Improvável ”culpa branca”, a esquizofrenia de se acreditar na atemporalidade de abstrações numéricas como a raça

 

 

Quando eu nasci, no final dos anos 80, a escravidão praticada oficialmente por ”brancos” já havia terminado faz tempo. Nesta minha jovem vida, nunca escravizei ninguém (despreze infância e pais, 😉 ) , nunca fui a favor da volta da escravidão, ESPECIALMENTE para pessoas decentes, boas, de qualquer raça. Eu nunca fiz mal à uma mosca, individualmente falando eu sou uma pessoa com a consciência tranquila. No meu país e na maioria dos lugares onde por ventura eu possa ir no futuro, as pessoas me identificarão como uma pessoa branca, afinal de contas, eu tenho praticamente todas as características típicas que definem um dos muitos fenótipos subraciais caucasianos. Apesar de ser na realidade um mestiço ou um mestiço decantado, a minha identificação racial se baseia principalmente por meio da comparação local e histórica. Mas no final das contas, mesmo eu, ”internamente” um mestiço, vou sempre desenvolver uma tendência para conviver com pessoas que se parecem comigo do que com pessoas que não se parecem. Para todo mundo é assim…

Por que eu estou fazendo este breve relato pessoal???

Simples, eu estou fazendo este relato, para ”provar” para os meus leitores e também para quem quiser ver que eu sou um indivíduo e como tal eu não pertenço, em realidade, a nenhum grupo em específico. Grupos de pessoas, animais, objetos, paisagens, países, são abstrações numéricas onde ocorre a extensão de uma determinada característica ou de um determinado fenótipo para uma quantidade específica de indivíduos. Nacionalidades, raças, tribos urbanas ou culturais, localização geográfica, localização no espaço econômico, grupos comportamentais, condições biológicas minoritárias etc… Todas essas construções são acima de qualquer outra coisa, abstratas e como especificação, elas são abstrações numéricas.

Imagem

O 1 é o único número que existe de fato

As pessoas podem fazer diferentes interpretações para diferentes quantidades de objetos, por exemplo… No entanto, a reunião de um grupo de objetos individuais não se consiste, na realidade, em algo concreto, mas em uma construção humana. Na natureza, somente por uma razão de quase-clonagem natural que, faz com que nos dividamos em espécies, raças, subraças, populações. Você já deve ter notado que as espécies não-humanas geralmente, são internamente iguais em aparência e comportamento. Se alguém aí pensou em clonagem, pode ter certeza de que estará próximo de estar certo. A replicação dos indivíduos bem sucedidos é uma estratégia inteligente e com baixos custos de manutenção. A natureza é econômica e ser econômico é ser seguro. Quando temos mais de um indivíduo para representar uma aglomeração de indivíduos, isso se consistirá em uma invenção, uma reunião parcialmente arbitrária de características em comum.

Pertencer a um povo não é ser o povo

Também, desde muito antes de eu nascer, a mídia ocidental tem propagado uma enorme quantidade de propaganda de ”culpa branca”. O termo aliás, se refere à expiação coletiva das pessoas de descendência europeia em relação, vejam só, aos crimes que cometeram no passado, como o genocídio ameríndio, a escravidão dos negros africanos e a colonização do terceiro mundo. Eu pedi para vocês prestarem bastante atenção em relação a esta frase, vocês perceberam que eu usei ”cometeram”. A ideia de que ”as pessoas brancas (todas elas e de todas as eras) cometeram crimes no passado” até pouco tempo atrás, me parecia plausível, o que mostra que nunca é tarde para deixar de ser burro.

