Arquivo | maio 2014

Redefinição do Autismo como uma condição sindrômica

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A discussão se o autismo deve ser classificado como uma síndrome, uma condição ou uma doença continua forte e quanto mais estudos nos mostram a complexa natureza taxionômica do autismo, mais eu tenho certeza de que chegamos a um impasse. No entanto, aplicando o conceito do ”caminho do meio”, a minha teoria filosófica que reduz as eternas dicotomias que a espécie humana quase sempre termina por caminhar, em praticamente todas as nuances de nossas existências individuais temporárias, eu acredito que as melhores respostas quase sempre se localizarão na confluência de duas ondas de pensamento antagônicas, tal como quando dois afluentes do rio Amazonas se cruzam, mesclando e produzindo um novo rio, mais rico e vigoroso. Como resultado, mediante os mais recentes estudos sobre o autismo, dentre outras condições espectrais complexas e recessivas, o autismo deve ser re-conceituado como uma CONDIÇÃO SINDRÔMICA. A condição como um estado de ser, de essência bio-comportamental, independente se desta resultar em situações sócio-subjetivas desvantajosas ou objetivas situações proto-patológicas, especialmente mediante a extrema discrepância entre a cultura genética dominante e a cultura genética potencial-individual não-dominante. A síndrome como uma sub-condição espectral e portanto limitada onde determinados ”sintomas” ou ”comportamentos” se complementam produzindo um estilo de viver com fortes tendências desvantajosas. Ainda poderíamos introduzir o adjetivo ESPECTRAL como maneira de enfatizar a grande diversidade de fenótipos, derivados da aleatoriedade que a genética recessiva tende a produzir. Portanto, ao vermos o autismo como uma CONDIÇÃO ESPECTRAL SINDRÔMICA, estamos em somente um único nome, dando toda a visualização de sua natureza, abarcando-a superficialmente, porém atendendo a sua demanda de fácil comunicação ao público e mesmo aos próprios pesquisadores do assunto.

Teoria da criatividade divergente (criatividade genuína) e convergente (savant style)

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Nem todos os pintores são criativos como Van Gogh.

 

Até muito recentemente a maioria das pessoas dentro da ”ciência mainstream”, acreditavam plenamente que a criatividade não tinha uma natureza primordialmente genética. Por meio de vários trabalhos nas últimas 3 décadas, começou-se ainda que timidamente a veicular a realidade muito óbvia de que assim como para qualquer outro atributo humano, a capacidade criativa, também apresenta grande influência genética em sua composição bem como em sua manifestação individual e coletiva.

Imaginemos que se a ”aceitação” do público quanto a este fato ainda é muito recente, quanto tempo eles iriam aceitar que, nem todas as pessoas que se engajam em trabalhos criativos são por si só criativas também?

O conceito de criatividade se refere especialmente na produção de pensamentos, ideias ou trabalhos novos e de alta qualidade. Então vejamos um exemplo, reproduzir perfeitamente no quadro uma paisagem campestre, é um trabalho criativo??? A grande maioria das pessoas diriam que sim, que é  um trabalho criativo. Bem, a maioria das pessoas votam em candidatos estúpidos em eleições democráticas na maioria das países ocidentais, acreditam em horóscopo, acreditam em resumos de abstrações altamente complexas e politicamente enviesados sobre assuntos dos quais elas não conhecem e não tem capacidade para entender, dentre outros tipos de estupidez… Portanto, não. A maioria das pessoas não podem ter o veredito de coisa alguma em relação aos assuntos que são tratados na psicologia e em qualquer outra ciência, seja ela humana ou não.

A resposta para a minha pergunta é um simples NÃO. Os pintores que apresentam o talento de reproduzir com requinte de detalhes, paisagens, objetos e pessoas e só são capazes de fazer isso (o que por si só já é um grande talento) não são criativos. A criatividade, em seu conceito prático, renega totalmente este tipo de trabalho. No entanto, ela não é somente isso. Criatividade também se refere em auto expressão. Quando um pintor reproduz uma paisagem campestre, ele não está somente reproduzindo uma paisagem, como a maioria pode constatar. Ele também está fazendo com que os futuros admiradores de sua obra vejam o mundo que ele viu e achou tão belo que mereceu um quadro. Tudo na arte se refere a auto expressão.

Um componente não-objetivo da criatividade está presente na maioria dos trabalhos que não visam sugerir novas ideias,pensamentos ou técnicas de pinturas. Portanto, de uma maneira parcial, pode-se dizer que este tipo de trabalho ainda será criativo ou parcialmente criativo. A intenção do autor é baseado na auto expressão, que é um dos componentes culturais, sociais, individuais.. da criatividade, mas a finalização da obra não requer criatividade mas capacidade convergente ou savant-style.

Portanto, os artistas que são capazes de reproduzir com perfeição a realidade em suas telas, mas ”somente isso”, não são criativos, porque elas não estão buscando criar novas ideias, pensamentos ou técnicas que possam revolucionar em suas respectivas áreas de atuação.

 

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Tela de Akiane Kramarik

 

A tela de Kramarik é linda, mas não precisou de criatividade para ser realizada. Pessoas com a Síndrome de Savant são particularmente excepcionais neste tipo de trabalho. É possível pensar se os pintores convergentes apresentam alguns traços autistas ou de savant para que possam desenvolver os seus trabalhos de alta qualidade como este acima.

Quando comparamos as telas do mestre Van Gogh com as telas da talentosa Akiane Kramarik, americana de ascendência lituana, nós vemos dois aspectos particularmente distintos: a criatividade de Van Gogh ao representar uma paisagem por meio de formas geométricas completamente distintas do habitué, sensação de profundidade e de conexão entre todos os elementos da pintura e o realismo de Kramarik ao reproduzir a imagem de um homem (provavelmente de Jesus) quase que como se fosse um retrato de fotografia. Ambos se assemelham mediante a ênfase em externalizar o seu eu ou a auto expressão, enquanto que se diferem fundamentalmente porque não há nada de novo na pintura de Kramarik enquanto que muitas propostas são sugeridas no trabalho de Van Gogh. Em termos de qualidade, vemos ainda que Kramarik consegue chegar a um nível maior de perfeição, mas a menor qualidade de perfeccionismo de Van Gogh é completamente suprida por sua criatividade. Nós não precisamos, em termos criativos, de telas que nos mostram a realidade que os nossos olhos veem todos os dias. Nós precisamos também ou principalmente de telas ou quadros que possam reunir beleza, que é o que se busca em um trabalho criativo de alto valor, e ao mesmo tempo a novidade, que nos impõe o sentimento da dúvida, da contestação. Basicamente, a criatividade de alto nível requer a combinação do trabalho convergente com o trabalho divergente. A criatividade completamente divergente pode resultar em qualquer coisa como as telas abstratas das artes modernas. Mas eu não concordo e não posso concordar que algumas ”pinturas” deste ”segmento” possam ser algo a mais do que um simples deboche quanto à estupidez da classe média educada e intelectualmente raquítica do Ocidente.

Como resultado, a verdadeira criatividade ,externalizada por meio de suas obras finalizadas, é exatamente a combinação de ideias convergentes com ideias divergentes enquanto que a produção artística de alto valor derivada de alguns componentes não-objetivos da criatividade como a auto expressão é uma manifestação ou replicação não-criativa mas de alto nível, da criatividade. A maioria se não, todos os artistas convergentes, ou seja, não-criativos de alto nível, muito provavelmente apresentam características hereditárias ou formadas durante o período gestacional de suas mães, que se relacionam com vários elementos cognitivos presentes nos portadores da Síndrome de Savant.

Os artistas divergentes ou genuinamente criativos, precisam a priori, de apresentar o talento criativo que possa combinar o trabalho de alto nível com novas ideias.

