Qi, não é tão simples assim como imagina

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Imaginemos que estamos em uma nave espacial e estamos observando a Terra por essa perspectiva. O que você verá? A imagem da Terra vista de longe não irá nos mostrar a maior parte das idiossincrasias geográficas, geológicas e morfológicas de nosso planeta. Por essa perspectiva, a Terra parecerá plana e estática. Sabemos que ”ela” não é assim e que em uma perspectiva de primeira pessoa, um ser humano que está em qualquer área de dentro do planeta, terá uma visão completamente diferente e mais especificamente detalhista. Ambas as perspectivas estão equivocadas se forem usadas para buscar uma análise extremamente sucinta e perfeita  do nosso planeta. Como sempre, a melhor perspectiva é aquela que aproveita tanto a visão geral e distante de nosso planeta quando o observamos de dentro de uma nave, quanto a visão em primeira pessoa, já dentro dele. Este é um exemplo metafórico, mas que pode ser observado em vários outros e eu poderia dizer mais, o exemplo das perspectivas distintas, que nos dão panoramas específicos e tendenciosos, pode ser comparado ao qi.

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A imagem que temos da famosa BELL CURVE, a representação visual das distribuições de pontuações em testes de ”inteligência”, nos mostra que, para muitos profissionais da psicometria, a perspectiva do qi se assemelha àquela que exemplifiquei, sobre uma visão generalista e distante da Terra, se acaso estivéssemos em uma nave espacial de frente para o planeta. Este tipo de análise psicométrica corriqueira pode vir a ser muito superficial, dependendo de quais grupos que estão sendo analisados.

Como eu vou sempre repetir aqui, eu não sou contra a validade dos testes de qi, eu não sou aquele militonto ideologicamente comprometido que tenta falsificar o mais fiável de todos os métodos para se medir inteligência, até os dias de hoje. Mas eu também não sou um determinista de qi, que acredita que ”se fulano X tem qi 110 ele será inexoravelmente menos inteligente que qualquer fulano com qi 120”. Este tipo de pensamento extremamente simplista e errado, deriva exatamente desta perspectiva generalista do qi.

Como eu disse no post sobre canhotos e vou repetir em diversos posts, a ciência da psicometria não pode ser assim tão simples e de fato não é.

A análise que geralmente se faz quanto às distribuições de pontuações em teste de qi, se assemelharia à mundialmente famosa fotografia do  monte Fuji, no Japão, com apenas uma única perspectiva visual e somente um ponto de pico, que representaria a média.

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OUTLIERS E QI, MUTUAMENTE EXCLUDENTES??

O fascínio que a comunidade HBD bem como a comunidade psiquiátrica tem sobre os grupos de altamente inteligentes é realmente considerável. Mais do que quaisquer outras, estas duas comunidades tem se dedicado, e o Hbd muito recentemente, em tentar entender como se dão as raízes biológicas da excepcionalidade cognitiva e intelectual da espécie humana. Por meio de uma visão unilateral sobre a inteligência, onde os testes de inteligência são utilizados como único medidor de capacidade ou especialmente, a maneira corriqueira de manuseio dos testes de inteligência, onde dá-se grande ênfase na pontuação performance ou geral, eu tenho um palpite forte de que, muito sobre este assunto tem sido perdido ou desprezado nestas últimas décadas. A crença ou fé de que os testes de inteligência são perfeitos para medir habilidade e especialmente, a habilidade dos excepcionalmente talentosos, é tamanha que me faz questionar o porquê de gente tão inteligente se deixar levar por este tipo de paixão.

A fiabilidade dos testes de qi como um medidor de inteligência de: grupos neurologicamente comuns (ou neurocomuns), de populações, de indivíduos neurologicamente comuns e de populações e indivíduos de baixa inteligência (qi), é na minha opinião, inquestionável. Bem, mas quando estamos falando sobre os excepcionalmente inteligentes, a complexidade parece aumentar consideravelmente. É interessante observar que, quanto mais alto é a inteligência, mais específico serão as habilidades.

São poucos os gênios e os prodígios que serão excepcionalmente talentosos em todas ou na maioria das matérias do conhecimento humano. Geralmente, os excepcionalmente talentosos estão muito acima da média, em algumas habilidades e em detrimento de outras. Estas características estão presentes no grupo que dentro da psicologia é denominado como duas vezes excepcional.

Um estudo recente encontrou que as crianças prodígio analisadas, exibiam mais traços autistas do que as crianças do grupo de controle mas o mais fascinante deste estudo foi que, as pontuações de qi do grupo variou consideravelmente mais do que se previa, tanto a nível coletivo quanto a nível individual. As médias de qi performance das crianças prodígio analisadas variou de 108 a 147, derrubando consistentemente o mito do alto qi como o único preditor de excepcionalidade cognitiva. As variações individuais de pontuações também ”surpreenderam”, especialmente aqueles que esperavam altas pontuações em todos os quesitos, mostrando claramente que, não é essencial ter um super alto qi para ser excepcionalmente talentoso. Faz todo o sentido que alguém com grandes habilidades cognitivas específicas, costume apresentar grande variação em suas habilidades, tornando-o naturalmente apto para desenvolver grande paixão por seus interesses específicos. A relação entre excepcionalidade e autismo também serviu para dar um tapa de pelicas nos ”profissionais” de saúde estúpidos, que interpretam o ”diagnóstico” de autismo ou de qualquer outra personalidade extrema como um defeito, enquanto que parece claro que o autismo, especificamente o de ”alto funcionamento”, confere grandes vantagens intelectuais para os seus portadores homozigotos, enquanto que o mesmo acontece, com muitos dos parentes destas pessoas. 

