio

Os ”alto empreendedores” (alto qi e neurologicamente comum) geralmente tendem a apresentar características sexuais andróginas. Os homens de alto qi tendem a ser menos masculinos que suas contrapartes de categorias cognitivas inferiores enquanto que as mulheres de alto qi tendem a ser menos femininas.

Esta tendência andrógina encontra-se mais intensa entre os ”duas vezes excepcional”. Por exemplo, os portadores da síndrome de Asperger, segundo vários estudos bem como de percepções e da própria lógica, são consideravelmente mais andróginos do que os neurotípicos, onde é comum (praticamente a regra) o homem ser afeminado e a mulher masculinizada. Entre os aspies e os autistas de ”alto funcionamento”, por causa da androginia sexual, existem elevadas taxas de homossexualidade, lesbianismo e assexualidade. Segundo as biografias dos gênios historicamente reconhecidos, as taxas de fecundidade bem como de matrimônio, foram consideravelmente menores (abaixo da reposição) em comparação aos comuns. Os ”duas vezes excepcional” também tendem a ter poucos filhos. Muitos gênios historicamente reconhecidos do passado, eram de homossexuais e assexuados bem como de muitas mulheres geniais.

 

A maioria dos gênios não foram e não são iminentes

A eminência social do gênio depende (infelizmente) das demandas contextuais do período histórico em que está a viver. As sociedades humanas complexas estão organizadas de maneira hierárquica onde as necessidades das elites encapsulam quais produtos de gênio e ou de alto empreendedores que devem ser valorizados. Este processo seletivo agrava a sensação de extrema raridade do gênio, mas na realidade, uma pequena minoria entre eles será socialmente reconhecida.Os gênios políticos, sociais ou culturais que lutam contra a ordem estabelecida, ou são socialmente ostracizados ou são fisicamente eliminados.

A classe social também tem um papel importante no reconhecimento da genialidade bem como respeito à autoridade. É bem provável que muitos gênios pobres e ou incompreendidos tenham perecido sem deixarem as suas marcas na memória cultural de suas respectivas nações.

Mesmo uma grande parcela dos gênios historicamente reconhecidos só ganharam admiração depois da morte. A maioria das pessoas nos países ocidentais (eu acredito) tem uma vaga ideia de quem foi Isaac Newton, porque são obrigadas a estudar as suas teorias na escola.

Os ”duas vezes excepcional” podem se tornar altos empreendedores, em um sentido utilitário, e muitos altos qi’s podem não se ”tornar”. Os ”alto empreendedores” melhoram, sofisticam ou expandem o trabalho ou produto do gênio. Dependendo da aparência, esta melhoria pode se assemelhar com o trabalho de gênio e assim ser reconhecida. Mas o trabalho do gênio é principalmente a revolução radical dos pressupostos anteriormente concebidos ou no mínimo uma melhoria a um nível tão significativo que possa ser quase que como uma revolução, apesar do caráter mais cirúrgico.

Na maioria das vezes, a exposição e valorização do produto de gênio dependerá da aprovação das elites ou de consenso popular. Em outras palavras, não existe uma real meritocracia onde todas as ideias de alto valor são ”aceitas” e introduzidas em nossas sociedades. Se não existe melhoria significativa da sociedade sob todos os aspectos, é porque a maioria dos produtos de gênios não estão sendo reconhecidos, valorizados e executados.

 

O dogma da igualdade como um exemplo da sub-valorização do trabalho do gênio

Eu tenho o palpite de que, neste período cronológico em que vivemos, dois nichos de ocupação exclusivos serão os hábitats dos gênios da modernidade, o movimento Hbd e a alta cúpula do projeto ”genêsis” liberal. Um gênio que se preze, jamais acreditará em dogmas e especialmente em dogmas de analfabetismo funcional como é o igualitarismo. Mesmo os gênios que publicamente se demonstram ingenuamente favoráveis ao dogma da ”igualdade”, na verdade, apresentam camadas geológicas de conhecimento por debaixo do véu desta sanidade contextual.

Em uma sociedade onde os trabalhos ou ideias dos gênios estivessem sendo reconhecidas, não haveria a hegemonia do liberalismo social, cultural ou político, visto que além de ser logicamente anti-criativo, isto também se configurará em uma estratégia anti-inteligente ou anti-intelectual. Como foi dito acima, também haveria uma melhoria significativa da qualidade de vida sob todos os aspectos e perspectivas.