Criatividade, extremamente rara em indivíduos extremamente raros

A maioria dos artistas são replicadores de técnicas anteriormente desenvolvidas. A criatividade, em seu estado mais puro, se encontra justamente no princípio da mudança, no desenvolvimento das novas ideias durante o seu estado de gestação. Pode-se comparar a criatividade com o Big Bang, a grande explosão que produziu o universo onde nós vivemos . O contínuo processo de expansão do universo nada mais seria metaforicamente falando, do que o processo de expansão das ideias criativas por meio da replicação. A pintura convergente ou qualquer outro trabalho convergente, se baseia na replicação ou melhoramento tímido e bem calculado de técnicas anteriormente estabelecidas. O talento para pintar de maneira realista  parece estar cravado ”em nossos genes” e especialmente nos artistas convergentes, que parece sugerir que existem componentes essencialmente biológicos que são responsáveis por essa capacidade. É só vermos os savants artistas. A criatividade, mais uma vez, apesar de também estar cravada ”nos nossos genes”, é essencialmente a capacidade para manipular ideias retidas de nossa capacidade de ver a realidade, com ideias completamente novas, derivadas de nossa capacidade para imaginar o mundo de maneira irreal.

A criatividade genuína, o princípio ”de tudo”, com certeza que será muito rara. O nascimento do (deste) universo se equipara ao trabalho da criatividade pura e divergente, realizada por primazia pelos gênios criativos.

A conclusão é que a criatividade, especialmente quando ao seu conceito mais prático e objetivo, não se baseia em replicar ideias já estabelecidas, mas em produzir novas ideias. A maioria dos ”criativos” atualmente, não são puramente ou genuinamente criativos, mas uma combinação de replicadores das ideias criativas anteriores com alguns talentos criativos. A criatividade de alto nível ou de gênio é por si só a produção de algo completamente novo, o ”princípio de tudo” e são muito poucos os seres humanos que são capazes de produzir este tipo de trabalho. Por meio da pintura, um exemplo de trabalho criativo, eu demonstrei que os pintores realistas não são necessariamente criativos, especialmente se eles só são reprodutores da realidade ( equivalente ao ouvido absoluto dos instrumentistas talentosos). Da mesma maneira que a maioria dos instrumentistas, violinistas, pianistas, podem não ser tão criativos quanto imaginávamos, apesar do fato de que eles são replicadores de sucesso e maestria do legado de seus mestres. O compositor é muito mais criativo que um instrumentista, da mesma maneira que um pintor divergente é muito mais criativo que um pintor convergente. No entanto, a arte não é somente a novidade mas também é auto expressão.

Todos aqueles que trabalham com arte (com uma provável exceção de muitos ‘artistas’ abstratos) são mais criativos do que aqueles que não trabalham ou (especialmente) não tem talento para este tipo de trabalho.  Mas o talento criativo genuíno e portanto de gênio é extremamente raro e geralmente dá início a novos movimentos sociais, artísticos, culturais, filosóficos, científicos… é raro e tem um impacto de um mini big bang na realidade humana conhecida.

Portanto, em uma interpretação objetiva, a criatividade só pode ser divergente e de alto nível.

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Impacto da criatividade genuína ou em sua forma mais pura, o resto é replicação

Teoria do quebra-cabeças ou da seleção indireta, para explicar a constante presença de personalidades extremas dentro das populações humanas

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Toda família tem um ‘louco’

 

Na atualidade um número alto de pessoas desenvolverão ”transtornos
mentais” ao longo de suas vidas. Algumas estimativas jogam este
número para 6% da população em um típico país ocidental
industrializado. As mesmas estimativas acreditam que até 25% da
população irão desenvolver alguma forma mais moderada de ”transtorno
mental” enquanto que até metade terá algum processo de ”interrupção
da normalidade” em algum momento específico. Estes indicadores podem
nos mostrar o que há de mais único na natureza humana. A relativa
fraqueza que nós apresentamos, são alguns dos efeitos colaterais mais
evidentes de nosso caminho singular como espécie que tem nos feito
superiores. Não somos os mais velozes, os mais ardilosos ou os maiores
do reino animal mas com certeza que somos os mais adaptáveis. A
adaptação necessita de inteligência e de diversidade genética para
funcionar. Espécies geneticamente homogêneas estão destinadas ao
posterior enfraquecimento coletivo tanto na capacidade de defesa
quanto com relação às próprias armas cravadas em seus genes. Quanto
mais específico e óbvio for o jogo de sobrevivência, mais frágil ele
progressivamente se tornará, tanto para predadores quanto para as
intempéries ambientais.
Diversos estudos sobre a relação seleção natural x transtornos mentais
tem demonstrado que ao menos em nosso passado evolutivo como espécie,
os genes que aumentam o risco de desenvolvimento de psicopatologias
foram prolíficos e provavelmente tiveram um papel benéfico fundamental
para o nosso sucesso na colonização de todos os continentes bem como
pela produção da cultura e das sociedades complexas. No entanto o
porquê da manutenção de uma grande incidência de transtornos mentais
na população continua a ser buscado visto que se no passado estas
pessoas com ”mentes diferentes” foram muito vantajosas para o grupo
por causa de suas habilidades incomuns, hoje em dia  mediante todas as
evidências ”diretas” ,essa realidade pode ter mudado
consideravelmente visto que
– as pessoas com transtornos mentais são mais predispostas a se
retirarem do convívio social
– estão em maior risco de pobreza (mas também para ocupar profissões
de proeminência social,cultural, científica ou política)
– alguns tipos específicos de ‘transtornos’ como a personalidade
psicopática, relacionam-se à elevados índices de criminalidade
– pessoas com transtorno mental tendem a ter menos filhos
O último dado contribui significativamente para forçar os
pesquisadores a buscar alternativas indiretas para explicar a presença
universal destas condições.

A minha teoria em relação à presença constante dos chamados
transtornos mentais nas populações humanas não parte especificamente
dos padrões de acasalamento modernos dos seres humanos, visto que
especialmente nas sociedades industriais, estes genes ( ou ao menos o
fenótipo inteiro ou combinação dos genes que resultam na expressão da
condição) parecem estar sempre sendo selecionados para fora da
piscina. Ela parte do fragmento encontrado nos estudos que mostra que
no nosso passado evolutivo estes genes não só foram foram abundantes
mas também foram fortemente selecionados. Mesmo na atualidade, alguns
genes para a TDAH apresentam seleção positiva assim como certos genes
para a esquizofrenia e para o autismo. No entanto, eu acredito que a
grande presença  destas condições se dê justamente por causa dos
mecanismos positivos de seleção de outrora que tornaram os seus genes,
amplamente distribuídos pelas populações humanas.  Também se especula
se a elevada presença de algumas destas condições em algumas
populações esteja diretamente relacionada com processos adaptativos
como no caso dos ameríndios, onde o percentual de pessoas com os genes
para o TDAH é superior a 70%. A TDAH segundo Harpending e Cochran
apareceu durante o período de migração do homo sapiens da África em
direção aos outros continentes. O continente mais distante da África,
seguindo a rota terrestre, é justamente o continente americano.
Acredita-se que a manifestação de TDAH em números consideráveis entre
os ameríndios seja o resultado direto da migração de ”pessoas de alto
risco” da Ásia para as Américas.
No mais, muitos genes presentes nos seres humanos e que não oferecem
grandes vantagens individuais ou mesmo coletivas, são muito bons
quando não estão aglutinados e portanto formando o fenótipo inteiro de
expressão genética. Esta é a explicação mais lógica para entender a
manutenção de condições graves como a esquizofrenia, que confere ao
portador-cheio do fenótipo, grandes problemas de adaptabilidade,
especialmente nas sociedades modernas. No entanto, alguns traços como
a capacidade de imaginação e alguns componentes importantes da
criatividade, encontram-se presentes no ”repositório genético da
esquizofrenia”. Se os portadores dos fenótipos inteiros destas
condições se reproduzem muito menos, em média até 30% menos que os
pares ”normais”, então criou-se a ideia de que ao menos os parentes
diretos e indiretos destes, que são os portadores de alguns genes das
condições, seriam como medida compensatória, mais socialmente
‘férteis’ que os pares sem histórico familiar de psicopatologia. Mais
uma vez, a teoria não parece ter vingado, ou ainda existem poucas
conclusões concretas sobre esta possibilidade. No entanto, sabe-se que
mesmo não sendo portadora-cheia do fenótipo por exemplo para a
esquizofrenia, a pessoa com uma variação menos extrema como a
esquizotípia, também podem não ser eficazes na capacidade de
acasalamento e reprodução, visto que tendem a serem considerados como
”estranhas” pela maior parte da população ”normal”. O estigma que
os tipos outliers, beneficiados por alguns genes mutantes destas
condições, tenderá a resultar na diminuição considerável dos mesmos em
conviver socialmente e consequentemente em possibilidades para a
reprodução.
Isto necessariamente não significará que todas as condições tenderão a
exibir estes problemas ‘adaptativos’.