Não meus amigos, eu não sou Matusalém e nem vocês que são brancos (e que se entendam) também são. Ninguém aqui é um vampiro de Anne Rice que é imortal e adora matar transeuntes nas ruelas úmidas de Nova Orleans. A grande, imensa maioria das pessoas brancas hoje em dia não cometem ou cometeram crime algum contra nenhum povo. É até estúpido pensar assim. Na verdade, é exatamente o contrário. Os brancos, graças à culpa branca, abriram as portas da imigração para milhões de pessoas, justamente porque eles encarnaram o papel de culpados por todas as mazelas da humanidade. O homem branco não é um santo, aliás, o próprio termo homem branco é muito complicado de ser mantido, mas ”ele” também não é um psicopata. As pessoas não são iguais, as variações acontecem tanto entre as raças quanto dentro das raças e no caso europeu, as diferenças são significativas. O mundo, mediante uma análise hiper realista e eu diria, pertencente à super realidade, não sustenta a culpa coletiva se não aconteceu de fato, exatamente, como o termo prediz. Se não temos multidões de pessoas matando e escravizando as outras então não há culpa coletiva, isso é uma abstração. E mesmo se tivéssemos multidões enfurecidas (sic) de brancos matando e escravizando, isso não significaria que a culpa que eles por questão de justiça, mereceriam levar, deveria ser estendida aos seus descendentes, se estes não se engajarem nas mesmas atividades de ”lazer”. Acreditar que todos os brancos, especialmente os de hoje em dia, são culpados pela escravidão, pela miséria no mundo e enfim, por todas as mazelas do planeta Terra, mais a Lua, é estar duas vezes equivocado, gravemente equivocado. É como culpar um inocente. Os brancos modernos e eu iria mais longe, a maioria dos brancos em todas as eras, não foram responsáveis por mazelas dos outros, se na maior parte das guerras modernas, são os exércitos que se encarregaram e se encarregam de fazê-lo.

Botar toda a culpa dos erros dos outros nas costas de uma abstração numérica é um erro extremamente grave, é como culpar um inocente por um crime e fazê-lo pagar por isso. Nós sabemos que existem diferenças de capacidade e de estratégias de vida entre as populações humanas e que muitas destas estratégias não são compatíveis com a modernidade, não por uma questão de inferioridade, porque isso é relativo, mas por uma questão de incapacidade de encaixe entre o modelo ocidental e o modelo local, ambos, biologicamente construídos.

A temporalidade do indivíduo e a esquizofrenia da coletividade atemporal

Se o número 1 é o único número real, com forma e lógica, tal como uma pedra ou uma televisão, então o indivíduo, no mundo da super realidade, também será o único que de fato existirá e toda e qualquer aglomeração proposital ou mesmo lógica de indivíduos, se consistirá em uma construção abstrata. Ela faz sentido, está parcialmente correta, porque nada está 100% errado ou certo, mas ainda assim, estará errada, a partir do momento em que a analisarmos de maneira neutra, quando todas as perspectivas forem acionadas.

O indivíduo na grande maioria das vezes é temporal, porque em realidade tudo é temporal, tudo passa, tudo vive e tudo morre. (desprezando alguns animais que vivem ”pra sempre”). Eternidade e efemeridade são dois opostos que se complementam, como acontece com todo o espectro. Quando eu morrer, não haverão outras pessoas que irão me tratar como um Deus, eu não serei eterno enquanto uma abstração, um pensamento. Eu já não existo para bilhões e bilhões de pessoas, eu sou como a folha que cai no outono de Tóquio, a imensa maioria das pessoas não tem noção de sua existência e nem da ação que está involuntariamente a praticar. O indivíduo vive a sua individualidade, mas vivemos em um mundo onde os meios de comunicação inventados pelos ocidentais, recriaram as abstrações e as tornaram ”reais”. Nós adoramos abstrações, porque adoramos sermos enganados por nossas distrações e odiamos a realidade que em si, é a própria verdade.  A ideia de preservar uma cultura e portanto uma aglomeração de abstrações numéricas, é uma característica inerentemente humana. A cultura do animal é sua sobrevivência, é a sua arte para procriar e espalhar a sua mente e o seu modo de vida pelo seu nicho de ocupação. A cultura humana ainda que derive desta cultura animal, já começa a desenvolver os seus aspectos mais particulares e únicos, dentre eles a coletividade e portanto, as crenças em abstrações onde a crença, biologicamente predisposta, de pertença a um grupo, é a primeira de todas as abstrações. Não existem explicações racionais ou lógicas que possam nos mostrar porque uma determinada espécie age assim ou assado. A única explicação, que não é lógica, é a circunstância. O animal pode prever o futuro, porque tudo aquilo que temos, os animais também tem. Mas o ser humano é uma aberração destas características mentais, tudo aquilo que os animais tem, nós geralmente temos em níveis muito mais altos e complexos e eu diria, desviantes. Nós podemos prever o futuro com um requinte de complexidade muito maior do que um animal e podemos também viver no passado, porque enquanto versões neotênicas e infantis de macacos, nós temos a necessidade biológica para acessarmos as nossas memórias para replicar o conhecimento anteriormente adquirido, esta é nossa estratégia de sobrevivência, a inteligência de longo prazo e acumulativa. Nós aprendemos, a maioria das espécies não-humanas aprendem no contato direto, no choque com a realidade, as circunstâncias aparecem e eles reagem como resposta. Nós podemos prever as circunstâncias e portanto podemos evitar o choque ou o fazê-lo de uma maneira que não será doloroso.