O ”déficit” de socialização autista tão largamente atribuído por psicólogos (melhores amigos dos ”pacientes”), não parece tão assustador e dramático assim como eles adoram pintar, especialmente se partirmos da ideia de que, primeiro, são as pessoas não-autistas que parecem ter dificuldades para lidar com os autistas e segundo, o suposto ”déficit” ”parece” vir acompanhado por grandes vantagens intelectuais. Além do mais, é esperado que a maioria das pessoas muito inteligentes tenderão a ser menos sociáveis do que as menos inteligentes. Pode-se concluir que este tipo de ”diagnóstico” deriva substancialmente das perspectivas pessoais dos chamados ”profissionais” da saúde mental e não de uma análise holística mas ao mesmo tempo específica e neutra.

Qual população que você vai encontrar uma grande porcentagem de pessoas que são genuinamente apaixonadas em adquirir conhecimento?? A grande maioria dos neurocomuns ou neurotípicos, não o fazem enquanto que, muitos daqueles que adquirem conhecimento, não se dá ”somente” pelo prazer de aprender, mas visando interesses mesquinhos, como ganhar mais dinheiro.

Os testes de qi não são capazes de medir adequadamente a inteligência deste grupo bem como de boa parte dos outliers, visto que  seus perfis cognitivos tenderão à ampla assimetria de habilidades enquanto que os testes cognitivos tenderão a medir a superfície das habilidades técnicas mais importantes, que foi metaforicamente exemplificada por meio da perspectiva visual generalista do planeta Terra dentro de uma nave espacial. O fator g será praticamente insuficiente para ajudar a explicar a assincronia de um garoto que por exemplo, tem dificuldades para ler mas consegue fazer contas difíceis de cabeça, tendo a incrível habilidade de reconhecer os números como indivíduos distintos. Os testes de inteligência medem as habilidades convergentes de pessoas que são neurocomuns, ou tem cérebros comuns, como da maioria da população. A validade do qi ou especialmente de como ele é tradicionalmente utilizado, perde valor quando adentramos em mentes neurologicamente incomuns.

Quanto mais específica for a habilidade, mais pessoal e mais dificultosa será a capacidade dos testes tradicionais de inteligência em conseguir executar a sua função como parâmetro para a identificação perfeccionista da inteligência. Como eu disse em outro post, o qi mede fatores técnicos, de natureza subjetiva e portanto secundários da inteligência humana, sendo que dos 3 traços primários mais fundamentais de nosso intelecto (criatividade, auto consciência e habilidades para encontrar padrões), somente um é parcialmente medido, as habilidades para buscar padrões e mesmo assim, eles parecem estar inserido em uma perspectiva muito técnica e menos dinâmica. Os testes de qi medem a inteligência estática da espécie, mas não medem a inteligência dinâmica.

Isso significa basicamente que, os contextualmente inteligentes são melhor medidos pelos testes psicométricos tradicionais do que os puramente inteligentes, que serão mais aptos para sobreviver em qualquer ambiente.

Esta visão unilateral quanto à capacidade do qi em medir a inteligência humana tem se espalhado pela internet, na era da informática, prejudicando ainda mais a construção de uma visão realista e sucinta quanto a complexidade que este assunto deveria despertar.

As pontuações consideravelmente elevadas de qi são um bioproduto matematicamente abstrato de uma possibilidade real quanto ao intelecto do indivíduo hipotético analisado, mas não é uma prova ou qualquer coisa do tipo. Gênios não serão sempre prodígios enquanto que por sua vez, os prodígios não serão sempre os super alto qis, como foi mostrado em alguns links deste texto. Da mesma forma, alto qi não é uma conclusão automática de genialidade, visto que, a maioria dos altos qis não são gênios e como vou mostrar em outro texto, eles até poderiam ser considerados como a antítese da genialidade. Altos qis se relacionam à saúde física e mental, enquanto que a genialidade parece se relacionar ao oposto desta situação.

Para finalizar este texto, eu pincelo por fim, com um dos exemplos mais incríveis quanto à fraca relação entre qi e genialidade bem como pela popularização de equívocos derivados do determinismo de qi, o exemplo do roqueiro brasileiro Roger Moreira, da banda Ultraje a rigor. Eu me pergunto se, em um país com média de qi 98 como os EUA, a popularização da visão simplista e superficial do alto qi e genialidade foi até agora, intensa e rápida, se espalhando até mesmo para círculos intelectuais mais privilegiados como o HBD, imaginemos como este cenário tem se desenrolado em um público como o brasileiro, que está em média 10 pontos abaixo da média americana??. Eu intercedo aqui excepcionalmente para explicar que, este blog e o autor dos textos deste mesmo, não visa denegrir a imagem publica desta pessoa. Eu não quero que você conclua que o Roger Moreira é uma pessoa estúpida, porque de fato, ele não é. Mas é possível concluir sem muita dificuldade que, as pessoas que o consideram como um gênio, possam ter consideradas como tal. Ter um qi 170 como Roger, não é um sinal de genialidade. Com certeza, é um sinal de elevada inteligência, mas a genialidade se distingue destes tipos por combinar dois atributos geralmente opostos, a criatividade e a inteligência convergente e técnica.

A genialidade não requer somente ou especialmente uma elevada inteligência técnica e como eu tentei demonstrar em todo o texto, é muito mais provável que os gênios genuínos, se pareçam mais com os prodígios quanto ao perfil cognitivo do que com aqueles com perfis de inteligência simétrica. Lisa Simpson, outro exemplo figurativo de super dotação intelectual, também não pode ser considerada como uma ”gênia”. Existem muitos perfis distintos de alta habilidade e tal como foi demonstrado pela pesquisa sobre as crianças prodígio, é esperado que encontremos tanto os prodígios quanto os gênios em todas as camadas de inteligência técnica em uma curva de sino típica, não é tão simples assim como você imagina.

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