Diversidade genética diretamente relacionada com psicopatologias

Se os genes que predispõe às psicopatologias foram abundantes no
início da humanidade então poderíamos concluir que estes se tornaram
‘fixos’ entre nós e são os grandes responsáveis pela criação de nossa
natureza complexa. Como resultado, não é necessário a seleção direta
dos genes para que eles que se manifestem, visto que se não a maioria,
todo o ser humano carrega consigo alguma variação dos mesmos. O que
importa aqui não é valor quantitativo dos acasalamentos mas
qualitativo.
Uma recente pesquisa sugere que as pessoas mais geneticamente
parecidas ou com fenótipos comportamentais mais parecidos tendem a
formarem mais amizades entre si do que em relação a grupos que lhes
são ‘pessoalmente’ distintos. O que vemos cotidianamente é o
aparecimento de grupos tribais urbanos em que alguns traços globais
como personalidade e inteligência são fortes preditores para a
aceitação. Se algumas pessoas com determinados traços de personalidade
podem se sentir atraídas por uma determinada gama de estilos musicais
ou de comportamento então o mesmo pode acontecer com àquelas com
certas suscetibilidade de condições. Mas como as
”psicopatologias” se manifestam se não existem mecanismos positivos
diretos de seleção??
Além da própria diversidade genética humana, diretamente provocada
pela forte seleção destas condições no início da humanidade, os
mecanismos sociais de acasalamento por aglutinação de fenótipos
semelhantes pode nos indicar que determinados grupos de indivíduos,
portadores de alguns genes dos ”transtornos mentais” podem se sentir
atraídos uns pelos outros, criando uma das condições necessárias tanto
para a expressão de todos os fenótipos, como também de frações dos
mesmos. Este processo pode ser como no caso de quebra cabeças, em que
uma pessoa com algumas peças combina com outra pessoa, que tem as
outras peças necessárias para completá-lo. Outra muito provável
condição para a manifestação destas condições relaciona-se menos a
fatores genéticos ou diretamente genéticos e mais a fatores orgânicos.
Sabe-se que quanto maior a idade da mãe, maiores são as chances da
criança nascer com estes tipos de mutações. Fatores ambientais também
podem provocar um ambiente artificialmente semelhante, ocasionando a
manifestação do fenótipo cheio e portanto no seu tipo mais extremo.
No entanto, eu acredito que, se muitas mães mais velhas podem ter
filhos ”saudáveis”, então, além da idade outros fatores como
suscetibilidades genéticas e ou orgânicas podem favorecer o
aparecimento da expressão destas condições em suas proles. Uma mãe que
em condições relativamente normais, tanto de idade quanto de ambiente,
tem uma criança com autismo, muito provavelmente já apresenta uma boa
quantidade de genes que predispõe ao seu aparecimento bem como fatores
orgânicos como ter maiores taxas de testosterona que seus pares de
mesmo sexo. (além do casamento genético com o seu par, como sugeri
acima). Sabe-se que a maioria das mães de autistas tem maiores taxas
de testosterona do que a média. O aumento do testosterona pode
provocar novas mutações que resultam na suscetibilidade para ter ao
menos um dos filhos com a condição. Mães com alto testosterona já
podem apresentar estas mutações naturalmente, mesmo em idade jovem e
mais apta para ter uma gravidez ”normal”. Mães com níveis um pouco
mais altos de testosterona podem estar mais predispostas a terem
filhos autistas do que àquelas com níveis mais baixos. Condições
ambientais podem aumentar a quantidade de testosterona como resposta à
presença de toxinas, e isto pode ocasionar o aparecimento do autismo
clássico, que ao contrário da síndrome de asperger, é bem mais
epigenético e complexo e não oferece nenhuma vantagem tanto à
população afetada quanto para o coletivo, talvez alguma tentativa de
interpretação subjetiva de alguns traços.
Portanto, a diversidade genética humana é resultado direto da seleção
de vários traços, inclusive e especialmente os tipos extremos, que
favoreceu à adaptação. Genes que favorecem ao comportamento de risco e
ousadia, parecem relacionar-se com TDAH, genes que favorecem à
capacidade imaginativa e portanto de desenvolver cultura, religião e
regras sociais parecem relacionar-se à esquizofrenia e também à uma
maior gama de espectros destas condições, genes que favorecem às
características cognitivas que resultaram no desenvolvimento
tecnológico e na ciência parecem relacionar-se ao autismo, capacidade
de adaptação em ambientes temperados parece relacionar-se ao espectro
dos ”transtornos” de humor como bipolaridade e depressão. Todos eles
são manifestações adaptativas extremas. Todos eles apresentam
variações mediante uma distribuição contínua de traços, onde as suas
manifestações mais leves podem conferir grandes vantagens cognitivas,
mesmo ao nível de gênio (onde acredita-se que os verdadeiros gênios
são ‘construídos’). A presença destes genes no nosso passado,
reverbera em nosso presente e no nosso futuro, onde todos nós
apresentamos ao menos algum traço de cada variação e onde os
mecanismos sexuais e culturais de seleção agora predominantes em
nossas sociedades complexas, continuarão a selecionar ao menos um traço
de condição tornando as suas manifestações de ”fenótipo-cheio” uma
constante a nível mundial.. Por razões de qualidade de preferência nos
padrões de acasalamento, esta teoria fundamenta que a manutenção das
variações mais extremas da cognição e personalidade humanas se dê
justamente pela atração e posterior procriação destes tipos resultando
no ”encaixe” do quebra cabeças de genes e não necessariamente em
acasalamentos diretos que resultem em maior número de filhos. Também
não é eliminado a co-possibilidade de explicação dos níveis dos
hormônios sexuais como importantes responsáveis pela variação humana,
portanto pela sobreposição de espectros de traços, uma explicação
biológica paralela à teoria de acasalamento indireto. A variação
humana também pode ser baseado segundo um espectro na distribuição de
níveis de hormônios sexuais, onde os grupos mais extremos tenderão a
produzir fenótipos de igual natureza.