O fenômeno cultural da ”culpa branca” se baseia na ”atemporalização” da coletividade, em outras palavras, é uma maneira de destruir o tempo e o espaço e tornar a ”raça branca” em um tóten cultural que significa o mal, uma abstração emotiva como a raiva, o ódio, que são atemporais. Mesmo durante as grandes navegações, a maior parte das pessoas brancas não se envolveram diretamente com a escravidão e na verdade, a maioria das pessoas não teriam como, se envolver e nem como lutar contra a escravidão. Mesmo os descendentes modernos daqueles que escravizaram os negros subsaarianos não tem culpa, visto que eles são indivíduos que nasceram em momentos distintos da história e portanto do tempo e ainda, mesmo que tivessem nascido naquela época, que fossem filhos de escravizadores, isso não significaria que, imediatamente se tornariam como os seus pais ou que as atitudes deveriam ser passadas de maneira hereditária. Os filhos humanos não são clones dos seus pais, como o filho de um lobo é um quase-clone do seu pai. O filho do lobo, na maioria das vezes, nasce para ser um predador, assim como o seu pai. Ser um predador, é parte da estratégia de sobrevivência do lobo, é a sua essência enquanto um ser vivo. Ele só ”aprendeu” a ser assim. Em compensação, a essência de ser humano é cooperar com o grupo a que pertence, visto que evoluímos para sermos e agirmos desta maneira. É nossa estratégia ancestral de sucesso. A diversidade de minorias também é importante, mas a manutenção de um modelo preponderante entre as espécies, é mais seguro do que a criação de indivíduos distintos, com vidas e transcendências distintas.

Portanto, a individualização das abstrações numéricas, que se baseiam em lógica de similaridades, é o meio para retirar o fardo da culpa branca de toda uma população, diversificada, variável e que em boa parte, jamais cometeu crimes de genocídio contra qualquer outro grupo e estamos falando ESPECIALMENTE dos brancos vivos. Se podemos culpar alguém ou o quê nesta história toda, não são as aglomerações de indivíduos da raça branca que estão geneticamente relacionados, mas que enquanto em uma análise hiper realista, da realidade, eles se constituem somente em um grupo de indivíduos, com sua própria história e portanto com sua própria culpa local e temporalmente específica ( ou não), e não são uma organização sistêmica e única, um organismo atemporal ou de grande idade.

Imagem

A ”raça branca” seria como Zeus, aquela entidade complexa, o sistema, que come as outras entidades de menor porte, uma abstração com certeza

 

 

A individualização hiper realista da culpa branca para indivíduos brancos específicos no espaço e tempo

 

Culpar as massas pelo ”trabalho” de grupelhos ou indivíduos é uma tarefa de mestre, para mentes psicopáticas. Mas em realidade, a culpa por qualquer atrocidade cometida, aqui neste caso, neste texto, por brancos, só pode ser imposta para os indivíduos ou grupos específicos que cometeram diretamente esses crimes. A ideia de que ”os brancos” são culpados por razões indiretas, também não se sustenta, primeiro, porque um ”passarinho não faz verão”, ou seja, um indivíduo não é capaz de lutar contra um sistema inteiro, se ele não estiver acompanhado por várias pessoas, segundo, não faz sentido culpar somente ”os brancos”, se a humanidade não é composta somente por eles. Por exemplo, a continuação da escravidão em algumas regiões da África, não é somente ou especialmente uma culpa indireta de indivíduos brancos, mas de toda a humanidade E especialmente dos locais que nada fazem para contê-la. Ainda assim, o indivíduo civilizado e sozinho não é capaz de lutar contra grupos de selvagens.

O espanhol que deu um tiro na barriga de uma ameríndia durante o início da dominação ibérica na América do Sul, já morreu, era um psicopata e mais do que qualquer outra coisa, a sua maldade não é resultado de sua brancura, não existe uma relação genética entre uma coisa e outra, na verdade parece até ser o oposto (mas isso não é papo pra este texto). O indivíduo espanhol que cometeu esta atrocidade (como as muitas que acontecem diariamente e que são cometidas por um arco íris de psicopatas, de todas as raças) o fez em um micro-momento e em um micro-local escuso e triste da história humana. O seu crime pode ter passado incólume, sem uma correção exemplar (cadeira elétrica, guilhotina, a escolher…). Mas isto são especulações do que poderia ter acontecido e de fato, nós não sabemos o que aconteceu com ele. No mais, a principal identidade biológica, que é pseudo-coletiva (similaridade confundida com coletividade, como um organismo vivo único porém fragmentado), deste sujeito só poderia ser a de um psicopata e não a de um espanhol, um ibérico, um católico, um europeu ou um branco. Ibérico e espanhol são artificialidades biológicas de semelhança de um localidade geográfica. Católico é ainda mais abstrato e incoerente com a super realidade. Branco é mais uma similaridade biológica, porém sem o imperativo da maldade ou da psicopatia, este traço se encontra bem distribuído pela humanidade.