Nas modernas sociedades ocidentais dogmáticas, somente ou especialmente os trabalhos dos gênios matemáticos bem como de seus empreendedores que estão sendo reconhecidos e aproveitados, enquanto que entre os ”gênios verbais”, somente os arquitetos do projeto liberal que estão auto promovendo as suas ideias e paralelamente trabalhando contra a diversificação e consequente dissidência de ideias para que o conformismo continue a trabalhar para a morte lenta do Ocidente e da raça branca. O movimento Hbd, o mais sofisticado dos braços de dissidência contra o projeto liberal, é um dos nichos intelectuais que eu acredito que se concentrará uma grande quantidade de gênios, resultado da clara presença significativa de ”altos empreendedores”.

O mito da super extrema raridade do gênio, do seu desaparecimento na sociedade moderna e da inexistência de padrões biológicos que o produzem

O mito da super extrema raridade dos gênios se baseia na ênfase somente no número de gênios eminentes e também na incompleta perspectiva do gênio como o produto final, a sua própria obra e não a si mesmo.Como eu mostrei neste texto, existe uma decantação contextual dos trabalhos de gênio e portanto de seus criadores, em que uma boa parte dos produtos que são contrários ao projeto ”da situação” ou hegemônico, são descartados. Portanto, a maioria dos gênios criativos não são reconhecidos, identificados (muitos deles precisam de tutores)) ou são mal compreendidos. Mesmo com  reconhecimento da existência de gênios que não foram reconhecidos, o percentual de gênios ainda será baixo, mas não no mesmo nível extremo que tem se acreditado.

Mediante o aumento da burocracia e da mecanização organizacional do trabalho na sociedade ocidental, os insights criativos e a intuição foram ostracizados dentro dos meios acadêmicos e intelectuais, especialmente por causa da universalização do ensino público conjuntamente com a padronização do sistema ”meritocrático”. O mundo moderno não foi produzido para favorecer os gênios. O aparecimento da psiquiatria farmacológica e a crescente patologização oficializada de desvios anormativos de comportamento, contribuiu consideravelmente para a identificação e ostracização dos gênios criativos potenciais.

Todos estes fatores trabalham contra a promoção e consequente visualização dos gênios e de seus produtos. Os poucos gênios que chegam à eminência, assim como no passado, são favorecidos por uma ampla diversidade de variáveis ambientais, entre elas a sorte de estar no lugar certo na hora certa. Muitos gênios, por causa de suas mentes criativas e potencialmente desorganizada, não conseguem desenvolver trabalhos acadêmicos, que reverberam a natureza burocrática hegemônica do suposto sistema meritocrático moderno. Trabalhos impecavelmente metódicos, detalhistas e estruturalmente hierárquicos e lineares, são uma impossibilidade para o caos aleatório em que se consiste a mente criativa.

Além destes mitos estatísticos quanto à população de gênios criativos, mitos de outras naturezas também se popularizaram e pode-se dizer que a equivocada ideia do gênio como o produto ou a obra é o principal culpada por isso. Um deles é a ideia de que o gênio não tem uma natureza biológica ou hereditária mas se consiste na ”vontade”.

Estudos sobre a relação dos hormônios sexuais com a inteligência (qi) encontraram que o excesso de testosterona geralmente prejudica o desempenho intelectual. No entanto, esta realidade tem um limite, onde até uma média de 120 de qi, ela será verdadeira. A partir deste limite, o aumento do testosterona não é só estatisticamente correlativo como também aparece como um fator causal para aumentar a inteligência. Porém, a influência dos hormônios sexuais parece ser um pouco mais complexo do que isso. Os autistas por exemplo, em que provavelmente a maioria daqueles que são funcionais e que poderiam (deveriam) ser classificados como ”duas vezes excepcional”, são sexualmente andróginos. É esperado portanto que padrões hormonais invertidos dos pais potencialize o aparecimento dos gênios criativos, se a grande maioria deles pertencerá à mesma categoria que os autistas funcionais, ou seja, os ”duas vezes excepcionais”. Portanto, a maior exposição do testosterona materno no útero é um desencadeador potencial para o aparecimento do gênio criativo assim como também de toda a neurodiversidade.

 

 

 

 

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