Criatividade não é o resultado de uma obra, é o próprio pensamento…

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…, a criatividade nasce quando o pensamento é feito, desde os seus primeiros estágios de composição, desde a primeira faísca, desde a primeira eureka. Todos nós podemos ter pensamentos criativos, mas poucos serão capazes de terem pensamentos de alta qualidade e de alta intensidade. Estes dois componentes quando combinados denominam o pensamento do gênio criativo. Quando a criatividade se dá em alta qualidade mas baixa intensidade e portanto baixo risco de irracionalidade ideacional, é característico de pessoas altamente inteligentes mas sem a chama divina da loucura para além de sofisticar, também transcender toda a ordem conhecida. É erroneamente estabelecido pela mídia popular que a criatividade não tem uma base genética e que a mesma em seu próprio conceito é o resultado do esforço intelectual mas não o princípio do esforço. Hoje, assim como se suspeitava desde a milênios, já se sabe que existe uma relação similar entre os mesmos mecanismos que provocam a loucura e a criatividade. A criatividade seria como uma loucura controlada ou organizada. Portanto, se e a criatividade é um estilo de pensamento e se do pensamento todas as ações e ideações humanas são originadas, a mesma não pode se limitar somente a este tipo de caracterização. Do nosso pensamento se faz a nossa personalidade e portanto todo aquele dotado de grande potencial criativo, o será não somente durante o surto controlado de loucura, mas também durante boa parte de sua existência diária. A personalidade criativa, recentemente estabelecida pela psicologia científica, demonstra que alguém dotado de elevada criatividade tem em si mesmo, o caos organizado, caracterizado pela presença de traços díspares como extroversão e introversão, tendências depressivas e megalomaníacas (durante o período de extrema alegria), tendencias extremamente empáticas e anti-sociais, comportamentos obsessivos, tipicamente autistas e fortes tendências psicóticas ou esquizóides etc.

O gênio criativo que é aquele dotado de extremamente alto nível de criatividade, tenderá a levar uma vida transcendente em que os velhos pressupostos sociais serão analisados como normas de condicionamento totalmente incompatíveis com a criação criativa, que não se dará somente por meio da obra acabada mediante esforço criativo, mas também em todos os aspectos da vida. A psicose controlada trabalhará negativamente para o respeito cotidiano de normais sociais visto que não é criativo repetir o mesmo tipo de comportamento ao longo da vida, se é possível fazê-lo de múltiplas maneiras distintas e novas. A centelha fundamental da criatividade é o pensamento divergente. Este se origina da fluidez cerebral das pessoas criativas, visto que durante a formação de seus pensamentos, múltiplas ideias surgem, mediante a incapacidade destas mentes em suprimir o ”excesso” de informações que  captam. Em pessoas ‘não criativas’ ou em um nível normal de criatividade, seus cérebros são dotados de ferramentas aptas para responder eficazmente e de maneira específica aos diversos contextos dos quais lhe serão ”apresentados” pelas circunstâncias cotidianas. O filtro de informação nestas pessoas, trabalhará portanto para enfatizar de maneira consistente somente ou especialmente as microinformações mais pertinentes que possam contribuir para a resolução de problemas imediatos ( o futuro por si só já é um problema) enquanto que o mesmo não acontecerá durante o pensamento criativo natural, onde imediatamente que se estiver diante de um acontecimento, que mais de uma ideia surgirá e mesmo que a ideia mais racional seja a escolhida, não se fará por ênfase mentalmente condicionada. O pensamento criativo é mais rápido e abrangente ao promover a idealização de múltiplas possibilidades porém também é mais lento, porque tenderá a ter mais tempo para a observação destas ideias.
A conclusão deste texto é a de que a criatividade ao contrário do mito popular, não pode ser somente a obra acabada do gênio, mas é justamente a sua biologia cognitiva que torna possível a sua capacidade para produzir excepcional trabalho. Obsessão, ao estilo autista, atenta aos detalhes e fortemente compenetrada é entendida ou tem sido denominada como ”perseverança”, o que não deixa de ter alguma lógica, ainda que não seja a maneira mais correta de definir este traço quando presente na subpopulação criativa.

Memória auto biográfica e depressão

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Maiores e melhores memórias auto biográficas podem se relacionar consideravelmente com maiores tendências para estados pré mórbidos depressivos à depressão, propriamente dita.

Por razões lógicas, aqueles que exibem melhor acuidade e frequência em experienciar mentalmente os eventos auto biográficos do passado, também estarão em maior risco de desenvolver emoções ”negativas” como tristeza, por ex, ao lembrar de períodos ou momentos de alegria, raiva, rancor e especialmente, se a vida no presente estiver abaixo das expectativas, onde  a sensação de descontinuidade de eventos que propiciaram ”emoções positivas” será maior e será interpretada como uma processo de degeneração do bem estar emocional. Esta sensação caminhará para resultar na depressão ou em estados pré-mórbidos.
Predisposição Genética
Sabe-se que pessoas que apresentam maiores conexões entre os dois lados do cérebro e portanto o tem de formato simétrico, tendem a ”experienciar” uma maior quantidade de emoções negativas. Pessoas com hiper ativação do lado direito do cérebro também tenderão a ter estes tipos de experiências em seu cotidiano. A tristeza e a melancolia, duas etapas extremamente semelhantes em conceito mas divergentes quanto à cronologia de uma tendência de longo tempo, como o tempo em comparação ao clima, são originadas deste tipo de organização e manifestação sistêmica neurológica.
Nascer com um cérebro conectado de maneira diferente com certeza que será um forte ponto a ser considerado. Canhotos e ambidestros, justamente aqueles que tendem a nascer com conexões variáveis do cérebro, estão mais expostos tanto para terem memórias auto biográficas acima da média quanto para desenvolverem depressão e outros estados pré-mórbidos como a melancolia.

Masculinidade e anti-intelectualismo, quanto mais perto da selva, mais longe do céu

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Adoro a banda islandesa de ”post-rock” Sigur Ros. Suas músicas são belíssimas e nos tocam a alma. No entanto, não pense em escuta-las com o som alto nas ruas, porque este tipo de música, transcendental e atemporal, que canta a beleza da vida e do todo, poderá fazer algum ”macho típico” duvidar de sua masculinidade. E ele terá 50% ou mais ”razão” para duvidar disso, afinal, alta cultura nunca foi  e nunca será algo para ser honestamente apreciada por um tipo destes. Muito alta inteligência estética e eu diria, criativa, está intensamente não-relacionado com masculinidade. Jonsi, o vocalista da banda Sigur Ros, é homossexual. Muitos outros tipos masculinos afeminados criativos também são. Outros estarão em diferentes níveis de não-masculinidade, mas o que é certo é que a elevada criatividade, especialmente nas artes, não se relaciona com ”virilidade” ou ao menos não segundo os termos bio-aceitáveis. Os mais altos níveis de qualquer realização humana caminharão para ter uma sobre representação masculina, justamente por causa da maior variabilidade de tipos de personalidade, estilos cognitivos e níveis de inteligência, técnica e intelectual. Como resultado, a alta cultura, tem se encontrado para ser um negócio de homens altamente sensíveis (muitos deles, de homossexuais) e inteligentes. Alta criatividade quer indicar especialmente, aquela que é do mais alto nível, porque quando falamos de criatividade, estamos a falar especialmente de qualidade e não de quantidade, não se pode medir isso de maneira matematicamente objetiva. Os níveis de criatividade podem  ser notados no entanto por meio de camadas de superioridade especialmente em relação ao senso estético. O que eu quero dizer é, a alta cultura post-moderna que é emanada pela banda Sigur Ros não se compara matematicamente com as rimas de uma música de rap, porque não estamos falando das mesmas grandezas. A superioridade da alta cultura se encontra primeiro, em sua busca incessante pela beleza e portanto apurado senso estético e segundo pela ênfase na expressão da imagem maior, como no caso da banda que citei e que tanto gosto, suas músicas não buscam externalizar um contexto específico como crítica social, como no caso do rap, não é uma música de protesto (se fosse, seria contra a feiura, mas isto está subentendido). A alta cultura pode ser comparada com as combinações de roupas de mulheres elegantes, limpa, harmônica e simples enquanto que os demais padrões de cultura e portanto criatividade podem ser comparados com níveis de combinações de vestuário, de pouco usuais a feios. A banda Sigur Ros canta a vida, rappers cantam o conflito e possivelmente a guerra e a morte. Dois tipos extremamente diferentes a tal ponto que poderíamos vê-los como espécies diferentes.