Ao se botar a culpa na coletividade branca, se despreza a real natureza biológica da ”maldade” humana que é a psicopatia.

 

Conclusão

A conclusão deste texto é a de que a expiação da culpa coletiva não se baseia em uma análise hiper realista, mas abstrata do passado relativamente recente que é ligado ao de pessoas brancas de diferentes localidades, tempos, atitudes, predisposições biológicas… em suma, de indivíduos, em que a ”raça branca” é transformada em uma espécie de abstração concreta da maldade, do ódio, tal como uma emoção e tal como as emoções negativas, deve ser evitada, diabolizada e exterminada. Se isso fosse somente no sentido figurado, eu não ficaria preocupado, mas esta lavagem cerebral se faz com intenções realistas e isso é gravíssimo e deve ser contido, pois não se consiste na realidade.

As populações humanas enquanto entidades biológicas que exibem similaridades internas, em um mundo baseado na análise hiper realista, se consistem em abstrações numéricas, que nada mais é do que a replicação de um indivíduo sobre os outros, é uma generalização, visto que toda aglomeração numérica superior a um baseia-se em uma abstração. No mundo real, somente o indivíduo existe enquanto nós humanos caminhamos para a evolução do indivíduo e portanto negando a ”quase-clonagem”, o fenômeno de seleção e evolução mais comuns nas outras espécies. A individualização é resultado de nossa essência neotênica visto que as crianças tendem a ser mais individuais do que os adultos, porque a fase infantil é onde a personalidade ainda está sendo construída, apesar das predisposições biológicas quase sempre determinarem o caminho, ainda antes do nascimento. Mesmo que o resultado seja o esperado, o processo de  construção é o tópico mais importante para explicar o porquê da maior individualização do ser humano em comparação aos outros animais.

As pessoas brancas existem, enquanto indivíduos distintos uns dos outros, não podem ser identificadas como uma entidade única e atemporal visto que todo o indivíduo é temporal e portanto tem uma vida finita e também é auto-específico, vive a sua vida e é responsável pelos seus atos . Se o indivíduo não é culpado pelas ações de outros indivíduos, diga-se, com predisposições psicológicas divergentes, então não faz sentido culpar toda a uma população pelos erros de grupos, populações ou indivíduos de épocas diferentes em contextos e biologias pessoais diferentes.

A ”culpa branca” é um erro atroz que busca deslocar a verdadeira culpa, que é local e temporal, para a culpa universal-específica (todos de um grupo) e atemporal (os crimes do passado também são meus, apesar de eu ser um indivíduo único que não os cometi por razões óbvias lógicas de improbabilidade de  espaço e tempo).

 

DUUUUUURRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR

Anúncios

Tags:, , , , ,

About santoculto

Email ataudecinzento@gmail.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

De:RefémdoDrDeus Para:Deprimente mundo Assunto:Denúncia de maus-tratos a pensadores

...e Deus criou a Ângela,desapontado com a nossa Eva.Apresento-vos o meu "disco rígido" ...

renanbarreto88

Just another WordPress.com site

Castro456's Blog

O medo do nada

Delusions of Adequacy

And You Thought You Might Have Had Delusions of Grandeur

PARTO DE IDÉIAS

"Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância." Sócrates.

Pshelinha

Um pouco de mim..

Pensar Novo

"Saber que você precisa mudar não é suficiente. Você precisa ter a coragem de fazer esta mudança." Robert Kyosaki

Mind Hacks

Neuroscience and psychology news and views.

Inside Perspectives

of Asperger Syndrome and the Neurodiversity Spectrum

Agoraphobia Subliminal Hypnosis

Come out of the woods, the dark, come into the light. As a recovered agoraphobic, I've designed these audios over many years in order to help you. Charles K. Bunch, Ph.D.

Antimidia

Textos sem sentido, para leituras sem atenção, direcionados às pessoas sem nada para fazer.

%d blogueiros gostam disto: