Uma refutação à ”teoria da savana” de Satoshi Kanazawa parte 2

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HOO HOO LA LA

Continuação…

Socialismo

A ideia de que ”ser socialista” seja um comportamento evolutivamente novo e  que seja mais engajado por pessoas inteligentes como resultado de ”escolhas pouco usuais ou novas” também não se sustenta, primeiro, porque o termo socialismo ou socialista é amplamente variável, podendo ter diferentes significados em diferentes contextos, segundo que vários estudos indicam que existem predisposições genéticas para se ”tornar socialista”, seja por causa de genes específicos como o DRD4 seja por causa da configuração cerebral que está sob influências genéticas e biológicas. Portanto, é muito menos provável que a preferência política se consista somente em uma escolha. Pessoas racionais fazem escolhas racionais e podem por ventura preferir por um estilo político ao outro, mas é muito provável que a preferência biológica fale mais alto e sejamos confundidos por causa da complexidade de nossos sistemas políticos, sociais e culturais. As pessoas não mudam as suas preferências biológicas, a não ser que algum acidente grave possa reverter essa situação. Um homossexual biológico não deixa de ser ou de ter as suas preferências ao se casar com uma mulher, da mesma maneira que o cérebro de um canhoto não muda se ele for forçado durante a infância a escrever somente com a mão direita. A biologia vem antes que as escolhas. Podemos escolher, mas isto será baseado naquilo que a natureza nos deu. Algumas pessoas podem ser mais variáveis em relação a um comportamento, enquanto que outras pessoas podem ser xiitas ou extremistas para o mesmo comportamento. O ser humano é como uma aglomeração de elásticos, alguns elásticos são maiores enquanto que outros são menores.

Alguns estudos, diga-se um pouco exagerados e duvidosos, encontraram uma grande diferença de inteligência entre ”liberais” e ”conservadores” nos EUA, onde os primeiros foram considerados como ”muito mais inteligentes”. Mas outros estudos em outros países como na Suécia, no Brasil e na Grã Bretanha por exemplo, mostra que a relação preferência política e inteligência é bem mais complexa e portanto, não se pode dizer que os socialistas serão sempre os mais inteligentes. Algumas pesquisas nos EUA, tem encontrado pouca variação de pontuação de qi entre ”democratas” e ”republicanos”.

A ideia de que por exemplo, a xenofilia, seja um traço evolutivamente novo não parece se sustentar porque desde os seus primórdios que as diferentes cepas da humanidade tem se misturado racialmente. A miscigenação ancestral é uma prova de que a xenofilia sempre existiu na espécie humana, se versões parecidas já existiam em outras espécies, mais antigas. É claro que muitos dos encontros interraciais do nosso passado foram violentos, mas isso não significa que não tenham ocorrido encontros amorosos e que algumas tribos já não tenham cuidado do filho de outros. A maioria dos povos da humanidade tem admitido minorias étnicas de outras regiões em seus tecidos sociais. Espera-se que o principal critério para ser aceito em uma ”tribo” estrangeira seja principalmente a cultura. A grande maioria dos seres humanos, mesmo os arcaicos, podem, sem dificuldades, acomodar pessoas de outras raças, etnias ou nacionalidades. Basta que as minorias se convertam ao seu código cultural, social ou religioso. O socialismo não é muito diferente da maior parte das culturas humanas. Eu posso estar exagerando e de fato, outros critérios como a raça, também sejam (e são) muito importantes para a aceitação por parte de uma população humana de grupos estrangeiros, mas a cultura parece ser quase tão importante quanto a raça. Ainda que existam diferenças palatáveis neste aspecto, pode-se dizer que, os mais inteligentes são mais  xenofílicos, visto que tendem a ser mais tolerantes e também mais curiosos em relação a outras culturas. Eles também podem ter os seus respectivos sistemas neurológicos, menos desligados para atributos mais arcaicos como o tribalismo. A relação xenofilia e inteligência, bem como alguns outros aspectos do socialismo, faz sentido de fato, mas isso não significa que é um traço novo porque parece ser mais logicamente comum entre os mais inteligentes.

O principal erro de Satoshi Kanazawa nesta teoria é a confusão entre o  ”ser novo” e o ”ter sido historicamente minoritário”. Talvez, desde os tempos das cavernas, os membros mais inteligentes das tribos tenham de fato, se engajado mais, em ao menos um destes comportamentos, mas a ideia de novidade evolutiva realmente se relaciona para a espécie humana, como novas mutações que irão predispor a diferentes e novos estilos de comportamento e a maioria destes traços não são novos e praticamente todas as nossas tendências já  existiam entre os primeiros primatas bípedes. Se Kanazawa entende o ”comportamento evolutivamente novo” como ”comportamentos do homem anatomicamente moderno” então ele poderia ter deixado bem claro quanto a isso, ainda que quando diz ”ambiente ancestral”, também não está nos ajudando a identificar de qual ambiente e em qual período pré histórico ele está se referindo.