O máximo de estética que um rapper poderia apreciar seria a de um corpo violão das mulheres de seu harém. Outras bandas de post rock também fazem músicas lindíssimas, mas na minha opinião, há algo de mágico e comovente nas músicas dos islandeses de Sigur Ros, onde provavelmente teremos o toque de Ionsi em cada fragmento de sua arte. Esta profundidade de perfeccionismo é característica fundamental para o gênio criativo.
Além da beleza elegante da alta cultura, também é possível perceber uma forte tendência de rejeição por parte do típico ”macho” humano para outros aspectos do intelectualismo, ou o pensamento profundo. Não que não seja possível encontrá-los nestes círculos, mas serão minoritários, da mesma maneira que tipos como Ionsi serão raríssimos em um estádio de futebol. Mesmo quando nos deparamos com os ”machos típicos” dentro do intelectualismo, anda assim, muitos o farão visando entender e criar conflitos dentro da sociedade, porque o homem evoluiu para competir um contra o outro. A masculinidade e especialmente aquela nos níveis mais altos, parece encontrar-se tão irreconciliavelmente diferente dos mais altos níveis de intelectualismo, seja nas artes, na filosofia ou na ”política profunda” (que tem uma aguda visão sobre os problemas da sociedade) que pode-se dizer que a inteligência complexa, apesar de ser mais evoluída na população masculina, tem uma natureza feminina.
A cooperação e não a competição, a apreciação da estética e não o pragmatismo sexual-reprodutivo, a ênfase pessoal em assuntos abstratos e não na socialização para a reprodução sexual, tudo nos leva a crer que a redução da masculinidade, livrou uma parte da população masculina, especialmente entre os europeus, deste compromisso crono-biológico, comum a todas as outras espécies sexuadas. Ionsi, ao não ter a necessidade de buscar uma mulher para procriar como também para sustentar uma família, dedicou sua vida até agora para a produção de sua arte. Isso não é empecilho, visto que outros talentosos artistas conseguiram conciliar os dois, mas a bela música deste cantor e compositor é de uma raridade qualitativa tão grande que, somente a busca por tipos semelhantes à sua grandeza poderá servir como comparação. É evidente que as explicações ambientais estão longe de serem suficientes para explicar a dedicação pessoal de um indivíduo excepcional para desenvolver o seu talento para as artes, visto que por exemplo, a maioria dos homossexuais apesar do fato de não buscarem a procriação com o sexo oposto, não tem igualmente, dedicado suas vidas para a alta cultura, apesar de estarem sobre representados neste ramo. Combinações semelhantes (porém aleatórias) de condições genéticas tenderão a produzir, desde o artista talentoso, o gênio da matemática até o cabeleireiro super afeminado, o esquizofrênico e o psicopata.
A masculinidade tem como primazia, especialmente nos seus níveis mais altos de intelecto, a busca por padrões mecânicos. A criatividade não visa construir um prédio retangular mas revolucionar as construções verticais humanas tal como por exemplo, fazer um prédio em forma de colmeia, árvore ou com outro formato geométrico, além do habitualmente requerido. A mente criativa nunca pensa no comum, no habitual mas sempre naquilo que poderá vir, no futuro, ou no passado. A criatividade sempre será revolucionária, porque a revolução é a mudança, é a passagem abrupta do tempo das gerações, é a fluidez, a efemeridade. No final das contas, a criatividade é a expressão das certezas da existência como a de que tudo passa. O modo de viver criativo é igualmente semelhante à sua busca pela auto expressão primordial. Sempre a busca e para que isso ocorra é necessário fazer o mundo girar, as paisagens mudarem, o inverno acabar e com ele vir o degelo da primavera, o tempo resume a busca e a aceitação, especialmente nos mais mais altos níveis, da criatividade.
No entanto, os machos típicos estão indiferentes a tudo isso, eles só estão preocupados em fazer o seu papel de reprodutor, sua continuidade não vem por meio de sua obra concreta que é o trabalho criativo, mas orgânica que são os seus filhos. A redução na socialização tem uma função importante, ambiental (interação gene-ambiente), derivada da natureza comportamental de uma parte da população criativa. Enquanto que muitos criativos se engajarão consideravelmente na socialização, muitos outros irão no sentido oposto e seus eventuais trabalhos criativos só serão reconhecidos por meio da ajuda de terceiros para a exposição ou eles mesmo o farão mas sem a interação social intensa que os tipos, mais narcisistas, buscarão. Nos níveis mais medianos de criatividade e portanto mais subjetivos, a propaganda boca-a-boca será a alma do negócio.
Os mais altos níveis de testosterona, geralmente, podem ter um efeito intoxicante tanto para a criatividade quanto para maior inteligência. Claro que neste caso eu me refiro aos níveis do hormônio que produzem o homem normal e as variações do típico macho. Por razões genéticas e biológicas, a personalidade do típico homem será suficientemente balanceada para rejeitar tanto quanto possível as atividades de alto valor abstrato e portanto não-objetivamente reprodutivas enquanto que suas ênfases pessoal-construtivistas de vida estarão conectadas nos rituais objetivos e inclinados para a socialização e posteriormente para a reprodução. O típico macho funciona quase que exatamente como é de se esperar o funcionamento cronológico do comportamento animal.
Isso não significa que os criativos são assexuados, visto que a realidade parece ser exatamente a oposta, mas o que importa aqui não é ser mais ou menos sexualmente ativo ou predisposto, mas o princípio de vida que vai nortear seus pensamentos desde a primeira infância. Se automaticamente você preferir a bola para brincar com seus amigos e a se engajar em comportamentos normativos e não se questionar o porquê de fazer isso, então é muito provável que você irá me acusar de afeminado por preferir o tipo de música que a banda Sigur Ros produz.
Aquele que não consegue pensar em si como se estivesse sob outra perspectiva, fora-do-corpo, não será capaz de produzir grandes obras criativas porque não saberá nem entenderá como auto expressar-se. A auto expressão é a primeira forma tridimensional de desassociação. É por isso que os típicos machos adoram multidões de torcedores de futebol, adoram as massas enquanto que o gênio criativo é solitário ou tenderá a ser. A auto expressão do homem comum é a sua união quase que orgânica com  os seus iguais, esta é sua arte.

Inteligência, obsessão intelectual e pensamento divergente parte 4

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Se pudéssemos resumir dois dos atributos mais essenciais para definir  a inteligência sob todos os aspectos objetivos e subjetivos, com certeza que, estes dois traços seriam fundamentais, obsessão intelectual e pensamento divergente.

 
A maioria das pessoas que são superdotadas exibem tendências para a obsessão intelectual. Este traço raro é uma característica quase que totalmente limitada entre os mais inteligentes. A maioria da população (60-80%, dependendo do país) tendem a exibir flashes dispersos de interesse intelectual, mas de natureza mesquinha, visto que para a maioria, o conhecimento quase nunca é visto como o fim, mas como o meio para se chegar ao fim. Pessoas intelectualmente obsessivas não vêem o conhecimento como o meio, mas como o fim, o fazem quase que por osmose, porque apresentam grande curiosidade e estão sempre se aperfeiçoando. A obsessão intelectual funciona quase que como uma espécie de ”vício” que segundo algumas perspectivas, pode resultar em avaria na interação social. No entanto, é evidente que este traço é bastante benéfico. Muitos subtipos derivados da obsessão intelectual são caracterizados por uma espécie de carga energético-cerebral limitada, isto quer dizer, eles desenvolvem ao longo de um período específico de vida, algum interesse obsessivo intelectual, mas a chama se extingue depois de um tempo, especialmente quando conseguem chegar ao ”destino final”. O mesmo não acontece com o típico obsessivo intelectual, onde o fogo do conhecimento jamais é extirpado. Esta energia cerebral permanece durante toda a vida.
A obsessão intelectual quase sempre é mais específica do que generalizada, mas não é incomum encontrarmos típicos intelectual-obsessivos que desenvolvam mais de uma fixação por interesse.
Assim como todos nós buscamos a alegria e muitos o fazem usando a captura momentânea ou não-recreativa de conhecimento para atingi-la, os mais inteligentes, já são felizes por natureza, mais por causa do transe de intelectualismo que os torna, como alguns poderiam sugerir, presos em um círculo sem fim onde quanto mais conhecimento se adquire, mais saciedade se tem para buscar mais, tal como uma pessoa que depois da terceira experimentação de maconha, passa a buscar por drogas mais potentes para saciar a sua gula por alegria artificial extrema. No entanto, vale destacar que as ideias de alegria entre os gênios e as pessoas comuns se diferem consideravelmente, sendo que quase sempre esta se baseia em conquista material entre os segundos enquanto que entre os mais inteligentes, configura-se numa busca existencial e portanto muito mais profunda da mesma, quase que como se tivessem a vontade de materializá-la. A alegria é subjetiva e dispersa em distrações para os estúpidos enquanto que é o completo oposto para as naturezas extremamente enérgicas dos gênios.
 
 
Obsessão intelectual e espectro do autismo
 
 
A relação óbvia entre obsessão intelectual específica e autismo tem sido amplamente observada, desde as primeiras considerações de identificação e diagnóstico. Partindo do pressuposto que o autismo é um largo espectro e que muitos grupos de pessoas não são idealmente identificadas como autistas (aspies e de auto funcionamento), podemos pensar que a obsessão intelectual seja mais comum em pessoas que apresentam uma combinação de traços tipicamente autistas do que aqueles que são predominantemente neurotípicos. Aliás eu poderia sugerir que se este traço aparece de uma forma extrema entre a população autista, então o autismo é o arcabouço de onde este traço se originou e se dispersou pela população e a maioria das pessoas não-autistas com intensos interesses intelectuais apresentam algum alelo derivado do espectro e portanto, pontuam alto em questionários que visam a identificação da condição.
 
 
Pensamento divergente
 
 
O pensamento divergente é considerado uma forma de criatividade, mas eu acredito que ele na verdade tem outra função, mais geral e menos específica, para gerar a atividade criativa. O vejo mais como uma carapaça que dá corpo à criatividade, um traço universalmente presente em qualquer pessoa criativa, independente de tipo ou nível de funcionalidade, relaciona-se à busca pela novidade em essência. No entanto, o pensamento divergente sozinho não é capaz de desenvolver coerência e o que temos costume de ver é a presença invulgarmente alta de pessoas criativas com falta de bom senso e realidade. A  combinação do pensamento divergente com a obsessão intelectual tende a resultar em extrema inteligência, visto que haverá uma tendência de ambos se complementarem positivamente. Daí a excelente capacidade dos gênios, de fato, em perseguirem as ”verdades-núcleo” ao invés de aceitarem as suas ”verdades individuais”. Estes, tendem a acoplar uma na outra, tornando suas existências extremamente coerentes e racionais em um ponto de vista realista, a partir do momento em que vêem o mundo com os seus próprios olhos e não são fracos para serem dissuadidos do ‘senso comum’. Quando se acorda do feitiço da subjetividade social humana, seria como se de tivesse acordado de um sonho confuso e sem nexo, para a realidade, aquilo que os seus olhos vêem de fato e não aquilo que ”querem” ver. O pensamento divergente combinado com extrema inteligência intrapessoal (traço já citado em um texto anterior, inteligência multidimensional), ou seja, extrema habilidade de auto conhecimento e obsessão intelectual, resultam em tipos extremos de gênios, menos marcados por inteligências técnicas e mais por intelectual, especialmente filosófica. Mas mediante tamanha habilidade de mergulho existencial, é possível que estes tipos poderiam fazer com sucesso qualquer tarefa bio-coerente, não relacionada com suas áreas específicas de interesse.

Inteligência multidimensional, energia cerebral, simetria e plasticidade parte 3

 

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Um paradoxo interessante desta teoria é a de que cérebros mais simétricos tenderão a resultar em aptidões cognitivas assimétricas e vice-versa. A maioria dos seres humanos tem cérebros assimétricos com forte tendência de dominância para o lado esquerdo do cérebro. Pessoas com cérebros simétricos tenderão a exibir maior diferença entre suas aptidões em compasso com seus déficits e com certeza que este fator pode dar em resultados deprimidos em testes tradicionais de inteligência, tornando o diagnóstico final incorreto sobre a real condição cognitiva deste tipo, onde muito provavelmente o rótulo de ”na média” ou ”inteligência normal” por exemplo, se torne uma grande possibilidade estatística. No entanto, isso não significará que estas pessoas são menos inteligentes, porque a inteligência, especialmente a inteligência assimétrica não é possível de ser medida totalmente por testes cognitivos convergentes e simétricos.