Os seres humanos não são completamente diferente dos outros animais, eles ”só” estão em níveis muito mais elevados de inteligência e criatividade do que as demais espécies. O termo ”evolutivamente novo” definitivamente, encontra-se muito mal empregado nesta teoria.

Ateísmo

Vou concluir esta refutação da teoria de Kanazawa pelo ”ateísmo”. Os outros estilos de comportamento que foram elencados pelo psicólogo, se assemelharão aos outros ”comportamentos evolutivamente novos” que eu sublinhei no post anterior. Portanto, confunde-se basicamente dois aspectos, a datação da origem do comportamento e a novidade como minoria, seja para concluir que o comportamento x não existia há 10 mil anos atrás, seja para conceber o comportamento x como novo nos dias atuais. O ponto mais correto desta teoria é que de fato, os mais inteligentes tendem a apresentar a maioria destas predisposições em maior proporção do que os demais e em um sentido lógico e não-estatístico, faz sentido, para a maioria delas, que se relacionem com maior inteligência.

A ideia de que o ateísmo é uma escolha, geralmente dos inteligentes, não faz mais sentido , especialmente a partir do momento em que descobriu-se que existem relações genéticas entre ser ateu e ter características autistas. Pode-se dizer que ser ateu é menos uma escolha e mais uma condição neurológica. Portanto, mais uma vez, cai por terra a teoria de Kanazawa de que as pessoas inteligentes fazem escolhas evolutivamente novas ou pouco usuais. Elas não fazem, necessariamente.

A outra ideia central desta teoria, de que o ateísmo assim como outros exemplos de ”comportamentos evolutivamente novos” são recentes, se eles não são escolhas dos mais inteligentes, também não faz sentido visto que, o ateísmo é a manifestação cultural específica de uma combinação neurológica derivada do autismo, onde os portadores do mesmo serão predominantemente ateus e agnósticos. A biologia virá antes que as escolhas e as reduzirá para uma quantidade limitada e individualizada. Algumas de nossas possibilidades de escolhas serão mais elásticas do que outras. Por exemplo, você pode ser um homossexual ”reto” mas ser mais flexível para a preferência religiosa.

A única maneira de provar que o ateísmo é uma mutação recente da espécie humana, poderia ser por meio de uma comprovação hipotética de que o autismo é uma condição neurológica recente, que apareceu há pouco tempo, durante a revolução industrial ou é o resultado de vacinas. No entanto, esta pintura rupestre abaixo, que demonstra precisão e realismo, só poderia ter sido produzida por alguém com estes traços e sabe-se que eles derivam do autismo.

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O artista pré histórico que produziu essas figuras acima pode até não ter sido portador de autismo, mas todos os traços cognitivos e comportamentais que se relacionam com este estilo e tipo de atividade derivam da ”genética do autismo”.

Portanto, é muito improvável que o autismo seja uma mutação recente e por conseguinte será muito improvável que o ateísmo também seja.

Religião como um traço evolutivamente novo

A capacidade para acreditar em ”abstrações” parece ser uma característica inerentemente humana. É verdade que a capacidade para produzir cultura esteja presente em muitas espécies animais. Eu ainda poderia dizer que, todo o tribalismo é uma espécie de cultura biológica natural, criada para a cooperação interna bem como para competição com outras espécies. Mas a religião parece ser uma novidade psicológica humana. A religião é um desdobramento, uma evolução da cultura. É o aumento da complexidade do pensamento. O ateísmo é provável de ser anterior à religião. A capacidade para imaginar como seria o todo, ”Deus”, não (parece ser) é possível de ser compreendido e acatado por outras espécies a não ser a humana. Primatas podem produzir culturas de cooperação e competição, mas não podem imaginar além das estrelas. O ser humano pode e faz.

Miscigenação racial voluntária como traço evolutivamente novo

Casamentos interraciais sempre aconteceram dentro da espécie humana. Misturas também acontecem em outras espécies, mas na maioria das vezes, isso se dará somente em circunstâncias extremas. A grande maioria das espécies não-humanas de vida complexa não se misturam voluntariamente. Os seres humanos são, pelo que tudo indica, os únicos que podem voluntariamente procriar com pessoas diferentes do seu grupo geneticamente direto. Portanto, a miscigenação racial voluntária é um traço evolutivamente novo, que só se encontra presente nos seres humanos, provavelmente um dos resultados das muitas misturas raciais ancestrais bem como da neotenia.