A  alta inteligência como um ”transtorno de personalidade” ou ”transcendência genética da personalidade coletiva, passiva, apática e apta para se adaptar à ordem social vigente”
Provavelmente uma das primeiras impressões que as pessoas medianamente inteligentes, especialmente as técnico-convergentes, tem em relação aos teus pares mais espertos é a de parcial a completa falta de conectividade sócio-cultural destes em comparação ao senso comum estabelecido. Um behaviorista poderia interpretar este sinal como ”por causa das circunstâncias” essas pessoas ”se tornaram distintas” das demais. Um galtonista usaria testes de qi para tentar entender isso, no entanto, é sabido que a maioria dos altos qis, que geralmente exibem inteligência técnico-convergente entre 130-150, tendem a ser ainda mais ”normais” em comportamento do que os seus pares menos qi-inteligentes, ou seja, eles são os famosos ”nerds”, alunos excelentes nas escolas convencionais, também conhecidos por exibirem personalidade apática e ótima saúde mental, em contraste com grande parte dos maiores gênios conhecidos da humanidade.
Portanto, a simples conclusão de que o qi é o único e fundamental medidor de inteligência é errada a partir do momento que não leva em consideração as diferenças individuais, que são uma realidade muito evidente entre a minoria de seres humanos com cérebros simétricos.
Os testes de qi apresentam grande aceitação em alguns meios altamente inteligentes de cientistas cognitivos, especialmente aqueles que estão relacionados com o fenômeno da comunidade HBD. Os mesmos, de fato, são bons em medir somente determinados tipos de inteligência, especialmente aquelas com características de assimetria morfológica (e portanto concentração de habilidades especialmente em algumas regiões do cérebro), inteligência predominantemente técnica (habilidade em aprender e realizar funções repetitivas) e convergente ou convencional (a mesma realidade que a inteligência técnica, no entanto com a diferença em relação a ênfase conceitual desta na capacidade de entender e aprender conhecimentos já existentes, ou seja, ”aprender” como se faz um determinada função mas sem grande capacidade de inovação).  Não por coincidência que este tipo é predominante entre os seres humanos.
A aleatoriedade de dominância cerebral tende a resultar em uma loteria de distribuição de habilidades, observadas pela própria morfologia do cérebro. Como resultado, enquanto as pessoas assimetricalmente cerebrais apresentam maior facilidade para exercer suas funções cognitivas porque estas encontram-se mais ativamente concentradas em algumas partes mais específicas do cérebro, aquelas com simetria cerebral, ou seja, os lados do cérebro mais iguais em tamanho, tenderão a exibir combinações incomuns de suas funções que se encontrarão mais igualmente distribuídas pelo cérebro.
A ideia cada vez mais aceita de que o comportamento é fortemente influenciado pela morfologia cerebral se encaixa nesta parte deste trabalho, porque a personalidade, uma combinação de traços comportamentais, com certeza que será influenciado também pela mesma.
Pessoas com cérebros assimétricos e predominantemente destras tendem a fazer sociedades coletivistas, religiosas e xenófobas, não por razões culturais, históricas ou políticas, estas que são o resultado e não a causa disto, mas justamente por suas características neuro-fisiológicas, que resultam na manifestação pela cultura, de seu fenótipo alargado de personalidade.
Não deve ser a toa também que a esquerda cultural dá tanta ênfase em individualismo e diversidade, eles não fazem isso somente por causa de algumas razões ambientais como política ou planos de conspiração, mas porque suas naturezas complexas pedem isso.
A aleatoriedade genética que resulta em alguns traços minoritários humanos como o canhotismo e o homossexualismo, tem um preço alto para uma parte da população afetada, porque uma maior combinação incomum de traços tendem a resultar em maior carga de mutação e aí teremos desde o céu até o inferno como resposta. Enquanto estes traços podem deprimir a saúde mental, bem como as habilidades técnico-convergentes, extremamente solicitadas em nossas sociedades, por outro lado, também existirão aqueles tipos que se beneficiarão consideravelmente visto que continuarão a ter alguma saúde geral, mental a física, bem como apresentarão melhorias significativas em algumas de suas funções cognitivas. Também teremos outro tipo de fenótipo que resultará em algum ”enfraquecimento” da saúde mental, mas sem enormes encargos, juntamente com uma melhoria da inteligência perceptiva, visto que estas pessoas herdarão as habilidades intuito-instintivas que um pouco de loucura tende a provocar e com isto uma melhoria da energia cerebral, um cérebro trabalhando como se fosse dois.
Se o que somos está cravado em nossos genes, então personalidades complexas, típicas de pessoas altamente inteligentes e criativas, é resultado de combinações incomuns de traços genéticos, ainda no útero, que resulta em fenótipos igualmente incomuns, raros.
Portanto, se a inteligência elevada é uma forma de transtorno de personalidade socio-dissociativo, especialmente para os patófilos de alcova que encontramos na psicologia, então os verdadeiramente inteligentes e não somente os famosos altos qis apáticos, devem por obrigação lógica, exibir personalidades complexas que são nada mais nada menos que a manifestação de suas naturezas ricas, incomuns e frágeis. Pensemos nessas pessoas como espécies exóticas de plantas, extremamente sensíveis ao ambiente ou complexos mecanismos de dependência e confluência de sobrevivência no reino animal, como as muitas cadeias alimentares.
Cérebros simétricos são mais sensíveis ao ambiente e portanto mais flexíveis, ao passo que cérebros mais assimétricos são o oposto. Sociedades predominantemente ‘cérebro-assimétricas’ são conservadores por natureza enquanto que as sociedades ou com uma minoria importante de cérebros simétricos ou com esta minoria como a elite intelectual-cultural e científica da mesma estará em constante mudança e movimento e tende a ser liberal e individualista. Serão mais complexas mas também poderão ser mais pacíficas, até o momento de quebra do equilíbrio homogêneo, de pessoas genotipicamente relacionadas (da mesma etnia ou raça) para pessoas não geneticamente relacionadas e predominantemente cérebros assimétricos, destras e conservadores, fenômeno que se observa agora em todo mundo ocidental.
Sociedades conservadores tendem a ser tribalistas, porque dá-se ênfase ao genótipo mais do que o fenótipo, o exato oposto acontece com sociedades liberais, onde as pessoas buscam filiação com pessoas fenotipicamente relacionadas ( mesmos interesses, personalidade, inteligência).
As pessoas com cérebros incomuns tenderão a ser mais livres pensadores, porque os seus cérebros, ou mais frágeis ou mais plásticos, tenderão a cambiar consideravelmente mais em pontos de vista do que outros grupos. Parece cada vez mais óbvio que a plasticidade cerebral tem um efeito significativo não somente na inteligência mas também em diversos outros aspectos, de natureza social, política e cultural.

Inteligência multidimensional- energia cerebral (hiperfoco) parte 2

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A óbvia vitória, ainda parcial dos galtonistas deterministas, retomou a ideia de que a inteligência pode ser medida exclusivamente por testes cognitivos ou de testes de qi. Inúmeras correlações entre os resultados individuais de testes de qi e resultados sociais, econômicos e comportamentais tem sido encontrados. No entanto, é cedo demais para determiná-los como parâmetros do que é ser inteligente. Apesar do trabalho de desnormatização das sociedades ocidentais implementadas por inúmeros cientistas a partir do século XX, ainda assim, persiste e muito provavelmente continuará a persistir nessas sociedades a ideia dualista e quase sempre tendenciosa de determinar aquilo que é ”normal” e o que não é ”normal” segundo as suas próprias visões individuais e não somente segundo a visão racional e portanto impessoal e imparcial. Pode-se concluir que as culturas humanas são o resultado de um ”consenso” de uma maioria em projetar o seu fenótipo biológico como a norma a ser cumprida por coerção ou chantagem, forçando aqueles que destoam do mesmo, a buscarem maneiras de se ”adaptar” a essa realidade. Em outras palavras, basicamente existe como um princípio fundamental das modernas sociedades humanas baseadas em larga rede de cooperação altruísta, uma também larga rede de genes-espelho responsáveis por determinar a cultura e normas sociais que DEVEM ser seguidas pelos demais. Se na natureza, os predadores são em geral, mais inteligentes e em menor número que as presas,então poderíamos correlacionar fracamente que também na fauna humana o mesmo processo pode acontecer. No entanto, devido à complexidade e exoticidade humanas, não é possível sugerirmos a ideia de que sempre as minorias terão um papel predatório enquanto a maioria terá o papel de presa, visto que como foi dito acima, as culturas humanas são projetadas para as combinações de fenótipos comportamentais majoritárias das populações e este fenômeno tem interagido de maneira opressora e até mesmo predatória em relação aos grupos minoritários, portanto revertendo completamente a lógica vigente no reino animal.

Energia cerebral
Este trabalho tem como cerne principal sugerir alguns aspectos biológicos e não estatísticos (como os testes de inteligência) que aparecem como características predominantes encontradas na maio parte do grupo em discussão, ou seja, as pessoas altamente talentosas. Um dos traços aqui entendidos como um dos mais importantes para determinar a capacidade cognitiva de uma pessoa independente de seus resultados de qi (estes, servindo como um componente posterior durante o trabalho individual investigativo, que busca medir a inteligência) é a ENERGIA CEREBRAL ou PODER CEREBRAL.
As pessoas mais inteligentes precisam indubitavelmente exibir esta característica, visto que ela é fundamental para a criatividade. Quanto maior é a energia cerebral de uma pessoa maior será a sua inteligência E criatividade, porque ela usará mais do seu tempo hábil para pensar sobre suas ideias. Pode-se exemplificar metaforicamente este processo da seguinte maneira, quanto mais tempo uma pessoa hipotética fixa o seu olhar em um objeto qualquer, mais detalhes deste objeto ela notará. A fixação é um traço fundamental para a criação, visto que com ela, a visão do criador torna-se ainda mais aguçada e quanto mais aguçada é, mais perfeccionista e detalhista será. Este tipo de habilidade é extremamente comum em pessoas portadoras de distintas composições neurológicas como o autismo e a dislexia. São as chamadas ”dis-habilidades” que sacrificam alguns componentes da inteligência geral, mas pode melhorar significativamente outros aspectos. A maioria dos autistas de auto funcionamento e aspergers bem como uma boa parte dos disléxicos tendem a exibir inteligência mediana segundo os testes de qi, mas é evidente que especialmente o primeiro grupo, como já tem sido observado, exibe uma melhoria significativa de determinadas habilidades cognitivas específicas em comparação a grupos não-afetados de controle. Como resultado, pode-se concluir que os testes clássicos de inteligência podem ter um papel insatisfatório nos diagnósticos verdadeiramente condizentes com a condição hierárquico-cognitivo do paciente ou pessoa de interesse. No caso dos disléxicos, é possível encontrar extremos de habilidades não-verbais, melhoradas por causa da diminuição do tamanho de áreas do cérebro responsáveis pelas habilidades verbais e linguísticas em detrimento das áreas responsáveis pelo processo não-verbal. Não somente entre pessoas neuro-singulares que esta fenomenologia pode ser encontrada, visto que é muito comum nas universidades encontrarmos diferenças de habilidades específicas, mais gerais, entre os estudantes de diferentes áreas, como no caso daqueles das humanidades em comparação aos de exatas. É fato que muitos deles terão elevada inteligência técnica geral, mas muitos dos mais brilhantes, tenderão a exibir uma concentração assimétrica de habilidades em alguns componentes específicos de inteligência. Estes, imbuídos de seus talentos como especialistas cognitivos, fixarão suas atividades intelectuais naquilo que são melhores e bem mais do que os altos-qis técnico-gerais, tenderão a adentrar muito mais significativamente no assunto de ”escolha”.
As pessoas mais inteligentes independente de seu estilo cognitivo, tenderão a ser mais cerebralmente enérgicos, popularmente denominadas de workaholics ou brainiacs, ou seja, grupo de pessoas que estão constantemente pensando profundamente sobre diversos assuntos de natureza intelectual e ou científica, mantendo suas ideias frescas na cabeça, enquanto que a maioria das pessoas tendem a depositá-las em seus ”sótãos mentais” visto que estes tipos de assuntos ou objetos não apresentam significativo interesse direto pra eles, são somente meios para conseguirem emergir para uma finalidade, como aqueles que estudam somente como preparação para determinados concursos, em palavras brutas, estudam para ganhar mais dinheiro, o conhecimento é perseguido para elevar o status sócio-econômico e não somente pelo prazer de adquiri-lo.
Os mais energicamente cerebrais provavelmente tenderão a apresentar cérebros mais simétricos, por causa da grande troca de informações entre os dois lados principais do cérebro, maior corpus caloso, mais neurônios e poderão estar mais predispostos a seres canhotos e ambi destros do que as pessoas menos cerebrais. Psicopatas, autistas, portadores de inúmeros ‘transtornos mentais’ como bipolaridade, ‘distúrbios’ de personalidade tenderão a se encaixar neste grupo. Todos eles tenderão a apresentar cérebros energicamente mais ligados e ativos e de acordo com cada condição resultará em redução de aptidões específicas bem como a melhoria de outras, justamente partindo do princípio de que, em um determinado ponto, em que o equilíbrio cognitivo está quebrado, a redução de alguma aptidão pode resultar na melhoria, até mesmo significativa de outra.

Inteligência, um conceito multidimensional (parte 1)

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Introdução e Breve Histórico

Com a entrada da humanidade na segunda década do século XXI o debate sobre as características biológicas dos seres humanos tornou-se ainda mais intenso, visto que neste período demarcado, um acúmulo do reavivamento darwin-galtonista da ciência bio-humana diferenciativa precipitou neste estado de coisas. A vitória daqueles que eu denomino como ”behavioristas” em grande parte entrincheirados em base ideológica socialista de esquerda, deu-se em boa parte devido a sua capacidade de tomada do discurso público bem como da manipulação deste para finalidade prática, também favorecido pela sua anterior tomada dos centros intelectuais ocidentais, ou seja as universidades e a mídia de massa com o propósito de alcance longitudinal da fomentação da cultura e molde civilizacional. No entanto, esta conquista parcial não significou também a total vitória destes em relação ao discurso ulterior, mais profundo, denso e especializado dentro da ciência, visto que o mesmo não se baseou interinamente na razão pura e simplesmente, mas principalmente nos seus próprios pré-bio-conceitos, quer dizer, aquilo que suas naturezas parcialmente favorecem como a sua realidade neuro-social e não a realidade imparcial, aquilo que é e não aquilo que ‘eu vejo’.

Uma das mais elementares batalhas infligidas entre os dois grupos, os darwin-galtonistas deterministas e os behavioristas, foi a demarcação, distribuição e medição da inteligência ou suas possibilidades. Evidentemente que o primeiro grupo já ganhou este debate e boa parte dos demais micro-debates advindos deste maior, visto que é evidente que os seres humanos tendem a exibir diferenças em habilidades intelectuais. No entanto, de acordo com que estas ‘guerras’ foram acontecendo ao longo dos últimos 30 anos, os darwin-galtonistas foram se tornando mais ”defensivos”, menos preocupados em procurar por todas as nuances complexas que o assunto precisa e mais preocupados em atacar os pontos amplamente cotados pelos oponentes ideologicamente comprometidos.
Com o debate ideologicamente viciado um grupo passou a atacar o outro desmerecendo consideravelmente qualquer ponto positivo que o outro poderia ter destacado, ou merecido. Dois exemplos interessantes  podem ser salientados. Por ex, os ”behavioristas” atacaram os estudos de seus oponentes, que reanalisaram prováveis correlações entre os testes cognitivos, ou seja de qi, e traços morfológicos do cérebro como o seu tamanho ou número de neurônios. Eles ao invés de buscar salientar algum ponto positivo neste discurso simplesmente resolveram desmentir os pontos encontrados, extremamente válidos, principalmente por razões ideológicas e dogmáticas e não racionais, visto que a conclusão claramente demonstrava que grupos parcial-aleatoriamente selecionados de pessoas de diferentes grupos étnicos e raciais apresentavam diferenças hierárquicas em suas médias estatísticas, pulverizando o dogma de igualdade da esquerda política. Com a negação dos behavioristas, a possibilidade de que medidas práticas possam fabricar a longo prazo a igualdade racial em habilidades cognitivas tornou-se menos provável ao menos por agora.
Os galtonistas também tem exibido lapsos de comportamento viciado, mais em atacar o oponente do que encontrar o meio-termo, o lugar incomum, que é o determinante da realidade racional, que a ciência desde sempre tem perseguido. Um dos mais constantes tem sido o ataque contra o processo de desconstrução da normatividade realizada pelos behavioristas, processo que se iniciou a partir da primeira metade da década de 20, com Sigmund Freud capitaneando os sucessores de mesmo discurso. De fato, a normatividade (ou normalidade) é algo bastante complicado de ser reconhecido, ela não existe, em qualquer sociedade humana existem inúmeros fenótipos de comportamento bio-social, sendo que um deles torna-se predominante e passa a fabricar aquilo que é normal, mas de fato, o ser normal não é viver as regras impostas pela ou para a maioria mas viver a sua natureza, estar em contacto com a sua verdadeira essência. Desde há muito pouco tempo que incontáveis injustiças tem sido cometidas contra as pessoas que repelem naturalmente o comportamento de rebanho, tão característico nas sociedades humanas, desde os milhões de vidas ceifadas pela opressão da maioria normativamente correlacionada até os casos individuais mais famosos como do cientista Alan Turing, que mesmo depois de suas importantes contribuições à sua sociedade, ainda foi perseguido implacavelmente por causa de se fenótipo bio-comportamental desviante e portanto anormativo.
Estes dois exemplos contemplam parte da proposta fundamental deste texto que é expôr os erros essenciais que estão a ser proposital ou não, cometidos pelos dois grupos intelectuais de debate, sempre buscando desmerecer qualquer ponto positivo que o outro tenha encontrado e com isto, repropor especialmente quanto ao que gere o conceito de inteligência, uma maior amplitude bem como o seu significado menos técnico-prático e mais evolucionário e digamos, humanista, não num sentido humanista como é bem conhecido, devido a sua natureza dogmática moderna, mas como uma maneira de buscar toda as nuances do termo especialmente os traços psicológicos e neuro- morfológicos bem como a identidade que nos torna humanos e a ideia de que quanto mais humano e mais distante do reino animal uma pessoa é, mais complexa e inteligente tenderá a ser, independente dos resultados em testes cognitivos.
De:RefémdoDrDeus Para:Deprimente mundo Assunto:Denúncia de maus-tratos a pensadores

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