Capacidade para conter o impulso sexual

A neotenia é um dos processo mais significativos que corroboraram para produzir a espécie humana. As crianças tendem a ser muito menos sexualizadas do que os adultos. Sendo o ser humano uma versão neotênica dos primatas, pode-se constatar que os seres humanos tenderão a ser menos sexualmente impulsivos do que os seus primos macacos. A capacidade de contenção do impulso sexual (especialmente) bem como a adesão por comportamentos sexuais recreativos são dois traços evolutivamente novos que evoluíram em seres humanos. Vale ressaltar que o desejo sexual homossexual se difere entre humanos e outras espécies. Enquanto que os homossexuais humanos podem conter os seus impulsos sexuais (apesar de que, este se encontra abaixo da média em comparação aos não-homossexuais), eles tem consciência de que suas práticas sexuais não vão resultar em procriação. Em algumas espécies, isso pode não ser verdade. Justamente por serem uma das espécies mais próximas do homem, que os bonobos parecem ter encontrado meios para construir sociedades pacíficas, por meio do sexo recreativo. Mas até onde as suas consciências entendem que a prática homossexual não resulta em procriação ainda é um mistério.

Este blog mostra que o impulso bio-cronológico sexual da espécie humana foi extinto para que ocorresse o aumento da capacidade craniana e portanto de nossa inteligência. Esta teoria e este blog são muito interessantes, tirando os excessos propagandísticos sobre a homossexualidade como natural e a heterossexualidade como não-natural (o que obviamente não é verdade para a segunda) eu recomend aos meus leitores a darem uma passada por lá. Eu não acredito que o impulso sexual bio-cronológico dos seres humanos foi extinto, mas é fato que ele diminuiu consideravelmente, como um dos traços presentes na gênesis da espécie humana, o efeito fundador da humanidade. Ainda fazemos sexo, gostamos de fazer (a maioria dos seres humanos) e apresentamos um relógio biológico sexual onde nossa libido será maior durante o melhor período para a procriação. Mas podemos controlar este impulso, ou, pelo menos a maioria dos seres humanos podem. A grande maioria, se não todos os animais não-humanos, simplesmente não tem esta capacidade de controle. Quando o relógio biológico toca eles não podem se conter.

 

Um dos principais erros cometidos por Kanazawa é ligar a inteligência com ”comportamentos evolutivamente novos”. Essa relação não parece ser causal e as mutações (patógenos??) que propiciam a um determinado comportamento necessariamente não precisam surgir somente entre os mais inteligentes.

Enfim, como conclusão, os dois textos que produzi visam refutar a teoria da savana ou dos princípios da savana, desenvolvida por Satoshi Kanazawa, partindo-se dos seguintes pressupostos

Os exemplos de comportamentos evolutivamente novos que ele elencou não são em verdade, evolutivamente novos, mas são minoritários na maior parte da história humana, especialmente na história das civilizações. Ele confundiu novidade como minoria.

Os exemplos de comportamentos evolutivamente novos desta teoria parecem estar presentes em outras espécies além da humana, o que indica que estes comportamentos podem ser ainda mais antigos do que a própria humanidade

A maioria de nossas escolhas derivam de nossa biologia, que é limitada e individualizada. Como resultado, nem as pessoas mais inteligentes e nem as pessoas de qualquer outro subgrupo cognitivo tem o poder de escolher entre opções díspares, na grande maioria das vezes, faremos escolhas que se assemelharão entre si.

Portanto, os mais inteligentes mediante baterias de testes de qi, não fazem mais escolhas evolutivamente novas, dependerá muito do contexto, se o contexto for social, histórico e cultural recentes, então pode ser que seja verdade, mas existem muitas variáveis que influenciarão em um veredito objetivo quanto a isso. As características de alguns dos comportamentos elencados por Kanazawa e que parecem ser mais praticados por pessoas inteligentes, são de natureza atávica, não acreditar em Deus é anterior à religião, que eu determinei como um elemento exclusivamente humano, se engajar em sexo procriativo não-reprodutivo é anterior ao sexo monogâmico, este que se relaciona com alguns subgrupos de altamente inteligentes (provavelmente a maioria deles) bem como com a sua existência em outras espécies, é basicamente a estratégia K de reprodução. Impulsividade no consumo de álcool e substâncias químicas é anterior ao auto controle. Tanto o sexo procriativo quanto o abuso de substâncias são de natureza impulsiva e se relacionam negativamente com níveis mais altos de auto controle que por sua vez se relaciona intimamente com auto controle sexual, um traço que eu determinei como evolutivamente novo, por causa da diminuição drástica do impulso bio-cronológico sexual que resultou na fundação genética da humanidade. O socialismo e vários de seus traços sociais e políticos se assemelham à organização social dos bonobos e se engajar neste tipo de ideologia não é uma atitude evolutivamente nova, basta ver como funcionam as sociedades de caçadores coletores remanescentes nos rincões de povoamento humano para perceber que o socialismo não é um modelo novo de sociedade. A miscigenação racial voluntária também me parece que é uma tendência evolutivamente nova, justamente por se segregar somente entre os humanos ou porque é  rara a praticamente inexistente para fora de nossa espécie.

A conclusão final é a de que a teoria da savana não se sustenta à uma análise mais detalhista e os principais erros cometido por Satoshi Kanazawa foram a ênfase entre inteligência e evolução e a confusão entre novidade e minoria.

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